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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Morreu porque era negro


Marcos Cardoso é jornalista, secretário de Comunicação Social da Prefeitura de Aracaju, autor de "Sempre aos Domingos: Antologia de textos jornalísticos".

“Alô, é do IML? Temos um suspeito aqui...”

A charge do genial Edidelson no Jornal do Dia de quarta-feira resume com dolorosa ironia a tragédia ocorrida no Shopping Jardins no fim de semana: um homem é espancado e estrangulado por dois seguranças enquanto o chefe deles fala ao celular: “Alô, é do IML? Temos um suspeito aqui...” O tal “suspeito” do desenho de humor é um homem negro.

No cruel mundo real, a vítima foi o motorista Leidson Reis, negro. Ele sofreu uma fratura na coluna vertebral, altura da cervical, provavelmente após estrangulamento por uma “gravata” aplicada por um dos brutamontes que o agrediram. Já foi entregue à polícia morto. E, simples assim, tudo ficou nisso. Ninguém foi detido cautelarmente, nada...

Até então, a direção do shopping não se pronunciou sobre o crime, mas o que se leu e ouviu na indireta defesa do estabelecimento é que o tal homem negro tentou insistentemente entrar numa loja que já havia cerrado as portas. Dá para se imaginar o que ocorreu: um bate-boca, um desentendimento, provavelmente troca de agressões e os seguranças, em maior número, imobilizando, talvez espancando e, por fim, aplicando o golpe fatal.

A pergunta que se faz é: se fosse um loiro de olhos claros que estivesse dando um chilique no shopping teria recebido o mesmo tratamento? Obvio que não. O distinto homem branco seria interpelado educadamente, provavelmente convidado a beber um cafezinho na gerência, onde ouviria um formal pedido de desculpas. Ou, se tivesse provocando um ato ilegal, seria simplesmente entregue à polícia, como se recomenda nesses casos.

Mas era um negro, ainda por cima com cara de pobre e esse tipo de gente não merece consideração quando se depara com uma situação extrema como aquela da noite de sábado. Aliás, pelo histórico do lugar, pode-se até dizer que a morte do negro Leidson já era anunciada.

Em agosto do ano passado, Wendel, um rapaz mulato de 20 anos, e mais dois amigos, de 19 anos, foram impiedosamente espancados quando, após se divertirem, se dirigiam ao estacionamento para pegar suas motos. Foram provavelmente confundidos com ladrões. “Eles bateram com madeira e com barra de ferro. Com vergalhão. Por sorte de meu filho, eu fui avisado e cheguei lá e consegui tirar meu filho das mãos dele. Meu filho é bem moreno e quando cheguei ainda ouvi eles xingando meu filho de veado e negro”, lembrou José Ednaldo Coelho Santos, pai do rapaz espancado, no programa Liberdade Sem Censura, da rádio Liberdade FM, na semana passada.

Segundo o pai revoltado, a sessão de tortura aconteceu dentro de uma “jaula” que haveria nos fundos do shopping. “Colocaram ele de joelho onde permaneceu assim por mais de uma hora. Depois começaram a bater nos pés dele”, narrou, no conhecido programa de rádio, acrescentando que as pistolas que os seguranças usavam eram “coisa de polícia”.

Esse evento de agosto também continua em aberto. Ninguém foi punido.

A história lembra aquele caso ocorrido em agosto de 2009, na cidade de Osasco, quando um funcionário da Universidade de São Paulo, tomado por suspeito de um crime impossível – o roubo do seu próprio carro, um EcoSport –, foi submetido a uma sessão de espancamentos com direito a socos, cabeçadas e coronhadas, por cinco seguranças do Hipermercado Carrefour. Enquanto apanhava, a mulher, um filho de cinco anos, a irmã e o cunhado faziam compras. O outro filho de dois anos dormia no carro, por isso ele não entrou no supermercado.

Januário, baiano, negro, teve o rosto bastante machucado e os dentes quebrados. “Você tem cara de que tem pelo menos três passagens. Pode falar. Não nega. Confessa que não tem problema”, teria comentado um PM, assim que chegou para atender a ocorrência. Mas a sorte dele foi a polícia ter chegado, porque só então verificaram que o carro lhe pertencia.

Os negros morrem mais

Como já se disse aqui, neste belo e miscigenado país tropical livre de tragédias naturais, 50 mil pessoas morrem vítimas de assassinato todos os anos. Mas os brancos têm morrido menos e os negros morrem em proporção cada vez maior. E a diferença só faz aumentar. Em 2002, foram assassinados 46% mais negros do que brancos. Em 2008, a porcentagem atingiu 103%. Ou seja, para cada três mortos, dois tinham a pele moreno-escura. Os números são do Mapa da Violência 2011, realizado pelo Instituto Sangari e Ministério da Justiça.

De acordo com o levantamento, entre 2002 e 2008, o número de vítimas brancas caiu de 18.852 para 14.650, o que representa uma significativa diferença negativa, da ordem de 22,3%. Já entre os negros, o número de vítimas de homicídio aumentou de 26.915 para 32.349, o que equivale a um crescimento de 20,2%. Em algumas unidades da Federação, os números lembram extermínio: na Paraíba, sabe-se lá porque, são mortos 1.083% mais negros do que brancos. Em Alagoas, 974% mais. E na Bahia, os assassinatos de negros superam em 439,8% os de brancos.

Em Sergipe, em 2008 foram mortos 417 negros, contra “apenas” 78 brancos – índice de vitimização negra de 135%. Dado para se lamentar ainda mais: oito dos nove estados nordestinos estão entre as 12 unidades da Federação onde é maior a proporção entre os assassinatos de negros e brancos jovens, de até 24 anos. Nessa faixa de idade, aqui morrem 249% mais negros do que brancos.

O coordenador do estudo, o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, levanta duas hipóteses para o caso da mortandade dos negros mais especificamente. A primeira delas é que acontece com a segurança o mesmo ocorrido com a educação e a saúde: a privatização. Assim como quem possui condições financeiras vai a escolas particulares, tem plano de saúde e por isso acesso a melhores hospitais, também se protege melhor do crime quem tem mais dinheiro. As guaritas, grades, carros blindados, os filhos com celular e os seguranças privados (em geral policiais fazendo bicos) protegem da violência as classes sociais mais altas e mais brancas.

A outra razão é de responsabilidade direta do poder público. “Tudo indica que as políticas que estamos desenvolvendo desde 2002 no setor de segurança, em muitos estados, se dirigem fundamentalmente aos setores mais abastados da sociedade”, critica o sociólogo. “Se a maioria dos negros é pobre, é óbvio que não serão beneficiados.” É visível que o policiamento é sempre mais atuante e eficaz nos bairros onde moram os mais ricos.

O problema no Brasil não parece ser a escassez de investimentos, mas a sua aplicação. Os investimentos historicamente ficaram concentrados nas capitais e regiões metropolitanas. Com o crescimento das cidades do interior, os índices de violência aumentaram ali porque os municípios não estavam preparados para o problema.

Se junta à “natural” violência maior entre os pobres a ocorrência da violência policial, de que também são vítimas os negros. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) confirmou que a proporção de pretos e pardos mortos pela polícia é maior do que na população em geral. Isso parece que se aplica a seguranças de certos locais mais sofisticados.

Como disse a socióloga Luiza Bairros, ministra da Igualdade Racial, o problema começa na forma como os policiais são treinados para enxergar o negro. “A imagem utilizada para compor o criminoso é calcada na pessoa negra, mais especificamente no homem negro. O negro foi caracterizado como perigoso em estudos de criminologia e o lugar onde ele mora é visto como suspeito. É automaticamente enquadrado nas três possibilidades de construção da suspeição: lugar, características físicas e atitude. Ou seja, como o racismo institucional existe, acaba moldando o comportamento de boa parte da corporação.”

LinkFonte: Página oficial do blogueiro (http://www.infonet.com.br/marcoscardoso/ler.asp?id=124718)

sábado, 1 de outubro de 2011

Sergipe é o 14º no ranking nacional da violência

Números foram apresentados no seminário que discute segurança pública

Em dez anos, Sergipe deixou de ser o 21º e passou a ser o 14º Estado mais violento do país. E o aumento da criminalidade tem exigido maior preparo dos profissionais de segurança pública. Esse foi um dos fatos discutidos durante o seminário “A Valorização do Servidor de Segurança Pública”, iniciado na tarde de ontem. O evento, que prossegue até às 18h de hoje, no auditório da Universidade Tiradentes, no bairro Farolândia, propõe um debate sobre as condições de trabalho dos agentes de segurança pública e a necessidade de melhorias em corporações como as polícias, o Corpo de Bombeiros e as Guardas Municipais.

No primeiro dia de seminário, houve dois painéis de discussão, que abordaram dados e causas da violência no país e a atuação do profissional da Polícia Civil, esse segundo tema tendo como palestrante o deputado federal João Campos, delegado do Estado de Goiás. Hoje, estará entre os palestrantes o deputado federal Protógenes Queiroz, delegado da Polícia Federal responsável pela Operação Satiagraha, uma das maiores ações policiais contra a corrupção realizadas no país.

O sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, diretor de pesquisas do Instituto Sangari e coordenador do estudo Mapa da Violência, foi o segundo palestrante de ontem. Ele afirmou que a criminalidade tem migrado das grandes metrópoles para o interior e Estados menores, como Sergipe, que antes era um dos Estados com menores taxas de homicídios do Brasil. “Com a melhoria dos aparelhos de segurança em Estados tradicionalmente mais violentos, Estados mais tranquilos como Paraná, Maranhão e Goiás têm sofrido mais com os crimes e os homicídios”, afirmou.

Na última edição do estudo Mapa da Violência, divulgado este ano, Sergipe apresentou uma taxa de 28,7 homicídios para cada 100 mil habitantes, índice que praticamente triplicou em dez anos. Os dados, que se referem a crimes cometidos em 2008, indicam que, em uma década, Sergipe, que tinha em 1998 uma taxa de 10,4 homicídios para cada 100 mil pessoas, deixou de ser o 21º Estado mais violento e passou a ser o 14º Estado mais perigoso do país. No mesmo período, São Paulo e Rio de Janeiro, antes entre os cinco mais violentos, ficaram na 25ª e 7ª posição, respectivamente.

Questionado sobre se a valorização do profissional que atua na área de segurança pública é o principal fator para se reduzir os índices de criminalidade, JulioJacobo ressaltou que existem outros aspectos importantes. “O que se espera da polícia é um melhor preparo. É claro que a questão salarial é importante, porque se espera que o policial melhor remunerado seja mais eficiente. Mas questões como respeito à cidadania e informações sobre o crime são igualmente importantes”, ponderou o sociólogo.

O deputado federal Mendonça Prado, responsável pela realização do evento, destacou que as forças de segurança pública têm enfrentado sérias dificuldades, a exemplo de baixos salários, planos de carreira ultrapassados ou inexistentes e falta de equipamentos. O seminário, aprovado através de requerimento à Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara Federal, presidida pelo deputado, tem a proposta de discutir esses temas.

“É com essa realidade que convivem milhares de homens e mulheres, pessoas que dedicam suas vidas a garantir a segurança de todos os cidadãos brasileiros. Por outro lado, são esses profissionais os primeiros a serem cobrados pela população, em seu justo anseio por uma segurança melhor. Assim, é inaceitável a situação de completa desvalorização por que passam os servidores de segurança pública em nosso país”, afirmou Mendonça Prado.

Fonte: JornaldaCidade.net

Mendonça promove debates sobre a valorização dos profissionais de segurança pública

Nos dias 29 e 30 deste mês, o deputado federal Mendonça Prado (DEM/SE), presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado (CSPCCO) da Câmara dos Deputados, promoveu o seminário “A Valorização do Servidor de Segurança Pública”. O evento - que aconteceu no auditório da Universidade Tiradentes – teve como objetivo discutir a seleção e treinamento dos profissionais, dos planos de cargos e salários, dos recursos orçamentários destinados à segurança pública e sua efetiva utilização, e das atuais condições de trabalho dos servidores, no que tange a remuneração e equipamentos.

“Propomos a realização do seminário a fim de que esta comissão faça valer um compromisso assumido desde sua criação, que é buscar soluções para a melhoria da segurança pública brasileira, o que passa pela necessária valorização dos servidores e profissionais da área de segurança, em todos os estados”, disse Mendonça Prado.

Durante o seminário, o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, diretor do Instituto Sangari, fez um estudo sobre o Mapa da Violência no país, citando Estado de Sergipe como o 14º mais violento do país. Já o deputado federal Protógenes Queiroz (SP), delegado da Polícia Federal, discorreu sobre o combate a corrupção e o reconhecimento da atividade policial.

Também proferiu palestra o coronel Paes de Lira (SP) e o deputado federal João Campos (GO), membro da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado que parabenizou a iniciativa do parlamentar Mendonça Prado em trazer para Sergipe uma discussão tão importante para a sociedade.

Por Vanessa Franco

Fonte: Assessoria de Imprensa

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Mendonça Prado promove seminário "A Valorização do Servidor de Segurança Pública"

Começou hoje (ontem, 29) e prossegue até sexta-feira (30) o seminário “A Valorização do Servidor de Segurança Pública”. A iniciativa é do deputado federal Mendonça Prado (DEM/SE), presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado (CSPCCO) da Câmara dos Deputados.

O evento está sendo realizado no auditório da Universidade Tiradentes, bloco D, no bairro Farolândia, e tem como público-alvo operadores e estudantes do Direito; profissionais da polícia militar, civil, federal, guardas municipais e do sistema penitenciário; e a sociedade em geral.

De acordo com Mendonça Prado, baixos salários, planos de carreiras ultrapassados ou inexistentes, falta de equipamentos e de respaldo governamental são apenas algumas das dificuldades enfrentadas pelas polícias e corpos de bombeiros no Brasil.

“É com essa realidade que convivem milhares de homens e mulheres, pessoas que dedicam suas vidas a garantir a segurança de todos os cidadãos brasileiros. Por outro lado, são esses profissionais os primeiros a serem cobrados pela população, em seu justo anseio por uma segurança melhor. Assim sendo, é inaceitável a situação de completa desvalorização por que passam os servidores de segurança pública em nosso país”, afirmou Mendonça Prado.

Na abertura do seminário, a mesa foi composta pelo deputado federal Pastor Eurico; o deputado estadual Capitão Samuel, presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembléia Legislativa de Sergipe; Jorge Fernando Stangerlin, corregedor Regional da Polícia Federal de Sergipe; Major Corrêa, representando o comandante da 19º Circunscrição de Serviço Militar; o capitão de Fragata Eron Marçal, comandante da Capitania dos Portos de Sergipe; o coronel Antônio Vieira, representando o comando da polícia militar de Sergipe; capitão Rogério Alves, do destacamento de controle do espaço aéreo de Aracaju; e o capitão Regus, representando o 28º Batalhão de Caçadores.

O primeiro painel, que começou às 15h30, teve como palestrante o argentino Julio Jacobo, sociólogo e diretor do Instituto Sangari coordenador do Mapa da Violência 2011. Na ocasião, foi feito um diagnóstico sobre como a violência tem levado à morte de brasileiros, especialmente os jovens, nos grandes centros urbanos e também no interior do país. Com relação ao índice de violência em Sergipe, o estado passou de 21 º lugar (em 1998) para 14 º lugar (em 2008). “Os jovens da década de 80 tinham as epidemias e doenças infecciosas como as principais ameaças às suas vidas. Atualmente, essas causas foram substituídas pelas chamadas “causas externas” representadas, principalmente, pelos acidentes de trânsito e homicídios”, ressaltou Julio Jacobo.

O segundo painel “A atuação dos profissionais da Polícia Civil” foi proferido pelo delegado de polícia civil de Goiás, o deputado federal João Campos que também é membro da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado.

Vanessa Franco

Fonte: Assessoria de Imprensa

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Mendonça anuncia realização do seminário "Valorização do Servidor de Segurança Pública"

Nesta quinta-feira (29) e sexta-feira (30), o deputado federal Mendonça Prado (DEM/SE), presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado (CSPCCO) da Câmara dos Deputados, realiza em Aracaju o seminário “Valorização do Servidor de Segurança Pública”. O anúncio foi feito hoje (27) durante café da manhã oferecido pelo parlamentar a imprensa sergipana.

O evento acontecerá no auditório da Universidade Tiradentes, Bloco D, no bairro Farolândia, e tem como público-alvo operadores e estudantes do Direito; profissionais da polícia militar, civil, federal e guardas municipais; e a sociedade em geral.

“Propomos a realização do seminário a fim de que esta comissão faça valer um compromisso assumido desde sua criação, que é buscar soluções para a melhoria da segurança pública brasileira, o que passa pela necessária valorização dos servidores e profissionais da área de segurança, em todos os estados”, disse Mendonça Prado.

No dia 29, às 15h, a programação contará com a palestra do sociólogo Júlio Jacobo, diretor de Pesquisa do Instituto Sangari que vai discorrer sobre o Mapa da Violência 2011: Os jovens do Brasil; às 16h30, palestra com o deputado federal João Campos (PSDB/GO), delegado da Polícia Civil do Estado de Goiás.

No dia 30, as atividades começam às 09h e terminam às 18h. Estão confirmados para proferir palestra o delegado de polícia civil de Sergipe, Gilberto Guimarães que vai falar sobre a inteligência na Polícia Civil; o presidente do Sinpol/SE, Antônio Moraes; Inês Lima, presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Estado do Ceará; o deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB/SP), delegado da Polícia Federal; o deputado federal coronel Paes de Lira, da Polícia Militar de São Paulo; e os representantes da Polícia Militar de Sergipe, os sargentos Edgar Menezes e Jorge Vieira.

Os interessados em participar do seminário poderão se inscrever no dia e local do evento. A inscrição é gratuita.

Vanessa Franco

Fonte: Assessoria de Imprensa

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

SP cai do 5.º para o 25.º mais violento e é exemplo de contenção de mortes

Taxa de homicídios caiu de 39,7 para 14,9 a cada 100 mil habitantes na década 1998-2008, segundo estudo

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Com a maior queda entre as 27 unidades da federação, o Estado de São Paulo é um dos exemplos da contenção da violência mostrado pelo Mapa da Violência/2011 divulgado na manhã desta quinta-feira, 24, pelo Instituto Sangari e o Ministério da Justiça. A taxa, entre 1998 e 2008, caiu de 39,7 para 14,9 homicídios por 100 mil habitantes - o Estado, que ocupava o 5º lugar entre os mais violentos, caiu para a 25º posição, perdendo apenas para Santa Catarina e Piauí.

Veja também:

Nordeste tem escalada de mortes violentas
Acaraú e Barbalha (CE) têm o trânsito mais violento
1 branco é morto no País para cada 2 negros
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O que São Paulo, a começar pela capital, ainda não consegue controlar são as mortes de jovens (15 a 24 anos) no trânsito. Entre as 27 capitais, São Paulo é a metrópole onde morrem mais jovens na comparação com a população em geral: 68% a mais.

A principal característica do modelo adotado pelo Estado é a continuidade da política de segurança pública. Os investimentos no Estado mais rico do País começaram ainda no final da década de 90 e foram contínuos, tanto em equipamentos e treinamento para a polícia quanto em políticas de prevenção, como o desarmamento. Desde 2000 a violência homicida em São Paulo vem caindo, mas em 2008 chegou ao seu nível mais baixo, atingindo a 25ª posição.

Nos Estados do Sudeste, o do Rio também teve uma boa performance na contenção da violência: caiu do 3º Estado mais violento para o 7º lugar. A taxa fluminense caiu de 55,3 para 34 mortes homicídios por 100 mil habitantes.

Minas Gerais não ajudou a derrubar ainda mais a taxa da violência homicida no País. O Estado continua na mesma posição, 23º lugar. A taxa mineira passou de 8,6 para 19,6 homicídios por 100 mil habitantes, um crescimento de 2,26 vezes.

Segundo o Mapa da Violência/2011, a partir de 2003, a taxas médias nacionais das capitais e regiões metropolitanas começam a encolher, enquanto as do interior continuam a crescer, mas com um ritmo mais lento. Vários fatores parecem explicar essa reversão: o Plano Nacional de Segurança Pública de 1999 e o Fundo Nacional de Segurança, de janeiro de 2001, canalizando recursos para o aparelhamento dos sistemas de segurança pública das regiões de maior incidência, dificultam a ação da criminalidade organizada que migra para áreas de menor risco.

Há também, segundo o estudo, um processo de desconcentração econômica, com o aparecimento de polos de crescimento no interior dos Estados, fenômenos que atua como fator impulsor da violência pelo País afora, principalmente na região Nordeste.

Lisandra Paraguassú, Ligia Formenti e Rafael Moraes Moura

Fonte: O Estadão

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