segunda-feira, 2 de outubro de 2017
Anaspra: Audiência analisa mortes de policiais no Brasil
sexta-feira, 3 de março de 2017
Antônio Moraes: "Salário de delegado igual de procurador, Sergipe mais violento"
O policial civil e ex-presidente do Sinpol, Antonio Moraes, escreveu e postou em seu blog, um artigo na manhã desta terça-feira (28), onde diz que a isonomia salarial dos delegados com os procuradores do estado, irá gerar instabilidade dentro da Segurança Pública.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017
Espírito Santo: “Eles têm direito a uma farda por ano”, diz mãe de PM
segunda-feira, 3 de agosto de 2015
9º Fórum Brasileiro de Segurança Pública: Presidente da Anaspra fala dos direitos humanos de policiais e bombeiros
quinta-feira, 30 de julho de 2015
9º Encontro do FBSP: Policiais estão morrendo mais fora de serviço, mas em decorrência da profissão
sábado, 25 de abril de 2015
Subtenente Gonzaga: "Bico Legal, solução ou problema?"
sexta-feira, 9 de março de 2012
Polícia detalha morte de acusado de assassinar PM
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Refundar as Polícias
Em quase todo o país as avaliações sobre essas corporações são negativas. Os baixos salários são o problema central e têm como consequência direta a necessidade de "bicos" para completar o orçamento familiar.
Nesse cenário, nada mais natural que a maioria dos policiais procure uma vaga na segurança privada. A lei proíbe, mas o bolso manda. E como não há fiscalização de fato para conter a dupla jornada, fica mais fácil burlar a regra - a responsabilidade sobre a segurança privada é da Polícia Federal, mas faltam agentes e sobram missões.
As secretarias estaduais, por sua vez, fingem que nada acontece. Se interviessem, implodiriam as contas públicas, que não resistiriam à emergência de uma demanda salarial reprimida. Afinal, é a segurança privada, informal e ilegal, que FINANCIA, indiretamente, a segurança pública, tornando possível um orçamento irreal. Eis aí o GATO-ORÇAMENTÁRIO.
Mas quando não se fiscaliza a segurança privada para não atrapalhar o "mal benigno" ou a informalidade "bem intencionada", tampouco se vigia a ilicitude maligna. As milícias estão ai para não nos deixar mentir. E os turnos de trabalhos irracionais? Quem teria coragem de racioná-los, se isso implica a quebra da espinha dorsal do bico? (...)
Luiz Eduardo Soares - Le Monde Diplommatique, janeiro 2009
Fonte: Bombeiros do Brasil
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
‘Bico’ na PM: o calcanhar de Aquiles do Governo
Na corporação militar, há um sentimento unificado sobre a necessidade de proporcionar mudanças no regimento interno da Polícia Militar, que atualmente é norteado pelo Regulamento Disciplinar do Exército (RDE). Atendendo solicitação da Associação Beneficente dos Servidores Militares do Estado de Sergipe (ABSMSE), a Ordem dos Advogados do Brasil em Sergipe (OAB/SE) emitiu parecer pela inconstitucionalidade da aplicação do RDE à PM, classificando o Estado como omisso por não criar uma legislação própria para regulamentar a atividade militar em Sergipe.
E as mudanças que já estão sendo analisadas pelo Governo do Estado poderão, inclusive, dar um novo norte à questão, uma vez que, por ser a atividade militar tratada como dedicação exclusiva, os serviços paralelos são efetivamente proibidos, apesar de, na prática, ter se tornado comum o policial militar prestar serviços de segurança particular nos horários de folga.
Para acabar com esta possibilidade, há várias receitas. No entanto, o Governo ainda não apresenta alternativas de solução para este problema. A Procuradoria Geral do Estado (PGE) é irredutível. A folga dos militares é sagrada para torná-lo apto ao retorno das atividades sem estresse e psicologicamente preparado para enfrentar uma árdua rotina, o que, na ótica do procurador do Estado Ronaldo Chagas, que atua na via administrativa da PGE, só é possível quando o militar tem o efetivo descanso para “repor as energias”.
Clique aqui e leia a matéria completa.
Fonte: Infonet
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
"Bico legal"... Mais exploração policial?
domingo, 27 de março de 2011
Rio terá policiais de folga trabalhando fardados

Com um dos piores salários do Brasil, os policiais militares do Rio de Janeiro são impelidos a buscar outros trabalhos para complementar sua renda. O chamado “bico” é um problema grave, porque a maior parte das mortes de policiais acontece durante suas folgas, quando, ao invés de descansar, trabalham, geralmente em serviços de segurança privada e muitas vezes exauridos, sem coletes adequados, suporte operacional e a proteção de colegas. Segundo estatísticas da Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ), entre 2006 e 2010, 659 PMs morreram, sendo 536 em folga e 123 em serviço - uma proporção de 4,36 para um.
Para compensar os baixos salários dos PMs e suas consequências, o governador Sérgio Cabral instituiu o Programa Estadual de Integração na Segurança (Proeis). O decreto 42.875 foi publicado na quarta-feira (16) no Diário Oficial do estado.
Com a medida, policiais militares da ativa do Rio de Janeiro poderão fazer turnos extras através de convênios entre o estado e seus municípios, mediante gratificação extra, pagas pelos municípios: R$ 175 por turno para oficiais e R$ 150 para praças. O turno adicional é de oito horas de serviço e deverá haver um intervalo de no mínimo oito horas antes de o policial retomar suas atividades normais na corporação.
De acordo com o tenente-coronel Odair de Almeida Lopes Junior, gestor do convênio com a Prefeitura do Rio na PMERJ, o programa deverá começar a funcionar dentro de um mês. Ele explica que será aberta uma conta específica vinculada ao programa para a prefeitura depositar os valores. A PMERJ computará o que é devido a cada policial pelo seu trabalho e depositará os valores constando nos contra-cheques.
O Proeis se baseia numa iniciativa já praticada em São Paulo desde o fim de 2009, a Operação Delegada pelo Estado. A proposta foi apresentada ao Comando da PMERJ pelo tenente-coronel Odair, após viagem a São Paulo na qual atestou o êxito do programa, que reduziu significativamente o comércio irregular na rua 25 de Março, no centro da cidade. O comandante-geral da corporação aprovou a ideia e repassou ao governador, que propôs o convênio ao prefeito.
Segundo o tenente-coronel Odair, os policiais trabalharão fardados, armados, equipados e com as garantias do estado, atuando junto à Guarda Municipal no combate ao comércio irregular, à perturbação do sossego e em tudo que o município achar necessário. As viaturas utilizadas terão identificação do Proeis e os policiais usarão braçais especiais. “O Proeis ajudará a melhorar a remuneração dos policiais e aumentará o efetivo nas ruas, melhorando a segurança da população. O ‘bico’ coloca o policial na clandestinidade”, diz o oficial.
Pesquisadores aprovam medida
A socióloga Julita Lemgruber considera válida a alternativa de permitir que policiais trabalhem em suas folgas em atividades negociadas entre as autoridades. Para a especialista em segurança pública, há uma série de possibilidades para usar a mão-de-obra de folga através de estratégias articuladas.
“É claro que não é o ideal. O ideal seria que recebessem salários que cobrissem suas despesas e de suas famílias com moradia, saúde, educação... Mas enquanto isso não acontece, os policiais do Rio não podem continuar nessa situação de ter um dos piores salários do Brasil”, diz.
Julita enfatiza, entretanto, que essa é uma alternativa para curtíssimo prazo. “Não devemos aceitar essas medidas como algo permamente. Temos é que lutar para que esses homens e mulheres tenham salários dignos”, defende.
De acordo com o superintendente de Planejamento Operacional da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, delegado Roberto Alzir Dias Chaves, não há dúvidas de que a melhoria da remuneração do trabalho policial deve ser uma meta perseguida com afinco pela administração pública.
“Já tivemos alguns avanços neste sentido e o governo estadual tem tentado melhorar o quadro salarial das polícias com aumentos superiores aos da inflação, ano a ano. É claro que existe muito ainda a progredir, mas não podemos apenas ficar aguardando esse quadro ser solucionado em definitivo e deixar de lado outras alternativas que possam melhorar as condições de trabalho e remuneração policial, mesmo em seu horário de folga”, afirma.
Ele acrescenta que muitos profissionais, mesmo bem remunerados, optam por destinar parcela de suas horas de folga para ampliar os seus ganhos financeiros, em virtude objetivos pessoais traçados de melhoria das condições de vida e conforto de suas famílias.
O superintendente ressalta que o trabalho extra através do Proeis é voluntário, tem todas as garantias proporcionadas pelo Estado e reforça a parceria entre os poderes públicos das esferas estadual e municipal. Outra vantagem, segundo ele, é o aumento da sensação de segurança do cidadão através da utilização de efetivos ostensivamente trajados e em viaturas oficiais.
Para o antropólogo Luiz Eduardo Soares, é melhor disciplinar o caos do que continuar convivendo com ele, hipocritamente, fingindo que não existe. “O ideal seria pagar muito bem aos policiais e exigir dedicação exclusiva. Não sendo possível, o melhor é reconhecer que o bico existe e regulamentá-lo”, defende.
O coronel Ubiratan Angelo, coordenador do Programa de Segurança Humana do Viva Rio e ex-comandante-geral da PMERJ também é contra a hipocrisia. “Não se pode autorizar o que não é proibido. A maioria esmagadora dos policiais faz ‘bico’ porque ganha pouco e tem facilidade de conseguir outro emprego em segurança. A diferença é que agora há uma articulação entre órgãos públicos para aproveitar essa força de trabalho em folga”, explica.
Para ele, proibir o bico seria tapar o sol com a peneira. Ele conta que sempre exerceu a atividade de professor paralelamente à atividade policial. “A diferença é que declaro no Imposto de Renda”. O argumento é apoiado pelo diretor-executivo do Viva Rio, o antropólogo Rubem Cesar Fernandes, que considera o termo “bico” ofensivo. “É o segundo trabalho, todo mundo tem – cientistas, professores...”, defende.
Blogs reagem ao decreto
Enquanto pesquisadores aprovam o decreto como paliativo, alguns policiais e entidades de classe demonstram desapreço. Para o presidente da Associação dos Ativos, Inativos e Pensionistas das Polícias e Bombeiros militares (Assinap), Miguel Cordeiro, trata-se de “mais uma gratificação disfarçada, pois só atende policiais da ativa.” “A gratificação, maquiada em forma de programa, irá aumentar a defasagem salarial dos demais militares e causar mais descontentamento da tropa, além de quebrar o escalonamento vertical”, afirma em seu blog.
Cordeiro critica o fato de o estado criar turnos extras remunerados sem antes definir uma carga horária de trabalho para os militares. “Essa gratificação é injusta e será dada apenas aos eleitos. A maioria dos praças policiais e bombeiros, por exercer função essencial e não ter carga horária de trabalho definida, além de serem obrigados a ficar de prontidão, trabalham muito mais do que 44 horas semanais. Por que então conceder o benefício só para alguns?”, questiona.
Cordeiro afirma que a entidade é contra qualquer remuneração que contemple apenas parte da tropa e anuncia que o corpo jurídico da Assinap já está estudando formas de questionar essa nova gratificação na Justiça.
O coronel Paulo Ricardo Paúl, ex-corregedor da PMERJ, é menos enfático em suas críticas ao Proeis, apesar de considerar a medida longe do ideal, que seria o pagamento de salários justos para os profissionais de segurança pública.
“Ninguém pode negar que tal situação é melhor do que a opção atual dos policiais militares de realizarem seguranças clandestinas”, afirma. Para ele, entretanto, a hora extra deveria ser paga nos eventos extraordinários, como shows, passagem de ano em Copacabana e eventos em estádios de futebol e no caso de os policiais ultrapassarem o horário de serviço. “A folga do PM não deve ser usada para o bico e sim para o descanso e para o convívio com seus familiares”, defende.
De acordo com o superintendente de Planejamento Operacional da Seseg, Roberto Alzir, no entanto, esta gestão não propõe nada que vá contra o interesse público ou que venha a causar qualquer tipo de prejuízo à classe policial. “O decreto não obriga o policial a nada, apenas visa trazer para a legalidade uma prática usual do policial trabalhar em sua hora de folga, se assim o desejar, passando a destinar a sua hora de trabalho na folga ao próprio poder público com todo o apoio, garantias e estrutura do Estado”, enfatiza.
Ele acrescenta que há a preocupação de que os valores pagos sejam satisfatórios, a carga horária adequada, inclusive com relação aos intervalos de descanso entre as jornadas, além da obediência a criterios rigororosos internos de seleção.
Para o tenente-coronel Odair, muitas críticas vêm do desconhecimento do programa, que seria na verdade um benefício a mais. “A iniciativa é um plus para o policial, uma passo para melhorar a sua qualidade de vida”, afirma. Ele acredita que o Proeis será bem aceito e que terá êxito, assim como os programas similares implantados em São Paulo, Brasília e nos Estados Unidos. Segundo o oficial, outros municípios como Rio das Ostras e Búzios já teriam demonstrado interesse e o programa deverá ser ampliado. “Estamos otimistas”, conclui.
Em 1994, “Lei do Bico” durou pouco
Em 1994, quando o advogado Nilo Batista assumiu como governador do Rio para que Leonel Brizola disputasse a presidência da República, ele criou a chamada “Lei do Bico”, que vigorou por pouco tempo, tendo sido revogada pelo sucessor no governo do estado, Marcello Alencar.
De acordo com a antropóloga Vanessa Cortez, que escreveu monografia sobre o tema, a lei permitia que policiais civis e militares, bombeiros e agentes penitenciários tivessem uma segunda ocupação profissional, especificamente na segurança privada, acendendo um debate acerca do limite entre o que é interesse público e privado, das escalas de trabalho e das questões salariais, trabalhistas e psicológicas. O responsável por derrubar a Lei do Bico teria sido o deputado estadual Carlos Minc, então presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Aerj).
Segundo Fernando Bandeira, policial civil e presidente da Federação dos Vigilantes do Rio de Janeiro, ela restringia o bico à segurança privada e não obrigava as empresas particulares a assumirem os encargos, como assinar carteira e depositar o FGTS, por exemplo.
Para o deputado Godofredo Pinto, a lei reforçava o arrocho salarial da polícia, eximindo o estado de pagar melhor à categoria sob o pretexto de que o policial pode ter duplo emprego. Para Carlos Minc, a lei tornava bico a função pública. Outro ponto atacado foi o dispositivo que permitia aos servidores trabalhar apenas em empresas de segurança, o que favoreceria estas firmas, muitas de propriedade de oficiais da PM e delegados.
Foto: Governo do Estado do RJ
Fonte: Site Comunidade Segura
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
CPI aprova relatório com oito projetos para combater a violência
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Violência Urbana aprovou nesta quarta-feira o relatório final do deputado Paulo Pimenta (PT-RS) com sugestão de oito projetos de lei e diversas providências a serem tomadas pela União, estados e municípios para reduzir a criminalidade e as mortes violentas.
Paulo Pimenta reconheceu que o tema é muito amplo e explicou que centrou suas atenções em três eixos: a profissionalização das polícias, o controle de fronteiras e a reestruturação do sistema carcerário.
Em relação às polícias, o texto sugere, por exemplo, a valorização dos profissionais por meio de um piso salarial nacional. A ideia é evitar que o policial trabalhe em outros empregos para complementar a renda, os chamados "bicos".
Paulo Pimenta reconhece que a proposta que prevê essa medida (PECs 446/09 e 300/08) enfrenta resistência por parte do governo. Mas ele acredita que, com uma adoção progressiva, uma proposta nesse sentido possa ser aprovada no Governo Dilma Rousseff.
"A criação de um piso em que haja uma responsabilidade compartilhada entre União e estados é imperativa. Não há como pensar uma política de segurança no País sem resolver a questão do piso. Você não vai acabar com o 'bico' se pagar um salário que não permita ao policial exercer sua atividade em tempo integral."
Presídios
Sobre a reestruturação do sistema carcerário, o deputado destacou que várias medidas e projetos de lei sugeridos no relatório buscam reduzir a população nos presídios, já que os detentos, segundo ele, apresentam taxa de 70% de reincidência criminal.
"Nós insistimos muito em medidas que reduzam a população carcerária, inclusive com a possibilidade de ampliação de penas alternativas, que evitariam hoje que os presídios estivessem inchados, com presos que poderiam estar trabalhando; a criação de presídios para jovens de até 24 anos com primeira condenação; e uma estrutura de formação profissional e educacional", ressaltou.
Entre os projetos previstos no relatório final, estão o que inclui o estudo e as atividades artísticas, culturais e esportivas como forma de redução de pena; e o que cria uma gradação para evitar o encarceramento de autores de furtos de pequeno valor.
Para o controle das fronteiras, Pimenta recomenda ao Congresso que apoie programas como o de Policiamento Especializado na Fronteira. Ele destacou que a maior parte das drogas e armas chega ao Brasil por via terrestre, especialmente vinda do Paraguai.
Trânsito
Para a violência no trânsito, uma proposta aumenta o prazo de prescrição dos pontos de cada infração na carteira do motorista. Já outra prevê maior tributação de cerveja com álcool, tanto para reduzir o consumo como para destinar os recursos arrecadados ao Fundo Nacional de Segurança Pública.
Os projetos passarão a tramitar na Câmara tendo a autoria da CPI da Violência Urbana.
Fonte: Agência Câmara
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
PMMG: Crueldade sem fim, ainda persistem com as transferências abusivas de praças
Situação do Soldado: Conceito A-50, lotado no 22º BPM, separado judicialmente, pai de uma criança de 08(oito) anos de idade, cuja guarda se encontra com a ex-esposa, possui em seu extrato de registros funcionais: 01 nota meritória, 03 dispensas do serviço e 03 Menções Elogiosas Escritas, em nenhuma punição disciplinar.
No mês de outubro o soldado em epígrafe, recebeu vencimento bruto de R$2.245, 91, sendo descontado R$ 711,20, referente ao IPSM, Imposto de Renda e empréstimos financeiros. Por isto a remuneração líquida do Soldado é R$ 1534,71. O Soldado paga R$ 400,00 de pensão judicial alimentícia ao filho, R$ 380, 00 de aluguel para sua moradia, despesas que acrescidas com luz e água, totalizam, em torno de R$ 450,00/mês. Sobram então menos de R$ 700,00 (setecentos reais) para todas as despesas com alimentação, moradia, transporte, vestuário, lazer, etc. Em apertada síntese, o Soldado terá que sobreviver com uma renda de R$ 23,00 (vinte e três reais) por dia na RMBH, isto se, ele ou seu filho não adoecerem.
Mas este soldado é honesto, e pela situação financeira difícil, acabou por aceitar, um bico de segurança no supermercado BH, onde arriscava sua vida para obter uma complementação de renda. Infelizmente o supermercado foi assaltado e uma arma da corporação, com a qual era armado fixo foi levada pelos meliantes.
Por ação do Comandante do 22º BPM, 14 dias após o fato, o soldado, foi transferido “por interesse do serviço” para a 9ª Região da PM, distante mais de 500 KM de Belo Horizonte.
Vejam bem senhores, a situação é a seguinte: Um Soldado honesto, por se encontrar em estado de necessidade, procurou trabalhar nas horas de folga, naquilo que sabe fazer, segurança, para uma atividade lícita (supermercado BH). Muitos dizem, que o bico de segurança é ilegal, e ele ainda teria usado uma arma da Corporação, por isto, precisa ser usado como “bode expiatório”, para servir de exemplo aos demais militares, que trabalham em bico de segurança.
Ocorrem Senhores Comandantes, que Vossas Excelências, estão, sob o pretexto de manter a disciplina, ao transferir este militar de Belo Horizonte para Uberlândia, agindo de forma ilegal, violando princípios e direitos fundamentais. Senão vejamos:
A Constituição da República, em seu artigo 227, com redação dada pela Emenda Constitucional nº65, de 2010, preceitua in verbis:
“Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, á educação, ao lazer, á profissionalização, à cultura, á dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”.Nessas condições, no presente caso, percebe-se com clareza, que a transferência do Soldado para um município distante mais de 500 km da cidade, do local onde a criança reside com sua mãe, está, com folga, privando ambos, autor e criança, de convivência familiar, não apenas pela distância entre os municípios, mas também, pelas condições econômicas do autor, cuja vulnerabilidade e precariedade são por demais cristalinas.
De igual sorte, a Constituição do Estado de Minas Gerais, em seu art. 13, preceitua verbis:
“Art. 13 – A atividade de administração pública dos Poderes do Estado e de entidade descentralizada de sujeitarão aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, eficiência e razoabilidade.”Cabe indagar, se a transferência para a 9ª RPM, considerada a situação familiar do Soldado é um ato administrativo revestido de razoabilidade e proporcionalidade?
Mas o que mais assusta nesta histórica, são os seguintes aspectos:
- Primeiro: Nenhum Policial “faz bico”, por que deseja violar normas ou ser indisciplinado. A questão reside nos baixos salários, insuficientes para garantir a dignidade do policial e de sua família. Por que os nobres Comandantes não exigem do Governo, uma remuneração que permita ao policial dedicação exclusiva ao trabalho policial ou experimental viver uma mês na RMBH, com o vencimento líquido de um Soldado?
- Segundo: Em diversos Estados do país, em face da remuneração insuficiente, foi oportunizado ao policial que precisar trabalhar em horário de folga, o pagamento de hora-extra ou por empenho em serviço extraordinário, como por exemplo, em policiamentos especiais e operações policiais. Em Minas Gerais o Policial trabalha, além da jornada, é de graça para o Estado. O Comando não trabalha pela regulamentação das horas extras ou do serviço extraordinário, em face do lobby de entidades que não aceitam criação de benefícios que não contemplam os militares inativos, sob a alegação de “quebra da paridade salarial”. Ao nosso cuidar, respeitadas as opiniões em contrário, regulamentar pagamento de hora-extra e serviço extraordinário, não se trata de quebra de paridade entre ativos e inativos, mas de: aumento de policia na rua, motivação para o trabalho, tirar o PM do bico de segurança, e, pagar ao profissional de segurança pública pelo serviço prestado, além da jornada semanal de 44 horas trabalhadas.
- Terceiro: Em Minas Gerais, as atividades dos militares professores que ministram, aulas em cursos já são remuneradas, e as diárias de viagem funcionam como complemento de renda de muitos, mas para o policial de rua, não se oferece qualquer alternativa, a não ser uma tolerância velada como o “Bico”, mas, se der problema a transferência de Região, é a vingança inexorável da administração.
- Quarto: Todavia, o que mais assusta não são abusos e as violações praticadas pelo Comando, mas a falta de ações efetivas das entidades representativas de classe e representantes dos policiais de base, que ainda não se mobilizaram para resolver esta questão. Até quando os direitos e garantias fundamentais dos policiais de base e seus familiares continuarão sendo violados impunemente?
Governador do Estado de Minas Gerais
Secretaria nacional de Segurança Pública
Comissão Interamericana de Direitos Humanos.
Deputado Estadual Sargento Rodrigues e Vereador Cabo Júlio
Ouvidor da Polícia;
Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de Minas Gerais;
Belo Horizonte, 26 de novembro de 2010.
Domingos Sávio de Mendonça
Assessor Jurídico da Ascobom
OAB/MG 111515
Fonte: Blog da Renata
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Política de segurança de Dilma terá de enfrentar a corrupção para combater a violência
Como a Constituição determina a subordinação da polícia militar aos governos estaduais, o Planalto esteve afastado por muito tempo das políticas de segurança. A presidente eleita Dilma Rousseff terá que dar atenção a problemas ainda sem solução e melhorar políticas já iniciadas pelo presidente.
Luís Antônio Francisco de Souza, sociólogo da Unesp (Universidade Estadual Paulista), defende maior controle externo dos órgãos públicos, para combater a corrupção. Segundo ele, existem planos para combate ao crime de rua, mas não para o crime organizado que envolve políticos e empresários.
- Hoje, crimes acontecem dentro das instituições. Precisamos aumentar a confiança do cidadão na polícia e nos outros órgãos.Denis Mizne, presidente do Instituto Sou da Paz, diz que a corrupção policial é um problema crucial, mas pouco falado.
- A corrupção prejudica os mais pobres, porque evita a punição de quem tem mais dinheiro e das facções criminosas, além de desestruturar as polícias. É um problema que enfraquece o Estado. A gente ainda lida com o crime no varejo e não onde ele é mais perigoso, no topo da pirâmide.Mizne avalia que o governo deverá investir na moralização da administração pública e no fortalecimento de instituições de controle, como TCU (Tribunal de Contas da União), CGU (Controladoria-Geral da União) e corregedorias, que, na opinião dele, deveriam ser independentes.
Papel do governo
O sociólogo Arthur Trindade, coordenador do Núcleo de Estudos sobre Violência e Segurança da UnB (Universidade de Brasília) explica que, na área da segurança, o governo federal pode induzir algumas ações, como o financiamento a projetos e programas. Atualmente, existem os seguintes instrumentos para isso: o Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania), criado em 2007, o Fundo Nacional de Segurança Pública e o Fundo Penitenciário Nacional.
- O Pronasci é uma ótima iniciativa, mas tem problemas graves. O que tem de interessante: ele aloca muitos recursos e permite o financiamento de ações para fora da polícia, ou seja, não restringe o tema da segurança à polícia. O problema é que o Pronasci não tem padrões claramente definidos de como os projetos têm que ser e que tipo de contrapartida [dos Estados e municípios] seria necessária.O professor também critica o fato de o programa não executar todos os recursos previstos no Orçamento. Muitos Estados e cidades que poderiam usá-los não enviam projetos, além de não serem devidamente estimulados para isso, segundo Trindade. O Pronasci se tornou a vitrine do governo Lula na área por propor o enfrentamento da violência priorizando a prevenção, o envolvimento das comunidades nas questões de segurança e a melhor formação de policiais.
O presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima, afirma que o Pronasci tem o mérito de delimitar territórios para ações, mas corre o risco de ser esvaziado, caso não seja aprimorado e integrado a outras iniciativas locais. Para ele, muito mais do que falta de recursos, a segurança pública sofre com problemas de gestão.
- O grande desafio é melhorar a eficiência da máquina pública e induzir um debate amplo sobre o combate à violência.Polícia e informação
Muitos dos problemas relacionados à segurança estão na falta de informações – ou na restrição ao acesso de dados. Luis de Souza, especialista da Unesp, avalia que não há bons diagnósticos sobre o perfil de criminosos ou características de crimes que ocorrem nas cidades e, quando isto é feito, as informações não são compartilhadas com a população em geral.
Souza diz que as informações são essenciais para o combate ao tráfico internacional de drogas, que movimenta mais de R$ 500 bilhões (US$ 300 bilhões) por ano, segundo a ONU, além da criação de acordos e ações conjuntas com outros países e da melhor vigilância dos 23 mil quilômetros de fronteiras.
A ausência de interação entre as diferentes polícias – federal, militar, civil e rodoviária – é um aspecto muito criticado pelos especialistas. As investigações de crimes têm se dado de forma independente, o que significa desperdício de esforços e gastos públicos. Os sistemas de inteligência precisam de investimentos, aponta o pesquisador.
Além da questão da informação, o funcionamento da Polícia Militar é muito questionado. Para Souza, o treinamento dos policias ainda é muito militarizado e prepara pouco para lidar com a população.
Denis Mizne, do Instituto Sou da Paz, também defende a melhor profissionalização dos policiais, que o governo federal defina o piso salarial nacional e critérios básicos de formação, além de reduzir a possibilidade de militares fazerem "bicos" fora do horário de trabalho.
A defesa de uma PM menos violenta, mais preparada e aliada da comunidade faz parte de um conjunto novo de ideias sobre a segurança pública. O maior investimento do governo deve ser mesmo na prevenção da violência, indicam os especialistas. Segundo eles, é muito mais barato – e benéfico – evitar que um crime aconteça do que manter e construir mais presídios, por exemplo.
O crescimento da população carcerária é outra preocupação que afetará o governo Dilma. Segundo o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), o Brasil tem a terceira maior população carcerária do mundo, com 494.598 presos. Com essa marca, o país está atrás apenas dos Estados Unidos, que têm 2,2 milhões de presos, e da China, com 1,6 milhão de encarcerados. Mizne avalia que as prisões precisam mudar, oferecendo, por exemplo, possibilidades de trabalho e estudo. Além disso, segundo ele, será preciso discutir a questão das penas alternativas, que já têm tido bons resultados no país.
Fonte: R7
sábado, 9 de outubro de 2010
Pesquisador da USP defende adoção de meritocracia para melhorar salários de policiais
- Sugiro a adoção de mecanismos para identificar os trabalhos mais eficientes e fazer com que esse policial progrida. Aquele policial que tem uma investigação que melhore os índices criminais da região ou o delegado com baixa recusa de inquéritos [por parte do Ministério Público e da Justiça] merecem um reconhecimento da polícia.
Para que isso aconteça, é necessário primeiramente que policiais estejam inseridos em um contexto de trabalho que os valorize. Salários e infraestrutura adequados são indispensáveis, diz o especialista. Segundo Oliveira, que integra o Núcleo de Pesquisa sobre Políticas Públicas da universidade, problemas familiares podem estar relacionados ao baixo salário que o policial ganha.
Para Marcelo Batista Nery, pesquisador do NEV (Núcleo de Estudos da Violência), também da USP, a meritocracia poderia não funcionar, pois as estruturas das polícias civis e militares ainda preservam um “caráter militarizado”.
- Como em um serviço militar, os funcionários acabam tendo que ficar muito tempo em um cargo para conseguir subir na carreira. Por isso, o critério do mérito pode não funcionar nas instituições.
Já para o presidente do Sindicato dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo, João Batista Rebouças da Silva Neto, a questão do mérito poderia facilmente ser confundida dentro da polícia com "apadrinhamento". Pela lógica, como explica Neto, um policial após permanecer cinco anos no posto (que varia de 4ª classe até classe especial) deve prestar uma prova para conseguir a promoção. No entanto, é frequente que pessoas subam na carreira “porque alguém da chefia quer”.
Ainda segundo o porta-voz do sindicato, a Secretaria de Segurança Pública no Estado sofre com a falta de crédito não só da população, mas dos profissionais que trabalham dentro dela.
- Os investigadores de polícia de São Paulo ganham o segundo pior salário do país, R$ 1.402,00, e, por isso, precisam fazer bicos. Mas o bico acaba sendo a própria polícia, pois fora dali se ganha melhor e se tem mais benefícios.
Salários
Três adicionais compõem o salário base dos policiais civis, militares e científicos de São Paulo: o RETP (Regime Especial de Trabalho Policial), o ALE (Adicional por Local de Serviço, que varia para oficiais em cidades com menos de 500 mil habitantes ou acima dessa população) e o adicional de insalubridade.Com isso, o salário bruto de um inspetor, por exemplo, pode chegar a até R$ 2.749,56.
A última alteração salarial aconteceu em 2008, quando o governo estadual aprovou reajuste de 13%, dividido em duas vezes (6,5% no final do ano e o restante em 2009) A categoria, segundo Neto, pede agora que o ALE dos investigadores e escrivães seja equiparado ao de perito criminal, por exemplo, que é de cerca de R$ 1.540. Atualmente, investigador que trabalha em cidade com menos de 500 mil habitantes e em municípios com população acima desse número ganham, respectivamente, R$ 745 e R$ 975.
- Queremos aumento do ALE porque, assim como os peritos criminais, os escrivães e os investigadores também têm nível superior.
A SSP (Secretaria de Segurança Pública) afirma, contudo, que o valor do ALE não é determinado pela formação de nível superior do profissional de segurança, mas sim pelo escalão que ele ocupa e pelo número de habitantes da cidade onde trabalha. No caso, peritos criminais estão no mesmo escalão que delegados e não no patamar de investigadores.
Ainda de acordo com a pasta, o Estado de São Paulo tem um gasto anual de R$ 11,2 bilhões com a segurança pública, sendo que R$ 9,4 bilhões são destinados ao pagamento de salários. A SSP afirma que a comparação com o salário de outros Estados é arbitrária, uma vez que São Paulo tem maior efetivo policial (130 mil funcionários)
Fonte: Blog da Renata
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Para saber mais
http://asprase.blogspot.com/search/label/desmilitarizacao
https://asprase.wordpress.com/2010/06/21/a-extincao-da-justica-militar/ - A extinção da Justiça Militar
https://asprase.wordpress.com/2010/06/06/3/ - A pouco conhecida Justiça Militar do país
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Em 2009, dos 322 policiais militares mortos no País, 5% cometeram suicídio, 30% morreram em serviço e 65% morreram no exercício de atividades paralela
O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Violência Urbana vai propor a taxação de bebidas alcóolicas para garantir o dinheiro necessário ao piso salarial dos policiais e bombeiros. A informação é do relator da CPI, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), durante audiência pública para discutir o piso salarial de policiais e bombeiros e a criação da Polícia Penal (PECs 300/08 e 308/04).
O relatório, que será entregue até o final do mês de maio, também vai propor medidas para o controle das fronteiras e a profissionalização do sistema carcerário.
De acordo com o parlamentar, o imposto sobre as bebidas seria criado nos moldes da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico , com caráter transitório, para garantir os recursos necessários para custear o piso salarial de R$ 3,5 mil para os policiais de menor graduação e de R$ 7 mil para os de nível superior até que seja criado um fundo específico.
Álcool e violência
Pimenta disse que escolheu o mercado de bebidas alcóolicas por conta da relação direta entre o consumo de álcool e as ocorrências policiais. “Se algum setor tiver de contribuir com a segurança pública, deve ser aquele que contribui para aumentar os índices de violência e o número de acidentes de trânsito”, defendeu o parlamentar.
A proposta teve boa aceitação entre os participantes da audiência. De acordo com o presidente da Associação Nacional das Entidades Representativas de Cabos, Soldados, Policiais e Bombeiros Militares do Brasil, Leonel Lucas Leme, a sugestão de Paulo Pimenta pode permitir a retomada da votação da proposta, que foi aprovada em março deste ano e retirada de pauta.
O texto aprovado pelo Plenário é o da PEC 446/09, que prevaleceu sobre a PEC 300/08, e definiu o piso provisório de R$ 3,5 mil para os policiais e bombeiros de menor graduação e de R$ 7 mil para os de nível superior até que uma lei federal determine os valores permanentes.
Leonel Lucas Lima disse que, em 2009, dos 322 policiais militares mortos no País, 5% cometeram suicídio, 30% morreram em serviço e 65% morreram no exercício de atividades paralelas, fazendo “bico”, no subemprego. Ele disse ainda que 11% da força está afastada por problemas psicológicos. “O que pode resolver essa situação é a aprovação do novo piso”, defendeu Lima. “Essa proposta vai garantir salário digno, vai tirar o policial do ‘bico’, vai permitir que ele possa comprar uma casa”, disse.
Greve de policiais
Durante a audiência, parlamentares e representantes dos policiais e bombeiros denunciaram que há uma suposta manobra do governo para evitar a conclusão do exame da PEC 446/09. O presidente da Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis, Jânio Bosco Gandra, informou que a Polícia Civil vai entrar em greve por período indeterminado se os deputados não votarem a proposta até a próxima terça-feira, 18. “Os líderes partidários estão agindo de forma truculenta para impedir a votação. Isso não é democrático”, disse Gandra.
Segundo ele, alguns deputados aproveitam o clima de campanha para defender a proposta nos corredores, mas na verdade não querem colocar a PEC em pauta porque votariam contra o texto. “Não dá mais para ficarmos nos corredores da Câmara ouvindo palavras de apoio de deputados que votam contra a proposta.”
Para os deputados Major Fábio (DEM-PB) e Capitão Assumção (PSB-ES), a ideia do líder do governo Cândido Vaccarezza (PT-SP) de antecipar o recesso branco para junho é um exemplo das manobras do governo para adiar as votações da Casa. “O governo esta usando de todas as artimanhas para que nada seja votado este ano”, disse Assumção.
Polícia Penal
O presidente do Sindicato dos Servidores Penitenciários do Rio de Janeiro, Francisco Rodrigues, defendeu a criação da Polícia Penal, prevista na PEC 308/04. Segundo ele, a profissionalização dos agentes que trabalham nas prisões é a maneira de quebrar o ciclo atual em que as penitenciárias pioram os criminosos ao invés de promover a ressocialização.
“Hoje o agente penitenciário é o braço do estado responsável por dizer não ao preso. Se ele quer médico, temos de dizer não, se quer assistente social, dizemos que não. Como podemos ressocializá-lo dessa maneira?”, disse. Rodrigues defendeu ainda que o sistema de segurança pública do País só será eficaz se tratar também do sistema penitenciário e não apenas do policiamento e da Justiça.
Fonte: Blog da Renata
terça-feira, 6 de abril de 2010
Policiais podem iniciar greve no final do mês
Centenas de policiais civis, militares, bombeiros, agentes penitenciários e pensionistas se reuniram hoje, na Esplanada, para reivindicar a aprovação no Congresso Nacional da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 300 que estabelece a remuneração dos Policiais Militares dos Estados não poderá ser inferior à da Policia Militar do Distrito Federal, aplicando-se também aos integrantes do Corpo de Bombeiros Militar e inativos. Os policiais prometem iniciar uma greve nacional a partir de 23 de abril, caso, a matéria não seja votada. A categoria optou pela greve como forma de pressionar o governo.
Em Brasília os policiais irão se reunir em assembleia na próxima terça-feira (13), assim como nos demais estados do País, para confirmar a paralisação nacional do dia 23. “O que acontece hoje é, o policial para completar sua renda ele faz bico como segurança ou outro serviço utilizando-se de sua arma e isso não pode. Com a aprovação da PEC conseguiremos ter policiais trabalhando só na policia”, explica o presidente da Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis (Cobrapol), Jânio Gandra.
“Isso vai fazer com que o policial não venda sua folga, não faça bico, que ele fique como manda a lei. Somos servidores públicos e não podemos ter outro emprego. Somos treinados para trabalhar para a sociedade e não para a iniciativa privada”, completa Gandra. A proposta aumenta para R$ 4,5 mil o salário inicial dos praças e para R$ 9 mil a remuneração dos oficiais. E é justamente nesse ponto que a PEC empaca e começa a gerar resistências por parte dos Estados, pois nem todos teriam recursos em caixa para pagar um aumento que, em alguns casos, será de mais de 100%.
Fonte: Blog da Renata
segunda-feira, 1 de março de 2010
Entrevista: Luiz Eduardo Soares, ex-Secretário Nacional de Segurança Pública do Governo FHC
Co-autor do prestigiado “Elite da Tropa“, e do recém-lançado “Espírito Santo“, Luiz Eduardo Soares, que é antropólogo, tem vasta atuação como pesquisador e gestor de segurança pública. Seu currículo conta com experiências como a de Secretário Nacional de Segurança Pública e Secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro. Hoje é professor da UERJ e da Estácio de Sá, e assessor da prefeitura de Nova Iguaçu-RJ.
Na entrevista concedida exclusivamente ao Abordagem Policial, Luiz Eduardo fala de vários temas ligados à segurança, emitindo sua visão sobre o exercício dos direitos humanos pelas polícias brasileiras, a descriminalização das drogas, o militarismo e a unificação nas polícias, o ciclo completo de polícia etc. É uma entrevista fundamental para qualquer interessado em segurança pública. Espero que nossos leitores façam bom proveito:
Abordagem Policial: Em que nível está o desempenho dos Direitos Humanos pelas polícias brasileiras? Estamos perto ou longe de alcançar os ideais humanitários/cidadãos?
LE: Acho que há uma variação enorme. A tal ponto que qualquer generalização seria leviana e correria o risco de ser injusta. Até porque um de nossos problemas é exatamente a inexatidão, a carência de dados qualificados, de informações rigorosas, de indicadores consensuais e confiáveis, de métodos eficientes de mensuração, de critérios universais e transparentes de avaliação. De todo modo, deixando de lado a variação entre instituições, regiões, núcleos no interior das instituições, creio que todos concordariam com o fato de que há indícios muito recorrentes e preocupantes apontando na direção do desrespeito contumaz e ostensivo aos direitos humanos cometido por policiais. Por outro lado, não paira nenhuma dúvida quanto ao desrespeito perpetrado pelo Estado (via governos, secretarias e instituições policiais) contra os profissionais das polícias – a começar pelos baixos salários, com raras exceções, e pelo regimento disciplinar inconstitucional das PM’s).
Abordagem Policial: Não é incomum se ouvir entre policiais que no Brasil “Direitos Humanos são apenas para bandidos”. O que leva esses profissionais a pensar desse modo? Existe, realmente, um descuido em relação a eles?
LE: Esse é um dos problemas chave. Enquanto perdurar essa visão, não avançaremos. Afinal, os policiais são ou deveriam ser, por definição, os primeiros e maiores guardiões dos direitos humanos. Existem para isso: zelar pelas liberdades e pelos direitos, sobretudo o direito elementar à vida. Este último só pode ser transgredido quando está em jogo a legítima defesa da própria vida e da vida de terceiros, ou seja, nada justifica a perda de uma vida senão a proteção de outra ameaçada pela primeira. As polícias, no Estado Democrático de Direito, enquanto instrumentos de mobilização comedida da força, em nome do Estado, garantem o monopólio legítimo do uso da força por parte do Estado – o que beneficia a cidadania, bloqueando despotismos – e garantem o cumprimento do contrato social, traduzido em determinada legalidade. Claro que há desigualdades, opressões e que o contrato costuma ser injusto, mas a virtude do Estado Democrático de Direito é prover meios e normas para que a luta contra as desigualdades e pela radicalização da própria democracia prescinda da violência, cujo império termina por gerar situações tirânicas, independentemente das motivações originais. Não há legalidade democrática divorciada dos direitos humanos e não há polícia aliada aos princípios de justiça enquanto equidade sem o respeito à legalidade democrática e, portanto, aos direitos humanos. Por isso, é uma insensatez para quem preza a justiça e a democracia desprezar a grande plataforma axiológica (isto é, valorativa) de dimensões universais que são os direitos humanos, que sintetizam o melhor de nossas tradições religiosas, humanistas e políticas. Desprezar esses valores é condenar-se, inapelavelmente, à barbárie e às tiranias.
Não há nem pode haver qualquer contradição entre segurança pública e respeito aos direitos humanos – lembremo-nos de que o Brasil é signatário das declarações internacionais e que nossa Constituição reitera os princípios dos direitos humanos. Tanto é verdade que as polícias ensinam seus membros a adotar o gradiente do uso da força, o qual codifica os procedimentos que devem ser empregados seja por conveniência técnica, seja por sua compatibilidade valorativa e legal com a Constituição e os DHs.
Lamentavelmente, estamos longe de uma compreensão adequada dessa problemática, no interior das polícias, na mídia, na sociedade e até nas ONGs, por ignorância de alguns e por comportamentos equivocados de uns e outros – o que inclui falhas indiscutíveis de entidades que defendem os direitos humanos, as quais, quase sempre adotam dois pesos e duas medidas, negligenciando a vitimização de policiais e de suas famílias, e falhando em lhes prestar a mesma solidariedade que emprestam às vítimas civis, tanto de crimes quanto de brutalidades policiais.
Os erros das entidades estimulam uma hostilidade desnecessária, equivocada, de consequências funestas para todos. E o desrespeito aos direitos humanos dos policiais, por parte das próprias polícias e dos governos, acaba jogando mais lenha nessa triste fogueira.
Abordagem Policial: Boa parte dos policiais brasileiros já possuem ou estão cursando o ensino superior. Porém, ainda se percebe certa resistência no âmbito das polícias para absorver o posicionamento dos acadêmicos, chamados de “policiólogos”, em contraposição à experiência, aos “anos de polícia”. Por que isso ocorre?
LE: Vejo esse processo como um fenômeno natural. Acontece o mesmo do outro lado, com sinais invertidos: na universidade, é comum o preconceito contra policiais e contra os que estudam segurança e polícias. De novo, isso expressa a confluência entre ignorância, ressentimentos históricos não elaborados (faltou à nossa anistia o momento da verdade) e práticas negativas de instituições policiais, de governos e de movimentos sociais. Acredito que esse quadro já esteja mudando, ainda que lentamente. Talvez eu tenha sido o primeiro pesquisador acadêmico a pular o muro e assumir funções de gestão policial e de segurança. Para muitos, dos dois lados do muro, foi chocante, em 1999. Dez anos depois, já temos vários colegas que vieram da universidade ou da militância em direitos humanos e que ingressaram no campo da prática das políticas de segurança pública, nos estados, municípios e mesmo na União. Acredito que daqui a dez anos isso será tão comum quanto é em outros países e em outras áreas. Os preconceitos e o corporativismo obscurantista são manifestações atrasadas e inteiramente insustentáveis. O Brasil precisa melhorar na segurança pública tanto quanto já logrou avançar em outros setores. Bobagens do século passado não têm mais lugar.
Abordagem Policial: Como você avalia a atuação do Governo Federal através do PRONASCI?
LE: O esforço tem sido meritório e digno de reconhecimento. Admiro o ex-ministro Tarso Genro, com quem trabalhei na prefeitura de Porto Alegre, em 2001. Devo a seu convite, mediado por meu querido amigo, Marcos Rolim, a possibilidade de regresso ao Brasil – naquela época eu não poderia retornar ao Rio de Janeiro e vivia nos EUA, sonhando em voltar para meu país. Entretanto, como tive oportunidade de dizer ao próprio ministro Tarso, acho quase impossível aplicar um plano inter-setorial com a atual estrutura do Estado, dividido (desde a União aos municípios) em segmentos corporativos que disputam recursos e poder (os ministérios e as secretarias). Sempre repito que segurança é matéria complexa e multidimensional, que exige políticas inter-setoriais, as quais necessitam, por sua vez, de um novo sujeito da gestão pública, uma nova estrutura de Estado, apto a implementar programas multidimensionais. Claro que não pdemos cruzar os braços e esperar que uma questão assim complexa se resolva. Portanto, admiro a iniciativa do Pronasci. O que entretanto falta ao Pronasci? A meu juízo, falta o enfrentamento da questão decisiva, sine qua non: a problemática do modelo policial e/ou da arquitetura institucional da segurança pública no Brasil. Tomemos o caso do Rio. De que adianta investir em programas preventivos se as polícias continuam sendo as mais mal pagas do país, se desdobra entre o serviço público e o bico na segurança privada, se perde na corrupção, na cumplicidade com o tráfico, na brutalidade irresponsável e no protagonismo criminal via milícias? De que adianta desenvolver centenas de bons projetos locais quando a questão policial e do modelo institucional permanecem intratadas? Tudo acaba em festas de inaugurações e num varejão inócuo.
Abordagem Policial: Em um de seus livros (Segurança tem Saída), você chega a sugerir um tratamento com a questão das drogas direcionado à descriminalização. Você continua com essa opinião?
LE: Sim, defendo a descriminalização das drogas que hoje são proibidas e cujo comércio e consumo, hoje, são ilegais ou criminalizados. A pior droga (mais devastadora que o crack, do ponto de vista numérico) é o álcool, depois o cigarro. Há mais de 15 milhões de alcoólicos ou alcoólatras no Brasil. Enquanto não propuserem sua proibição não vou levar a sério nenhuma opinião proibicionista. Mas sei que isso não acontecerá, porque ninguém será louco a ponto de propor uma sandice dessas. Por quê? Porque se proibíssemos o álcool, teríamos o mesmo alcoolismo e, além disso, passaríamos a ter o tráfico de bebidas, aumentando a violência urbana e turbinando o tráfico de armas, nosso maior problema em matéria de segurança pública. O fato é o seguinte (e posso dizê-lo, agora, assumindo a condição de antropólogo): a humanidade sempre conviveu e conviverá com substâncias psico-ativas. A iniciativa de tornar o comércio, a produção e o consumo de algumas um tabu ou um crime é arbitrária, segue regras simbólicas e culturais e produz vários efeitos, preconceitos e estigmas. Não há base científica para proibição. Há dois níveis distintos e interligados que devem ser contemplados nessa discussão: um nível pragmático e um nível ético-político ou filosófico. Do ponto de vista pragmático, meu raciocínio é simples e dificilmente contestável: o acesso às drogas ilegais existe, a despeito da proibição legal. Essa afirmação se aplica a todo o mundo não-islâmico e não-totalitário. Não se resume ao caso brasileiro. Veja os EUA. O país empenhou 100 bilhões de dólares, nos últimos 5 anos, na guerra às drogas, e não conseguiu acabar com o tráfico e o consumo. O problema não é apenas brasileiro. Não se trata de incompetência de nossas polícias. Nada disso. O problema é mundial. E por que é assim? Porque não há como controlar o mercado, quando há demanda, a menos que se construa um Estado totalitário (e mesmo assim, ele tem prazo de validade, como a história provou). Esta é uma tremenda ironia: os EUA venceram a guerra fria, demonstrando que o mercado pode ser disciplinado, regulado, mas não abolido. E no entanto, parecem acreditar que abolirão o mercado das drogas. Claro que não é bem assim. Os policiais mais experientes e especializados, nos EUA, sabem perfeitamente de tudo isso que estou escrevendo. Mas há a necessidade de que se erga um inimigo para que a unidade interna não se afrouxe. Depois da guerra fria e antes do Iraque, as drogas foram úteis. E quando se investem 100 bilhões alguém ganha com isso. Muita gente ganha com isso. Todo um complexo industrial-militar, que vai de veículos a ferramentas de comunicação.
Bem, o fato é que o acesso existe em cada esquina de qualquer grande cidade (e não só). É incontrolável. E não me venham com a ingenuidade das campanhas contra o consumo, para esfriar a demanda. Ora bolas, se isso fosse tão banal, não haveria problema. Portanto, olhemos de frente a realidade. Ela é incontornável. Sendo assim, a verdadeira pergunta realista e pragmática não é: devemos ou não proibir o acesso às drogas? Mas: dado que o acesso é um fato, em que contexto legal-institucional preferiríamos que esse fato ocorresse? Em que contexto institucional esse fato produziria menos danos? O contexto atual – em que drogas ilícitas são questão da justiça criminal – gerou os resultados que estão aí. O pior deles, no Brasil: o casamento entre as drogas e as armas. Esse é nosso trágico diferencial. Em NY, o traficante que vende drogas na esquina fará tudo para não estar armado, porque isso só lhe complicaria a vida e nenhum benefício lhe traria. No Brasil, por razões que eu e muito colegas já estudaram, existe esse casamento – que tem de ser imediatamente desfeito. O que mata não são as drogas e seu tráfico (as mortes por overdose são mínimas, diante das provocadas por ingestão excessiva de álcool, cigarros, como já disse), mas as armas e seu tráfico.
O segundo nível é ético-político ou filosófico. Cada um tem sua posição. No meu caso, não admito que o Estado tenha ingerência sobre a vida privada, desde que as decisões individuais não provoquem danos sobre terceiros.
Abordagem Policial: Em termos de estrutura policial, o que você sugere para o Brasil? Militarizada ou desmilitarizada? De Ciclo Completo? Unificadas (Civil e Militar)?
LE: Ciclo completo, sim, sem dúvida. É central e urgente. A divisão de ciclo é nossa jabuticaba: originalidade nacional. E comprovadamente um desastre. Mas a unificação de ciclo não deve ser confundida com unificação entre instituições. No Brasil, a unificação institucional uniria deficiências e vícios institucionais, e tenderia a anular virtudes. Prefiro modelo municipalista, com muitas polícias, cada uma delas de ciclo completo – começando pelos municípios maiores. O problema da desconexão atual e da desintegração nada tem a ver com a quantidade de instituições (temos só 56 ou 57, no Brasil; nos EUA, há 21 mil polícias). Para que o número não seja problema, é preciso que todas as instituições atendam a condições elementares de qualidade, nas áreas de recrutamento, valorização profissional, formação, capacitação e treinamento, gestão de conhcimento, gestão institucional, perícia, controle inter e controle externo, e articulação com políticas inter-setoriais.
Quanto a ser militar ou não, acho que podemos ter ambos os tipos. A questão não é ser ou não militar, mas COMO ser militar. O cordão umbilical com o Exército, previsto no artigo 144 da Constituição, tem de ser cortado; os estratos hierárquicos, diminuídos; o regime disciplinar, alterado.
Por outro lado, a posição de delegado tem de ser parte de uma carreira única na PC. Um posto a ser obtido, internamente. As duas polícias, hoje, estão divididas ao meio: praças e oficiais; delegados e não-delegados. Isso é péssimo. O inquérito policial é uma peça formalista e barroca, inteiramente obsoleta.
Abordagem Policial: Você se tornou um Twitteiro dedicado (@luizeduardosoar). Como vê o fenômeno que passou a ser denominado “Blogosfera Policial”, onde policiais estão se utilizando da internet (blogs, twitter e outras redes sociais) para discutir segurança e até fazer denúncias?
LE: Acho da maior importância. É um fato histórico. As mudanças nas instituições da segurança pública têm de profundas e elas não acontecerão enquanto os policiais não se tornarem seus condutores e protagonistas. A blogosfera começa a brir espaço para esse avanço.
Abordagem Policial: Quais são seus projetos atuais, em termos de produções na área de segurança pública? É verdade que vem aí um “Elite da Tropa 2″?
LE: Estou inteiramente dedicado a escrever o Elite da Tropa 2. Por ora, é isso.
Abordagem Policial: Por fim, deixamos um espaço para que você faça as considerações que desejar, e pedimos que indique uma obra essencial para um policial ler (pode ser de sua autoria)…
LE: Gostaria muito que os policiais conhecessem minha experiência no Rio de Janeiro, em 1999. Para isso, o caminho seria a leitura do livro “Meu Casaco de General: 500 dias no front da segurança pública do Rio de Janeiro” (editora Companhia das Letras, 2000). Quem tiver curiosidade em conhecer em detakhes minhas propostas para as polícias e meu trabalho teórico, a melhor fonte é meu livro “Legalidade Libertária” (editora Lumen-Juris, 2006).
Fonte: Abordagem Policial
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