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quarta-feira, 8 de julho de 2015

Violência: "Entre os óculos do governador e alguns aspectos da natureza humana"

Professor de Biologia Carlos Cristian. Fonte: Portal Infonet

Existe uma sábia passagem bíblica que afirma: “(...) Tudo é permitido, mas nem tudo convém. Tudo é permitido, mas nem tudo edifica (...)[1]”. Sei que essa não é a mais elegante ou científica forma de se começar um texto, mas de certa forma essa passagem me fez pensar sobre a condição de trabalho dos Professores na Rede Pública de Ensino de Sergipe. Não que eu seja religioso, nem pretenda criar profecias a partir da fragmentos bíblicos. Não, isso não me convém. Imagino, que em seu íntimo, o caro leitor deve estar um tanto incomodado por ser mais um texto sobre educação. Calma, pretendo ir um pouco mais além...

No dia 12 de agosto de 2014, o Professor Carlos Christian Gomes (33) foi alvejado com cinco tiros em pleno ambiente de trabalho, incidente esse registrado inclusive pela BBC[2], ferido fisicamente e emocionalmente, Carlos Christian sobreviveu ao atentado, mas ainda hoje amarga a cadeira de rodas. De longe sabemos que esse não foi o primeiro caso de violência contra docentes na rede pública e certamente sabíamos que não seria o último, e não foi. Recentemente, a professora Carla Valéria de Oliveira (41) foi brutalmente agredida, assim como no primeiro caso, também por um aluno, que ao desferir socos, pontapés e utilizar uma caneta como instrumento cortante, feriu não só o corpo mas também toda a dignidade da professora, que desde então já anunciou que não pretende retornar à sala de aula. Mais uma vez, sabemos que esse caso não foi o primeiro, como também já sabemos que não será o último.

Obviamente, no calor do momento e dos acontecimentos, vozes mais radicais vociferaram pelo extermínio se possível dos agressores. Já vos antecipo, ainda que os exterminem isso não solucionará a questão em si. Nas palavras do próprio Professor Carlos Christian, “Pais não educam”[3] e complemento, muito menos a sociedade, através do Estado, o fará. É triste, é matéria de capa, todos se mobilizam e se comovem, no entanto, tudo isso dura até o próximo escândalo ou tragédia, que nos últimos tempos tem se tornado tão natural quanto o nascer do Sol.

A verdade meus caros, é que infelizmente, a violência não cessará. E digo isso, não por ser, repito mais uma vez, um religioso que aguarda ansiosamente o apocalipse para bradar a todos “Eu avisei”. Mas sim, porque sei somar 1+1. Percebam, não é difícil. Analisemos alguns pontos: desigualdade, banalização da violência, insegurança, escolas precárias, tráfico de drogas, descaso político. Qual a soma desses elementos? Sangue, meus caros. Sangue. Seja do Professor ou do aluno, o sangue corre para todos os lados e transborda os muros da escola para as ruas e avenidas de nossa pequena e ex-bela cidade. Onde me parece ser tudo permitido, todavia, pouco edificado.

É claro, que me escandalizou e me escandaliza toda a violência descrita acima. No entanto, o que me violenta, que me abusa e que me torna indigno é que diante de tudo isso, não é incomum assistir ao cinismo dos nossos governantes que na certeza da nossa breve memória regozijam-se diante do poder. Tal qual nosso governador, que ao ser questionado sobre como ele via a manifestação de greve dos professores, respondeu em alto e bom som “Com estes óculos”. É, talvez Umberto Eco estivesse certo quando afirmou “O prazer culpado de se deliciar com desastres faz parte da natureza humana”, nossos Baretas e Gilmar Carvalhos que o digam. Tristemente, sou forçado a reconhecer que diante dos óculos tudo é permitido e tudo convém.

Fonte: Blog do professor de História Paulo Teles

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