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segunda-feira, 12 de maio de 2014

Calaram o Coronel que depôs na Comissão da Verdade


O cenário é de um latrocínio. Praticamente sem testemunhas. O coronel reformado do Exército Paulo Malhães, torturador confesso do regime militar de 1964, foi morto ontem provavelmente por asfixia, depois que teve a casa invadida por homens que aguardaram a chegada do dono da casa, antes de entrarem. Poderiam ter entrado com a casa vazia, furtado e saído. Mas não. Levaram dois computadores, certamente em busca de dados que o coronel mantinha guardados. Malhães era anticomunista ferrenho e nunca duvidou de que toda violência praticada por ele foi válida para manter o país livre do comunismo. Era quase um ideólogo. Foi com certeza o primeiro torturador a confessar a prática negada no auge da ditadura e muito tempo depois pelos arquitetos do regime militar.

Tudo indica que o assassinato do coronel foi queima de arquivo. Seus cúmplices nunca imaginaram que ele fosse tão longe, revelando segredos dos porões. Ao repórter Chico Otávio, contou como funcionava a Casa da Morte, em Petrópolis, de onde pouquíssimos presos políticos conseguiram escapar com vida. Revelou também que ele próprio foi encarregado por seus superiores de sumir com o corpo do deputado Rubens Paiva, desaparecido desde 1971,

Diante de todas as evidências, o assassinato do coronel Malhães ou dr. Pablo, como era chamado nas masmorras do regime militar, é o mais duro golpe que as comissões da verdade poderiam ter recebido, desde que a primeira delas foi criada, por determinação da presidente Dilma. A morte de Malhães vai inibir quem pensava estar tomando coragem para revelar segredos de polichinelo. E, por tabela, o crime serve também para difamar opositores do regime militar, que em tese poderia querer alguma retaliação por conta dos crimes praticados pelo torturador confesso.

Nesse cenário de abandono pelo qual o país passa, com uma recorrente sensação de insegurança, a morte do torturador é mais um episódio preocupante. É um sinal de que forças ocultas, que mantém esqueletos no armário, continuam por aí, soltas e impondo o terror.

Jorge Antonio Barros

Fonte: Blog Repórter do Crime

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