quarta-feira, 21 de maio de 2014
"Quem protege não pode ameaçar", disse coronel sobre paralisação da Polícia Civil
segunda-feira, 19 de maio de 2014
Atividade legislativa do Capitão Samuel
segunda-feira, 31 de março de 2014
Maranhão: Militares fazem doação a Soldado Leite
Após o cancelamento do pagamento do Sd Leite, líder da greve em São Luís, policiais militares da capital e interior fizeram arrecadações para doarem ao militar que ficou sem o seu salário mensal. Os militares estão demonstrando espírito de corpo e solidariedade para com o militar e sua família.
O Sd Leite é da cidade de Teresina-Piaui e sua família tem sofrido com toda essa situação de vê seu ente querido sofrendo todos os reveses por parte da causa dos militares do Maranhão. Sua esposa, Thalita Porto, escreveu no whatsapp de forma bastante comovente a situação que ela se encontra. Ela fez um desabafo e agradeceu a todos os militares do Maranhão pelo apoio ao seu esposo, Sd Leite. Vejam na íntegra:
“Amigos, não conheço alguns de vocês mas tenho certeza que posso vos chamar assim. Hoje eu realmente acordei esperando o Sd Leite me enviar o seu salário para quitar alguns débitos. Estranhei a demora, até que recebi a notícia do que tinha acontecido, notícia dada por uma irmã de sangue. Até esse momento 23:49 horas, 29/03/2014 ele nunca falou sobre o salário suspenso pela administração. Acho que até está com vergonha, pois ele sabe que sou rígida quanto ao dia do salário, afinal de contas programamos todos os nossos compromissos para o final do mês. Vocês podem até questionar porque eu faço isso se eu também trabalho, porém sou autônoma trabalho com vendas, tem mês que é bacana, mais tem mês que “não tiro nada”, então o fixo da casa é o dinheiro dele. Tenho certeza que no momento em que ele não pôde me enviar o dinheiro, deve ter se sentido “ sem chão”, por que sabia que eu ia brigar e não era pouco, mais vou deixar isso para uma outra ocasião. Peço que se mantenham firme, pois meu marido está lutando por todos vocês e se alguém fraquejar, a cabeça dele vai ser entregue na bandeja para os seus perseguidores, e a tropa sofrerá mais retaliações. Tenho certeza que vocês não querem isso. Obrigada pelas doações, eu sinceramente estou muito emocionada com à atitude de vocês."
Thatila Porto Leite, esposa do soldado Leite.
Fonte: Blog de Ebenilson Carvalho - A voz dos militares do Maranhão
http://ebnilsoncarvalho.blogspot.com.br/
Um dos líderes de protesto no Maranhão, PM é preso por desobediência.
Um soldado da PM (Polícia Militar) do Maranhão foi preso, na manhã desta sexta-feira (14), acusado de desobediência ao regulamento disciplinar do Exército. Segundo colegas militares, ele seria um dos líderes do protesto que terminou na porta do Palácio dos Leões, sede do governo maranhense, na noite de quinta-feira (13). O militar, identificado apenas como "soldado Leite", recebeu a ordem de prisão do comando da PM. A prisão deve durar pelo menos três dias.
O ato reuniu cerca de 600 pessoas, conforme os militares.
"A prisão dele foi motivada por não se calar diante do descaso com que o governo trata os militares. Todas associações estão se movimentando, o clima aqui de revolta e indignação", disse um militar que pediu pra não ser identificado.
Os militares pedem implantação de reajuste de 18% (mesmo percentual que foi concedido a servidores de outras categorias) e das perdas salariais, além de mudanças nos critérios de escalonamento, promoção e jornada de trabalho. O governo do Estado, porém, deu 7% de reajuste.
Segundo as associações militares, as propostas foram entregues ao governo e comando da PM e Corpo de Bombeiros no último dia 13. Nos próximos dias, os militares devem realizar assembleia para decidir os rumos do movimento.
"Se no dia 20 [quando ocorre uma assembleia geral da categoria], se o governo não atender, paralisamos as atividades. Estamos sofrendo ameaças e não vamos aceitar", disse o militar.
Outro lado
Em nota, o governo do Maranhão informou ao UOL que o Comando da PM determinou a prisão "por motivação administrativa em consequência da desobediência ao regulamento disciplinar do Exército, que é seguido pelos membros da corporação e estabelece as normas de conduta e comportamento da PM".
O governo disse ainda que foi aberto um procedimento administrativo para apurar a conduta do policial, que pode ser punido. A nota, porém, não cita se o fato que gerou a prisão foi liderar o ato dessa quinta-feira.
Fonte: UOL
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
Aspra acionará a Justiça para cobrar reajuste linear
"Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:
X - a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que trata o § 4º do art. 39 somente poderão ser fixados ou alterados por lei específica, observada a iniciativa privativa em cada caso, assegurada revisão geral anual, sempre na mesma data e sem distinção de índices".
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Servidores e aposentados do Estado receberão pagamento nos dias 26, 27 e 28
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Seplag afirma que retroativo será pago dia 6 de novembro
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Sobre a irracionalidade do militarismo estadual
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
PM: Salário melhor só depende de concurso
Durante a audiência, um policial fez uma pergunta por escrito e encaminhou à mesa, onde a cúpula da PM e SSP discutiam os problemas. Na pergunta, o policial indagou “se as duas policias, PM e PC, que tem a mesma função, porque a diferença nos salários”. A pergunta parece que não agradou ao sub-comandante da PM, coronel Genario que bastante rápido, respondeu: “Isso é só uma questão de concurso público”.
Segundo declarações passadas para a redação do FAXAJU, a resposta do coronel deixou os PMs revoltados. “Veja como nós somos tratados. Nós não recebemos nenhuma gratificação por cargo em comissão. Enquanto nós ganhamos bem menos que os policiais civis, o nosso sub-comandante diz que é só fazer concurso para a PC”, reclamou o PM.
Um oficial que também participava da audiência, de cabeça baixa sussurrou, “É verdade, hoje eu vi como somos tratados e o certo mesmo é fazer concurso para a PC”, desabafou.
Fonte: Faxaju
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
A gente não quer só dinheiro...
domingo, 8 de maio de 2011
Por que o policial deve ganhar "bem"?
A central de operações informa que um veículo da marca “X” de cor “Y” acaba de efetuar um assalto em determinada localidade. Informa ainda que o carro suspeito encontra-se nas proximidades de onde a viatura da guarnição “Z” está. A placa é desconhecida, mas a guarnição acaba encontrando um veículo “X” de cor “Y”, semelhante à descrição da central, passando devagar ao lado da viatura. A película nos vidros é escura, e não dá sequer para saber quantos ocupantes estão no veículo.
Neste momento, o que a guarnição policial deve fazer? Atirar no veículo suspeito – correndo o risco de acertar em inocentes ou mesmo em criminosos que não estejam esboçando reação? Acompanhar o veículo, correndo o risco de ser vítima de um disparo de arma de fogo? Realizar a abordagem ao veículo, fazendo com que os criminosos percebam que já foram identificados pela polícia?
Voltando à ação, digamos que tudo tenha dado certo. A guarnição realizou a abordagem, fez a busca no veículo, encontrou o fruto do roubo e as armas de fogo utilizadas no crime. Os suspeitos são presos em flagrante. Na delegacia, um dos policiais reconhece um dos presos como sendo seu vizinho, num bairro de periferia em que mora. A situação constrange o policial, que mesmo tendo cumprido seu papel legal, teme por uma possível represália do infrator.
***
Um outro policial, alguns dias depois da prisão, ao pegar um ônibus coletivo para se deslocar a sua residência, encontra um outro integrante da quadrilha que prendeu – provavelmente solto mediante algum remédio jurídico que ignora a periculosidade de alguns criminosos. Os pontos vão passando e o policial torce para que possa chegar logo em sua casa.
A melhor resposta para a pergunta seria “não estaria ali”. Provavelmente, se o policial estivesse em seu veículo particular, teria reduzidas as chances de passar por uma situação do tipo, pois além do controle das pessoas que entram em seu carro, os cuidados e atitudes preventivas na direção podem ajudar a evitar roubos e furtos.
***
O policial chega a atuar como pedagogo, psicólogo e socorrista. Sem ter tempo hábil para consultar compêndios ou conselheiros, deve decidir rapidamente o que falar ou fazer em cada ocorrência, que pode ser num prédio de luxo no espaço imobiliário mais caro do país ou mesmo em meio à lama ou em ambiente rurais. O policial precisa entender o poliglota e o analfabeto, e dele é exigido o tratamento comum a ambos enquanto cidadãos.
A complexidade da atuação policial e o risco inerente a ela, impossível de se eliminar completamente, são justificativas plausíveis para que os policiais, mais do que qualquer outra categoria profissional, sejam bem remunerados. Este é um dos primeiros passos para o início de uma segurança pública de qualidade no país.
Fonte: Blog Abordagem Policial
domingo, 27 de março de 2011
Rio terá policiais de folga trabalhando fardados

Com um dos piores salários do Brasil, os policiais militares do Rio de Janeiro são impelidos a buscar outros trabalhos para complementar sua renda. O chamado “bico” é um problema grave, porque a maior parte das mortes de policiais acontece durante suas folgas, quando, ao invés de descansar, trabalham, geralmente em serviços de segurança privada e muitas vezes exauridos, sem coletes adequados, suporte operacional e a proteção de colegas. Segundo estatísticas da Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ), entre 2006 e 2010, 659 PMs morreram, sendo 536 em folga e 123 em serviço - uma proporção de 4,36 para um.
Para compensar os baixos salários dos PMs e suas consequências, o governador Sérgio Cabral instituiu o Programa Estadual de Integração na Segurança (Proeis). O decreto 42.875 foi publicado na quarta-feira (16) no Diário Oficial do estado.
Com a medida, policiais militares da ativa do Rio de Janeiro poderão fazer turnos extras através de convênios entre o estado e seus municípios, mediante gratificação extra, pagas pelos municípios: R$ 175 por turno para oficiais e R$ 150 para praças. O turno adicional é de oito horas de serviço e deverá haver um intervalo de no mínimo oito horas antes de o policial retomar suas atividades normais na corporação.
De acordo com o tenente-coronel Odair de Almeida Lopes Junior, gestor do convênio com a Prefeitura do Rio na PMERJ, o programa deverá começar a funcionar dentro de um mês. Ele explica que será aberta uma conta específica vinculada ao programa para a prefeitura depositar os valores. A PMERJ computará o que é devido a cada policial pelo seu trabalho e depositará os valores constando nos contra-cheques.
O Proeis se baseia numa iniciativa já praticada em São Paulo desde o fim de 2009, a Operação Delegada pelo Estado. A proposta foi apresentada ao Comando da PMERJ pelo tenente-coronel Odair, após viagem a São Paulo na qual atestou o êxito do programa, que reduziu significativamente o comércio irregular na rua 25 de Março, no centro da cidade. O comandante-geral da corporação aprovou a ideia e repassou ao governador, que propôs o convênio ao prefeito.
Segundo o tenente-coronel Odair, os policiais trabalharão fardados, armados, equipados e com as garantias do estado, atuando junto à Guarda Municipal no combate ao comércio irregular, à perturbação do sossego e em tudo que o município achar necessário. As viaturas utilizadas terão identificação do Proeis e os policiais usarão braçais especiais. “O Proeis ajudará a melhorar a remuneração dos policiais e aumentará o efetivo nas ruas, melhorando a segurança da população. O ‘bico’ coloca o policial na clandestinidade”, diz o oficial.
Pesquisadores aprovam medida
A socióloga Julita Lemgruber considera válida a alternativa de permitir que policiais trabalhem em suas folgas em atividades negociadas entre as autoridades. Para a especialista em segurança pública, há uma série de possibilidades para usar a mão-de-obra de folga através de estratégias articuladas.
“É claro que não é o ideal. O ideal seria que recebessem salários que cobrissem suas despesas e de suas famílias com moradia, saúde, educação... Mas enquanto isso não acontece, os policiais do Rio não podem continuar nessa situação de ter um dos piores salários do Brasil”, diz.
Julita enfatiza, entretanto, que essa é uma alternativa para curtíssimo prazo. “Não devemos aceitar essas medidas como algo permamente. Temos é que lutar para que esses homens e mulheres tenham salários dignos”, defende.
De acordo com o superintendente de Planejamento Operacional da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, delegado Roberto Alzir Dias Chaves, não há dúvidas de que a melhoria da remuneração do trabalho policial deve ser uma meta perseguida com afinco pela administração pública.
“Já tivemos alguns avanços neste sentido e o governo estadual tem tentado melhorar o quadro salarial das polícias com aumentos superiores aos da inflação, ano a ano. É claro que existe muito ainda a progredir, mas não podemos apenas ficar aguardando esse quadro ser solucionado em definitivo e deixar de lado outras alternativas que possam melhorar as condições de trabalho e remuneração policial, mesmo em seu horário de folga”, afirma.
Ele acrescenta que muitos profissionais, mesmo bem remunerados, optam por destinar parcela de suas horas de folga para ampliar os seus ganhos financeiros, em virtude objetivos pessoais traçados de melhoria das condições de vida e conforto de suas famílias.
O superintendente ressalta que o trabalho extra através do Proeis é voluntário, tem todas as garantias proporcionadas pelo Estado e reforça a parceria entre os poderes públicos das esferas estadual e municipal. Outra vantagem, segundo ele, é o aumento da sensação de segurança do cidadão através da utilização de efetivos ostensivamente trajados e em viaturas oficiais.
Para o antropólogo Luiz Eduardo Soares, é melhor disciplinar o caos do que continuar convivendo com ele, hipocritamente, fingindo que não existe. “O ideal seria pagar muito bem aos policiais e exigir dedicação exclusiva. Não sendo possível, o melhor é reconhecer que o bico existe e regulamentá-lo”, defende.
O coronel Ubiratan Angelo, coordenador do Programa de Segurança Humana do Viva Rio e ex-comandante-geral da PMERJ também é contra a hipocrisia. “Não se pode autorizar o que não é proibido. A maioria esmagadora dos policiais faz ‘bico’ porque ganha pouco e tem facilidade de conseguir outro emprego em segurança. A diferença é que agora há uma articulação entre órgãos públicos para aproveitar essa força de trabalho em folga”, explica.
Para ele, proibir o bico seria tapar o sol com a peneira. Ele conta que sempre exerceu a atividade de professor paralelamente à atividade policial. “A diferença é que declaro no Imposto de Renda”. O argumento é apoiado pelo diretor-executivo do Viva Rio, o antropólogo Rubem Cesar Fernandes, que considera o termo “bico” ofensivo. “É o segundo trabalho, todo mundo tem – cientistas, professores...”, defende.
Blogs reagem ao decreto
Enquanto pesquisadores aprovam o decreto como paliativo, alguns policiais e entidades de classe demonstram desapreço. Para o presidente da Associação dos Ativos, Inativos e Pensionistas das Polícias e Bombeiros militares (Assinap), Miguel Cordeiro, trata-se de “mais uma gratificação disfarçada, pois só atende policiais da ativa.” “A gratificação, maquiada em forma de programa, irá aumentar a defasagem salarial dos demais militares e causar mais descontentamento da tropa, além de quebrar o escalonamento vertical”, afirma em seu blog.
Cordeiro critica o fato de o estado criar turnos extras remunerados sem antes definir uma carga horária de trabalho para os militares. “Essa gratificação é injusta e será dada apenas aos eleitos. A maioria dos praças policiais e bombeiros, por exercer função essencial e não ter carga horária de trabalho definida, além de serem obrigados a ficar de prontidão, trabalham muito mais do que 44 horas semanais. Por que então conceder o benefício só para alguns?”, questiona.
Cordeiro afirma que a entidade é contra qualquer remuneração que contemple apenas parte da tropa e anuncia que o corpo jurídico da Assinap já está estudando formas de questionar essa nova gratificação na Justiça.
O coronel Paulo Ricardo Paúl, ex-corregedor da PMERJ, é menos enfático em suas críticas ao Proeis, apesar de considerar a medida longe do ideal, que seria o pagamento de salários justos para os profissionais de segurança pública.
“Ninguém pode negar que tal situação é melhor do que a opção atual dos policiais militares de realizarem seguranças clandestinas”, afirma. Para ele, entretanto, a hora extra deveria ser paga nos eventos extraordinários, como shows, passagem de ano em Copacabana e eventos em estádios de futebol e no caso de os policiais ultrapassarem o horário de serviço. “A folga do PM não deve ser usada para o bico e sim para o descanso e para o convívio com seus familiares”, defende.
De acordo com o superintendente de Planejamento Operacional da Seseg, Roberto Alzir, no entanto, esta gestão não propõe nada que vá contra o interesse público ou que venha a causar qualquer tipo de prejuízo à classe policial. “O decreto não obriga o policial a nada, apenas visa trazer para a legalidade uma prática usual do policial trabalhar em sua hora de folga, se assim o desejar, passando a destinar a sua hora de trabalho na folga ao próprio poder público com todo o apoio, garantias e estrutura do Estado”, enfatiza.
Ele acrescenta que há a preocupação de que os valores pagos sejam satisfatórios, a carga horária adequada, inclusive com relação aos intervalos de descanso entre as jornadas, além da obediência a criterios rigororosos internos de seleção.
Para o tenente-coronel Odair, muitas críticas vêm do desconhecimento do programa, que seria na verdade um benefício a mais. “A iniciativa é um plus para o policial, uma passo para melhorar a sua qualidade de vida”, afirma. Ele acredita que o Proeis será bem aceito e que terá êxito, assim como os programas similares implantados em São Paulo, Brasília e nos Estados Unidos. Segundo o oficial, outros municípios como Rio das Ostras e Búzios já teriam demonstrado interesse e o programa deverá ser ampliado. “Estamos otimistas”, conclui.
Em 1994, “Lei do Bico” durou pouco
Em 1994, quando o advogado Nilo Batista assumiu como governador do Rio para que Leonel Brizola disputasse a presidência da República, ele criou a chamada “Lei do Bico”, que vigorou por pouco tempo, tendo sido revogada pelo sucessor no governo do estado, Marcello Alencar.
De acordo com a antropóloga Vanessa Cortez, que escreveu monografia sobre o tema, a lei permitia que policiais civis e militares, bombeiros e agentes penitenciários tivessem uma segunda ocupação profissional, especificamente na segurança privada, acendendo um debate acerca do limite entre o que é interesse público e privado, das escalas de trabalho e das questões salariais, trabalhistas e psicológicas. O responsável por derrubar a Lei do Bico teria sido o deputado estadual Carlos Minc, então presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Aerj).
Segundo Fernando Bandeira, policial civil e presidente da Federação dos Vigilantes do Rio de Janeiro, ela restringia o bico à segurança privada e não obrigava as empresas particulares a assumirem os encargos, como assinar carteira e depositar o FGTS, por exemplo.
Para o deputado Godofredo Pinto, a lei reforçava o arrocho salarial da polícia, eximindo o estado de pagar melhor à categoria sob o pretexto de que o policial pode ter duplo emprego. Para Carlos Minc, a lei tornava bico a função pública. Outro ponto atacado foi o dispositivo que permitia aos servidores trabalhar apenas em empresas de segurança, o que favoreceria estas firmas, muitas de propriedade de oficiais da PM e delegados.
Foto: Governo do Estado do RJ
Fonte: Site Comunidade Segura
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Federação dos Policiais Federais é contra PEC que inclui delegados em carreira jurídica
A Federação Nacional dos Policiais Federais vem a público denunciar a tentativa de criação de um novo "trem da alegria" no Brasil. Trata-se da Proposta de Emenda à Constituição nº 549/2006, que transforma a atividade policial dos delegados em "carreira jurídica" e equipara, num passe de mágica, os salários dos delegados da Polícia Federal e das Polícias Civis aos dos membros do Ministério Público.
Num tempo quando sociedade e governantes discutem políticas para a segurança pública, a PEC 549 - ou qualquer outra iniciativa com objetivo de criar a malfadada carreira jurídica para os delegados de polícia - é um trem da alegria que trafega na contramão da história. Não passa de um projeto meramente coorporativista, que visa beneficiar os ocupantes de um único cargo, exatamente aquele no topo das instituições policiais.
Com certeza, não será essa medida que resgatará a motivação, a auto-estima e a dignidade da maioria esmagadora dos demais servidores, que integram a carreira policial e formam a base das instituições, cujo trabalho cotidiano é o enfrentamento direto à criminalidade e à violência.
O impacto nas finanças públicas, das já combalidas finanças dos estados, será mortal. Do dia para noite, em alguns casos, o salário inicial do delegado passará do valor de R$ 5 mil para mais de R$ 25 mil.
Segundo dados de 2008, do governo de Minas Gerais, publicados pelo jornal "O Globo", o impacto, se aprovada a emenda, seria de R$ 250 milhões/ano nos cofres do estado. Há uma emenda, incluindo também os policiais militares, que elevaria este gasto a mais de R$ 1 bilhão/ano.
Os policiais federais reconhecem que os salários dos delegados das polícias civis em alguns estados, como São Paulo e Pará, não fazem jus ao que qualquer profissional de segurança pública deveria receber. Mas, assim como delegados, escrivães, agentes e papiloscopistas também estão com seus vencimentos corroídos.
No Brasil, o salário médio de um delegado de Polícia Civil gira em torno dos R$ 6 mil. Já o salário médio de um investigador ou escrivão não passa dos R$ 2 mil. Ora, se as duas classes estão com vencimentos muito aquém do merecido, por que reajustar um para R$ 25 mil e deixar o outro sem nada?
A tal carreira jurídica significa a criação de um fosso intransponível, tanto nas polícias civis quanto na Polícia Federal. De um lado, delegados premiados do dia para noite com subsídios de juízes, procuradores e promotores. De outro, uma massa de policiais mal pagos, destinatários das mesmas cobranças por um serviço de segurança pública de qualidade aos cidadãos.
A Federação Nacional dos Policiais Federais ressalta que não há um único país do do mundo onde a atividade policial seja considerada carreira jurídica. A polícia é uma carreira só e, por isso, seus servidores devem ser tratados de maneira igual.
Se delegados de polícia querem ter salários e prerrogativas de promotores de Justiça e procuradores da República devem fazer concurso para estes cargos, mas não valer-se de uma PEC ou de qualquer outro expediente para promover um trem da alegria, às custas do dinheiro do cidadão brasileiro.
Por uma segurança pública de qualidade!
VOTE NÃO À PEC 549
Fonte: Blog do Lomeu
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
A tarefa de limpar a Polícia do Rio de Janeiro
A relação entre maus policiais e indicadores negativos de criminalidade é direta. Na Colômbia, o número de homicídios caiu 70% após a faxina na polícia (que elevou de 17% para mais de 70% o índice de aprovação da corporação). No México, encurralado pela escalada de ações violentas do narcotráfico, fala por si a expulsão de quase 10% do efetivo da força policial, como medida desesperada para conter o avanço do crime organizado nas instituições.
São exemplos sobre os quais as autoridades de segurança fluminenses têm obrigação de se debruçar. Se não alcançou o patamar de afrontas que levaram a Colômbia à beira do caos institucional, e parece arrastar o México para igual cenário de assombração, o Estado do Rio se defronta episodicamente com situações que remetem ao mesmo fantasma.
Em duas semanas, a capital viveu dois exemplos de como a segurança pública tem picos de deterioração na luta contra o crime organizado e na instituição policial. Do primeiro caso, foi evidência a ocupação de ruas e um hotel de São Conrado por um comando de traficantes. Do segundo, que dá conta da degeneração no quadro de pessoal, foi emblemática a prisão de um capitão da PM que, fardado, julgava colegas de corporação, e, paisano, roubava cabos telefônicos.
Por incontornável, a assepsia na polícia do Rio deve ser feita de maneira a não se perder a oportunidade histórica. Que os exemplos de Colômbia e México sirvam de paradigma. O primeiro país, como método a seguir, com uma faxina planejada que logrou fazer uma filtragem bem-sucedida, recuperando uma corporação desacreditada sem escorregar nos aspectos jurídicos (os policiais expulsos não recorreram à Justiça). O segundo, como exemplo a evitar: agir sem planejamento, quando a situação se deteriorar, como fez o México, é dar chance a equívocos fatais.
Deve-se reconhecer que o governo estadual não tem fugido ao desafio de enfrentar a banda podre, do que é prova a progressão de desligamentos na força nos últimos três anos. Segundo a PM, 767 policiais foram expulsos desde 2007. Do ano passado até março de 2010, haviam sido afastados 518, cerca de 300 deles somente em 2009. Mas é preciso também rever os critérios de admissão e a política de remuneração. São passos a serem dados com urgência, para evitar que aqui se repita o colapso que levou a Colômbia ao fundo do poço e ameaça para lá empurrar o México.
Fonte: Jornal O Globo
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