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segunda-feira, 14 de abril de 2014

CBMSE: Bombeiros atuam no fio da navalha, escreve militar


Depois de repercutir positivamente na mídia e nas redes sociais, ação de equipe de socorristas dos Bombeiros que salvou a vida de uma mulher na tarde do último sábado (12), ao suprir demanda por conta da greve do SAMU, é importante ressaltar que o fato, que não é isolado, apenas encobre os problemas enfrentados no dia-a-dia pelas equipes de socorro de urgência da Corporação.

Em posição de destaque nas estatísticas de ocorrências, as de socorro de urgência, respondem por aproximadamente 40% do total de chamadas, no entanto, apenas cerca de 15% delas são efetivamente atendidas.

Isso dá uma real dimensão de que o tipo de ocorrência que é mais procurada pela população junto ao Corpo de Bombeiros, independentemente do SAMU estar ou não em greve, não oferece a mesma reciprocidade de resposta deste para com a população.

Esta demanda reprimida se deve ao fato de que não há investimentos direcionados para o CBMSE no sentido de melhorar o atendimento das ocorrências de socorro de urgência. Pelo contrario, parece ser política de governo acabar com a prestação desse serviço por parte dos Bombeiros.

Ainda que parceiro do SAMU, como preconiza o Sistema Estadual de Resgate, instituído pelo Governo do Estado, através da Secretária da Saúde, conforme já era previsto desde o PPA 2004-2007, o CBMSE sempre teve como objetivo otimizar um dos serviços mais importantes e atuantes na Corporação, que é o de socorro de urgência, seja no atendimento de ocorrências oriundas de acidentes de trânsito ou nos diversos tipos de APH. Contudo, a implementação do Sistema apenas serviu para deteriorar a participação dos Bombeiros no atendimento dessas ocorrências.

Pioneira nesse tipo de serviço, a Corporação, antes mesmo da implantação do SAMU estadual em 2007, dispunha de um Grupamento de Socorro de Emergência (GSE) especializado e específico para o atendimento dessas ocorrências, dotado de efetivo qualificado na área de saúde e de viaturas de resgate (ambulâncias tipos 1 e 2) e motos de socorro rápido (motolâncias). A Unidade dispunha de estrutura que servia de base para uma iminente e necessária ampliação.

Com o SAMU estadual de vento em popa, a “menina dos olhos” das políticas de governo, fez enfraquecer o serviço prestado pela Corporação, a ponto do Comandante Geral acabar com o GSE, bem como, propor a extinção da ainda existente, Qualificação de Auxiliar de Saúde (QBMP-6) dos quadros de efetivo de Praças do CBMSE.

Da mesma forma, as ambulâncias existentes iam completando seu tempo de vida útil e aos poucos foram sendo tiradas de circulação, e como não havia renovação da frota por conta da política de governo, a Corporação, com o objetivo de se manter viva na prestação do serviço de Socorro de Urgência, buscou resgatar, em junho de 2008, o serviço de moto-socorrismo, o qual já havia sido desenvolvido de março de 2002 a setembro de 2004, e que garantia um tempo-resposta melhor no primeiro atendimento das ocorrências, devido a maior facilidade de fluidez das motos no trânsito.

Assim, na contramão dos anseios da população, o serviço de socorro de urgência do CBMSE passou a funcionar precariamente com viaturas com o tempo de vida útil ultrapassado, vindo a ganhar uma sobrevida em dezembro de 2012 com a chegada de 5 novas ambulâncias tipo 2, quando então o serviço de moto-socorrismo voltou a deixar de ser utilizado.

Como dito, o serviço ainda é executado, mas com muita dificuldade devido à falta de material e de condições adequadas de trabalho. O material utilizado pelos Socorristas são limpos num banheiro improvisado no QCG, em local insalubre, e são manuseados no mesmo ambiente do material sujo, por falta de local adequado, o que vai de encontro às normas, onde o fluxo tem que ser unidirecional, e o material sujo deve entrar pelo expurgo e ir passando por etapas até ficar limpo.

Por falta de estrutura as nossas ambulâncias são lavadas no SAMU, pois precisam de local adequado para tal procedimento, mas já não existe mais material para coleta do lixo produzido no atendimento das ocorrências, o que dificulta sobremaneira a prestação do serviço.

Ao longo dos últimos 7 anos o serviço de APH prestado pelos Bombeiros vem sendo gradativamente sucateado na medida em que não se promovem medidas que estimulem, valorizem e reconheçam tão nobre missão, como reconhece a população que alimenta a base dos dados estatísticos abrindo 4 de cada 10 chamadas para os Bombeiros, para o atendimento de APH.

Com a greve do SAMU de vento em popa, vem agora o Governo do Estado, através do Comandante do CBMSE, exigir mais empenho dos Bombeiros no atendimento da demanda reprimida de ocorrências do SAMU por conta da greve. Como? Se nem o material pra coleta do lixo existe!

Não temos efetivo especializado para atender toda essa demanda, pois, como já frisado, o nosso GSE foi dissolvido e os especialistas na área de Auxiliar de Saúde hoje é bastante reduzido.

Prova disso é que o Comandante Geral, num ato de desespero fez publicar uma determinação em BGO nº 063 de 04/04/2014, para que todos os Soldados e Graduados (Cabos e Sargentos) da QBMP-8 (Condutor e Operador de Viaturas) que retornaram de férias no último dia 07/04/2014 se apresentassem no CEMAN a fim de se submeterem ao Curso de Condutores de Viaturas de Emergência.

O objetivo direto é habilitar os militares a conduzir nossas ambulâncias, por falta de condutores, haja vista que tem até quartel por aí com motoristas civis (cedidos pela prefeitura local) dirigindo viaturas militares, e onde nem isso tem, a ambulância fica parada servindo apenas de fachada.

Mas por trás disso há outro objetivo indireto que é o de condicionar, forçosamente, esses militares a atuarem de qualquer jeito no atendimento das ocorrências de APH, devido justamente à carência de efetivo.

Não se pode conceber que o Bombeiro seja forçado ou induzido a prestar este tipo de atendimento sem a devida especialização na área. Por mais que haja nas grades curriculares dos cursos de formação, disciplinas voltadas para o assunto, os militares não podem ser considerados especializados e, por assim dizer, aptos para atuar no atendimento dessas ocorrências.

Muitas destas ocorrências são de natureza clínica o que implica em complexidade, no entanto, os Bombeiros são coagidos a atende-las de qualquer jeito. Para atuar com segurança no APH todo Socorrista tem que ter uma carga horária de no mínimo 200 horas-aula, conforme preconiza a Portaria nº 2048/2002, o que não se consegue atingir nem juntando a carga horária da disciplina nos Cursos de Formação de Soldados, de Cabos e de Sargentos.

Outra coisa importante que precisa ser dito pra que fique bastante claro é que Condutor de Viatura é qualificação da QBMP-8 que começa a partir da graduação de Cabo. No entanto, destoando da legislação o Comando quer impor aos Soldados a condição de serem condutores sem um Curso de Formação de Cabos Especialistas.

Ou seja, de repente o que era ruim, passou a ser bom. O patinho que era feio e estava esquecido num canto, foi lembrado. Não temos hoje uma estrutura adequada para suportar todo esse peso por conta do sucateamento produzido pelo próprio sistema, que relegou a um último plano e ao quase que total esquecimento o serviço prestado pelos Bombeiros.

Informações dão conta de que essa pressa e todo esse desespero em realizar o citado curso se devem ao fato da proximidade da Copa do Mundo, e como a seleção da Grécia ficará hospedada em nossa capital, o chamado padrão FIFA exige, entre outras coisas, um aparato de segurança que inclui uma equipe de prevenção de socorros de urgência com equipes de Socorristas e ambulâncias prontas para atuar, 24 horas por dia, exclusivamente para acompanhar a delegação grega. Ou seja, o que se busca é um plano de contingência alternativo, caso a greve do SAMU se delongue até a chegada da comitiva grega.

E, considerando que a greve do SAMU não tem prazo para se encerrar, a bola da vez passa a ser o CBMSE. Seria interessante que a vigilância sanitária inspecionasse as condições de trabalho, de higiene e de falta de material com que os Bombeiros lidam no atendimento dessas ocorrências.

Até mesmo os Bombeiros trabalham no fio da navalha e estão vulneráveis diante de toda essa deficiência estrutural e de atendimento, pois, a todo momento, em qualquer deslocamento das guarnições para salvar vidas e riquezas alheias, pode ocorrer um acidente envolvendo essas equipes e fica a pergunta: quem irá socorrer os Bombeiros?

Queremos sim manter a prestação do serviço, mas queremos também o reconhecimento e a valorização por parte do governo enquanto parceiro do Sistema Estadual de Resgate, disponibilizando um melhor aporte de recursos para que possamos oferecê-lo à população com mais qualidade.

A autoria da nota é de um Bombeiro Militar que pediu para não ser identificado 

Fonte: Faxaju

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