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segunda-feira, 19 de maio de 2014

Samuel cobra horas-extras para PMs que trabalham na folga

Foto: Reynan Santos

O deputado estadual capitão Samuel Barreto (PSL), está cobrando o pagamento de horas-extras para os policiais militares que trabalharem nos seus horários de folga. Na tarde do domingo (18), Samuel usou a rede social para cobrar do governo que seja pago o adicional para os militares que trabalharam nas negociações durante a rebelião que ocorreu no Compajaf.

No twitter, Samuel Barreto reclamou ainda da alimentação que foi servida aos policiais militares no domingo. Para o deputado, “somente a desmilitarização poderemos mudar a forma de tratamento do Comando com sua Tropa. Lamentável! Falta de tratamento e respeito por parte do Comando da PMSE a sua Tropa, trabalharam na folga e ainda não querem pagar a hora extra. Difícil”, escreveu Samuel.

Ainda sobre a alimentação, Samuel disse que “rebelião dura mais que 24 horas, vejam o que a PMSE ofereceu como alimento a sua tropa de plantão. 

Fonte: Faxaju

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Sindicato de agentes penitenciários moverá ação contra Estado.

Por Fernanda Araujo

Depois da rebelião que aconteceu entre este domingo e a manhã desta segunda-feira (17) no Presídio Estadual Senador Leite Neto (Preslen), em Nossa Senhora da Glória (SE), o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários de Sergipe, Iran Alves, disse que vai mover ação contra o Estado.

Os representantes do sindicato, insatisfeitos com as condições em que os detentos e os agentes se encontram, também preparam um documento que, segundo eles, comprova o alerta do sindicato e do advogado dos detentos de que poderia acontecer a tal rebelião, caso as providências não fossem tomadas.

“Várias vezes alertamos o secretário de Justiça, o Ministério Público, a OAB, no sentido de que isso poderia acontecer e que pode acontecer de novo. Se não mudar o secretário de Justiça, o modelo de gestão e não tomar providências emergenciais para implementar soluções, a situação tende a se agravar. Só trará prejuízo para o governo, aos servidores e aos detentos”, diz Iran Alves.

Segundo ele, a rebelião no presídio já era esperada, tendo em vista as más condições de trabalho dos agentes, a superlotação, o déficit de servidores, entre outros fatores. A fuga de seis presos de uma delegacia de Carmópolis na manhã de hoje também foi outra ocorrência que, para Iran, é fruto do descaso da Secretaria de Segurança Pública e da Secretaria de Justiça.
 
“O secretário João Eloy constantemente vem à mídia elogiar a Sejuc por estar recebendo todos os internos das delegacias. Receber os internos das delegacias é excelente para a SSP, para o secretário, para as delegacias, mas péssimo para o sistema prisional porque falta uma estrutura adequada. Tanto é que os detentos têm que se revezar pra dormir. A SSP tem absolvido a Secretaria de Justiça e não tem dado importância aos problemas. Aí estão as rebeliões que colocam em risco a vida dos servidores, da sociedade e dos detentos”, contesta.

Rebelião

Iran Alves relata que, durante a condução de alguns internos ao portão de acesso ao presídio, os dois agentes foram ameaçados por detentos. Os detentos vieram em direção a eles, e em confronto corporal, os dois agentes de posse de uma arma foram atingidos por disparos. Com os agentes feridos, esses internos invadiram a administração, pegaram as outras armas do presídio e iniciaram a rebelião.

Essa é a terceira rebelião neste ano em presídios no Estado de Sergipe. A primeira ocorreu em uma unidade terceirizada, a segunda foi no Preslen há dois meses, enquanto os agentes evitavam uma tentativa de fuga, e agora novamente no Preslen, que hoje comporta em média 450 internos, com apenas cinco servidores trabalhando no local. Segundo Iran Alves, essa proporção deveria ser de um servidor para cada cinco detentos.

O presidente do sindicato justifica o motim pelo déficit de servidores, pela superlotação das unidades e pelo que considera descaso da Secretaria de Justiça (Sejuc) ao sistema prisional. Segundo ele, o déficit se deve ao fato do secretário Benedito Figueiredo ter afastado alguns servidores do trabalho há cerca de um mês, além de não abrir concurso. Com o sistema fragilizado, os remanescentes não conseguem executar o trabalho com o máximo de eficiência, pondera.

“Entendemos que a rebelião foi a válvula de escape para os detentos, da mesma forma que a greve seria a válvula de escape dos servidores. Os servidores não entraram em greve devido ao compromisso que têm com o trabalho. O sindicato é contra o que aconteceu, mas é a favor de que efetivamente se admita a origem do problema para que se busque soluções”, relata.

Para falar sobre o assunto, F5 News tentou contato com a Secretaria de Segurança Pública e a Secretaria de Justiça e Cidadania, mas não houve retorno.

Fonte: F5 News

Presídio Choque encontra granada com rebelados.

Mulheres se revoltam com ocupação e atiram pedras em PM
Choque ocupa presídio e apreende granada(Fotos: Cássia Santana/Portal Infonet)
Com o fim da rebelião no presídio de Nossa Senhora da Glória, o Pelotão de Choque da Polícia Militar ocupou a unidade e, na revista, encontrou uma granada de efeito moral [arma não letal] e um carregador de fuzil. Durante a revista as mulheres de detentos se revoltaram especulando a possibilidade de haver confronto e espancamentos generalizados contra os presidiários na parte interna do presídio.

Os dois agentes penitenciários, que permaneceram reféns durante toda a rebelião, foram libertados e atendidos em uma ambulância do Serviço Móvel de Urgência (Samu). Eles passam bem, e apenas estão abalados psicologicamente, segundo avaliação do secretário de Justiça e Cidadania, Benedito Figueiredo.

Vendo a ambulância partindo com os agentes, as companheiras de detentos que se concentravam na porta do presídio se revoltaram atirando pedras contra os policiais militares que faziam segurança na parte externa e também contra o veículo, especulando que na unidade do Samu havia detentos feridos, fruto de um suposto confronto. No entanto, a situação estava tranquila na parte interna do presídio, conforme assegurou o coronel Maurício Iunes, comandante geral da Polícia Militar.
Mulheres de detentos se revoltam com ocupação de presídio
Na ala onde os rebelados permaneceram, a equipe do Batalhão de Choque não encontrou aparelhos de telefonia móvel. Mas a polícia acredita que eles estejam de posse desses telefones. “Há ainda uma ala que ainda não foi revistada e eles jogaram material, vamos fazer revista para ver se encontramos alguma coisa no telhado ou em outro local”, explica o coronel Iunes.

Tensão

A madrugada foi de tensão. Houve novos tiros, mas não se registrou feridos. Os policiais conseguiram negociar o fim da violência, mas cerca de 100 visitantes, entre crianças, jovens e idosos, e os dois agentes penitenciários permaneceram reféns até o final desta manhã. Muitas mulheres deixaram o presídio acompanhadas dos filhos, até crianças de colo, visivelmente abaladas. Elas se recusaram a falar com jornalistas, mas uma delas conversou rapidamente com o Portal Infonet e disse que foi obrigada a permanecer no presídio por determinação de outros detentos.
Momentos em que reféns começam a ser libertados em Glória
O senhor Manoel Souza Santos, 71, e a filha Lucivânia Pereira também ficaram reféns. Eles estavam visitando o filho de 'Seu Manoel' que há seis meses cumpre pena por calúnia, segundo revelou o pai dele. “Nem deu tempo de desconfiar. Estávamos em oração, pois somos evangélicos, e foi quando ouvimos foi o barulho dos tiros. Não sei explicar o que aconteceu, mas não tive medo”, comentou 'Seu Manoel'.

Outras mulheres, que estiveram com os companheiros detidos na visita íntima que ocorreu no sábado, 15, se concentraram na porta do presídio garantindo que as companheiras não se tornaram reféns, que elas permaneceram no presídio por espontânea vontade e que queriam acompanhar e apoiar os respectivos maridos.

Uma garçonete, que se identificou como Maraíse Costa, 24, teme novas ocorrências, em grau mais elevado. Ela garante que a rebelião é decorrente de uma tentativa de fuga, na qual estavam para fugir apenas cinco detentos. Como houve reação dos agentes penitenciários e dos policiais militares, os detentos decidiram se rebelar, segundo comentou.
GTA se manteve durante todo o período da rebelião
O coronel Maurício Iunes, comandante da Polícia Militar, e o secretário Benedito Figueiredo, confirmam que a rebelião é consequência de uma tentativa frustrada de fuga. Mas a versão deles diverge da garçonete. O coronel e o secretário garantem que a fuga ocorreria em massa, com mais de 100 detentos da ala onde eles se rebelaram.

Churrasco

O fornecimento de água, energia e alimentação foi suspenso. Mas os detentos, que, armados, mantinham o controle da situação, invadiram a dispensa e roubaram alimentos. “Fizeram um churrasco”, admitiu a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Segurança Pública.

Internados

Os dois agentes penitenciários feridos durante o confronto no presídio de Nossa Senhora da Glória permanecem internados no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). O quadro mais delicado é do agente José Fernandes Almeida Lima, que passou por cirurgia na mão e no antebraço. No presídio, especula-se a possibilidade do agente ficar sequelado e até ser obrigado a amputar a mão afetada pelo tiro, mas esta possibilidade não foi confirmada pela assessoria de comunicação do hospital.

Já Tércio de Oliveira permanece na ala do trauma em estado de observação. O quadro é considerado estável. Os dois policiais militares feridos não foram identificados. Eles estavam na parte externa do presídio quando foram atingidos pelos tiros, no início da tarde do sábado, mas foram liberados no mesmo dia depois que receberam atendimento médico no hospital regional de Glória.

Por Cássia Santana
Fonte: Portal Infonet

Rebelião em presídio de Glória termina por volta das 11h.

A rebelião com reféns durou mais de 20h e mobilizou a SSP
(Foto: Cássia Santana/Portal Infonet)
Após intensa negociação que durou mais de 20h termina a rebelião no presídio de Nossa Senhora da Glória. A equipe do Portal Infonet confirma que os reféns estão sendo liberados e que muitas mulheres e crianças estão deixando a unidade prisional em estado de choque.
A assessoria de comunicação da Secretaria da Segurança Pública (SSP) postou em uma rede social que os presos entregaram as armas, após negociar com a polícia. Familiares e agentes foram liberados. Não há informação se algum refém está ferido ou mesmo sobre o estado de saúde dos agentes que estavam dentro do presídio.
Neste momento acontece uma coletiva onde todas as informações sobre as negociações e a pauta de reivindicação dos presos que contam com advogado. A qualquer momento todas as informações sobre mais uma rebelião realizada no presídio de Glória.
Feridos
No último domingo, 16, houve tiroteio e quatro pessoas ficaram feridas, segundo informações do Hospital Regional: dois agentes penitenciários, que foram transferidos para o Hospital de Urgência de Aracaju (Huse) numa ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), e dois policiais militares lotados na 3ª Companhia do 4º Batalhão da Polícia Militar, que foram atendidos no hospital regional e logo receberam alta médica.
Os agentes penitenciários baleados durante o confronto foram identificados como Tércio Oliveira, alvejado por um tiro na coxa, e José Fernandes Almeida, atingido no braço direito. Eles necessitavam passar por um processo cirúrgico e foram transferidos, mas passam bem, segundo o coronel Edmilson Barros, comandante do Policiamento do Interior.
As negociações foram realizadas pelo secretário de Estado de Justiça e Cidadania, Benedito Figueiredo, pelo secretário-adjunto da SSP, João Batista Santos Júnior, além de um juiz da Vara de Execuções Penais e dois advogados.
Por Kátia Susanna
Fonte: Portal Infonet

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Clima volta a ficar tenso no presídio Leite Neto em Nossa Senhora da Glória.

Por volta das 7 horas desta segunda, mais tiros foram ouvidos dentro do presídio e o clima volta a ficar tenso. Até o momento não se sabe se os tiros disparados saíram das armas dos policiais ou dos presidiários.

REBELIÃO - A rebelião no presídio de Nossa Senhora da Glória continua. Presidiários mantêm dois agentes penitenciários como reféns e há familiares, que incluem mulheres e crianças que estavam visitando os detentos neste domingo (16). As negociações foram interrompidas e devem continuar na manha desta segunda-feira (17).

Uma rebelião no presídio Senador Leite Neto, em Nossa Senhora da Glória, na manhã deste domingo (16), deixou um saldo de pelo menos dois agentes penitenciários e dois cabos da policia militar foram feridos. Os dois PMs foram atingidos por estilhaços na perna disparados por espingarda calibre 12.

As primeiras informações são de que, metade dos internos, cerca de 180 detentos do presídio se rebelaram e começaram com as pancadarias no final da manhã deste domingo. Os agentes penitenciários que se encontravam trabalhando acabaram se tornando refém dos presos.

Os internos rebelados conseguiram destruir parcialmente algumas dependências da unidade, alé de se apossarem da chave do local onde são guardadas as armas e, por volta das 14h30, queimaram colchões em uma das guaritas e dispararam diversos tiros, apavorando todos que se encontravam nas imediações da unidade.

Segundo um policial que pediu para não ser identificado, a rebelião de hoje tem proporções maiores e mais perigosa que as anteriores. Há um grande risco de uma grande fatalidade no local, já que segundo esse policial, os ânimos estão agitados e há risco de mortes.

Segundo informações passadas à redação do FAXAJU on-line, durante a rebelião, dois agentes, Fernando Almeida e outro conhecido por “Tenso”, foram feridos, enquanto parentes dos internos foram feitos refém. Até o momento não se sabe como os detentos conseguiram se apossar de armas para efetuar os disparos. Nesse momento eles estão no controle da situação, já que conseguiram render os agentes e estão negociando, tendo sob controle a administração do presídio.

A policia militar foi acionada e se encontra no local tentando conter os ânimos e retomar os controle do presídio que temporariamente está sob o domínio dos internos.
 
Por Munir Darrage

Fonte: Faxaju

Quatro ficam feridos e veículos danificados em presídio.

Rebelião continua e presidiários estão armados mantendo reféns
Bombeiros, policiais e equipes do Samu se mobilizam no presídio (Fotos: Cássia Santana/Portal Infonet)
A rebelião no presídio de Nossa Senhora da Glória continua. Presidiários mantêm dois agentes penitenciários como reféns e há familiares, que incluem mulheres, crianças e até idosos que estavam visitando os detentos neste domingo, 16.
Houve tiroteio e quatro pessoas ficaram feridas, segundo informações do Hospital Regional: dois agentes penitenciários, que foram transferidos para o Hospital de Urgência de Aracaju (Huse) numa ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), e dois policiais militares lotados na 3ª Companhia do 4º Batalhão da Polícia Militar, que foram atendidos no hospital regional e logo receberam alta médica.

Os agentes penitenciários baleados durante o confronto foram identificados como Tércio Oliveira, alvejado por um tiro na coxa, e José Fernandes Almeida, atingido no braço direito. Eles necessitavam passar por um processo cirúrgico e foram transferidos, mas passam bem, segundo o coronel Edmilson Barros, comandante do Policiamento do Interior.
Secretário de Estado de Justiça e Cidadania, Benedito Figueiredo
O secretário de Estado de Justiça e Cidadania, Benedito Figueiredo, comandou as negociações pessoalmente. O secretário classifica a iniciativa como uma tentativa de fuga frustrada, mas os detentos dizem que ninguém tentou fugir.

As informações são imprecisas a respeito da rebelião. Há informações que os detentos conseguiram render os agentes armados, tomaram as armas e ainda teriam tido acesso ao depósito onde ficam os armamentos, no presídio. Houve troca de tiros, deixando toda a comunidade em pânico. “Quando ouvi os tiros, corri e me escondi debaixo de uma cama”, conta uma funcionária do hospital regional, que prefere não ser identificada. Ela diz que trabalha sob forte tensão devido à possibilidade constante de ocorrências desta natureza.

O secretário de Justiça, Benedito Figueiredo, admite que os presos continuam armados, mantendo dois agentes penitenciários e visitantes como reféns. No início da noite, o fornecimento de energia foi interrompido e as negociações foram interrompidas. O coronel Barros acredita que a interrupção da energia elétrica não seria apenas questão de estratégia, mas também consequência do fogo na parte interna do presídio
A polícia permanece no local
Por iniciativa dos próprios detentos, as negociações foram suspensas e serão retomadas na segunda-feira com a presença de advogado e do juiz da Vara de Execuções Penais, conforme garantiu o secretário Benedito Figueiredo.


Demissão

Além de atear fogo no setor administrativo do presídio, os detentos se apoderaram de uma motocicleta e de um veículo de propriedade de funcionários do presídio. Eles incendiaram a motocicleta e quebraram o veículo.

Muita coisa, inclusive objetos pessoais dos funcionários, foi destruída pelo fogo no setor administrativo. “Eu saquei meu décimo terceiro e o dinheiro estava na minha bolsa. Agora, virou cinza”, desabafou uma funcionária, apavorada.

Apesar do secretário classificar o episódio no presídio como uma tentativa de fuga coletiva, os detentos desmentem e explicaram, por meio de telefonema, que a rebelião seria consequência da revolta daquela comunidade com o tratamento dispensado pelo direção do presídio e também da superlotação. Eles exigem também a presença de um advogado, do juiz da Vara de Execuções Penais e tratamento humanitário para por fim à rebelião.
Portal Infonet conseguiu conversar com um dos detentos por telefone, que permitiu fazer declarações sobre o episódio em viva voz, possibilitando o acesso à entrevista a outros jornalistas e radialistas, que acompanham a rebelião. Ao telefone, o presidiário não se identificou, se recusou a informar se eles estariam armados ou não e se classificou como porta-voz dos detentos. “Ninguém aqui quer fugir, o que a gente quer é a retirada do diretor e a revisão processual”, resumiu. “Queremos chamar a atenção da sociedade, estamos como qualquer profissional liberal e esta é a única forma que temos para reivindicar”, comentou.

A dona do telefone é uma companheira de um dos presidiários, que prefere o anonimato. Mas a polícia confiscou temporariamente o telefone, com a promessa de devolvê-lo após análise das ligações.

Apesar de armados, o clima é de tranquilidade, segundo admitiu o coronel Edmilson Barros, comandante do Policiamento Militar do Interior. “Há reféns, mas ninguém está sendo mais agredido”, revelou o coronel, no momento em que as negociações foram suspensas. Alguns familiares dos detentos já foram liberados, mas outros permanecem na parte interna do presídio.

Na porta do presídio ainda há grande movimentação. Curiosos e companheiras dos detentos se concentram no local, na tentativa de saber informações sobre a situação dentro do presídio. “Quem visita não está refém, todo mundo fica lá porque quer ficar, para evitar que a polícia bata neles”, explicou uma mulher, que também não quer ser identificada.

Por iniciativa dos próprios detentos, as negociações foram suspensas e o secretário Benedito Figueiredo retornou para Aracaju, no início da noite, com a promessa de voltar ao presídio às 6h desta segunda-feira, 17, para retomar os entendimentos.

Por Cássia Santana
Fonte: Portal Infonet

domingo, 14 de outubro de 2012

Rebelião de Glória é encerrada após negociações


Algumas mulherem queriam permanecer com os maridos na unidade
Mulheres e crianças foram as primeiras a ser liberadas (Fotos: Portal Infonet)
Após uma manhã de intensa negociação com os detentos, a rebelião no presídio Senador Leite Neto no município de Nossa Senhora da Glória foi encerrada no início da tarde deste domingo, 14. Dentre as reivindicações dos presos estavam à ampliação da visita íntima e do espaço físico da unidade.
Desde às 14h do último sábado,13, presos estavam rebelados e mantinha um agente como refém. As negociações tiveram início por volta das 9h como solicitaram os detentos e para tentar negociar foi preciso a presença do secretário dos Direitos Humanos e Cidadania, Luiz Eduardo Oliva, a juiza da Vara de Execuções Penais, Hercilia Maria Fonseca e as equipes policiais que se encontravam dentro da unidade.
Algumas horas após o início das negociações, já era possível perceber que a rebelião se encaminhava para o fim. Aos poucos, mulheres e crianças foram deixando o presídio com o auxílio da polícia. Mesmo sendo liberadas, algumas delas disseram desejar permanecer dentro da unidade.
Segundo Miriam Correa de Lima, esposa de um dos detentos, as mulheres não foram mantidas reféns e permaneceram na unidade por vontade própria.  “Nós só saímos porque os nossos maridos pediram. Esse presídio é uma bomba relógio e não cabe mais ninguém. São 13 homens dentro de uma cela”, conta ao acrescentar que os detentos não fizeram confusão dentro da unidade.
O agente Nelson Inácio garantiu que não sofreu agressões
A espera de notícias da filha, a dona Gilvani Alves dos Santos, não conteve as lágrimas ao rever a filha que tinha ido ao presídio se encontrar com o marido.  “Eu sabia que ela estava bem, mas fiquei preocupada”, conta.
Mesmo após serem liberadas, familiares dos presos permaneciam próximo ao cordão de isolamento acompanhando as negociações e em busca de informações.
Cerca de uma hora após as esposas serem liberadas, o agente Nelson Inácio dos Santos, finalmente foi solto pelos internos, sendo encaminhado a uma unidade de saúde para ser examinado pelos médicos. Bastante tranquilo, o agente garantiu que em nenhum momento sofreu agressões. “Eu não fui agredido. Eles me trataram bem e sempre me davam comida e meu remédio. Graças a deus está tudo bem e estou vivo”, conta.
A todo momento chegava reforço policial
De acordo com o secretário de Estado dos Direitos Humanos e Cidadania, Luiz Eduardo Oliva. “É a segunda rebelião que em menos de 24 horas ela é resolvida sem que haja um único preso ferido, que não tenha problema nenhum. O problema do ferimento desse preso é antes da rebelião. Então nós conseguimos controlar, conversar, dar uma credibilidade dos detentos para ser cumprido, o secretário Benedito acatou as reivindicações que eram justas”, afirma.
Por Aisla Vasconcelos
Fonte: Portal Infonet
Algumas mulheres não queriam sair 

Rebelião: Internos pretendem negociar a partir das 9h

A rebelião teve início às 14h do sábado, 13
(Foto: Arquivo Infonet)
Familiares do agente Nelson Inácio dos Santos, 54 anos, mantido refém por internos do presídio Senador Leite Neto em Nossa Senhora da Glória já se encontram em frente ao Complexo em busca de notícias.
Já passam das 12h desde o início da rebelião ocorrida às 14h do último sábado, 13. Segundo informações de familiares do agente Nelson, ainda não teve início as negociações entre os internos e os policiais já que os detentos insistem em negociar a partir das 9h.
De acordo com a filha do agente, Vilma dos Santos, por enquanto apenas um advogado foi chamado para conversar com os detentos. “Tem um advogado lá dentro que entrou para conversar com eles, mas o que sabemos é que eles disseram que só vão negociar às 9h, isso se realmente eles negociarem. Espero que meu pai esteja bem e que isso tudo acabe logo”, pede Vilma.
A equipe do Portal Infonet continuará acompanhando de perto a rebelião para deixar o internauta bem informado e trará novas informações a qualquer momento.
Por Aisla Vasconcelos
Fonte: Portal Infonet

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Agentes controlam motim no presídio de Tobias Barreto

A Secretaria de Justiça não confirma o princípio de rebelião
 
Mais uma rebelião no sistema prisional sergipano preocupa os agentes penitenciários. O fato mais recente foi registrado na última terça-feira, 24, no Presídio Regional Juiz Manoel Barbosa de Souza (Premabas), em Tobias Barreto, quando internos atingiram agentes penitenciários com vários objetos. O motim durou cerca de 30 minutos, sendo controlado pelos próprios agentes.
 
De acordo com o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários (Sindpen-SE) Iran Alves da Silva, o motim só foi controlado por causa do preparo dos agentes. “ Se fosse em uma unidade com serviços terceirizados a situação não seria controlada. E poderia evoluir para uma rebelião como a do Complexo Penitenciário Advogado Jacinto Filho (Compajaf)”, afirmou.
 
O motim foi ocasionado, pois um dos internos solicitou que a escolta o tirasse da ala. “A equipe de escolta estava fazendo outro procedimento, então um dos agentes pediu que o interno aguardasse. Com isso, os internos começaram a gritar e arremessar vários objetos como pedras e garrafas em direção aos agentes”, informou Iran.
 
Os agentes iniciaram as negociações e conseguiram conter o princípio de rebelião que durou cerca de 30 minutos. Segundo o presidente do sindicato, apesar da superlotação e quadro reduzido de agentes, o motim foi controlado por causa da ação efetiva de todos os servidores. O presídio está superlotado com 270 internos, sendo que era para receber apenas 77 internos.
 
Depois de 10 dias da rebelião no Compajaf , que durou 27 horas, os agentes do presídio de Tobias Barreto ficaram assustados e com medo que o motim evoluísse para outra rebelião.
 
A equipe do Portal Infonet entrou em contato com a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Justiça (Sejuc) que negou a rebelião no presídio de Tobias Barreto.
 
Fonte: Portal Infonet

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Greve não está descartada para o Sindpen

Sindicato discute greve em assembleia nesta quarta-feira, 18


“A idéia de greve não está completamente afastada”, diz Iran Alves, o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários (Sindpen), momentos antes do início da assembleia do sindicato, que aconteceu na tarde desta quarta-feira, 18.


O presidente conta que a categoria não quer fazer greve, mas está apreensiva com o que aconteceu no Complexo Penitenciário Advogado Antônio Jacinto Filho, no último domingo, 15. “Nós não queremos fazer greve, mas precisamos mostrar para o governo que estamos em um estado de alerta e precisamos mostrar para a sociedade que o que acontece lá não é um caso isolado. Nós já temos anunciado há muito tempo que isso poderia acontecer”, conta Iran.

“O processo de negociação está chegando ao fim, nós estamos esperando essa última posição do governo e, se for necessário, vamos sim tomar ações mais contundentes e, entre elas, está fazer greve”, ameaça Alves.

Irregularidades

O presidente conta que a categoria percebe que existe uma série de irregularidades no sistema prisional. “Nós percebemos diversas irregularidades como presos extorquindo presos, práticas ilegais de facilitação, práticas abusivas de revista. O Estado efetivamente não cumpre com as obrigações que a execução penal prevê, o Estado deveria fornecer alimentação, vestuário e material de higiene para o detento, além de local adequado para que ele possa cumprir a pena. Já falando do lado dos servidores, existe um défict muito grande de pessoal, desvio de funções e desprestígio do funcionário”, explica Alves.

Iran fala sobre um outro problema que agrava os presídios. Segundo ele, todas as guaritas estão desativadas. “Os presídios do Estado estão sem segurança externa. Nós temos a falsa impressão de que o cara está preso, mas ele não está. Em um primeiro momento, quem ocupava essas guaritas eram os policiais militares, depois que a polícia deixou as muralhas, os agentes deveriam ter ido ocupá-las, mas não fomos, não recebemos treinamento para isso e o problema está aí, sem ser resolvido”, fala o presidente.

A Secretaria de Estado de Justiça (Sejuc), por meio da Assessoria de Comunicação, explica que assim que possível, novos concursos públicos serão abertos para que novos servidores ocupem as guaritas do presídio.

Iran diz que há muito tempo o Sindpen alerta para o que poderia acontecer, mas nunca foi ouvido, o que levou a categoria a buscar a Assembleia Legislativa e solicitar uma CPI do sistema carcerário. “Já tem muito tempo que estamos alertando quanto às fugas em massa, alertamos que poderiam acontecer rebeliões, mas nós sempre fomos ignorados.

Mesmo antes do evento de domingo, optamos por encaminhar documentos para Assembleia Legislativa solicitando uma CPI do sistema carcerário. Percebemos que o que nós havíamos prenunciado está acontecendo”, alerta o presidente.

Superlotação dos presídios

O presidente do Sindpen fala de mais um grande problema da categoria, que é a superlotação dos presídios. “As celas do Copecam [Complexo Penitenciário Manoel Carvalho Neto] foram projetadas para oito internos, são 4 metros e um banheiro, e hoje, nessa mesma cela convivem 16, 17 e 18 detentos. Dessa forma, dentro do ambiente se cria um clima de animosidade, prevalece a lei do mais forte e preso abusa de preso, preso extorque preso, preso pratica atos imorais com outros presos”, comenta Iran e diz que “o agente penitenciário se sente afetado com a situação porque percebe que o próprio trabalho não é realizado da melhor forma porque o Estado não quer. Ele [o Estado] faz o contrário: coloca o agente em perigo quando o coloca em um pavilhão com um número de presos muito maior do que deveria”.

A Sejuc, por meio da sua Assessoria de Comunicação, esclarece que o único presídio do Estado que tem superlotação é o Complexo Penitenciário Manoel Carvalho Neto, em São Cristóvão, e explica que isso se dá por conta da situação temporária de alguns presos que aguardam a Carta de Guia, documento emitido pela Justiça Federal que indica onde o preso irá cumprir sua pena.

O presidente do sindicato critica a Sejuc dizendo que “a secretaria tenta mostrar que o Santa Maria é um presídio perfeito, que é o modelo para ser seguido por todo o país, o modelo terceirizado. Isso não é nada mais que vender a ideia de terceirização”.

Terceirização


O vice-presidente do Sindpen, Marcelo Soares, conta que a empresa Reviver, que é privada, atuava no Copecam em 2008 e diz que a empresa foi retirada de lá por decisões judiciais. “A empresa Reviver já atuou no Copecam e o sindicato provou que o sistema penitenciário é uma atividade típica do Estado, então não se terceiriza. O sindicato conseguiu retirar a empresa de lá por determinações judiciais. O Estado assumiu e chamou os servidores concursados. Mas o que acontece atualmente é que existem grupos de políticos com interesse individual sobrepondo o interesse publico”, diz o vice-presidente.

Iran Alves comenta sobre o custo de um preso no sistema terceirizado: “tenta se passar a imagem de que a terceirização é viável, mas o interno custa mais caro nesse sistema do que no sistema estatizado. Um preso no estatizado custa em média R$ 1.500 e, no terceirizado, R$ 2.500. A secretaria nega esses números, mas o sindicato pede pra ver o contrato e eles não mostram”, acusa o presidente.

A Assessoria de Comunicação da Sejuc diz que paga em torno de R$ 1 milhão para a empresa Reviver, que atualmente administra o Complexo Penitenciário Advogado Antônio Jacinto Filho, para que ela cuide de todas as necessidades do preso. A Assessoria de Comunicação informa que a Sejuc "não paga mais nada", além destes recursos para que eles fiquem responsáveis por roupas, material de limpeza, alimentação... A Assessoria assegura que este foi o meio mais econômico que a Sejuc encontrou e que a secretaria "possui estudos que comprovam isso”.

Janaina de Oliveira

Fonte: Portal Infonet

terça-feira, 17 de abril de 2012

Rebelados deixam presídio do Stª Maria quase destruído


No meio da tarde eles entregaram armas e libertaram os reféns


Mulheres e crianças choram no momento que são libertadas (Fotos: Portal Infonet)

Após quase 28 horas de negociações, os detentos do Complexo Penitenciário Jacintho Filho resolveram entregar as armas e libertar os reféns [familiares e agentes penitenciários]. De dentro do presídio de segurança máxima a informação é de que além de armas como escopetas, taser e chuchos, os presos tinham até mesmo um aparelho de rádio transmissor e várias algemas.

Eles decidiram aceitar os argumentos dos negociadores do Centro de Gerenciamento de Crises da Polícia Militar e do Grupamento de Tático Aéreo (GTA) com a garantia de que terão a maioria das reivindicações atendidas a exemplo de mudanças na revista.

Após a entrega das armas ao coronel Maurício Iunes, comandante do GTA, por volta das 15h, o capitão Marco Carvalho, do Gerenciamento de Crises deixou as dependências do presídio foi até a área externa conversar com os familiares. "Eu quero pedir que vocês fiquem calmos, não gritem nem façam sinais para os presos pois estamos praticamente no final das negociações e está tudo em paz, ninguém está ferido".

Pouco tempo depois, os rebelados libertaram os dois agentes penitenciários que ainda estavam como reféns [127 pessoas]. De acordo com o assessor de Comunicação da Secretaria de Segurança Pública, Lucas Rosário, os detentos invadiram uma sala de armas e pegaram duas escopetas e uma taser.

"Os policiais encontraram várias chuchos [armas de fabricação caseira], mas felizmente as negociações avançaram e ninguém saiu gravemente ferido, apenas um agente que tentou pular o muro e machucou a perna. O governador Marcelo Déda determinou que todas as denúncias de maus-tratos sejam apuradas", ressalta.

Reclamações

A maior parte das reclamações das mulheres que eram libertadas girou em torno do tratamento dispensado a elas no momento das revistas e aos detentos. "Nem cachorro passa o que eles passam aí dentro. Nem cachorro", gritava chorando a mãe de um deles.

"Ninguém ficou ferido, nós estamos bem, as crianças não se machucaram e nós esperamos que a rebelião sirva para que melhorem priuncipalmente a revista, pois muitos agentes extrapolam", complementa outra mãe cujo filho está preso acusado de tráfico.

Transferência

O advogado dos presos, José Ronilson Menezes informou ao final da rebelião que cinco presos [Anderson dos Santos, Jeferson de Araújo Alkmin, Paulo Henrique Souza de Jesus, Joselito Tavares e Marcos Rogério Carvalho] foram transferidos para os presídios de Tobias Barreto e de Nossa Senhora da Glória.

"No próximo dia 23, serão transferidos Geison dos Santos, José Nilton dos Santos , Breno Alves e Jessian Santos de Jesus. Todos eles são presos setenciados e estavam em regime provisório", explica lembrando que a transferência foi uma das exigências dos rebelados, além de ampliação do número de TVs e retirada de uma agente que faz a revista.

O secretário de Segurança Pública, João Eloy disse que o desfecho foi um sucesso e que agora a preocupação é quanto ao local para acomoidar os detentos, que foram levados para um galpão, já que destruíram várias partes do Compajaf.

Alimentação

A polícia confirmou a morte de dois cães que teriam sido queimados e até mesmo algemados pelos rebelados. Uma das reclamações dos familiares é quanto a alimentação, mas um funcionário contou à reportagem do Portal Infonet, que o cardápio é muito variado. "Eu estou arrasado em ver a cozinha totalmente destruída. A dispensa está repleta de alimentos,tanto que estão cozinhando para eles e para o reféns. Aqui cada dia sai um tipo de comida. Hoje seria dobradinha. Tem alguns que fazem dieta e a gente tem que seguir rigorosamente. Destruíram tudo", lamenta sem querer se identificar.

Ao final da operação policial, equipes da Polícia de Choque que entraram no presídio, rasgaram as faixas colocadas pelos rebelados na laje e hastearam as bandeiras do Brasil e de Sergipe.

Fonte: Infonet (Por Aldaci de Souza)

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Aspra parabeniza policiais que atuaram em rebelião

A diretoria da Aspra Sergipe vem publicamente parabenizar todos os agentes de segurança pública (policiais militares, bombeiros militares, policiais civis e agentes prisionais) pela sua atuação durante a rebelião ocorrida desde a tarde de ontem no Complexo Penitenciário Antônio Jacinto Filho (Compajaf), no bairro Santa Maria, a qual teve repercussão na imprensa nacional. Graças a brilhante atuação dos negociadores e de todos os envolvidos a rebelião foi encerrada sem maiores danos, o que demonstra o alto grau de profissionalismo dos policiais sergipanos e de todos aqueles que de alguma forma contribuíram para o desfecho da rebelião. A Aspra Sergipe sente-se portanto no dever de demonstrar o seu reconhecimento a estes valorosos profissionais que dedicam suas vidas dia-a-dia em prol da segurança da sociedade sergipana.
A Direção

Rebelião em penitenciária de Sergipe chega ao fim após 26 horas


Rebelião foi iniciada na tarde do domingo (15). 128 reféns foram liberados e ninguém foi ferido.

A rebelião realizada pelos 470 presos do Complexo Penitenciário Advogado Antonio Jacinto Filho (Compajaf),que começou no início da tarde do domingo (15), chegou ao fim por volta das 16h desta segunda-feira (16), após negociação com o secretário de Estado da Segurança Pública, João Eloy. Todos os 128 reféns foram libertados e ninguém saiu ferido. Os policiais do Batalhão de Choque já estão dentro do presídio fazendo a revista dos presos.

Os primeiros reféns foram libertados por volta das 6h desta segunda, foram uma mãe e uma irmã de um preso.
No fim da manhã, um dos três agentes penitenciários e outros 27 familiares também deixaram o local em troca de garrafões de água e no início da tarde, mais 16 reféns foram libertados.

Os outros 82 familiares dos presos que estavam de reféns foram libertados após o fim da rebelião. Os presos começaram a ceder no início da tarde desta segunda-feira, quando entregaram armas brancas e revólveres.

Entre as reinvindicações estão: Transferência de presos para outros complexos penitenciários; demissão de uma servidora; ampliação da programação televisiva; melhorar o tratamento com as mulheres que visitam o complexo; aceleração dos processos dos réus; garantia da integridade física; agilidade nos procedimentos médicos e apuração dos maus-tratos.
“Boa parte das reivindicações feitas pelos rebelados é pertinente ao Poder Judiciário. Nós atendemos tudo que é possível e razoável e vamos, inclusive, apurar denúncias feitas por eles de possíveis maus-tratos”, frisou João Eloy.

Entre os reféns estavam três agentes, um deles foi libertado na manhã desta segunda-feira em troca de garrafões de água.
Após o fim da rebelião, cinco presos foram transferidos para outro local que não foi divulgado por medida de segurança."Foi uma das exigências deles que foi prontamente atendida", disse Eloy.

O fornecimento de água potável foi reestabelecido. No entanto, algumas medidas estão além do que é negociável. Uma solicitação dos internos não será atendida.
“Não haverá a saída da direção do Compajaf, como eles [os presos] solicitaram, ou da administração privada Reviver, que cuida da alimentação, limpeza e gestão em geral dos custodiados. Entre outras reclamações constam a rigidez do regime disciplinar, com cumprimento de horários e comportamento, mas é algo que só contribui para a segurança e a ressocialização com dignidade”, acrescentou João Eloy.

O negociador da crise Marcos Carvalho confirmou que as negociações ocorreram de forma tranquila. “Não houve violência nem confrontos, conversamos e chegando a um acordo”, explica.

Policiais civis e militares de várias unidades especializadas continuam de prontidão na parte externa e na entrada da unidade prisional. O Corpo de Bombeiros e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) também estão presentes.

Fonte: G1 Sergipe

sábado, 8 de janeiro de 2011

Estudo aponta que a perspectiva de vida dos Agentes Penitenciários é de 45 anos

De acordo com uma publicação da agência USP (Universidade de São Paulo), um estudo realizado pelo Instituto de Psicologia (IP) da universidade, apontou o que, na prática, a categoria dos agentes de segurança penitenciária (ASP) experimentam diariamente no exercício de suas funções: “as péssimas condições de infraestrutura das penitenciárias brasileiras, a extensa jornada de trabalho e o estresse laboral”, destaca o texto.

Conforme o estudo, tais fatores são os principais responsáveis pela baixa expectativa de vida dos servidores penitenciários. A publicação relata a opinião do psicólogo Arlindo da Silva Lourenço, que realizou um estudo de doutorado sobre o tema. Lourenço atua como psicólogo em penitenciárias masculinas do Estado e já acompanhou diversos servidores penitenciários que foram feitos reféns durante as rebeliões nas unidades prisionais.

De acordo com o psicólogo, “o trabalho em locais insalubres como as prisões, e as condições de trabalho bastante precarizadas do agente, são estressantes, desorganizadoras e afetam sua saúde física e psicológica”. Ele destaca ainda as pressões e ameaças como fatores que prejudicam a saúde psicológica do agente penitenciário. “Cerca de 10% dos agentes penitenciários se afastam de suas funções por motivos de saúde, geralmente, desordens psicológicas e psiquiátricas”, afirma o psicólogo na publicação.

Um fato preocupante e que chama a atenção no estudo divulgado é a média de vida dos agentes penitenciários apontada pela pesquisa. Segundo os dados, a média está entre 40 e 45 anos. “Muitos deles morrem novos, em média entre 40 e 45 anos devido à uma série de problemas de saúde contraídos durante o exercício da profissão, como diabetes, hipertensão, ganho de peso, estresse e depressão”, disse o psicólogo. Conforme a pesquisa, tais “índices são reflexo da alta jornada de trabalho dos agentes carcerários (12 horas de trabalho e 36 horas de repouso), das más condições de trabalho das penitenciárias do País e do ressentimento dos agentes em relação a dificuldade de modificar o ambiente laboral”, descreve.

Em relação às condições de trabalho vividas pelos servidores penitenciários, o documento descreve ser “precária e carente de equipamentos”. Tal carência é apontada pela pesquisa como fator de desorganização psicológica dos agentes penitenciários, já que, “as penitenciárias são repletas de ambientes úmidos e de iluminação insuficiente, de cadeiras sem encosto ou assento, e janelas de banheiros quebradas, elementos que comprometem o bem-estar e a privacidade de agentes e de sentenciados”, destaca.

Conforme Lourenço, “os recursos atuais não permitem a execução do trabalho do agente penitenciário com decência, o que implica em um não reconhecimento de sentido na profissão e, por consequência, em um não reconhecimento de sua função social e de sua existência”, ressalta.

O texto aponta que, para o psicólogo, se houvesse a resolução desses problemas estruturais das instalações, o convívio e a permanência humana seriam mais adequados e já representaria uma grande diferença na qualidade de trabalho dos agentes e na reabilitação dos detentos.

No entanto, “a situação tende a permanecer como está, pois os trabalhadores penitenciários lutam e reivindicam, principalmente, melhorias salariais; ao mesmo tempo, as penitenciárias estão longe de ser uma política pública prioritária para o Estado”, finaliza.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Agentes de Segurança Penitenciária do Estado de São Paulo (Sindasp-SP), Cícero Sarnei dos Santos, há muito a categoria reclama a devida atenção e carrega o sistema nas costas, “muitas vezes, pagando com a vida”, ressalta Sarnei.

O diretor aponta que “mesmo assim, ninguém se digna a nos ouvir, tampouco a nos atender. Infelizmente são males que sutilmente acometem os profissionais sem que tenham a necessária percepção e consciência da gravidade”, diz.

Conforme o presidente, há ainda mais dois males, que são tão prejudiciais quanto os demais, e que talvez o pesquisador tenha detectado mas não os citou para não estarrecer ainda mais, que são: a discriminação e o preconceito. “Lembro-me que lutamos muito para conseguir uma folga mensal, justamente para compensar o excesso da carga horária. E mais importante que isso, viver mais e melhor”, relata Sarnei.

O líder sindical aponta ainda que, apesar de toda a luta do Sindasp-SP para proporcionar melhorias para a categoria, “hoje constatamos que trocamos seis por meia dúzia quando somos convocados a prestar serviços no dia de nossa folga um plantão por mês para realizar revista (blitz) nas unidades penais”. O presidente argumenta que “é a própria política de estado que está abreviando nossos dias de vida e ampliando as sequelas que acometem e matam esses profissionais, que se quer, ainda não foram reconhecidos constitucionalmente”, finaliza Sarnei.

Para o Diretor de Comunicação do Sindasp-SP, Daniel Grandolfo, o nível de tensão é tão alto que “em algumas unidades é feito um sorteio para ver quem é que vai trancar os presos ou soltar para o banho de sol”, afirma. O sindicalista também relata que, devido a este alto nível de tensão que ocorre durante o exercício das atividades no “fundão” das unidades prisionais, diversos companheiros até preferem optar por funções administrativas.

Grandolfo destaca que a carga horária de trabalho é excessiva e que, de fato, muitos agentes penitenciários vivenciam problemas psicológicos, de depressão profunda e de síndrome do pânico. O sindicalista relata que as condições de trabalho e de saúde dos agentes é tão ruim, que eles são “obrigados a fumar” passivamente, já que são obrigados a respirar a fumaça emitida pelos cigarros dos presos. “Existe uma lei estadual que proíbe fumar em locais fechados, mas ela não é respeitada nos presídios, e nossa saúde é prejudicada por isso”, disse Grandolfo.

Para o Secretário Geral do Sindasp-SP, Rozalvo José da Silva, a pesquisa comprova que as reivindicações dos servidores penitenciários são justas e “as autoridades deveriam se sensibilizar e atender minimamente as necessidades básicas da categoria, já propostas nas pautas de reivindicação protocoladas na Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) e Secretaria da Gestão Pública. Entre elas, aposentadoria com 25 anos de trabalho; impedimento da superlotação das unidades; contratação de mais efetivo para não sobrecarregar os agentes penitenciários; acompanhamento e tratamento psicológico, conforme lei já aprovada; políticas de valorização dos agentes penitenciários, entre outras", disse o dirigente.

A grande verdade é que, apesar de todo o conhecimento (agora científico) sobre as péssimas condições de trabalho e de saúde (física e mental) que envolvem o exercício das funções do agente de segurança penitenciária, as autoridades do governo permanecem inertes e insensíveis às vidas de homens e mulheres que colocam a própria vida em risco para servir aos estados e ao País. Quem sabe se, antes de assumirem seus cargos no próximo ano, os governadores eleitos passem um dia vivendo como agente de segurança penitenciária em qualquer unidade prisional de seus estados, e assim, experimentem um pouco daquilo que eles mesmos ainda não tiveram a capacidade política para solucionar.

Fonte: Blog da Assipes (Associação dos Servidores do Sistema Penitenciário do Estado de Sergipe)

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