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sexta-feira, 16 de maio de 2014

Sobre a Guarda Militar de Aracaju

Autoritarismo, truculência e repressão são marcas da GMA

A sigla GMA já pode ter o seu significado substituído de Guarda Municipal de Aracaju por Guarda Militar de Aracaju. Enquanto entidades e grupos de direitos humanos de todo o país reivindicam a desmilitarização da Polícia Militar, a Prefeitura de Aracaju – não satisfeita com a atuação da PM, de âmbito estadual - vai criando a sua corporação militar própria. Corporação que, progressivamente, tem revelado a sua face autoritária e repressora.

O exemplo mais recente do poder cada vez mais militarizado da Guarda Municipal de Aracaju aconteceu na última sexta-feira, dia 9, quando a GMA se aliou à PM/SE e tentou, na base da truculência, impedir o ato “rolezinho contra a Copa”. Episódio mais recente, porém não o primeiro. Durante as manifestações de 2013, por vezes, a GMA usou e abusou da força para reprimir. Em uma das situações, guardas municipais distribuíram spray de pimenta nos olhos e cacetetes nos ombros de estudantes e trabalhadores que tentavam apenas acompanhar uma sessão da Câmara de Vereadores que discutiria o reajuste da tarifa no transporte coletivo.

E a cena vista na sexta-feira passada, em frente a um dos shoppings da cidade, muito provavelmente também não será a última, já que esse modo autoritário e repressor de atuação da Guarda Municipal é apenas reflexo da concepção de João Alves Filho sobre segurança pública. Durante a campanha eleitoral que o levou a assumir a Prefeitura de Aracaju, João Alves afirmou, em inúmeras oportunidades, que em sua gestão a Guarda Municipal iria dispor de “inteligência”, “tecnologia” e “armas letais e não-letais”. Trocando em miúdos, uma Polícia Militar em nível municipal.

Nenhuma novidade. Afinal, é característico dos oligarcas a utilização da força militar, aliada ao poder político e econômico, para a implementação do seu projeto de sociedade. Não esqueçamos que o atual prefeito de Aracaju foi prefeito da capital sergipana também durante a Ditadura Militar.

Por isso, mesmo que a Ditadura Militar tenha acabado há quase 30 anos a mentalidade que entende as manifestações populares como "casos de polícia" ainda permanece, nem que para isso seja necessário militarizar um órgão municipal, como João Alves vem fazendo com a GMA. O alvo, como no período da Ditadura, permenece o mesmo: estudantes e trabalhadores que ousam quebrar o silêncio.

Paulo Victor Melo

Fonte: Portal Infonet

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Greves: O Brasil pode parar durante a Copa?

A greve dos policiais da Bahia é apenas uma das paralisações no período pré-Copa

Diante de uma série de assembleias e ameaças de paralisação, marchas por reajustes e trabalhadores de setores importantes já de braços cruzados, a proximidade do torneio da Fifa e exemplos de eventos em outros países levantam a questão: As greves podem parar o Brasil durante a Copa?

Para especialistas ouvidos pela BBC Brasil o momento atual é propício ao surgimento de mais movimentos de paralisação em todo o país, devido a um “coquetel explosivo” que inclui perdas salariais, cenário econômico desfavorável, o estímulo da ida às ruas, a Copa do Mundo dentro de dois meses e a realização de eleições presidenciais em seis meses.

Mas eles acreditam que acordos com trabalhadores e servidores de segmentos cruciais como transportes e segurança devem impedir um travamento total do país durante o megaevento – cenário considerado como um “exagero”.

“O Brasil está num momento econômico delicado, mas permanecemos num discurso de crescimento e desenvolvimento, e estamos sediando grandes eventos internacionais. É natural que os trabalhadores queiram uma parte disso. Estamos em ano eleitoral, há tensões inflacionárias e houve perdas salariais, então é natural que haja toda essa movimentação”, acredita Adílson Marques Gennari, professor de Ciências Econômicas da Unesp.

“A Copa não criou essa conjuntura econômica. Acho um exagero dizer que haverá um levante total dos trabalhadores para bloquear a realização da Copa. Agora é claro que é um combustível, um ingrediente que potencializou tudo isso”, acrescenta.
Reta final
Nas Olimpíadas de Londres, em 2012, os motoristas de ônibus da capital britânica entraram em greve pouco antes da abertura dos Jogos, até conseguirem um bônus pelo trabalho extra durante o evento. Já na Copa da África do Sul, em 2010, milhares de trabalhadores dos mais variados setores interromperam suas atividades antes e durante o torneio, e muitos fizeram críticas pelos baixos salários e más condições dos contratos temporários.

O país africano não “parou”, mas houve tumulto e a necessidade de soluções emergenciais em mais de uma ocasião. No jogo entre Itália e Paraguai, por exemplo, no dia 10 de junho, na Cidade do Cabo, os “stewards”, vigilantes que deveriam fazer a segurança do estádio, cruzaram os braços e protestaram, e mais de mil cadetes policiais em treinamento foram enviados ao local para substituí-los.

No Brasil, o que se vê nesta reta final para a Copa em diferentes pontos do país é uma onda de greves e discussões sobre o uso de diferentes estratégias para aumentar a pressão sobre empresas e o governo. Há setores já paralisados, há os que fazem ameaças e ainda os que deram início a interrupções intermitentes, sinalizando que uma falta de acordo incorrerá em paralisação indeterminada após o torneio.

Em Brasília, os metroviários estão paralisados desde o dia 4; em Salvador, a Polícia Militar interrompeu o trabalho na última terça-feira; e na semana passada mais de 9 mil trabalhadores saíram em marcha no centro de São Paulo demandando redução da jornada de trabalho, melhorias e reajustes.

Oportunismo x demandas

 Centrai sindicais negam oportunismo
As centrais sindicais negam “oportunismo” com a Copa e explicam que diversas categorias têm suas datas-base (período de vencimento das convenções coletivas, quando os aumentos anuais são negociados) nos próximos meses, o que aumenta a probabilidade de greves.

Entre elas estão trabalhadores dos setores de gastronomia, hotelaria e turismo, construção, vigilantes, além de vários ligados ao transporte (metroviários, rodoviários, aeroviários, aeronautas, motoristas e cobradores de ônibus, taxistas e motoboys).

“A greve não é um aproveitamento da situação. Trata-se de um instrumento para ser usado em última instância. Muitos vêm negociando há algum tempo”, diz Mauro Ramos, da UGT (União Geral dos Trabalhadores), que reúne 623 sindicatos e mais de 5 milhões de trabalhadores em todo o país.

Para Alci Araújo, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Comércio e Serviços da CUT (Central Única dos Trabalhadores), o objetivo não é atingir a Copa.

“As mobilzações podem ocorrer, sim, se os direitos forem desrespeitados. Não queremos atrapalhar o desenvolvimento do país, não somos baderneiros, e não estamos movimentando nenhum processo para prejudicar a Copa. Queremos que nossas demandas sejam atendidas, e que o legado inclua melhores condições de trabalho para o nosso setor”, diz.

Pedro Trengrouse, professor da FGV e consultor da ONU/PNUD para a Copa, diz que “existe realmente um componente de oportunismo, sim, mas que não é determinante, porque cada greve e protesto têm suas peculiaridades e intensidades diferentes”.

Setores cruciais

Elementos-chave para a Copa, quatro categorias também se posicionaram nos últimos dias. A Polícia Federal vai interromper o trabalho por 24 horas no dia 23 de abril, e adianta que pode parar 70% de seu efetivo em todo o território nacional durante o evento; os aeroviários e aeronautas estudam paralisações nos aeroportos de todo o país e os vigilantes tiveram reunião com a Fifa, em Brasília, na terça-feira, para exigir melhores condições e salários maiores.

No Rio, o sindicato dos vigilantes se antecipou e fez reunião na segunda-feira. Foram anunciadas “paralisações relâmpago” no Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), no Aeroporto Santos Dumont e no Maracanã entre os dias 16 e 23 deste mês. Além disso, bancos, shopping centers e postos de saúde também poderão ficar sem segurança.

O presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Jones Borges Leal, explica que a categoria deve entrar em greve às vésperas da Copa, mas que 30% do pessoal seguirá trabalhando, sobretudo os agentes de controle de passaporte nos terminais aéreos internacionais.

“Na verdade os aeroportos já funcionam hoje com efetivo irrisório. Não é a intenção fazer isso (interromper totalmente o serviço). Já fomos 15 mil e hoje somos apenas 10 mil policiais federais em todo o país”, explica, acrescentando que os servidores estão há sete anos sem aumento salarial.

Já o vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aeroviários, Marcos José Moraes, diz que a perspectiva é de 99% de chances de greve. “Já reduzimos nossa demanda de 12% de reajuste salarial para 8%, mas as empresas só querem dar a recuperação do IPC, de 5,6%”, diz.

Ele adianta que um aeroporto fica impossibilitado de operar sem os aeroviários, responsáveis pelo check-in, bagagens e movimentação de aeronaves em solo.

Os aeronautas (comissários de bordo, comandantes, copilotos e engenheiros de voo) também já se mobilizam. Na quinta-feira, os funcionários da TAM se reuniram em quatro cidades (São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Rio de Janeiro), para estudar demandas e possibilidade de greve. Só na capital paulista mais de mil tripulantes aderiram ao movimento.

Fonte: BBC Brasil

domingo, 19 de janeiro de 2014

Deputado diz que PMs à paisana são escalados para prestarem segurança particular

O deputado estadual capitão Samuel (PSL), denunciou a convocação de policiais militares de folga em BGO para a realização de segurança particular de um shopping da capital, através de uma rede social na noite desse sábado (18). “Muitos Praças nós ligaram revoltados com a determinação do desgoverno, em escalar o militar de folga para garantir a segurança de empresa privada”, declarou Samuel.

O deputado criticou duramente a postura do Governo que permite que a segurança popular seja direcionada para interesses particulares para determinado seguimento social do Estado. “Com essa forma de usar o policiamento dificilmente teremos PMs para o povo”, afirma o Capitão.

O parlamentar que tem em mãos o BGO (Boletim Geral Ostensivo), constatando a convocação de 66 policiais militares à paisana, repudiou a atitude que demonstra claramente a manipulação da Segurança Pública no estado de Sergipe.
 
No BGO foi publicado a ordem do Subcomandante-Geral da PMSE que determina aos Comandantes dos policiais militares que os PMs à paisana se apresentasse no dia 18 de janeiro de 2014 (sábado), às 16h com trajes civis.

Samuel Barreto disse ainda que os 66 policias militares escalados poderiam proteger a população sergipana em diversos municípios sergipanos que hoje imploram por segurança e que eventos públicos em diversos locais estão sem segurança por conta do desgoverno que se encontra em Sergipe. “Queria saber a opinião da população de Japaratuba (Tiroteio 15 PMs), Laranjeiras (tiroteio nenhum PM interno) shopping 66 PMs internamente. Sessenta e seis PMS que poderiam proteger a população mas nesse momento estão à paisana no shopping para o rolezinho. 
 
Área interna de entidade privada. Quero saber do desgoverno, quantos PMs serão utilizados na festa (Pública) de Ilha das Flores? Prefeito é oposição. Queria saber do DESGOVERNO como vai negar policiamento em festas públicas? Shopping é privado e teve PMs garantindo a segurança interna”, repudia o deputado Capitão Samuel.

Samuel Barreto questiona ainda o recebimento de GRAE – Gratificação por Atuação em Evento, numa área privada. “Um absurdo 56 policiais militares e 10 da PM2 foram convocados para realizarem segurança em um local particular recebendo GRAE. É um desgoverno”, lamenta Samuel.
 
O deputado lembra que a segurança interna dos shoppings da cidade deve ser de responsabilidade do proprietário do estabelecimento. “Quem deve garantir a segurança interna dos shoppings é o proprietário. Em Sergipe o desgoverno garante a segurança dos empresários”, afirma o deputado.
 
O Capitão Samuel vai encaminhar a relação dos nomes convocados pelo Comando Geral da Polícia Militar para prestarem segurança num shopping de Aracaju e as solicitações de prefeitos sergipanos não atendidos pela PMSE para o Ministério Público com a finalidade de banir esse tipo de comportamento na Segurança Pública do Estado.

Assessoria Parlamentar (Chris Brota)

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Em defesa de policiais Aspra rebate nota e foto publicadas em blog

O blog do jornalista Cláudio Nunes, no Portal Infonet, publicou no dia de ontem (11) uma foto de uma viatura da Polícia Militar de Sergipe estacionada em um ponto de táxi na área interna do Shopping Jardins, zona sul de Aracaju. A foto teria sido tirada no dia 10, por volta das 11:30h, e enviada por um leitor do blog que pediu para não ser identificado com medo de represálias, pois o mesmo diz trabalhar no local.

É pena que o denunciante, já que trabalha no local, não tenha aguardado para saber do que se tratava, tendo apenas se dado ao trabalho de tirar a fotografia e enviá-la ao jornalista para que a divulgasse, não se sabe com que intenção. Alguns podem pensar que os policiais estariam anotando placas de táxis para forjar relatórios, outros que estariam usando o veículo da PM para fazer compras, mas nem o denunciante nem o conceituado jornalista devem ter pensado na hipótese de que aquela viatura estivesse simplesmente atendendo uma ocorrência.

O fato é que pelas informações colhidas junto aos profissionais, realmente a viatura do PAC do Bairro Jardins esteve naquele shopping no horário em que foi fotografada, e tudo se encontra devidamente registrado junto ao Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (CIOSP), que acionou a equipe policial para que atendesse a um chamado originado pela segurança do GBarbosa Jardins, que havia detido um indivíduo por tentativa de furto no estabelecimento, sendo este reincidente na prática do delito.

A guarnição composta pelo cabo Jorge e pelo soldado Miranda atendeu a ocorrência, deteve o infrator e o conduziu até a 1ª Delegacia Metropolitana, no conjunto Leite Neto, conforme consta no Relatório de Ocorrência Policial (ROP) nº M 795880. Quanto ao fato da viatura estar estacionada na vaga para táxis, é importante ressaltar que quando em atendimento, os veículos prestadores de serviços de utilidade pública gozam de livre parada e estacionamento, conforme dispõe o Código de Trânsito Brasileiro (art. 29, VIII). Os policiais já solicitaram retratação por conta da notícia veiculada.

A Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares de Sergipe – Aspra Sergipe – faz questão de se manifestar em defesa destes policiais trazendo à tona a verdade. Aos amigos da imprensa, os quais muito respeitamos, fica a sugestão de que antes de publicar uma notícia verifiquem não só a fonte, mas a verdade dos fatos e as verdadeiras intenções dos denunciantes.

Já aos companheiros militares queremos dizer que a Aspra estará sempre pronta a atuar em defesa daqueles que necessitem do nosso auxílio. Para tanto disponibilizamos nossos telefones, e-mails, redes sociais e todos os meios de comunicação disponíveis para que façam suas denúncias e suas solicitações de apoio.

http://www.infonet.com.br/claudionunes/ler.asp?id=133575

NOTA PUBLICADA NO BLOG DE CLÁUDIO NUNES

Veículo da PM estacionado em Shopping
 

E-mail recebido, devidamente identificado: “Peço que não revele meu nome e e-mail para não sofrer retaliações porque trabalho no local. Hoje (ontem,10), por volta das 11h30, o veiculo da Polícia Militar da foto ao lado passou um tempo estacionado na vaga para táxi no Shopping Jardins, ao lado do supermercado G.Barbosa”. 

Foto enviada pelo leitor do blog do Cláudio Nunes.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Violência como regra na sociedade do capital

O crime no shopping tem cheiro e cor de crime racial e social


José Cristian Góes é jornalista profissional, servidor federal INSS, especialista em Gestão Pública (FGV/Esaf) e Gestão de Crise (Gama Filho). Foi secretário de Comunicação da Prefeitura de Aracaju e presidente do Sindicato dos Jornalistas.

Não poderia ser diferente. Numa sociedade onde a vida se move com base nos ditames do capital, onde os ideais de felicidade e de realização pessoal estão centrados no ter bens, possuir patrimônio, onde não há limites na busca incansável pelo acúmulo, a violência pessoal, coletiva e institucional passa a ser regra, justificável para a proteção dessas “conquistas”. A violência – sutil ou explícita - é parte integrante do capital. São indissociáveis. Ninguém nasce para ser violento, mas educado para o capital e para a violência.

Os casos de violência são tão comuns que deixaram de ser casos. O cotidiano violento banaliza ofensas, assédios, agressões e mortes e que tudo isso passa a ser normal, trivial, indiferente e imperceptível de tão comum. O ato está em casa, nos meio de comunicação, nas ruas, escolas, trabalhos, praia, shopping. Falar, escutar, solicitar, ceder, tolerar, conversar para quê? Usa-se a força e seus instrumentos e está resolvido. O capital produz a pedagogia da violência que é ensinada para que o capital se mantenha protegido e se reproduza.

Assassinatos de negros, homossexuais, crianças e mulheres, todos pobres são justificados pelo capital. Não consomem como o mercado deseja, atrapalham o desenvolvimento, ferem a moral branca, religiosa e machista, e, principalmente ameaçam o patrimônio alheio. Os casos de crimes de maior barbárie entre os pobres ganham amplos destaques na mídia, que servem em generosos espaços para espetáculos novelescos, assim como foram os escravos jogados para as “lutas” contra os leões nas arenas romanas no início do Cristianismo. É tão fantástica a introjeção da violência que vítimas pobres se transformam em culpadas, e que pobres matam pobres em proteção do capital dos ricos.

Na semana que passou mais um caso de violência absurda em Sergipe chamou atenção e ganhou algum espaço na mídia local: a morte do motorista desempregado Liedson Reis dos Santos, 38 anos, dentro do Shopping Jardins, em Aracaju. O rapaz, pobre e negro, teria sido agredido até a morte por seguranças contratados pelo shopping. No mesmo dia e nos dias seguintes, outros jovens também foram barbaramente mortos, todos na periferia de Aracaju e no interior do Estado, longe do shopping. Em Lagarto, um jovem de 25 anos e um adolescente de 14 foram mortos, segundo a única fonte ouvida pela mídia – a polícia – em “troca de tiros com policiais”. Nem esse nem os demais assassinatos tiveram repercussão porque as vítimas estavam na periferia e logo se alega sem comprovação o envolvimento com drogas, acerto de contas, etc, etc e etc, para justificar a “limpeza”... Mal vira estatística.

Mas o porquê o caso de Leidson no Shopping Jardins foi diferente? O porquê ainda repercute na mídia local? A Secretaria de Segurança falou, a sociedade falou e até o governador Marcelo Déda, que estava em Brasília, falou, de lá. A resposta é simples e trágica: Porque Liedson ou poderia ser qualquer um pobre e negro rompeu, ultrapassou a linha clara de classe social, estabelecida pelo capital. O shopping é o templo do consumo, palco intocável da nobre sociedade. Ali se vai para consumir e a nobreza pode fazer o que quiser. Mas o que faria um negro e pobre ali? O que faria, segundo alegações de alguns, aquele homem, de noite, “mal vestido e um pouco alterado” insistindo atendimento em uma loja ou em busca de retirar uma parcela do seguro-desemprego? Aquele ambiente não era para ele: diz o capital.

Um “profissional” da Comunicação local, em uma emissora de rádio com significativa audiência e que deu ampla cobertura ao caso, externou publicamente, de forma bastante natural, espontânea e com certa indignação: “Este crime não pode ficar impune. Isso não pode. Uma morte! Logo no shopping, um lugar de gente chique, um lugar de gente de bem”. Outro profissional fez, por três vezes, a seguinte pergunta para a viúva: “seu marido já teve passagem pela polícia? Ele usava drogas?”. Em prantos, ela negava. Ou seja, por essa concepção, aquele “lugar de gente de bem” e não cabia a Liedson. Ou seja, se a morte contra Liedson fosse na periferia estava justificada e não teria a menor repercussão. Ou seja, há um sentimento sutil de que a culpa pela morte é do próprio Liedson, “que estava no lugar errado e na hora errada”, como disse um jornalista no Twitter. E o que fez a Polícia Militar ao constatar que o homem estava morto? Nada. E por quê? O imaginário do capital a impediu. Imaginou se fosse numa bodega da periferia?

Em razão da repercussão do caso, muito provavelmente pode se chegar a culpar um ou dois seguranças e só. Um já foi preso. Não há possibilidade na lógica da sociedade do capital em se responsabilizar o capital, isto é, o shopping e a empresa de segurança contratada. Todos os aparatos do Estado estão montados para protegê-los. E por falar em empresa de segurança, de quem é a empresa? Por que ninguém divulga seu nome? O que se tem a esconder? Será que essa e outras empresas do ramo treinam militarmente – como se em guerra estivessem - seus trabalhadores para defender o patrimônio alheio, monitorando, perseguindo, espancando e matando pobres e negros ou quase negros ou quase pobres, suposta e eternamente suspeitos?http://www.blogger.com/img/blank.gif

O crime contra Liedson tem forte cheiro e cor de crime racial e social. Ou agiriam com tamanha violência funcionários e seguranças do mesmo shopping se em lugar de Liedson fosse um cliente branco, bem vestido em terno e gravata, anel de doutor e carro de luxo na porta?

Fonte: Página oficial do Blogueiro (http://www.infonet.com.br/josecristiangoes/ler.asp?id=124756)

Morreu porque era negro


Marcos Cardoso é jornalista, secretário de Comunicação Social da Prefeitura de Aracaju, autor de "Sempre aos Domingos: Antologia de textos jornalísticos".

“Alô, é do IML? Temos um suspeito aqui...”

A charge do genial Edidelson no Jornal do Dia de quarta-feira resume com dolorosa ironia a tragédia ocorrida no Shopping Jardins no fim de semana: um homem é espancado e estrangulado por dois seguranças enquanto o chefe deles fala ao celular: “Alô, é do IML? Temos um suspeito aqui...” O tal “suspeito” do desenho de humor é um homem negro.

No cruel mundo real, a vítima foi o motorista Leidson Reis, negro. Ele sofreu uma fratura na coluna vertebral, altura da cervical, provavelmente após estrangulamento por uma “gravata” aplicada por um dos brutamontes que o agrediram. Já foi entregue à polícia morto. E, simples assim, tudo ficou nisso. Ninguém foi detido cautelarmente, nada...

Até então, a direção do shopping não se pronunciou sobre o crime, mas o que se leu e ouviu na indireta defesa do estabelecimento é que o tal homem negro tentou insistentemente entrar numa loja que já havia cerrado as portas. Dá para se imaginar o que ocorreu: um bate-boca, um desentendimento, provavelmente troca de agressões e os seguranças, em maior número, imobilizando, talvez espancando e, por fim, aplicando o golpe fatal.

A pergunta que se faz é: se fosse um loiro de olhos claros que estivesse dando um chilique no shopping teria recebido o mesmo tratamento? Obvio que não. O distinto homem branco seria interpelado educadamente, provavelmente convidado a beber um cafezinho na gerência, onde ouviria um formal pedido de desculpas. Ou, se tivesse provocando um ato ilegal, seria simplesmente entregue à polícia, como se recomenda nesses casos.

Mas era um negro, ainda por cima com cara de pobre e esse tipo de gente não merece consideração quando se depara com uma situação extrema como aquela da noite de sábado. Aliás, pelo histórico do lugar, pode-se até dizer que a morte do negro Leidson já era anunciada.

Em agosto do ano passado, Wendel, um rapaz mulato de 20 anos, e mais dois amigos, de 19 anos, foram impiedosamente espancados quando, após se divertirem, se dirigiam ao estacionamento para pegar suas motos. Foram provavelmente confundidos com ladrões. “Eles bateram com madeira e com barra de ferro. Com vergalhão. Por sorte de meu filho, eu fui avisado e cheguei lá e consegui tirar meu filho das mãos dele. Meu filho é bem moreno e quando cheguei ainda ouvi eles xingando meu filho de veado e negro”, lembrou José Ednaldo Coelho Santos, pai do rapaz espancado, no programa Liberdade Sem Censura, da rádio Liberdade FM, na semana passada.

Segundo o pai revoltado, a sessão de tortura aconteceu dentro de uma “jaula” que haveria nos fundos do shopping. “Colocaram ele de joelho onde permaneceu assim por mais de uma hora. Depois começaram a bater nos pés dele”, narrou, no conhecido programa de rádio, acrescentando que as pistolas que os seguranças usavam eram “coisa de polícia”.

Esse evento de agosto também continua em aberto. Ninguém foi punido.

A história lembra aquele caso ocorrido em agosto de 2009, na cidade de Osasco, quando um funcionário da Universidade de São Paulo, tomado por suspeito de um crime impossível – o roubo do seu próprio carro, um EcoSport –, foi submetido a uma sessão de espancamentos com direito a socos, cabeçadas e coronhadas, por cinco seguranças do Hipermercado Carrefour. Enquanto apanhava, a mulher, um filho de cinco anos, a irmã e o cunhado faziam compras. O outro filho de dois anos dormia no carro, por isso ele não entrou no supermercado.

Januário, baiano, negro, teve o rosto bastante machucado e os dentes quebrados. “Você tem cara de que tem pelo menos três passagens. Pode falar. Não nega. Confessa que não tem problema”, teria comentado um PM, assim que chegou para atender a ocorrência. Mas a sorte dele foi a polícia ter chegado, porque só então verificaram que o carro lhe pertencia.

Os negros morrem mais

Como já se disse aqui, neste belo e miscigenado país tropical livre de tragédias naturais, 50 mil pessoas morrem vítimas de assassinato todos os anos. Mas os brancos têm morrido menos e os negros morrem em proporção cada vez maior. E a diferença só faz aumentar. Em 2002, foram assassinados 46% mais negros do que brancos. Em 2008, a porcentagem atingiu 103%. Ou seja, para cada três mortos, dois tinham a pele moreno-escura. Os números são do Mapa da Violência 2011, realizado pelo Instituto Sangari e Ministério da Justiça.

De acordo com o levantamento, entre 2002 e 2008, o número de vítimas brancas caiu de 18.852 para 14.650, o que representa uma significativa diferença negativa, da ordem de 22,3%. Já entre os negros, o número de vítimas de homicídio aumentou de 26.915 para 32.349, o que equivale a um crescimento de 20,2%. Em algumas unidades da Federação, os números lembram extermínio: na Paraíba, sabe-se lá porque, são mortos 1.083% mais negros do que brancos. Em Alagoas, 974% mais. E na Bahia, os assassinatos de negros superam em 439,8% os de brancos.

Em Sergipe, em 2008 foram mortos 417 negros, contra “apenas” 78 brancos – índice de vitimização negra de 135%. Dado para se lamentar ainda mais: oito dos nove estados nordestinos estão entre as 12 unidades da Federação onde é maior a proporção entre os assassinatos de negros e brancos jovens, de até 24 anos. Nessa faixa de idade, aqui morrem 249% mais negros do que brancos.

O coordenador do estudo, o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, levanta duas hipóteses para o caso da mortandade dos negros mais especificamente. A primeira delas é que acontece com a segurança o mesmo ocorrido com a educação e a saúde: a privatização. Assim como quem possui condições financeiras vai a escolas particulares, tem plano de saúde e por isso acesso a melhores hospitais, também se protege melhor do crime quem tem mais dinheiro. As guaritas, grades, carros blindados, os filhos com celular e os seguranças privados (em geral policiais fazendo bicos) protegem da violência as classes sociais mais altas e mais brancas.

A outra razão é de responsabilidade direta do poder público. “Tudo indica que as políticas que estamos desenvolvendo desde 2002 no setor de segurança, em muitos estados, se dirigem fundamentalmente aos setores mais abastados da sociedade”, critica o sociólogo. “Se a maioria dos negros é pobre, é óbvio que não serão beneficiados.” É visível que o policiamento é sempre mais atuante e eficaz nos bairros onde moram os mais ricos.

O problema no Brasil não parece ser a escassez de investimentos, mas a sua aplicação. Os investimentos historicamente ficaram concentrados nas capitais e regiões metropolitanas. Com o crescimento das cidades do interior, os índices de violência aumentaram ali porque os municípios não estavam preparados para o problema.

Se junta à “natural” violência maior entre os pobres a ocorrência da violência policial, de que também são vítimas os negros. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) confirmou que a proporção de pretos e pardos mortos pela polícia é maior do que na população em geral. Isso parece que se aplica a seguranças de certos locais mais sofisticados.

Como disse a socióloga Luiza Bairros, ministra da Igualdade Racial, o problema começa na forma como os policiais são treinados para enxergar o negro. “A imagem utilizada para compor o criminoso é calcada na pessoa negra, mais especificamente no homem negro. O negro foi caracterizado como perigoso em estudos de criminologia e o lugar onde ele mora é visto como suspeito. É automaticamente enquadrado nas três possibilidades de construção da suspeição: lugar, características físicas e atitude. Ou seja, como o racismo institucional existe, acaba moldando o comportamento de boa parte da corporação.”

LinkFonte: Página oficial do blogueiro (http://www.infonet.com.br/marcoscardoso/ler.asp?id=124718)

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Alta cúpula da SSP vai à CDL debater segurança

Secretário João Eloy

Esperado por muitos lojistas, o debate em torno da segurança e medidas que possam minimizar os assaltos e roubos às lojas comerciais e aos clientes, está sendo aguardado com muita expectativa por parte da classe empresarial.

A reunião-almoço convocada com este fim foi feita pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), que marcou o evento para esta quinta-feira, 29, a partir das 12h, na sede da entidade, rua Santa Luzia, 571.

Conforme Samuel Schuster, presidente da CDL, o debate vai reunir o alto comando da segurança pública de Sergipe, com as participações do secretário João Eloy, sua equipe, além de representantes das polícias Civil e Militar.

A CDL espera que as medidas a serem anunciadas pelo governo de Sergipe atendam a expectativa dos lojistas, na medida em que solicitam providências para coibir os assaltos e roubos nas áreas comerciais da cidade - Centro, 13 de julho, Siqueira Campos e shoppings.

O debate em torno da segurança ocorre dentro do programa mensal organizado pela entidade denominado "Conversando com o Lojista", com a participação do segmento empresarial e decisivo apoio do Banese Card e Oi telefônica.

Elton Coelho 

Fonte: CDL Aracaju

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

‘Bico’ na PM: o calcanhar de Aquiles do Governo

As denúncias envolvendo sessões de tortura dentro do Shopping Jardins com suposta participação de policiais militares reascende a polêmica em torno das atividades paralelas comumente realizadas por PMs nos horários de folga, que são os famosos ‘bicos’. Uma ação praticamente institucionalizada, que tem se tornado a grande fragilidade da Corporação Militar, o verdadeiro ‘calcanhar de Aquiles’ do Governo de Sergipe.

Na corporação militar, há um sentimento unificado sobre a necessidade de proporcionar mudanças no regimento interno da Polícia Militar, que atualmente é norteado pelo Regulamento Disciplinar do Exército (RDE). Atendendo solicitação da Associação Beneficente dos Servidores Militares do Estado de Sergipe (ABSMSE), a Ordem dos Advogados do Brasil em Sergipe (OAB/SE) emitiu parecer pela inconstitucionalidade da aplicação do RDE à PM, classificando o Estado como omisso por não criar uma legislação própria para regulamentar a atividade militar em Sergipe.

E as mudanças que já estão sendo analisadas pelo Governo do Estado poderão, inclusive, dar um novo norte à questão, uma vez que, por ser a atividade militar tratada como dedicação exclusiva, os serviços paralelos são efetivamente proibidos, apesar de, na prática, ter se tornado comum o policial militar prestar serviços de segurança particular nos horários de folga.

Para acabar com esta possibilidade, há várias receitas. No entanto, o Governo ainda não apresenta alternativas de solução para este problema. A Procuradoria Geral do Estado (PGE) é irredutível. A folga dos militares é sagrada para torná-lo apto ao retorno das atividades sem estresse e psicologicamente preparado para enfrentar uma árdua rotina, o que, na ótica do procurador do Estado Ronaldo Chagas, que atua na via administrativa da PGE, só é possível quando o militar tem o efetivo descanso para “repor as energias”.

Clique aqui e leia a matéria completa.

Fonte: Infonet

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Shopping diz que seguranças não agrediram jovens

A demora no retorno das informações foi devido a necessidade de analisar as imagens das câmeras de segurança

Um dos rapazes que teve seu braço torcido

A assessoria de comunicação do Shopping Jardins enviou nota à redação do Portal Infonet informando que não houve agressão por parte dos seguranças aos adolescentes. O espancamento teria acontecido na noite do último sábado, 20, e na segunda-feira, 22, os jovens acompanhados de seus pais prestaram queixas contra os seguranças do estabelecimento comercial, acusando-os de agressão. Neste mesmo dia, os rapazes foram ao Instituto Médico Legal (IML), para fazer exame de corpo de delito.

Apesar de terem sido procurados na segunda pela equipe de jornalismo do Portal Infonet, somente nesta quarta-feira, 24, o Shopping se pronunciou sobre o assunto. A explicação sobre a demora do retorno das informações foi a necessidade de capturar e analisar as imagens de segurança e também ouvir o depoimento dos funcionários envolvidos no caso.

De acordo com o Shopping, dois grupos de adolescentes começaram a briga e e quando o segurança foi apartar acabou sendo violentamente agredido. O profissional está afastado se suas funções.

Leia abaixo a nota enviada pelo Shopping na íntegra:
"No último sábado, dia 20, imagens registradas às 19h30, mostram um grupo formado por 8 (oito) jovens saindo pela Portaria ‘C’ do Shopping Jardins. Um minuto após a saída, tem início uma grande confusão, onde dois grupos parecem se enfrentar.

A equipe de segurança foi acionada até o local para evitar o confronto, atuando no sentido de imobilizar os mais exaltados. No cumprimento das suas funções, um dos seguranças acabou sendo violentamente atingido por pontapés e golpes de capacete. Este funcionário encontra-se afastado das suas atividades por questões médicas.

Com a apuração dos fatos, os representantes do Shopping Jardins chegaram a conclusão de que não houve agressão por parte dos seguranças do empreendimento.

Durante a ocorrência, dois senhores chegaram, se identificaram como policiais e passaram a conduzir as ações.

A Corregedoria da Polícia Militar já está apurando os fatos e após a conclusão do inquérito, o Shopping Jardins voltará a se pronunciar."
Fonte: Portal Infonet

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Pedroso diz que contêiner é ambiente agradável

O coronel rebate denúncias feitas pelos militares e afirma que problemas estão sendo solucionados

A equipe do Portal Infonet ouviu a denúncia de militares que trabalham no contêiner da Polícia Militar (PM) instalado recentemente no canteiro ao lado do Banese e do Shopping Jardins. De acordo com os eles o local não oferece estrutura por não possuir água, energia elétrica, telefone e adequação sanitária. Os militares afirmam que enfrentam ainda o forte calor do local.

A situação, que foi encaminhada ao Ministério Público de Sergipe (MP) na última terça-feira, 24, foi rebatida pelo comandante Carlos Pedroso, que afirma que o contêiner possui boas condições.

“Até estranho militares estarem dizendo isso porque penso o contrário: ali é um módulo experimental, que está em uma fase de experimento; as condições dentro do contêiner são boas porque possui ar condicionado, meios de comunicação e água”, rechaça o coronel.

Pedroso salienta que teve um pequeno problema na questão da instalação do esgotamento sanitário do local, mas assegura que o problema já está sendo solucionado. “Tivemos um problema na instalação elétrica mais foi resolvido. Temos o problema da instalação do esgotamento naquela área, que precisa de autorização da prefeitura e Adema, mas já está sendo resolvida. Tenho absoluta certeza que aquele é um ambiente agradável”, acrescenta o comandante da Polícia Militar.

Coronel Pedroso diz ainda que qualquer reclamação é precipitada. “Ali não é um lugar para o policial dormir, apenas para passar um determinado momento naquele local. Qualquer reclamação naquele sentido é precipitação”, conclui.

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Para saber mais:

Policiais reclamam falta de estrutura em contêiner do Jardins - http://www.infonet.com.br/cidade/ler.asp?id=102780&titulo=cidade

Fonte: Portal Infonet

terça-feira, 22 de junho de 2010

Ouvidor de Minas defende integração entre Polícias Civil e Militar

A elaboração de uma resolução pelo Colegiado das Corregedorias de Polícias para que sejam estabelecidos os procedimentos para que a Polícia Militar libere seus policiais para prestar depoimento em um inquérito contra eles na Polícia Civil e vice-e-versa foi defendida pelo ouvidor de Polícia de Minas Gerais, Paulo Vaz Alkmin. Ele participou de audiência pública da Comissão de Direitos Humanos nesta terça-feira (22/6/10), que teve como objetivo discutir incidente ocorrido entre dois policiais das duas corporações em um shopping de Belo Horizonte, que teria culminado com o cabo da Polícia Militar atirando e atingido familiares do policial civil.

De acordo com o presidente da Comissão de Direitos Humanos e autor do requerimento da reunião, deputado Durval Ângelo (PT), o incidente aconteceu no dia 7 de maio, no shopping Pátio Savassi. O policial civil Vicente de Paula Lima do Nascimento estaria com sua esposa e dois filhos olhando uma banca de um ambulante com DVDs, quando teria sido abordado por fiscais da prefeitura e pelo cabo Geraldo Cândido, que acompanhava a fiscalização. Os dois teriam se desentendido e o cabo teria atirado e atingido a esposa e um filho do policial civil. Ainda segundo Durval Ângelo, após a abertura de inquérito pela Policia Civil, o major da PM João Carlos Figueiredo não teria liberado o cabo Geraldo Cândido para prestar os esclarecimentos necessários.

O ouvidor de Polícia Paulo Vaz Alkmin afirmou que existe um descompasso entre a Polícia Civil e a Militar no que tange os inquéritos que uma corporação abre para investigar o comportamento de um agente da outra corporação. "A Polícia Militar não libera seus policiais para prestar depoimento em um inquérito contra ele na Polícia Civil e vice-e-versa", afirmou. Segundo ele, essa atitude acaba por prejudicar os inquéritos, já que os autores nunca são ouvidos. O ouvidor defendeu que seja feito um protocolo estabelecendo um entendimento entre as duas polícias na apuração desse tipo de inquérito.

Diante das considerações do ouvidor, o deputado Durval Ângelo sugeriu que fosse aprovada pelo Colegiado das Corregedorias das Polícias uma resolução com o objetivo de regulamentar essa situação. "Hoje existe um acordo falado entre as polícias, mas é preciso que essa regulamentação seja estabelecida por escrito", defendeu. Dessa forma, o parlamentar apresentou requerimento, que deverá ser aprovado na próxima reunião da comissão, solicitando que o Colegiado das Corregedorias regulamente a situação.

O vice-presidente do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil, Denílson Aparecido Martins, afirmou que hoje não existe integração entre as polícias. Ele criticou a postura da Polícia Militar em relação aos policiais civis e alertou que a situação pode chegar a um conflito entre agentes das duas corporações. O representante do Sindicato dos Delegados de Polícia (Sindepo), João Bosco Guimarães, também afirmou que a integração entre as duas polícias enfrenta um momento complicado.

Já o presidente da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares (Aspra), subtenente Luiz Gonzaga Ribeiro, defendeu que a maior parte dos conflitos entre agentes das duas corporações acontece porque os policiais civis não se identificam para os militares que se encontram em serviço. Ele reconheceu que a integração das duas polícias está difícil e defendeu que os chefes das duas corporações trabalhem de fato por essa integração.

Representantes dos policiais civis e militares apresentam versões diferentes

Na audiência, os representantes dos policiais civis e militares apresentaram versões diferentes sobre o incidente que envolveu o policial civil Vicente do Nascimento e o cabo Geraldo Cândido. Segundo o vice-presidente do Sindipol, Denílson Aparecido Martins, as imagens do acontecido, filmadas pelas câmeras de segurança do shopping, mostram que o cabo portava arma de forma desequilibrada.

Ele relatou que Vicente do Nascimento teria sido abordado pelo cabo, que teria agido para dominá-lo, torcendo seu braço. Segundo ele, o cabo atirou e estilhaços do projétil atingiram o filho do policial civil, de oito anos, e a esposa dele, e ambos tiveram ferimentos leves. "Essa não pode ser a postura de nenhum policial", afirmou. Denílson Martins também criticou o fato de que no dia seguinte o policial militar já estaria na rua, exercendo suas funções normalmente, e somente teria sido afastado para atividades administrativas após a imprensa divulgar os fatos.

Entretanto, o presidente da Aspra, Luiz Gonzaga Ribeiro, apresentou uma outra versão para os fatos. Segundo ele, o policial militar foi chamado pelo fiscal da prefeitura porque haveria um homem armado na barraca do ambulante que era alvo da fiscalização. De acordo com Luiz Gonzaga Ribeiro, as imagens mostram que quando o policial militar chegou e solicitou a identificação ao policial civil, este não teria se identificado e teria mostrado a arma ao cabo. "Por que o policial civil não ajudou o policial militar a agir contra o vendedor ambulante, que era irregular?", questionou. Luiz Gonzaga Ribeiro também afirmou que, posteriormente, o cabo Geraldo Cândido foi vítima de ameaças proferidas por outros policiais civis.

A delegada da 1ª Delegacia Sul de Polícia Civil, Carolina Bechelany Batista da Silva, afirmou que o inquérito sobre o ocorrido já foi concluído e encontra-se na Justiça, sendo que o cabo foi indiciado por tentativa de homicídio. O deputado Durval Ângelo informou que a Polícia Civil também abriu um inquérito para apurar as denúncias de que o cabo teria sido vítima de ameaças.

O subcorregedor da Polícia Militar, tenente-coronel Valter Braga, afirmou que a Corregedoria está acompanhando o caso e abriu um inquérito para investigar o comportamento do cabo. Ele explicou que o inquérito ainda não foi concluído e que as apurações ainda estão em andamento e estão sendo acompanhadas por um promotor de Justiça. Já o corregedor-geral da Polícia Civil, Geraldo de Morais Júnior, disse que todas as providências cabíveis já foram tomadas.

O deputado Durval Ângelo considerou que o episódio mostrou um despreparo do policial militar para lidar com a situação. Ele defendeu que também seja apurada a conduta do major que não liberou o cabo para prestar os esclarecimentos necessários.


Fonte: Blog da Renata com informações da Assembléia Legislativa de Minas

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Shopping reforça segurança para evitar brigas entre jovens

Adolescentes brigaram na porta do Shopping Jardins no último sábado

A área C do shopping é o maior ponto de aglomeração de jovens

A segurança de um dos principais shoppings da capital está comprometida. É o que afirma um vigilante que trabalha no local e preferiu não se identificar. Ele conta que jovens de classe média ocupam a área C do Shopping localizado no bairro Jardins, zona Sul de Aracaju, geralmente aos sábados e feriados causando tumulto, brigas e confusões.

Apesar do vigilante informar que a violência tem diminuído, uma internauta enviou e-mail para redação do Portal Infonet informando que no último sábado, 24, por volta das 19h a porta da área C estava tomada por adolescentes e seguranças.

"Dois grupos estavam brigando e os seguranças eram poucos em relação ao número de adolescentes, mas conseguiram dominar a aglomeração. Contudo a situação era instável", diz Maria Feitosa em seu relato.

E quem confirmou a informação de Maria foi o gerente de um restaurante fast food, José Mauricio. Ele disse que apesar do estabelecimento ficar muito próximo a área C, nunca aconteceu nenhum incidente, mas no último sábado, teve um tumulto na praça de alimentação.

“A aglomeração de jovens do lado de fora do shopping é muito grande, fica uma média de 50. No restaurante nunca teve nenhum problema, mas no sábado teve uma confusão na praça de alimentação. Espero que a segurança resolva esse problema para que não gere uma violência maior”, disse José Mauricio.

Aos sábados a segurança no shopping é reforçada


De acordo com o vigilante, os casos de violência têm diminuído, mas continuam causando preocupação entre os frequentadores da área. "Geralmente os jovens ficam bebendo e de repente começam a brigar entre eles. As pessoas que frequentam o shopping ficam com medo, porque de repente pode acontecer uma briga e acabar machucando quem não tem nada a ver", enfatiza. 

O assessor de comunicação do shopping, Leonardo Lotti, disse que geralmente aos sábados a aglomeração de jovens é maior e que o shopping reforçou a segurança. “Aos sábados têm mais seguranças no shopping, mas eles não podem impedir a aglomeração dos jovens. Os seguranças apenas ficam de olho para tentar impedir qualquer tumulto e qualquer problema. Eles são orientados a acalmar a situação e chamar a policia”, afirma.

Com relação aos casos de confusão, o assessor disse que teve conhecimento do que ocorreu no último sábado e que a polícia foi chamada e os envolvidos foram levados para delegacia. "80 homens fazem a segurança do Shopping durante a semana. E aos finais de semana tem um reforço de mais 15 homens de uma empresa terceirizada", tranquiliza.

Kátia Susanna

Fonte: Infonet

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