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sexta-feira, 1 de junho de 2012

Pesquisadores debatem o fracasso da atual política antidrogas e cobram fim da repressão

Seminário na Faculdade de Saúde Pública da USP reuniu o ex-secretário nacional de Justiça Pedro Abramovay, o pesquisador Maurides de Melo Ribeiro e o jornalista José Arbex Jr. Houve críticas à política de encarceramento de usuários, apontou-se a violação de direitos básicos dos cidadãos e discutiu-se até como o tráfico alimenta os lucros da indústria de armas e do sistema financeiro. 

São Paulo – Qual a relação entre o sistema econômico e o tráfico de drogas? Que alternativas existem à falida e violenta política antidrogas atual?

Essas foram algumas das questões debatidas no seminário "A cracolândia muito além do crack", que aconteceu na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e terminou nesta quinta-feira (31).

Ao longo de três dias, profissionais de saúde, sociólogos, jornalistas, economistas e integrantes de movimentos sociais estiveram reunidos para um debate amplo sobre as dimensões históricas, políticas e econômicas das drogas.

Para o ex-secretário nacional de Justiça Pedro Abramovay, que participou de uma das mesas, desde que a política de "guerra às drogas" foi implantada na década de 70, houve um aumento gritante na população carcerária, dos índices de violência, no número de mortes por overdose e de usuários.

A situação piorou ainda mais, disse ele, a partir de 2006, com o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas (Sisnad), que reforçou a política de encarceramento do usuário. O resultado é uma explosão carcerária para envolvidos com as drogas: em 2006 eram 60 mil presos por tráfico, número que saltou para 125 mil em 2011.

“É preciso furar o manto ideológico que impede a discussão dos erros e acertos, e mostrar os efeitos perversos da guerra às drogas na vida real das pessoas, na democracia e na sociedade em geral", declarou Abramovay.

Na mesma linha, o pesquisador da Faculdade de Direito da USP Maurides de Melo Ribeiro criticou exageros das leis penais e lembrou que a política antidrogas restringe direitos dos cidadãos.

"O grande risco dessas políticas de controle total que temos no mundo é o de tornarmos nossas sociedades cada vez mais autoritárias, ditatoriais, embora batamos no peito dizendo que é uma democracia", explicou Ribeiro, que faz doutorado em direito penal e criminologia.

Mas se os sinais de fracasso dessa política são evidentes, por que é tão difícil transformá-la?

Uma das hipóteses foi levantada pelo jornalista José Arbex Jr., um estudioso do tema. Ele afirmou que o tráfico de drogas gera fluxos milionários de recursos que são absorvidos por setores econômicos poderosos, do sistema financeiro à indústria de armas.

"O comércio de drogas é uma peça fundamental para garantir o fluxo que alimenta o capitalismo", disse Arbex, professor de jornalismo da PUC-SP.

Para que esse debate atinja toda a sociedade, "é preciso que haja gestores públicos dispostos a enfrentar o problema, e quebrar este silêncio imposto", apontou Abramovay. Para ele, a intervenção policial na Cracolândia, em janeiro deste ano, simboliza a lógica cega que rege as políticas estatais "de negação, silêncio e repressão".

Isabel Harari

Fonte: Carta Maior

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