terça-feira, 13 de setembro de 2011

Sinpol prega melhoria na gestão pública para aumentar a segurança em Sergipe


“Nossa luta é pela melhoria no serviço prestado à sociedade. Melhoria de qualidade no trabalho. Até porque, como posso reivindicar melhoria salarial se não melhoramos o serviço”. A declaração foi feita por Antonio Moraes, presidente do Sinpol/SE - Sindicato dos Policiais Civis de Sergipe, em entrevista ao programa “A hora da verdade”, apresentado pelo jornalista Montalvão, na tarde desta terça-feira (13).

O sindicalista reivindica melhor gestão pública e maior resolutividade para melhorar os níveis de segurança da população e reclama da falta de um programa de capacitação profissional na Acadepol.

Espetacularização

O presidente do sindicato discorda da política de segurança vigente no Estado. “O sindicato repudia essas operações de espetacularização midiática, onde pessoas presas são expostas como animais, entregue aos leões, sendo que ainda não foram julgadas, muito menos condenadas. Essa exposição é proibida, mas, teimam em agir assim. Precisamos melhorar. O Ministério Público Federal já expediu uma recomendação, que não foi atendida. Acho que se faz necessária uma ação civil pública. Isso não é defesa de um meliante, mas, de um possível inocente”, alertou Moraes.

Para Moraes, há um ciclo nessas operações deflagradas onde o que está em foco é apenas a visibilidade que não traz resultado permanente. “A sociedade tem a sensação de que algo está sendo feito, contudo, não há melhorias nos índices de segurança. É preciso que se investigue para punir os que são culpados e não expor o cidadão ao vexame. Infelizmente, nós temos bons delegados de polícia enquanto bacharéis de direito, mas, quando se fala de administração do serviço público, nós não temos ainda em Sergipe um expoente. A polícia não é uma carreira jurídica, ela é uma carreira técnico-policial”, contesta.

Ele diz que se criaram estruturas dentro da própria polícia pra investigar crimes de repercussão, pois dá mídia e atrai a atenção das pessoas. “Cria-se sempre essa fumaça de que as coisas estão acontecendo, mas se você tiver seu carro ou sua casa for arrombada e furtada, você não vai conseguir recuperar os seus bens, nem descobrir quem lhe furtou. Você faz apenas um registro dessa ocorrência na delegacia e isso frustra a população”, reconhece.

Capacitação

A falta de capacitação do policial civil é uma preocupação do sindicato. “Na Acadepol não constam cursos de gestão dos serviços públicos, quando existem, são voltados sempre para o mesmo segmento, os delegados. Falta ainda essa visão macro e ampla da formação e constante capacitação do policial civil. Hoje, nós não temos investigação em curso. Hoje, a nossa polícia registra flagrantes. O policial civil não pode ser apenas o entregador de intimações e vigia de delegacias”, afirma.

O presidente do Sinpol reconheceu que muitos meliantes não são mantidos presos porque há falhas na investigação. Ele avalia que a solução é modernizar a estrutura legal da polícia de Sergipe, desconcentrando a imagem que hoje está na figura do delegado, já que, na atual legislação, não consta seu conjunto de atribuições.

“Precisamos dar atribuições ao investigador de polícia, atribuições de comando. Hoje, nós fazemos o retrabalho. Você vai fazer uma ocorrência na delegacia, eu sou escrivão e lhe atendo, depois que eu faço todo o procedimento, você vai ter que aguardar o delegado assinar. Isso é burocrático demais. O delegado tem importância sim, mas, como chefe, ele pode fazer a supervisão disso. Isso já acontece, mas nós não temos a delegação decorrente da lei, a nossa legislação não permite”, exemplificou Antonio Moraes.

Junção

“A primeira constatação lógica que podemos fazer é que o quadro de policiais civis e policiais militares estão abaixo do que deveria ser. É necessário que façamos concursos, contudo, só poderemos definir o quantitativo, se tivermos um estudo identificando que as funções são diferentes e que há essa divisão nessas instituições. A PM é uma polícia ostensiva, fardada, existe em maior número e está aí para evitar que o crime aconteça. Já à Polícia civil, cabe a investigação. Ela deve atuar quando notadamente o crime ocorrer”, explicou o presidente do Sinpol.

Antonio Moraes defende a unificação das polícias, acredita que essa junção seja possível e diz que a sociedade civil organizada é quem deve lutar para que isso aconteça, pois “os caciques das duas instituições não querem para não perderem seus cargos de chefia, além de não haver interesse do político médio que está preocupado com próxima eleição”, concluiu.

Fonte/Autor: Assessoria de Comunicação SINPOL Sergipe

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