Mostrando postagens com marcador aluno. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador aluno. Mostrar todas as postagens

domingo, 28 de dezembro de 2014

Formatura do curso de soldado da PM ainda sem previsão

Governo nega que tenha relação com o corte de gastos

Expectativa para os mais de 600 alunos do Curso de Formação de Soldado da Polícia Militar que aguardam a formatura. Segundo a responsável pela comunicação da Polícia Militar, Tenente Evangelina de Deus, existia uma data informal que seria no dia 2 de janeiro, mas em virtude dos compromissos do governador Jackson Barreto, foi cancelada. A Tenente esclarece ainda que na próxima semana aguardará uma nova posição do governador para a nova data. Evangelina de Deus explica que os alunos hoje recebem uma bolsa durante o curso de formação e somente após a formatura os novos soldados passaram a receber R$ 2700.

A equipe do Portal Infonet também entrou em contato com o secretário Sales Neto, da Comunicação Social do Governo (Secom). Questionado sobre se o cancelamento tinha relação com o corte de gastos do governo, o assessor negou e disse que o motivo do cancelamento é a agenda do governador. “O governador pediu o cancelamento do dia 2 porque essa data ficou muito imprensada entre os feriados e isso poderia até prejudicar a formatura, visto que muitas pessoas viajam”, disse o secretário que ainda não tem previsão de nova data.

Kátia Susanna

Fonte: Portal Infonet

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Rio de Janeiro: TJ não aceita denúncia contra oficiais por maus tratos no Cfap

Há mais de um ano, recruta teve morte cerebral durante sessão de treinamento na unidade 

O Tribunal de Justiça decidiu, nesta quarta-feira, não aceitar a denúncia do Ministério Público contra oito oficiais pela morte do recruta Paulo Aparecido Santos de Lima, 27 anos, que não resistiu a uma sessão de treinamento no Centro de Formação e Aprimoramento de Praças (Cfap) em novembro do ano passado. Na ocasião, Paulo teve morte cerebral após ter sido vítima de um suposto trote na unidade. 

Foram denunciados por maus tratos e lesão corporal os capitães Sérgio Batista Viana Filho, Renato Martins Leal da Silva, Diego Luciano de Almeida e os tenentes Slan Guimarães Procópio, Gerson Ribeiro Castelo Branco, Felipe Caetano de Aguiar, Paulo Honésimo Cardoso da Silva e Jean Carlos Silveira de Souza. O MP considerou que os oficiais cometeram os crimes militares contra os 482 alunos da turma de Paulo. As penas podem chegar a até dois mil anos de prisão. Recruta chegou desmaiado: ele morreu após 12 dias internado.

Na decisão da juíza Ana Paula Monte Figueiredo, consta que 'os bravos praças são expostos a situações que se assemelham a cenas de guerra, em enfrentamento direto com bandidos fortemente armados com fuzis, os quais normalmente nada têm a perder. Isso sem contar as condições a que serão expostos baseados em comunidades dominadas por traficantes, muitas vezes sendo hostilizados pela própria população a que estão incumbidos de proteger. Para quem trabalha nessas condições, é óbvio que seu treinamento físico e psicológico deve ser rigoroso, austero, a fim de preparar minimamente os policiais militares para parte das condições adversas que enfrentarão no exercício'. Paulo foi internado no dia 12 de novembro de 2013 em estado grave com queimaduras nas mãos e nádegas, além de insolação aguda. Os quatro oficiais responsáveis pela turma foram substituídos, de acordo com a Polícia Militar. Segundo denúncias de praças, o trote no Cfap teria se prolongado. Os oficiais teriam dado cinco minutos para alunos beberem água em seis bicas e almoçar, o que levou parte da turma a passar mal. Uma dezena dos soldados, então, teria sido obrigada a ficar sentada no asfalto e fazer flexões.

Na ocasião, o presidente da Associação dos Cabos e Soldados da PM do Rio, Wanderley Ribeiro, classificou o episódio como ‘atos de tortura’. Segundo denúncias em redes sociais, o aspirante da 5ª Companhia Alfa teria sido obrigado por quatro oficiais a se sentar por certo tempo no asfalto, apoiado pelas mãos, por volta do meio-dia, quando a sensação térmica era de 48º C. Outros colegas dele sofreram choques térmicos, pois os oficiais teriam jogado água gelada neles, mesmo suados, sob o sol forte.

Fonte: Blog SOS Segurança Pública

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Boas vindas aos novos alunos e alunas!

A Diretoria da Aspra Sergipe dá as boas vindas aos novos alunos e alunas da PMSE que terão hoje a sua aula inaugural no Teatro Tobias Barreto. Sejam todos bem vindos e que possam ser profissionais dedicados à causa que abraçaram enquanto envergarem a farda azul petróleo, somando-se também aos seus companheiros nas lutas futuras por um futuro melhor pra todos nós militares!

sábado, 10 de maio de 2014

Minas Gerais: Palestra sobre o tema “Desmilitarização das Polícias” aos Alunos da ADESG

A convite do Delegado da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra do Estado de Minas Gerais, Professor Inácio Loiola Pereira Campos, o Vice-presidente da FENEME e Presidente da Associação dos Oficiais PM/BM de Minas Gerais a AOPMBMMG, Ten Cel Ronaldo proferiu na noite de 08 de maio (quinta-feira) palestra aos 60 alunos do Ciclo de Estudos de Política e Estratégia – CEPE/14, no auditório do Batalhão de Polícia do Exército/BH, cujo tema foi “Desmilitarização das Polícias Militares”.

Trata-se de um seleto grupo de formadores de opinião e que ao final entenderam e assimilaram a mensagem de desagravo e preocupação para com a condução deste assunto no Congresso Nacional. Restou claro posicionamento da FENEME de inviabilizar a aprovação da PEC 51 e outras que tratam desse tema sem que antes haja uma discussão responsável com os atores legítimos que lidam com a segurança pública no País.

Ao final, muitos dos alunos se envolveram para organizar votação contrária à enquete promovida pelo Senado contra a PEC 51. Pediram também disponibilização de textos que os ajudem a entender melhor e fomentar os nossos contra-argumentos com relação ao polêmico assunto.

Fonte: FENEME

terça-feira, 1 de abril de 2014

50 anos de Ditadura - Verdade sufocada: A morte do Cadete Lapoente


Processo na Corte Interamericana de Direitos Humanos - http://www.asprasergipe.com/2012/10/a-verdade-sufocada-morte-do-cadete.html

Recurso do processo no STF - http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?numero=31629&classe=MS&origem=AP&recurso=0&tipoJulgamento=M

União reconhece responsabilidade sobre morte de cadete em 1990

21/10/2012

A União resolveu manter o Acordo de Solução Amistosa em que assume responsabilidade pela morte do cadete Márcio Lapoente da Silveira - morto durante treinamento na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), em Resende (RJ), em 1990. Publicada no Diário Oficial desta segunda-feira, a decisão oficializa o acordo entre governo e familiares da vítima, firmado em janeiro deste ano, quando o Brasil reconheceu "sua responsabilidade pela violação dos direitos à vida e da segurança da pessoa" no caso. 

O cadete morreu no dia 9 de outubro, após passar mal durante uma corrida no Curso de Formação de Oficiais. No primeiro atendimento, no Hospital Escolar da Aman, ainda vivo, Lapoente foi diagnosticado com meningite. Em seguida, ele foi removido para o Hospital Central do Exército, no Rio de Janeiro, onde chegou morto. A autópsia revelou que a causa do óbito foi choque térmico seguido de infarto agudo do miocárdio durante a realização do exercício. 

Na época, o Superior Tribunal Militar (STM) condenou o oficial responsável pelo treinamento a três anos de prisão pelo crime de "violência contra o subordinado". O oficial teve dois anos de suspensão condicional da pena e, conforme os autos, uma vez que não foram encontradas mais evidências sobre o caso, o STM determinou o arquivamento de novas investigações.

Em 2008, a CIDH acatou petição dos pais de Lapoente pedindo providências, já que, pra eles, o filho morreu por tortura. Com o acordo, além de conhecer a sua responsabilidade, o governo também reconheceu a "demora excessiva" da tramitação da ação judicial na qual os pais do cadete pedem indenização à União pela morte do filho.

Entre outros compromissos, o Brasil se comprometeu a realizar estudos para aprimorar as Justiças Militar e Comum, a ampliar o ensino de direitos humanos no currículo de formação militar, e a enviar relatórios semestrais à CIDH sobre o cumprimento do acordo.

Nulidade

No início do mês, a União chegou a entrar com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) pedido a nulidade do Acordo de Solução Amistosa firmado entre o Brasil e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA). Para o autor do pedido, o acordo consiste em "afronta à soberania nacional", requerente a concessão de medida cautelar para suspender sua eficácia. O documento pedia ainda a anulação do entendimento e o anúncio da inocência da União e dos agentes envolvidos no caso.

Fonte: Portal Terra

Maranhão - Militares fazem doação a Soldado Leite - http://www.asprasergipe.com/2014/03/maranhao-militares-fazem-doacao-soldado.html

Policial Militar baiano condenado a seis meses de prisão em processo decorrente da greve de 2012 - http://www.asprasergipe.com/2014/03/aspra-bahia-policial-militar-baiano.html

Expulso por defender desmilitarização, PM desabafa: "Temos a mesma segurança da Ditadura - http://www.asprasergipe.com/2014/02/expulso-por-defender-desmilitarizacao.html

Morre terceiro PM que passou mal em curso de Operações Policiais Especiais - http://www.asprasergipe.com/2014/02/morre-terceiro-pm-que-passou-mal-em.html

Bombeiros são processados por postagem do Facebook - http://www.asprasergipe.com/2014/01/bombeiros-sao-processados-por-postagem.html

Caso Ediana: testemunhas de acusação são ouvidas - http://www.asprasergipe.com/2013/12/morre-mais-um-policial-militar-apos.html

Exército dos EUA testou armas químicas em seus próprios soldados - http://www.asprasergipe.com/2012/12/exercito-dos-eua-testou-armas-quimicas.html

Soldado PMRN preso 21 dias pro comentário em Orkut - http://www.asprasergipe.com/2012/05/soldado-pmrn-preso-21-dias-por.html 

domingo, 29 de dezembro de 2013

Desmilitarizar a PM Já!

O que a sociedade deve esperar de policiais militares que, ao longo de sua formação, são obrigados por seus superiores a se sentar e a fazer flexões sobre o asfalto escaldante, que lhes provoca queimaduras nas mãos e nas nádegas?

Como esses soldados, submetidos a um treinamento cruel e humilhante, se comportarão quando estiverem patrulhando as ruas e atuando na "pacificação" das comunidades? Como uma instituição que não respeita os direitos de seus membros pode contribuir com a democracia?

Dar respostas a essas perguntas se tornou ainda mais urgente após a morte do recruta da Polícia Militar do Rio de Janeiro Paulo Aparecido Santos de Lima, de 27 anos, em novembro. Membro da 5ª Companhia Alfa, ele foi parar no CTI (centro de terapia intensiva) do hospital central da PM após ser submetido a um treinamento que mais pareceu uma sessão de tortura, no CFAP (Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças).

Além de Paulo, outros 33 recrutas passaram mal e 24 sofreram queimaduras nas mãos ou nas nádegas. Segundo relatos de colegas, quem não suportava os exercícios sob a temperatura de 42 graus Celsius –a sensação térmica era de 50 graus Celsius– levava um banho de água gelada ou era obrigado a se sentar no asfalto.

E o caso não é isolado. Após a morte de Paulo, o Ministério Público ouviu recrutas da 5ª Companhia Alfa. Eles confirmaram os castigos cruéis e contaram que os oficiais não davam tempo suficiente para que se hidratassem. Alguns tiveram que beber água suja na cavalaria. Segundo informações da enfermaria da unidade, alunos chegaram a urinar e vomitar sangue. O secretário estadual de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, classificou a morte como homicídio.

Até policiais experientes não resistem a esses treinamentos. Neste mês, na Bahia, os soldados Luciano Fiuza de Santana, 29, e Manoel dos Reis Freitas Júnior, 34, morreram após passarem mal num teste de aptidão física para ingressar no Batalhão de Choque. Outros precisaram ser hospitalizados.

A tragédia envolvendo o recruta fluminense e os policiais baianos, infelizmente, não é só do Rio e da Bahia, mas de toda a sociedade brasileira. Em todos os Estados do país, a PM é concebida sob a mesma lógica militarista e antidemocrática.

Ninguém precisa ser submetido a exercícios em condições degradantes e a castigos cruéis para se tornar um bom policial. Em vez de se preocupar em formar soldados para a guerra, para o enfrentamento e a manutenção da ordem de forma truculenta, o Estado precisa garantir que esses profissionais atuem de forma a fortalecer a democracia e os direitos civis. A realização dessa missão passa necessariamente por mudanças na essência do braço repressor do poder público.

Desde as manifestações dos últimos meses em todo o país, quando os excessos da PM e a sua dificuldade em conviver com o regime democrático ficaram evidentes, o debate sobre sua desmilitarização se tornou urgente. A PM é uma herança dos anos de chumbo, uma força auxiliar do Exército. Mas o que nós precisamos é de uma instituição civil.

Nesse sentido, é fundamental que o Congresso Nacional aprove a proposta de emenda constitucional (PEC 51/2013) que prevê a desvinculação entre a polícia e as Forças Armadas; a efetivação da carreira única, com a integração entre delegados, agentes, polícia ostensiva, preventiva e investigativa; e a criação de um projeto único de polícia.

Esse debate deve envolver os próprios policiais e as organizações da sociedade civil. Essa proposta não significa estar contra a polícia, mas estar a favor dos servidores da segurança pública e da cidadania.

Marcelo Freixo, 46, professor de história, é deputado estadual pelo PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) no Rio de Janeiro  

Fonte: Folha de São Paulo

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Governador do Estado de Santa Cantarina põe a vida de alunos de soldado em risco

Com a intenção de uma operação de vitrine, o comandante da pm com o aval do governador do estado, obrigaram o Centro de Ensino da PM a colocar mais de 300 alunos de soldados na rua com menos de 3 meses de curso dos 9 que serão compreendidos.

Por pressão do comandante da Policia Militar e contra a vontade dos oficiais do centro de ensino da PM, os alunos de soldado serão colocados na rua para "defender o cidadão" apenas vestidos de farda e com menos de 3 meses de curso, ou seja, praticamente o primeiro módulo de estudos apenas completado. "Nós seremos colocados na rua sem tonfa, sem colete balístico, sem spray de pimenta, completamente desarmados. Todos nós estamos com muita vontade de irmos para a rua defender o cidadão e tentar dar mais dignidade e segurança à todos. Entramos na Polícia Militar para isso, afinal todos nós temos nível superior completo e tivemos oportunidade de atuar em outras áreas, mas é impossível fazer isso se nem mesmo nós vamos ter o mínimo de segurança", disse um aluno que prefere não ser identificado.

Segundo informação do próprio centro de ensino, CFAP, até mesmo o diretor era contra pois considera arriscado colocar 320 alunos de soldado nas ruas sem muito preparo, sem EPI (Equipamento de Proteção Individual) para trabalhar em turnos que, durante a semana vai até as 23H e finais de semana até as 24h. Eles trabalharão em locais como a praça XV, beira-mar de florianópolis, beira-mar continental, entre outros; locais estes considerado de baixo e médio risco. Porém, esse risco é relativo, pois desarmados, sem proteção e, conseqentemente, serão alvos mais fáceis que os próprios cidadãos.

O comando prometeu que terão policiais formados cuidando de cada dupla ostensiva (homens e mulheres andarão em pares), mas até mesmo os oficiais afirmam, nas entrelinhas, que é praticamente impossível ter um policial executando esta tarefa. Além disso, apesar de prometido, ainda é incerto que cada dupla tenha um HT (rádio comunicador) para solicitar apoio em qualquer problema que possa vir a acontecer.

Será que é realmente necessário colocar 320 alunos de soldado despreparados, sem segurança pessoal que, por conseguinte, não proporcionarão segurança à ninguém? A dúvida maior é: será necessário que ocorra algum problema maior esses alunos para que uma medida seja tomada? É certo que todos estão muito empolgados em ir para as ruas defender a sociedade, mas que tipo de segurança será proporcionada se nem mesmo o mínimo de sua própria é garantida?
 
Fonte: Portal Jornal Destaque - Santa Catarina

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Comandante da PMERJ pede a Secretária de Segurança que suspenda investigação sobre tortura no CFAP

Um pedido do comandante geral da PM José Luís Castro Menezes à chefe de Polícia Civil Martha Rocha causou atrito entre as duas corporações. O coronel enviou, no último dia 4, um ofício à delegada solicitando a “suspensão temporária” do inquérito aberto pela 33ª DP que investiga a prática de tortura durante treinamento no Curso de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (Cfap) no dia 12 de novembro. Na ocasião, 33 alunos deram entrada na enfermaria com insolação e queimaduras, entre eles Paulo Aparecido, que morreu dez dias depois.

No texto, Castro argumenta que os fatos investigados são de “indubitável caráter penal militar, eis que indiciados e vítimas ostentam condição de militares, além de terem sido praticados no exercício da função militar”.

O pedido não foi bem recebido pela chefe de Polícia. Em nota, Martha Rocha afirmou que “jamais determinaria a suspensão de qualquer investigação policial”.

A chefe de Polícia informou que as investigações vão prosseguir e que “os delegados estão submetidos somente aos ditames da lei. Ao final das investigações, o delegado da 33ª DP (Realengo) enviará o inquérito ao MP, que decidirá pelo oferecimento ou arquivamento da denúncia”.

Segundo o titular da 33ª DP, Carlos Augusto Nogueira, o objetivo da investigação é concluir se o que aconteceu no treino se configura como tortura, com pena máxima de oito anos. Dois Inquéritos Policiais Militares (IPMs) investigam o crime militar de maus tratos seguidos de morte, com pena de até dez anos.

Procurada, a PM alegou que a suspensão do inquérito não poria em xeque a transparência da investigações, já que “os depoimentos colhidos nos IPMs estão sendo realizados no MP, sob acompanhamento de promotores”.

Depoimentos

Após o ofício chegar ao gabinete de Martha Rocha, os procedimentos investigativos continuaram na 33ª DP. No dia 12, em depoimento na distrital, a suboficial Márcia de Fátima Nunes, enfermeira do Cfap, afirmou que não havia médicos nem ambulâncias na unidade na ocasião. No relato, ela também contou que alguns alunos chegaram molhadas na enfermaria. Ao MP, os recrutas disseram que os oficiais jogavam água gelada nos alunos que não suportavam os exercícios.

Ontem, os oficiais que participaram da sessão de treinamento compareceram na 33ª DP para prestar depoimento. O capitão Renato Martins Leal da Silva e os tenentes Sérgio Batista Viana Filho, Jean Carlos Silveira de Souza, Gerson Ribeiro Castelo Branco e Paulo Honésimo Cardoso da Silva já foram afastados do Cfap.

Leia, na íntegra, a nota da PM sobre o episódio:

"1- O pedido de suspensão temporária do procedimento na delegacia ocorreu depois de específica manifestação da 2ª Promotoria de Justiça, junto à Auditoria de Justiça Militar.

2- No entanto, o Comando da Corporação se encontra à total disposição da Polícia Civil, bem como do Ministério Público para colaborar prontamente, se entenderem pela imperativa necessidade de prosseguimento do aludido Inquérito Policial instaurado no âmbito da 33ª DP.

3- O pedido foi feito porque os fatos têm caráter penal militar, haja vista que, tanto indiciados como vítimas ostentam a condição de militares, além de terem ocorrido em local sujeito à administração militar, havendo, portanto, previsão expressa nos artigos 9º, II, a e b, e 213, parágrafos 1º e 2º do Código Penal Militar.

4- Quanto ao questionamento sobre a transparência, cabe destacar que os depoimentos colhidos no bojo dos citados Inquéritos Policiais Militares estão sendo realizados no âmbito do próprio Ministério Público em exercício na AJMERJ, sob acompanhamento direto dos Promotores em exercício naquele juízo."

Relembra o caso, clique aqui

Rafael Soares Jornal Extra

sábado, 30 de novembro de 2013

Em audiência pública sobre morte de recruta, comandante do Cfap afirma que unidade ‘não é creche’

Oficial afirmou que treinamento é condizente com a formação de policiais Foto: Urbano Erbiste / Extra

Durante audiência pública na Assembleia Legislativa (Alerj) para esclarecer as circunstâncias da morte do recruta Paulo Aparecido Santos de Lima, o comandante do Centro de Formação e Aprimoramento de Praças (Cfap), coronel Nélio Monteiro afirmou que lesões fazem parte da rotina da instituição, por se tratar de um “curso com objetivo de formar policiais que atuarão nas ruas”. O aluno foi internado após treinamento no dia último 12 e morreu dez dias depois.

— O Cfap não é creche. É uma instituição de formação policial. O treinamento fornecido lá dentro é condizente com essa formação — disse o oficial.

Após a declaração, o presidente da Associação de Praças da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros, Vanderlei Ribeiro, pediu a palavra para discordar do coronel.

— O Cfap não é uma creche, mas também não é casa de tortura. O problema é a cultura militarista da PM.

Também durante a audiência, o diretor geral de Ensino da PM, Antonio Carlos Carballo Blanco, afirmou que nenhum dos oficiais que dava instrução à turma de Paulo era especialista em Educação Física. Recrutas da turma disseram ao EXTRA que foram obrigados a ficar sentados e fazer flexões sobre o asfalto quente.

— O treino não era de Educação Física. Em tese, eles estavam tendo uma instrução de ordem unida, um treino militar de formação e marcha. Por isso, não precisavam ter formação em Educação Física — afirmou Carballo.

Convidados, os cinco oficiais investigados no Inquérito Policial Militar (IPM) não compareceram à audiência. O deputado estadual Iranildo Campos (PSD) vai propor à Comissão de Segurança Pública que o capitão Renato Martins Leal da Silva e os tenentes Sérgio Batista Viana Filho, Jean Carlos Silveira de Souza, Gerson Ribeiro Castelo Branco e Paulo Honésimo Cardoso da Silva sejam convocados para depor. Se a medida for aprovada, eles podem ter que comparecer sob ordem judicial.

Durante a audiência, o deputado estadual Marcelo Freixo (Psol) perguntou ao coronel Carballo qual o significado da palavra “suga”, usada por recrutas para explicar o que aconteceu no treinamento que terminou com a morte de Paulo Aparecido.

— Suga’ é trote, não é treinamento. Ela já foi mais comum. Faz parte de um ritual de iniciação, mas não é autorizada pelo comando — explicou o coronel.

Projeto de lei: emergência obrigatória

Um projeto de lei proposto pelo deputado Iranildo Campos dispõe que todas as escolas de formação tenham uma unidade de atendimento médico de emergência. Em visita ao Cfap, a equipe do parlamentar constatou que a unidade não tem um médico nem equipamentos de resgate, como um desfibrilador.

Ontem, a PM informou que a recruta que deu entrada no hospital da corporação com crise renal em setembro prestou depoimento a oficiais negando ter sido internada por conta de um treinamento no Cfap. Segundo ela, a internação se deu por descuidos com a hidratação. Em 11 de setembro, uma colega de turma relatou em documento arquivado no Cfap a ordem de um oficial para que o pelotão sentasse no asfalto quente.

Fonte: Extra/Globo

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Treinamento na PM: ministra da Secretaria de Direitos Humanos vai acompanhar inquérito

A ministra Maria do Rosário Nunes, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, irá acompanhar as investigações sobre a morte do recruta Paulo Aparecido Santos de Lima, depois de um treinamento no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (Cfap). Esse é o primeiro caso envolvendo a Polícia Militar de um estado a ser apurado pelo Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, que atualmente acompanha 23 denúncias de violação de direitos durante cursos ministrados pelas Forças Armadas.

— Acredito que o caso tenha a ver com a cultura militar, em que não se pode manifestar o limite do corpo. Mas o corpo tem limite e isso não significa fraqueza. Essa cultura precisa ser transformada. Um treinamento que produz sofrimento e morte precisa ser revisto — revolta-se a ministra.

De acordo com Maria do Rosário, a ideia é que o grupo cobre soluções para a morte do aspirante e proponha mudanças para esse tipo de formação, a fim de que sejam tomadas medidas preventivas. Acompanhamento médico mais presente e instrutores que observem de perto os alunos são sugestões que serão analisadas.

A ministra também levará o caso — classificado por ela como “uma tragédia” — ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo:

— O rapaz estava cheio de sonhos e com vontade de contribuir com a sociedade. Foi uma morte terrível para ele, para seus colegas e para a instituição. Se o objetivo desse treinamento é que ele desumanize as pessoas, nós estamos aqui dizendo o contrário, porque os alunos precisam de respeito. Se existem pessoas responsáveis, elas têm de ser punidas.

Depois do término das investigações, a ministra pretende fazer uma homenagem a Paulo Aparecido no Cfap, a exemplo do que foi feito no caso do cadete Márcio Lapoente da Silveira.

Por meio de um Acordo de Solução Amistosa, a Secretaria de Direitos Humanos conseguiu o reconhecimento da morte de Márcio — na Academia das Agulhas Negras, em 9 de outrubro de 1990 — e a reparação para a família. O caso foi mostrado pelo EXTRA no domingo

Fonte: Extra/Globo

Antes de morte de recruta, aluna foi internada após treino com crise renal

Dois meses antes do treinamento no Centro de Formação e Aprimoramento de Praças (Cfap) que terminou com a internação do recruta Paulo Aparecido Santos de Lima, uma outra aluna do curso deu entrada no Hospital Central da PM após treino na unidade. Ao contrário de Paulo, que morreu no último dia 22, a mulher sobreviveu, após quatro dias internada com insuficiência renal. Parentes e colegas da recruta foram ouvidos pelo EXTRA e relataram que ela foi levada do Cfap para o hospital após maus-tratos durante o treinamento, que aconteceu em 11 de setembro.

— O que a médica falou para nós foi que ela passou por muito exercício no sol quente, sem se hidratar. Na polícia, eles não dão valor aos alunos, que se esforçam para chegar ali. Quando fiquei sabendo da morte do Paulo, pensei: podia ter acontecido antes — disse um parente.

A ex-aluna — que concluiu o curso de formação uma semana depois — era da mesma turma do recruta que relatou, num documento de razões de defesa (DRD) arquivado na 3ª Companhia do Cfap — e revelado pelo EXTRA na última segunda-feira — a determinação de um oficial para que todo o pelotão se sentasse “no chão quente”. A ordem, segundo o documento, foi dada após o aluno deixar a fila de formação “desesperado” para ir ao banheiro. Os cem recrutas da turma ficaram dez minutos sentados no pátio da unidade.

Segundo a clínica geral Cristhiane Pinto, em casos como o da recruta, a desidratação prejudica o funcionamento dos rins. A médica diz que, se o quadro for agravado, outros órgãos podem ser prejudicados:

— Com a falta de água no corpo, os rins não funcionam em sua plenitude e não conseguem filtrar as toxinas do sangue, que podem se acumular nos pulmões ou no cérebro, por exemplo.

A internação chegou a pôr em dúvida a participação da ex-aluna na formatura, dia 20 de setembro. Segundo colegas, a aspirante teve que participar do ato num palanque, protegida do sol, e não junto dos demais alunos, em fila no pátio. Procurada, a PM informou que a ex-aluna “teve uma crise urinária”.

Oficiais investigados são transferidos

Os cinco oficiais que estão sendo investigados no Inquérito Policial Militar (IPM) sob a acusação de excessos durante a sessão de treinamento que terminou com a morte do recruta Paulo Aparecido foram transferidos de unidade. A informação foi publicada no boletim da corporação do último dia 22. Quatro dos oficiais eram responsáveis pela 5ª Companhia Alfa, turma do aluno. O quinto foi afastado por decisão do próprio comandante do Cfap, coronel Nélio Monteiro, após denúncias de alunos da turma em blogs na internet.

O capitão Renato Martins Leal da Silva está lotado agora no Batalãho de Policiamento em Areas Turísticas (BPTur). Já os tenentes Sérgio Batista Viana Filho, Jean Carlos Silveira de Souza, Gerson Ribeiro Castelo Branco e Paulo Honésimo Cardoso da Silva foram transferidos, respectivamente para o Batalhão de Choque (BPChq), o 38º BPM (Três Rios), o 41º BPM (Irajá) e Coordenadoria de Inteligência.

Segundo a PM, a medida teve como objetivo “evitar o contato dos policiais afastados com os alunos durante este período para dar isenção ao processo”. Ontem, os deputados Flávio Bolsonaro (PP) e Iranildo Campos (PSD) propuseram um projeto de lei que concede uma pensão mensal vitalícia à família de Paulo Aparecido. O valor da remuneração é referente a um salário de 3º sargento

Fonte: Extra/O Globo

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Depois de morte de recruta, PM anuncia a criação de protocolos sobre o calor

Uma semana depois de um treinamento no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP) terminar com 33 dos 490 alunos da 5ª Companhia Alfa em atendimento médico — incluindo Paulo Aparecido Santos de Lima, que teve morte cerebral — a Polícia Militar anunciou que irá implementar novas regras aos cursos.

— Vamos desenvolver protocolos para que, em dias que seja constatado calor intenso, as instruções externas que exijam esforço físico ocorram de manhã cedo ou a tarde, justamente para evitar problemas como hipertermia ou temperatura — informou o diretor de Ensino da corporação, coronel Antônio Carlos Carballo Blanco.

De acordo com o coronel, o caso, que está sendo investigado por um Inquérito Policial Militar (IPM), deve ser avalido sobre três aspectos:

- Existem pelo menos três variáveis neste caso. A primeira é o processo histórico que está por trás, a questão ideológica. A Polícia Militar sempre baseou suas ações no paradigma militarista. Ou seja, você subordina uma ideia de proteção a um conceito superior de força. Cultural e tradicionalmente, a organização policial sempre se comportou assim. Mas isso está sendo modificado. O que está sendo apurado é se houve maus tratos, trotes, humilhação. Não sabemos se isso aconteceu, mas faz parte de um processo histórico. Dentro da nossa cultural, isso faz com que o policial seja comparado com uma espécie de Super Homem. 
 
Então muitos projetos educativos se baseiam nessa visão de mundo. Nas Forças Armadas, é normal ouvir: “O militar é superior ao tempo”. A segunda é a questão do clima, que atingiu a temperatura de 42º e sensação térmica de mais de 50º naquele dia. A terceira variável tem a ver com os processos internos de formação. Eu não vejo de forma clara se houve efetivamente algum tipo de abuso. O modelo de levar os policiais para suportar as agressões do meio externo é intelectualmente honesto, não é mal intencionado, mas a gente sabe que se essa variável preponderou para esse tipo de ocorrência, a tendência do policial quando se relacionar com a comunidade é banalizar esse comportamento e reproduzir isso ao público.

Ainda segundo o coronel, a partir de agora, serão criadas regras para evitar que situações como a da terça-feira da semana passada, dia 12 de novembro, se repita:

- Agora, fica a lição para estabelecermos um protocolo, um padrão de comportamento para essas condições de temperaturas atípicas, que podem afetar. Sabemos que cada pessoa tem capacidade diferente, seja em relação ao frio, ao calor. A gente tem um universo de 490, em que 12% manifestaram reações. Mas poderia ser evitado? Poderia, sim.

Fonte: Extra/O Globo

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Comissão de Segurança da Alerj faz vistoria no CFAP

O deputado estadual Iranildo Campos (PSD), presidente da Comissão de Segurança Pública e Assuntos de Polícia da Alerj, vai convocar audiência pública extraordinária para apurar os fatos que levaram à morte cerebral do recruta Paulo Aparecido Santos de Lima. Ele sofreu convulsão no último dia 12, após uma série de atividade físicas sob forte calor, no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP) da Polícia Militar, em Sulacap.

Na tarde desta terça-feira, o deputado visitou as instalações do CFAP e criticou as condições de atendimento médico do local. Depois de se reunir com o comandante da unidade, coronel Nélio Monteiro, Iranildo estranhou o fato de não haver médicos, ambulância nem desfibrilador no momento em que o recruta sofreu o mal-estar. Ele disse ainda que o cronograma de atividades programado para o dia 12 não incluía exercícios físicos para os recrutas. Esse tipo de atividade só deveria ocorrer após a segunda semana de treinamento.
 
As condições precárias do alojamento também foram criticadas por Iranildo. Ele afirmou que os procedimentos internos precisam ser modificados para atender os recrutas.
 
- É inadmissível o fato de o Centro ter dois mil alunos e nenhum desfibrilador. Foram 33 baixas nos dias 12 e 13, sendo que 24 recrutas sofreram queimaduras. Estranho também que o coronel Nélio não tenha sido informado do incidente no próprio dia. Por isso, vamos convocar audiência pública na semana que vem, para apurar os fatos ocorridos aqui no CFAP - afirmou Iranildo, lembrando que serão chamados os oficiais responsáveis pelas instruções aos recrutas no dia 12.
 
Fonte: Blog SOS PMERJ

Trote na PMERJ: recruta morre em “período de adaptação”


 Treinamento no CFAP na PMRJ

É preciso acabar com toda e qualquer “instrução” ou (de)formação policial que não esteja tecnicamente justificada como útil, alinhada com princípios pedagógicos, integrada aos mandamentos dos Direitos Humanos (sim, o policial é humano e não está “acima do tempo” e das dores).

O fato é que, infelizmente, faz parte da tradição de muitas organizações policiais brasileiras, principalmente em cursos de formação e cursos táticos/especiais policiais militares, que, para além da técnica, maus tratos, exageros e violências ocorram, sob o argumento de “adaptar” o aluno, tornar difícil a conquista da formatura e coisas do tipo. Falácias que apenas servem ao objetivo de alimentar certas intenções e condições psicológicas deturpadas de quem está à frente da tal “instrução”.

A exacerbação da técnica na formação conduz à exacerbação da técnica na prestação do serviço policial – e agride o ser humano policial em sua identidade e dignidade. Superar limites físicos e psicológicos? Isso é plenamente possível sem humilhações e degradações. Quem fizer ou disser o contrário está apenas querendo satisfazer sua própria sanha de ver o outro maltratado. No Rio de Janeiro, o resultado de práticas desse tipo foi a morte de um aluno em “período de adaptação”:

O recruta da PM Paulo Aparecido Santos de Lima, de 27 anos, teve morte cerebral decretada pelo Hospital Central da Polícia Militar, ontem à noite. Paulo ficou uma semana internado após passar mal em treinamento no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP) da PM. O comandante do HCPM, coronel Armando Portocarrero, afirma que a causa da morte foi um derrame causado por uma série de fatores que incluem a temperatura, a prática de exercício físico e uma possível propensão genética. Um Inquérito Policial Militar (IPM) foi aberto para apurar se houve excessos. A família do ex-aluno espera que os oficiais responsáveis sejam punidos.

— Ele não teve insolação, nem mal súbito. Alguém tem que ser punido. Levaram nosso menino — afirmou Crislaine de Souza, prima da vítima.

De acordo com o coronel Portocarrero, o derrame e o quadro de aspiração de vômito ocorreram antes da chegada de Paulo ao hospital, na tarde de 12 de novembro, terça-feira da semana passada. Já no HCPM, Paulo perdeu os rins e teve insuficiência respiratória. Um exame feito pela PM, ontem, constatou que os órgãos afetados não voltariam ao funcionamento normal.

Ao longo da última semana, o EXTRA ouviu relatos de uma dezena de recrutas da PM da turma de Paulo, a 5ª Companhia Alfa. Os alunos contam que o treinamento de terça-feira foi uma “suga”, que leva o recruta ao limite físico. Segundo os relatos, quem não conseguia acompanhar a turma, era submetido a choque térmico com água gelada ou era obrigado a sentar no asfalto quente. No dia, a temperatura no CFAP, em Sulacap, chegou aos 42°C.

Nélio Monteiro Campos, comandante do CFAP, afirmou que, 33 dos 490 alunos da turma precisaram de algum tipo de atendimento médico. Desse total, 18 sofreram queimaduras nas nádegas ou nas mãos.

— O CFAP lamenta o que ocorreu. O Paulo é um filho da PM. O dia 12 foi atípico.

‘Foi desumano’, diz recruta

Um dos 490 recrutas da 5ª Companhia Alfa — grupo onde os alunos passaram mal no treinamento da última terça-feira — revelou uma rotina de excessos durante as instruções de cursos do CFAP. Segundo ele, um tenente da unidade teria escolhido aleatoriamente 50 alunos que estão iniciando o treinamento do CFAP.

Por volta de meio-dia, menos de uma hora depois do almoço, o oficial teria ordenado que eles fizessem muitas repetições de flexões, abdominais e polichinelos.

Os policiais ainda teriam sido obrigados a rolar e sentar no chão quente, num lugar conhecido como Chão de Pedra, que fica atrás do prédio onde acontecem as aulas teóricas do curso.

— Ele entrou nas salas dizendo que eles estavam gordos e precisavam emagrecer tudo em um dia, por isso iam ter que fazer muito exercício no calor. Foi desumano o que aconteceu — contou o aluno.

O soldado explicou que, por volta de 15h, Paulo Aparecido Santos de Lima, de 27 anos, desmaiou. Segundo ele, o professor, pensando que o jovem estava fingindo, chegou a gritar: “Levanta daí e para de ser marica!”.

Segundo o recruta, o professor jogou água no aluno. Como o jovem não esboçou reação, um carro particular o socorreu e o levou para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Marechal Hermes.

— Lá, tudo é na base da vara. Geralmente, os cursos de formação têm rigidez, mas não dessa forma. Eles (os instrutores) extrapolam todos os limites.

Em vídeo ao qual o EXTRA teve acesso, um outro tenente grita e dá ordens a alunos numa espécie de favela cenográfica dentro do centro de treinamentos. No local, o oficial orienta os aspirantes e dá um tapa no rosto de um dos recrutas, que está fardado no momento em que é agredido.

Fonte: Jornal EXTRA

Fonte: Abordagem Policial

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Aluno da PM que teria sofrido trote em curso de formação tem morte cerebral

Vítima de insolação em curso para UPP, jovem teve queimaduras nas mãos e nádegas. Oficiais foram afastados
 
O aluno Paulo Aparecido Santos de Lima, de 27 anos, do curso de formação de policiais para atuar nas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), teve morte cerebral atestada por uma equipe médica do Hospital Central da Polícia Militar na noite desta segunda-feira, de acordo com a PM. Ele teria sido vítima de um suposto trote durante o curso.
 
Ele continua no CTI e respira com ajuda de aparelhos. Paulo foi internado há uma semana em estado grave com queimaduras nas mãos e nádegas, além de insolação aguda. Os quatro oficiais responsáveis pela turma foram substituídos, de acordo com a PM. Um Inquérito Policial Militar (IPM) foi instaurado para apurar o caso. Se comprovado excesso os oficiais serão responsabilizados.

Pelo menos outros 10 colegas teriam passado mal durante os exercícios forçados. Segundo denúncias em redes sociais, o aspirante da 5ª Companhia Alfa teria sido obrigado por quatro oficiais a se sentar por certo tempo no asfalto, apoiado pelas mãos, por volta do meio-dia, quando a sensação térmica era de 48º C. Outros colegas dele sofreram choques térmicos, pois os oficiais teriam jogado água gelada neles, mesmo suados, sob o sol forte.

“Só Deus sabe o que minha família está sofrendo. O sonho dele era entrar para PM e, graças a uma atitude de escravidão, falta de humanidade, o sonho dele está no CTI”, desabafou uma parente pela internet, que se identificou como Crislaine.

O trote teria se prolongado. Os oficiais teriam dado cinco minutos para 505 alunos beberem água em seis bicas e almoçar, o que levou parte da turma a passar mal. Uma dezena dos soldados, então, teria sido obrigada a ficar sentada no asfalto e fazer flexões. O presidente da Associação dos Cabos e Soldados da PM do Rio, Wanderley Ribeiro, classificou o episódio como ‘atos de tortura’.

“Vamos pedir explicações e detalhes dessa covardia por escrito e denunciar o caso ao Ministério Público e à Anistia Internacional”, adiantou Ribeiro. “Como formam policiais para lidar com comunidades como cães? E isso é recorrente”, afirmou.

Em nota, a PM alegou que ‘o aluno sofreu mal súbito enquanto estava em forma, junto com 490 alunos devido à alta temperatura’. “Seu quadro é estável, mas respira com auxílio de aparelhos. Os oficiais responsáveis pela turma foram substituídos. Um inquérito foi instaurado para apurar o caso”, diz o texto.

Fonte: O Dia

NOTA DO BLOG: O fato narrado na matéria acima serve para mostrar à sociedade porque a grande massa trabalhadora que compõe as Polícias Militares no Brasil, ou seja, os praças, são em sua grande maioria, se não em sua totalidade, favoráveis à desmilitarização das PMs. Não se trata de querer liberdade para partir para a indisciplina, para quebrar a hierarquia, ou coisa desse tipo, mesmo porque hierarquia e disciplina existe em qualquer organização, pública ou privada. Trata-se sim de um desejo enorme e cada vez mais forte de fazer parte de uma instituição humanizada, que veja os seus integrantes como homens e mulheres, trabalhadores que tem deveres mas que também possuem direitos, e que sejam respeitados da mesma forma como lhes exigem que respeitem os demais cidadãos. Trata-se de querer uma instituição que forme os seus profissionais para cumprirem a sua missão constitucional, enfatizando nesta formação aquilo que é realmente necessário e essencial para o exercício da atividade policial. Trata-se de querer fazer parte de uma instituição que respeite os direitos do cidadão, a começar pelos dos seus próprios servidores, e que tenha o respeito e reconhecimento da sociedade. Não há outra forma de nominar o que foi feito com o aluno Paulo Aparecido, vítima de maus tratos sem qualquer razão. Não é possível que a sociedade e as autoridades admitam que vivendo o momento que vivemos nos dias atuais, coisas desse tipo, abusos como esse, aconteçam dentro dos quartéis ou de qualquer lugar. Fica a nossa indignação e a nossa solidariedade à família do jovem que teve seu sonho transformado em pesadelo, culminando com sua própria morte.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Polícia Militar é assassinado no bairro Santa Maria

Um aluno do curso de cabo da Polícia Militar de Sergipe, identificado como Helder, foi assassinado no final da tarde desta quinta-feira (1º) no bairro Santa Maria. No momento do crime, ele fazia segurança em uma loja de material de construção. Um homem que estava no estabelecimento, conhecido como Tadeu, também foi ferido.

Informações iniciais da polícia, o policial militar estava na loja de material quando três homens, sendo dois menores, tentaram roubar o estabelecimento. Os indivíduos renderam o policial e exigiram que ele entregasse a arma. Após atender a ordem, Helder foi alvejado com quatro tiros e morreu no local. Os elementos levaram a a pistola do policial militar.

Testemunhas revelaram a polícia que os acusados fugiram com destino ao bairro 17 de março. O policial atuava na 4ª Companhia da Polícia Militar e já teve passagem pelo Batalhão de Choque.

Fonte: Atalaia Agora

NOTA: A ASPRA lamenta o falecimento de mais um companheiro da Polícia Militar vítima de mais um crime brutal. Prestamos à família enlutada e aos amigos do companheiro Hélder nossas condolências e nossa solidariedade, e que Deus dê o conforto à família e o tenha em bom lugar.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Policial militar é alvejado com um tiro em supermercado de Laranjeiras

A Polícia Militar informa que o aluno de cabo Robério Andrade Silva, 37 anos, lotado no Esquadrão de Polícia Montada (EPMon), foi atingido com um tiro na tarde desta quinta-feira, 16, enquanto freqüentava um supermercado na cidade de Laranjeiras.
Dois indivíduos ainda não identificados foram roubar o supermercado e o policial reagiu, tentando conter a ação delituosa por parte dos infratores. Neste momento, o policial passa por avaliação médica no Hospital da Polícia Militar (HPM) para saber se necessita de intervenção cirúrgica. A intenção é retirar um projétil que está alojado na altura do abdômen do policial. Tais informações foram adquiridas com o soldado Vinícius Oliveira, um dos primeiros ao chegar ao local da ocorrência. Contato: (79) 9912-2917.
Fonte: PMSE
Nota: A notícia acima tem por base as informações obtidas na tarde de ontem, logo após o fato. A Asprase aguarda novas notícias para manter nossos colegas informados e torce pela pronta recuperação do companheiro Robério.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Aluna do CFS, policial militar, é presa e processada por “ter ido ao banheiro”

Mais uma denuncia envolvendo abuso de autoridade e uma legislação que vem ao encontro dos direitos humanos, chega á redação do FAXAJU. No final da ultima semana, um aluno do Curso de Formação de Sargentos (CFS), só não foi preso, porque teve a “sorte” de desmaiar duas vezes seguidas.

O aluno do curso de formação de sargento (CFS), Adailton, teve um mau súbito, começou a passar mal e acabou caindo. Os colegas que estavam a sua volta, o levaram a um oficial e este, deu a sentença: “é cachaça”. O oficial a partir daí, mandou que levassem Adailton para a Corregedoria para que fosse lavrado o flagrante. Adailton via e ouvia tudo, porem não tinha forças para falar, ou seja, explicar o que estava sentindo.

Ao chegar na Corregedoria, onde seria lavrado o “flagrante da cachaça”, o policial tornou a desmaiar e a partir daí, resolveram encaminhá-lo a um médico, o que acabou sendo a sua salvação, já que Adailton está próximo de se aposentar e uma prisão poderia prejudica-lo.

Após os primeiros exames, o médico constatou que ele havia tido uma queda de hipoglicemia, já que o PM é diabético. No final da tarde desta terça-feira (05), uma outra denuncia chega a redação, onde um oficial, “prendeu e puniu” uma aluna do famigerado CFS, por ela sentir vontade de fazer suas necessidades fisiológicas.

O fato aconteceu recentemente no conjunto Eduardo Gomes, no Posto de Atendimento ao Cidadão (PAC), quando a também aluna do CFS, EDIANA, sentiu vontade de fazer suas necessidades fisiológicas e, por “não agüentar esperar autorização da autoridade”, resolveu por contra própria “abandonar o 'posto de serviço'” e resolver algo que estava prejudicando.

Como a aluna PM, mora a menos de cem metros do seu local trabalho, achou que não teria problemas em resolver o seu problema. Como em nenhuma unidade da Policia Militar de Sergipe, há banheiros exclusivos para mulheres, essas são obrigadas muitas das vezes, alem de se expor, a usar sanitários masculinos.

Esse fato acabou pro gerar um grande problema para a aluna PM Ediana. Ela foi presa, recolhida ao Presmil, vai responder a um inquérito policial militar, e se “condenada” pode pegar de 6 meses a dois anos de prisão. Alem disso a aluna está impossibilitada de receber qualquer tipo de promoção da policia militar.

O oficial que a “autuou” cumpriu a legislação que poderia, segundo membros da sociedade sergipana e militares, ter agido com bom senso. O capitão cumpriu o que determina a legislação à risca, e não se preocupou com o que poderia ocorrer com a PM, podendo inclusive, desligá-la do curso.

Para os gestores da Associação Beneficente dos Servidores Militares do Estado de Sergipe (ABSEMS), essa é uma legislação que fere totalmente os direitos de ir e vir do cidadão. Para um dos gestores da ABSMSE, sargento Edgard Menezes, “o capitão agiu dentro da lei e do que determina a nossa legislação, só que ele poderia ter um mínimo de bom senso, afinal onde estão os direitos humanos. Essa é uma lei que vai de encontro aos direitos humanos”, reclamou Edgard.

Para o sargento Jorge Vieira, também gestor da ABSMSE, essa é uma “legislação esdrúxula”. “Aqui primeiro se prende e depois se averigua o que realmente está acontecendo. Ela vai a julgamento por sentir vontade de ir ao banheiro e que na ótica do oficial ela cometeu um crime. Agora você veja, se ela for condenada, pode ser desligada do curso. E onde está os direitos humanos? Onde está o nosso direito de ir e vir”, questionou Vieira.

Outra situação que os gestores da ABSMS cobram, é que há mais de 20 anos que a policia militar tem em seu corpo administrativo e funcional mulheres, e até agora não tem um local destinado para que, mulheres e homens da corporação, possam ter as suas privacidades, a exemplo de banheiros e dormitórios. Isso também tem causado transtorno para as mulheres militares, inclusive a casos registrados de assédios sexuais e que até o momento a PM não divulgou o resultado dos IPMs.

Fonte: Faxaju

NOTA: Lamentável o fato ocorrido com a Aluna Ediana. Quanto rigor com um fato tão banal. Se todo esse rigor fosse usado na mesma medida para todos aqueles que cometem "pequenos deslizes" no dia-a-dia da profissão... O que é pior, ausentar-se temporariamente do seu local de serviço para satisfazer uma necessidade fisiológica, devido à falta de condições nesse mesmo local, ou desviar uma viatura de serviço para realizar "pequenas tarefas" de cunho absolutamente pessoal? Será que há na PM ou no Corpo de Bombeiros alguém (sem exceções) que nunca tenha "saído da linha" uma vez ou outra? Se há, parabéns! E se toda "saída da linha" passasse a ser tratada como crime, quantos se salvariam? Quantos IPMs seriam abertos? Parece que de nada adiantou o Ministério da Justiça e a Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República editarem a Portaria Interministerial nº 02/2010, que trata da promoção e defesa dos Direitos Humanos dos Profissionais da Segurança Pública. Parece que muita gente ainda não leu tal portaria e nem mesmo sabe de sua existência, pois ao invés de promover tais direitos, buscam meios para punir e prejudicar os profissionais. Como sentir estímulo dessa forma? Ser punido por ir ao banheiro, na mesma instituição onde se vê tanta gente cometer erros mais graves sem que se use da mesma energia punitiva, é no mínimo desmotivante. Nos solidarizamos com a Aluna Ediana e ficamos felizes em saber de sua soltura. E para que tal fato não se repita, sugerimos que os Comandos da PM e do CBM solucionem o problema da falta de locais apropriados (alojamentos e banheiros) para as policiais e bombeiras femininas dessas instituições. Poucas são as unidades que, a exemplo do 5º BPCom, dispõem dessa estrutura, ainda que com alguma deficiência. Esperamos que o Cel Resende possa colocar em prática as ações prometidas por seu antecessor, Cel Pedroso, em relação às policiais femininas, e que fatos como os relatados na matéria acima não venham a se repetir na Polícia Militar.

sábado, 13 de novembro de 2010

Associação de Cabos e Soldados do Rio Grande do Norte denuncia exigência de R$ 700,00 para formatura de alunos do CFSd

A Associção de Cabos e Soldados da PM do Rio Grande do Norte recebeu denúncias formuladas por alunos soldados que cursam neste período no 2º BPM, sediado em Mossoró, de que estavam sendo obrigados a pagarem uma “contribuição simbólica” de R$ 700.00 para participarem do baile de formatura do referido curso. Ocorre que o pagamento não era facultativo, todos tinham que pagar, segundo orientação do coordenador de formação. Quem não pagasse, segundo as ameaças, sofreria penalizações de ordem militares.

A ACS levou o caso ao conhecimento do Comandante Geral da PMRN que resolveu imediatamente intervir, sugerindo ser o pagamento optativo, o que na verdade, era já o desejo do alunado do CFSD 2010 de Mossoró e o pleito da ACS.

A mensagem foi levada pessoalmente pelo Cabo Jeoás, presidente da ACS, aos companheiros de Mossoró, onde foi gentilmente recebido pelo comando daquela unidade na pessoa do Coronel Eliezer que prontamente se certificou do ocorrido e garantiu o acompanhamento do problema para fatos dessa natureza não se repitam naquela jurisdição militar.

A proposição da Associação de Cabos e Soldados é que se cumpra o acordo feito com aquele comando para que a parcela de R$ 130.00, já paga por cada aluno, seja devolvida e o contrato como a empresa que prestaria o serviço seja rescindido. Estamos em alerta para qualquer possível quebra do que foi pactuado.

Fonte: ParaibaemQAP

Postagens populares