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terça-feira, 15 de abril de 2014

PEC permite à polícia militar fazer policiamento marítimo

O deputado Aureo (SDD-RJ) apresentou Proposta de Emenda à Constituição (PEC 337/13) que inclui entre as competências das polícias militares o policiamento marítimo. Pela proposta, essas atividades poderão ocorrer nos limites do estado traçados no mar.

De acordo com o autor, essa atribuição às PMs se justifica porque a Polícia Federal não conta com meios para executar suas atribuições de polícia marítima, previstas no texto constitucional. Além disso, argumenta o deputado, “também há crimes cometidos no mar que se caracterizam por serem típicos da esfera estadual”.

Aureo justifica ainda que a Constituição, na parte de enuncia as atribuições da Polícia Federal, traz a seguinte ressalva: “sem prejuízo de outros órgãos públicos nas respectivas áreas de competência”.

Tramitação

A proposta será analisada primeiramente pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Caso aprovada, terá de ser examinada por uma comissão especial criada especificamente para esse fim.

Íntegra da proposta:

Reportagem - Maria Neves
Edição – Regina Céli Assumpção

Fonte: Agência Câmara de Notícias

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Ministério da Justiça apresenta a senadores programa de segurança nas fronteiras


Representantes do Ministério da Justiça apresentaram nesta quarta-feira (14) aos senadores o Programa Policiamento Especializado de Fronteiras (Pefron), daquele ministério. Integrado ao Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), o Pefron deve capacitar policiais para o combate ao tráfico de drogas; contrabando de armas e munições; roubo de cargas e veículos; tráfico de pessoas e exploração sexual, entre outros crimes comuns nessas áreas.

As ações serão gerenciadas pelos estados de fronteiras com suporte de órgãos federais, como a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal e a Força Nacional de Segurança Pública.

- Nos últimos anos, os investimentos em segurança foram dirigidos aos grandes centros urbanos, mas o Brasil distante estava abandonado. Temos fronteiras com dez países, áreas muito permeáveis à entrada de armas e drogas em nosso território - assinalou Daniel Rocha, coordenador técnico do Pefron, que apresentou o programa por solicitação do senador Delcídio Amaral (PT-MS).

Cada estado receberá cerca de R$ 8 milhões para instituir o programa, como explicou aos senadores o representante do ministério. Além disso, as unidades federativas vão indicar integrantes de suas polícias civis e militares para treinamentos conduzidos pela Polícia Federal e a Força Nacional de Segurança. A idéia é que em cada estado seja estabelecida uma base do Pefron, sempre na fronteira. Nelas estarão mobilizados pessoas e recursos materiais para as ações. Os equipamentos vão permitir ações móveis, com a participação de delegados e peritos.

Um centro de controle e inteligência em Brasília ficará conectado em tempo real a todas as bases estaduais, que também serão interligadas. Já implantada, a base operacional da Força Nacional de Segurança, na Fazenda Itamaraty, no Mato Grosso do Sul, contará também com aeronaves de maior porte para facilitar deslocamento de tropas para auxiliar os estados nas ações. A partir dessa base, aeronaves não tripuladas da Polícia Federal vão ainda fazer o monitoramento das fronteiras.

- Não há mais tempo para se trabalhar nas fronteiras com amadorismo - afirmou o comandante da Força Nacional de Segurança, coronel Luiz Antonio Ferreira, também presente.

Guarda costeira

De acordo com Daniel Rocha, o custo anual de todas as ações do programa está orçado em R$ 144 milhões para este e o próximo ano. No entanto, salientou, há muito ainda a ser feito. Por isso, pediu apoio dos senadores para a ampliação dos recursos. Entre as futuras ações, está a implantação da guarda costeira, a partir de 2012. Em reforço, o coronel Luiz Antonio Ferreira disse que vale a pena investir em segurança nas fronteiras.

- É caro, mas custa muito mais ao país a disseminação das drogas pelas fronteiras. Caro e difícil é recuperar dependentes e reabilitar as famílias que vêm entes queridos entregues às drogas - afirmou o coronel.

Até o momento, o Ministério da Justiça assinou convênio de adesão ao Pefron com todos os estados das Regiões Norte e Centro-Oeste. Faltam ainda os acordos com os estados da Região Sul. Também estão previstas ações de inclusão social, esportiva e cultural para as comunidades das regiões, alcançando faixa de 17 quilômetros adentro da linha das fronteiras.

Durante a apresentação aos senadores, Delcídio elogiou o programa e apelou para que estados e todos os órgãos federais envolvidos se comprometam integralmente com as ações previstas. Ele ressaltou a importância da articulação nacional entre os governos federal e estaduais para o combate aos crimes típicos de fronteira.

- O programa não tem donos nem partido. Os resultados vão surgir como consequência direta do empenho e da colaboração de cada parte envolvida - afirmou Delcídio.

Os senadores Jayme Campos (DEM-MT) e Marisa Serrano (PSDB-MS) também participaram da apresentação. Na opinião de Jayme Campos, o país precisa ter políticas claras para as suas fronteiras, onde agem o narcotráfico e o contrabando de armas. Segundo o parlamentar democrata, para esses desafios, a concepção do Pefron mostra-se adequada.

Fonte: Agência Senado

sexta-feira, 19 de março de 2010

Ministério da Justiça vai implantar guarda costeira no país

Estresse na atividade policial, o papel das polícias na aplicação da Lei Maria da Penha, comunicação e segurança, o papel do setor privado na segurança pública. Esses foram alguns dos temas de 29 mesas-redondas apresentadas no IV Encontro Anual do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que reuniu em São Paulo mais de 1.300 pessoas interessadas num dos assuntos mais sensíveis da agenda política contemporânea. Depois de anos de abandono pelas políticas públicas, finalmente a segurança começa a aparecer com destaque nos programas de governo dos candidatos a cargos do poder executivo no país. Em breve veremos o dia em que todos os governadores e o presidente da República vão reservar espaço em sua agenda para ir ao encontro anual do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, do qual sou um dos 60 membros e que - tirando meu nome, é claro - reúne hoje a nata dos pesquisadores do tema no país e tem se transformado num espaço democrático que atrai tanto acadêmicos quando policiais e outros operadores da segurança pública.

Este ano tenho a grata alegria de receber uma colaboração superespecial para o blog. A jornalista Anabela Paiva, repórter de mão cheia e desde 2004 na seara da pesquisa em segurança pública, aceitou meu convite para escrever um texto sobre a mesa-redonda que reuniu três experts no tema com experiência na chefia da Secretaria Nacional de Segurança Pública - o órgão do Ministério da Justiça, que executa as políticas públicas junto aos estados da fedearação.

Um consenso: melhores salários, revisão do regimento da PM e reforma do modelo policial brasileiro

Por Anabela Paiva, pesquisadora e jornalista, especial para blog Repórter de Crime

Uma conversa franca e pública entre o titular de uma das pastas mais sensíveis do governo federal e dois antigos ocupantes do mesmo cargo não é uma cena comum na política brasileira. Por isso mesmo, a mesa que reuniu o Secretário Nacional de Segurança Pública Ricardo Balestreri e dois ex-ocupantes do mesmo cargo – o coronel da PM paulista José Vicente da Silva Filho e o cientista político Luiz Eduardo Soares – foi uma das mais concorridas do IV Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, encerrado ontem em São Paulo. A conversa em torno do tema “Política Nacional de segurança: discussões, consensos e desafios” não ficou só no plano das idéias futuras. Durante o debate, Balestreri contou “em primeira mão” que até o fim do seu mandato vai criar uma policia ostensiva marítima para combater a pirataria e o contrabando na costa brasileira.

– Tenho um mapa do Brasil no meu escritório. Olho para ele e fico pensando como, em 500 anos, não conseguimos construir uma guarda costeira. Deixamos isso para a Marinha, que não tem essa vocação.


Balestreri comentou que a pirataria já é uma preocupação em rios do Norte brasileiro e, se não for reprimida, pode tornar-se um problema em rotas de navegação marítima no Brasil. Além disso, ele ressaltou, à medida que o controle das “fronteiras secas” aperta, contrabandistas tenderão a usar o mar para o transporte de armas e drogas.

Os participantes da mesa não procuraram reinventar a roda. A valorização do profissional de segurança pública, necessidade já mais que comprovada e discutida, foi citada como a maior prioridade. Enquanto policiais e bombeiros continuam em campanha pela aprovação na Câmara Federal do Piso Salarial Nacional dos Bombeiros e Policias , a PEC 300, Luiz Eduardo Soares fez a defesa veemente da revisão dos salários de policiais.

– Se segurança pública é fundamental, que o limite não seja o orçamento disponível. O limite deve ser a dignidade do profissional de segurança – disse ele.

Outras duas prioridades pareceram ser consenso entre os três participantes. A primeira, uma revisão do regimento da Policia Militar.

– É preciso compatibilizar o regimento interno com a Constituição. Há limites para a hierarquia ser exercitada – disse Luiz Eduardo.

José Vicente e Balestreri também comentaram a necessidade de coibir o “assédio moral” de superiores da PM e bombeiros contra os subordinados. Balestreri lembrou que, num curso sobre direitos humanos, soube que um comandante de bombeiros castigava os soldados obrigando-os a sentarem-se nus em um formigueiro.

– A gente sai sem conseguir abrir os olhos – contou uma das vítimas da tortura.

O secretário relatou o caso ao comando da força no estado, sem sucesso.

– Tenho me preocupado muito em defender os direitos humanos policiais. O profissional precisa ser bem tratado na corporação para que possamos exigir que ele trate bem os outros – observou.

Outro tema de consenso foi reforma do modelo policial brasileiro. Luiz Eduardo fez referência à pesquisa que coordenou para a Senasp, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). As respostas de 64 mil policiais mostraram que 77% deles defende mudanças na atual estrutura do aparelho policial.

– Antes diziam que a massa era contrária às mudanças, que isso era coisa de intelectual, de militante de ONG.

Balestreri defendeu a atuação independente da PM e da Polícia Civil, em esferas diferentes.

– Somos o único país com meias polícias que se atrapalham mutuamente. Essa situação só pode ser resolvida pelo divórcio, não pelo casamento.

Para o chefe da Senasp, o Brasil teria um sistema mais racional se as polícias militares cuidassem dos crimes contra o patrimônio e as polícias civis se ocupassem dos crimes contra a pessoa. Guardas municipais fariam o combate de delitos como a contravenção.

Clima ameno

O encontro mediado pelo diretor do Instituto Sou da Paz, Denis Mizne, foi amistoso. Com seu jeito direto , o coronel José Vicente expressou idéias polêmicas. Declarou ser favorável à pena de morte e citou a importância da descriminalização do aborto para a segurança pública. Vicente também mostrou-se favorável à revisão das penalidades aplicadas aos crimes de adolescentes.

– Os que cometerem crimes violentos têm de ser punidos com o máximo rigor, não interessa a idade. Balestreri e Luiz Eduardo evitaram divergir e enfatizaram os pontos em comum com o policial. O Secretário Nacional de Segurança Pública aproveitou para fazer uma defesa da sua administração. Ele reconheceu a “má gestão histórica na segurança pública” e a ausência de pensamento estratégico no setor. Citou as unidades de polícia pacificadora do Rio de Janeiro como um exemplo dos resultados positivos da polícia comunitária ou de atuação próxima ao cidadão, uma antiga causa sua. Ele também destacou os investimentos em treinamento e qualificação.

– Gastávamos apenas 3,5% em capital humano e 37% dos recursos em viaturas que, por falta de política de garagem, em dois anos precisavam ser substituídas. Hoje tenho o orgulho de dizer que gastamos mais de 60% dos nossos recursos em capital humano – disse o criador da Rede Nacional de Altos Estudos em Segurança Pública.

O valor dos investimentos anuais da Senasp em 2010 chega perto dos R$ 1,7 bilhões, mas ainda precisa crescer muito, admitiu o secretário.

– Aumentou muito, mas ainda é insuficiente. Não adianta tapar o sol com a peneira. O governo federal tem de investir de R$ 8 a 10 bilhões por ano na segurança pública.

Para executar este orçamento de gente grande, continuou o secretário, seria preciso criar um ministério da Segurança Pública.

– Nós poderíamos levar essa idéia para a Dilma – propôs Balestreri a Luiz Eduardo.
– Certo. E eu levo pra Marina – riu Luiz Eduardo, partidário da candidata do Partido Verde.
 

Fonte: Blog Reporter de Crime - Jornalista Jorge Antônio Barros - Globo.com

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