Ainda repercute a declaração feita pelo sub-comandante da Polícia Militar, ao responder um questionamento feito por PM, quando da realização da audiência pública realizada em Propriá, na semana que passou.
O policial que participava da audiência, em certo momento questionou o coronel, “o porque se existe duas policias que fazem o mesmo trabalho e tem salários tão diferente?”. Ao ouvir a pergunta, o coronel respondeu: “isso é uma questão de concurso”, respondeu o coronel, numa clara referencia de que “faça concurso para a policia civil”. Isso acabou criando um constrangimento entre os militares presentes.
Na manhã desta segunda-feira (28), um policial, revoltado com a situação fez um “duro” desabafo e encaminhou através de e-mail à redação do FAXAJU:
Veja o que diz o e-mail do PM:
“Rapaz, eu nem sei mais o que pensar. Não consigo acreditar que temos pessoas que se achem tão incompetentes, submissas e com tão pouca auto-estima comandando nossa Polícia Militar. Como é que um sub-comandante geral nunca abre a boca e quando abre, fala uma coisa dessas? Que o problema da PMSE é uma questão de concurso!!!!! Ou seja, está achando ruim... Faça concurso para a Polícia Civil. Quando eu entrei na PM, cinco anos atrás, eu discutia com algumas pessoas sobre a relevância de se valorizar o salário de um coronel em comparação ao de um delegado, pois na minha visão (na época), eu via um coronel como um policial com várias atribuições, dentre elas o comando de Batalhão com grandes áreas e centenas de pessoas subordinadas a ele. Diferentemente de um delegado que, quando muito, toma conta de uma delegacia e tem três ou quatro policiais sob seu comando. No entanto, minha opinião mudou muuuuuuito de lá para cá. Hoje que conheço os pormenores da instituição, não sou mais um defensor ferrenho de tal direito. Sabe por quê? O que eu vejo são coronéis especialistas na arte de se esquivarem de tudo o que realmente interessa a corporação em prol da subserviência operacional dos interesses particulares. Com isso, o que vemos na tropa é uma quase que total desmotivação. O policiamento é distribuído de forma totalmente amadora e recheado de interesses. Durante meu curso, via estampado nas paredes do Cfap que: “a palavra convence, mas o exemplo arrasta”, e achava muito interessante e oportuno para a vida policial militar. No entanto, faço parte de uma tropa carente de bons exemplos. Faço parte de uma tropa onde as praças estão abandonadas por seus “comandantes” nas ocorrências diárias. Ok! Não vou ser tão radical... Tem um ou outro oficial que ainda chega junto da tropa, mas sozinho, logo cansa e abandona a operacionalidade buscando os “corredores” dos quartéis ou os “macetes” que o oficialato sergipano tem. Faço parte de uma tropa onde um recente comandante geral mal tinha o segundo grau e alguns soldados, cabos e sargentos com os quais trabalho diretamente possuem nível superior, pós-graduação e até mestrado, mas não têm oportunidade alguma de ajudarem a desenvolver a PM com seus conhecimentos. Ou seja, meu amigo, a PMSE desmotiva qualquer um. Os praças sergipanos sabem o valor e potencial que têm. Sabemos o que podemos fazer e onde podemos chegar, e que o Governo é o principal interessado nessa desmotivação. Infelizmente quem sofre é a sociedade, pois (como foi citado em um blog) o “êxodo” de pessoas capazes e preparadas para outras instituições e corporações é inevitável. O que sobrará para a PMSE e o povo sergipano são pessoas totalmente descompromissadas com o serviço policial que visam, única e exclusivamente, o seu bem-estar particular.”
O PM que enviou o e-mail pediu para nao ser identificado com medo de represálias.
Fonte: Faxaju
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