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domingo, 5 de abril de 2015

Os salários que o FBI e a CIA pagam nos Estados Unidos


Se por aqui, um agente da Polícia Federal em início de carreira recebe pouco mais de 9 mil reais por mês, nos Estados Unidos, um agente do FBI(Federal Bureau of Investigation) recebe o triplo (na conversão em reais).

Segundo dados coletados pelo site americano Glassdoor, a partir de informações declaradas pelos próprios funcionários que são usuários do site, o salário anual dos agentes especiais do FBI é de pouco mais de 127,2 mil dólares, em média.

Um analista de inteligência da CIA (Central Intelligence Agency) também parece ser bem mais valorizado do que os colegas brasileiros que trabalham na Abin (Agência Brasileira de Inteligência).

O salário anual de 101.698 dólares, informado no site, corresponderia a ganhos mensais de mais de 8,4 mil dólares, ou seja, algo em torno de 25,4 mil reais. Um agente de inteligência da Abin ganha pouco mais de 5,2 mil reais mensais e um oficial de inteligência recebe 13,3 mil reais por mês, em início de carreira.

Confira nas tabelas os salários anuais pagos pelo FBI e pela CIA, segundo as informações coletadas pelo site Glassdoor:

FBISalário anual
Agente especial127.256 dólares
Agente especial supervisor148.518 dólares
Analista de inteligência80.083 dólares
Especialista em TI94.493 dólares
Engenheiro108.688 dólares
CIASalário anual
Analista de inteligência101.698 dólares
Analista econômico84.496 dólares
Gerente de projetos121.736 dólares
Executivo sênior174.870 dólares
Oficial de suporte à gerência154.922 dólares

Fonte: Revista Exame

terça-feira, 27 de maio de 2014

Eis aí uma segurança padrão "Fifa". Por que só agora? E depois?

O Poder Público em qualquer país do mundo, por mais avançado que seja, está sempre um pouco aquém das aspirações da população. Isso não é um mal em si. Melhor que seja assim; melhor o inconformismo do que a desesperança. No Brasil, no entanto, o estado oferece serviços tão precários que se pode falar mesmo num divórcio entre o povo e o poder público. Vamos ver.

Está sendo montado em São Paulo, sob a coordenação do governo federal, o chamado QG da Copa em São Paulo — a exemplo do que vai acontecer nas outras capitais que receberão o Mundial. O chamado Centro Integrado de Comando e Controle Regional, informa a Folha, vai reunir várias instâncias da segurança pública: polícias Civil, Militar, Técnico-Científica e Federal, funcionários da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), do Corpo de Bombeiros, do Metrô, da CPTM, da Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo), da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e das Forças Armadas. Todos trabalharão em conjunto, numa sala de operações com 60 terminais de monitoramento. Um delegado da PF estará no comando. O governo federal investiu R$ 66 milhões na iniciativa, por meio da Sesge (Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos), do Ministério da Justiça. Haverá ainda seis unidades móveis.

Em si, é uma boa notícia. Mas vejam aí um caso em que o “mais” pode ser recebido pela população como o “menos”. Por que só agora, na Copa do Mundo, tentam, então, oferecer uma segurança ou um monitoramento “Padrão Fifa”? Atenção! São Paulo, saibam, é a capital menos violenta do país; a que registra o menor número de homicídios por 100 mil habitantes. Imaginem como é a situação nas demais, algumas delas com o triplo ou quádruplo de mortos. Então um país que registra mais de 50 mil assassinatos por ano — nem a guerra civil da Síria mata tanto — não faz por merecer esse monitoramento de ponta desde sempre?

Sim, essa estrutura vai permanecer depois da Copa e passará a ser gerenciada, em São Paulo, pela Secretaria de Segurança Pública, mas com uma estrutura reduzida — já aí sem a participação do governo federal, por exemplo. O dia a dia no Brasil tem sido de tal sorte insuportável, especialmente nas grandes cidades, que um esquema especial de monitoramento acaba gerando mais críticas do que contentamento. Porque se sabe, e sabemos, que, tão logo a turistada vá embora, a coisa tende a voltar à normalidade da anormalidade: ou é razoável que um país perca 100 mil pessoas por ano, metade assassinada e a outra metade em acidentes de automóvel? É a barbárie brasileira sem retoques.

É bom que os governos se preparem. Depois da Copa do Mundo, é possível que as ruas se tornem ainda mais exigentes. E não há mal nenhum nisso. Desde que as reivindicações sejam feitas dentro da lei e da ordem, trata-se da melhor parte da democracia.

Reinaldo Azevedo

Fonte: Revista Veja

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Órgãos de inteligência do governo em atrito

Agentes da Abin relatam ao Correio detalhes das rusgas constantes com o Gabinete de Segurança Institucional, ao qual devem se reportar. Eles querem que a agência seja desvinculada do GSI

O episódio da prisão de um oficial da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), na semana passada, jogou luz sobre uma guerra nem sempre silenciosa travada entre a agência e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), órgão da Presidência da República ao qual a Abin se reporta. Agentes ouvidos pelo Correio não escondem a irritação com o general José Elito, chefe do GSI, pelo que consideram ser uma tentativa de militarização do segmento civil do Sistema Brasileiro de Inteligência.

"Há uma direta e clara tentativa de implantar na agência o Estatuto dos Militares. Isso é facilmente percebido. Até por aqueles que estão na Abin há pouco tempo. Quase sempre existem conflitos de competência e a última palavra é sempre do GSI. É uma espécie de intervenção branca", afirma um oficial de inteligência da Abin que falou ao jornal sob condição de anonimato.


Segundo outro agente, as investidas da Segurança Institucional sobre a Abin incluíram restrições à participação da agência em missões de avaliação de risco e planejamento para a realização da conferência Rio +20. "Em qualquer missão que conte com agentes de inteligência militar, nós sofremos restrições, somos afastados do trabalho de campo. A tentativa de esvaziamento da Abin é evidente, todo mundo aqui sabe disso", reclama o agente.

Atrito

O atrito entre Abin e GSI é antigo. De acordo com um araponga que não está mais na ativa, a autarquia começou a perder espaço durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando o GSI era comandado pelo general Jorge Armando Félix. "Perdeu-se autonomia. Na prática, o GSI engoliu a Abin. Nada é feito hoje na Abin sem a autorização direta do GSI", conta o agente aposentado. Herdeira do imbróglio no sistema de inteligência, a presidente Dilma Rousseff teve que lidar com uma crise interna entre as duas estruturas já nos primeiros meses de seu mandato, quando representantes da Associação de Oficiais de Inteligência (Aofi) entregaram à presidente uma carta pedindo a desvinculação da Abin de qualquer subordinação militar ou policial.

A associação defendia — e ainda defende — que a agência se reporte diretamente ao gabinete presidencial, sem intermediários. A ideia de desvincular a Abin do GSI chegou a ser discutida no governo de transição. A intenção era, a princípio, enxugar a estrutura da Segurança Institucional e aumentar a integração entre a agência e outras áreas de inteligência do governo. Dois anos depois, o projeto ainda está "em estudo" e pouco avançou nesse meio tempo. Mas também não foi descartado por Dilma, segundo interlocutores da presidente. Questionada sobre o a possibilidade, a Segurança Institucional limitou-se a afirmar por meio de nota que, "de acordo com a Lei Nº 10.683, de 28 de maio de 2003, dentre outras competências, cabe ao GSI coordenar as atividades de inteligência federal. O GSI cumpre a legislação supracitada que permanece vigente".

Karla Correa/João Valadares

Fonte: Blog do Lomeu/Correio Braziliense

domingo, 12 de setembro de 2010

O Ministério da Segurança Pública

Até os anos 90, a questão da segurança no Brasil foi vista como um problema dos Estados e tanto o governo federal quanto os municípios diziam ter pouco a contribuir, pois as polícias e as prisões estão nas mãos dos governadores. Essa visão limitada da segurança começou a mudar no governo Fernando Henrique, que criou a maioria dos órgãos, sistemas de informação e fundos federais que estão em funcionamento até hoje. O governo federal já atuava pontualmente através de seus órgãos operacionais, como a Polícia Federal, Rodoviária Federal e ABIN, mas não tinha órgãos específicos para atuar estrategicamente na área. É certo que o Ministério da Justiça já contava com o Departamento Penitenciário Nacional e com o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária desde os anos 80, mas com atuações pontuais na esfera prisional.

Um novo paradigma de ação federal foi inaugurado com a criação da Secretaria Nacional de Segurança Pública (1997), do Conselho Nacional de Segurança Pública (1997), do Plano Nacional de Segurança Pública (2000), da Central Nacional de Apoio as Penas Alternativas (CENAPA), da Secretaria Nacional Antidrogas (SENAD) e dos diversos fundos nacionais (FNSP, FUNAD) para ajudar as polícias estaduais a comprarem carros, armas, equipamentos e construírem prisões, para prevenção ao uso de drogas e investimentos em tecnologia e inteligência. Sistemas nacionais de informação como o Infoseg e o Infopen também são deste período. Foi nesta fase que começaram os investimentos federais maciços para apoiar os Estados e Municípios na segurança. Nada disso existia antes do governo FHC e pode-se dizer sem exagero, assim como aconteceu com a economia, que o pouco que foi feito no país em matéria de segurança nestes últimos anos foi calcado, com raras exceções, no que foi herdado do período anterior.

O arranjo institucional, porém, estava longe de ser perfeito e estava claramente aquém do que o problema requer, uma vez que segurança e criminalidade continuam entre as maiores preocupações da população - 70% avaliam que a situação de segurança no país piorou nos últimos 6 meses, segundo a CNT/Sensus. A proposta de dar um status mais elevado a questão da Segurança Pública no governo federal, retomada na campanha atual por Serra, já estava presente em 2002, defendida tanto pelo PSDB quanto de alguma forma pelo PT, que falava em vincular a Senasp à presidência ou em dar à Secretaria status ministerial. No governo, o PT cria o Ministério da Pesca, mas abandona a idéia do Ministério da Segurança, ainda hoje vista como desnecessária...

Porque isto é tão relevante afinal ? Não se trata de uma panacéia para todos os problemas de segurança do país mas uma nova engenharia institucional para dar melhor integração e eficiência aos esforços federais nesta área. Com a experiência de quem já passou por lá, posso afirmar que face ao tamanho do problema e não obstante a qualidade das equipes, os recursos materiais são escassos, o número de funcionários pequeno e falta mesmo espaço físico no Ministério da Justiça, já bastante atabalhoado cuidando de índios, consumidores, estrangeiros e administrando as relações da presidência com o judiciário além de outras questões que nada tem a ver com segurança. Os projetos ficam na fila de espera, pois há apenas uma assessoria jurídica, um chefe de gabinete, um secretário executivo, um ministro, por onde passam todas as questões relevantes.

O futuro Ministério da Segurança Pública terá na sua estrutura a Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP), o Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN), a Defesa Civil, o Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAN) a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal. A ABIN continuará ligada 'à presidência, através do Gabinete de Segurança Institucional mas muitas das funções da Secretaria Nacional Antidroga (SENAD) passarão para o Ministério da Saúde, utilizando sua rede capilarizada para dar atendimento a usuários de drogas, numa perspectiva de saúde. De original no futuro Ministério, estaremos acrescentando um órgão para lidar com prevenção e apoio a vítimas do crime, em nível de secretaria ou departamento. O Ministério da Segurança, mais do que um simbolismo da relevância da questão para o governo Serra, é o meio institucional adequado para a formulação e concretização de uma verdadeira política nacional de segurança pública.

Tulio Kahn 

Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública

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