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quarta-feira, 4 de junho de 2014

Prisco está solto, mas cumprirá exigências judiciais

Marco Prisco. Foto Arquivo Aspra

Foi solto na madrugada desta quarta-feira, 4, por volta de 0h30, o vereador Marco Prisco, líder da greve da polícia na Bahia, que estava no Presídio da Papuda, em Brasília, desde o dia 18 de abril. Segundo informações da Associação dos Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra), Prisco ainda permanece em Brasília, na companhia de seus advogados e vai retornar a Salvador ainda nesta quarta.

Os advogados do vereador Marco Prisco ratearam com entidades de classe de outros estados o valor de R$ 20.720, pago pela fiança do parlamentar. Como Prisco pediu licença da Câmara Municipal, e por isso está sem receber salário, e as contas das entidades que participaram da greve da PM estão bloqueadas, foi realizado uma campanha na internet para arrecadar o valor. A campanha na internet arrecadou o valor proposto e, por isso, as pessoas que ratearam a quantia restante serão ressarcidas. O valor da fiança foi determinado pela Justiça Federal, na última sexta-feira (30), após o juiz Fabio Roque, da 17ª Vara da Justiça Federal na Bahia, determinar a revogação da prisão preventiva de Prisco, ocorrida em abril deste ano.

Nota Aspramece

A partir de agora, Prisco será monitorado por meio de uma tornozeleira eletrônica e impedido de manter contato com diretores das associações. Ele também deve se apresentar à Justiça Federal mensalmente para informar e justificar suas atividades. Tudo isso é um absurdo para nós, representantes de classe, os nossos direitos foram cerceados! Veja abaixo as restrições:

a) Recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga, porquanto o réu possui trabalho e residências fixas (art. 319, V, CPP);

b) Proibição de ausentar-se da Comarca sem prévia autorização deste Juízo (art. 319, IV, CPP);

c) Comparecimento mensal a juízo para informar e justificar suas atividades (art. 319, I, CPP);

d) Proibição de frequência ou acesso a quartéis ou quaisquer outros estabelecimentos militares, bem como às Associações de Policiais Militares, como ASPRA, ANASPRA, Força Invicta, APPM, A2J, ABSSO-PM, Associação dos Oficiais Auxiliares da Polícia Militar da Bahia e Observatório da Cidadania (art. 319, II, CPP);

e) Afastamento da Diretoria da ASPRA, ANASPRA e de quaisquer outras Associações de Policiais Militares de que porventura faça parte (art. 319, VI, CPP, por analogia, nos termos do art. 3º, CPP);

f) Proibição de manter contato com os diretores das Associações de Policiais Militares (art. 319, III, CPP): ASPRA, ANASPRA, Força Invicta, APPM, A2J, ABSSO-PM, Associação dos Oficiais Auxiliares da Polícia Militar da Bahia e Observatório da Cidadania.

g) Fiança (art. 319, VIII, CPP), que arbitro no montante de 30 (trinta) salários mínimos;

h) Monitoração eletrônica (art. 319, IX, CPP).

Traslade-se cópia deste decisum para os autos da Liberdade Provisória de n. 17553-98.2014.4.01.3300, em apenso.

Expeça-se alvará de soltura, cumpridas as condições relativas ao pagamento da fiança e à monitoração, se por outra razão não houver de permanecer preso

Fonte: Homepage Aspramece

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Demissão injusta de Cabo Sabino da Polícia Militar do Ceará completa hoje (22/05) 1 ano

Cabo Sabino. Fonte ACSCE

Há exatamente um ano, o principal noticiário da televisão cearense trazia a seguinte manchete: “PMs que participaram de movimento grevista no CE de 2011-2012 são demitidos”. Naquele dia, a história do Cb. Sabino na Polícia Militar do Ceará (PM/CE) foi interrompida. A exoneração, publicada no Boletim do Comando Geral da PM/CE e no Diário Oficial do Estado, foi recebida pela categoria militar como uma retaliação aos líderes do movimento paredista de 2011, quando a PM/CE parou suas atividades buscando melhores condições de trabalho.

Na ocasião da paralisação, Sabino ocupava o cargo de presidente da Associação dos Cabos e Soldados Militares do Ceará (ACSMCE) e ao lado de Cap. Wagner na época Deputado Estadual , e presidente da Associação dos profissionais de segurança pública do estado do Ceará (APROSPEC), P. Queiroz, da Associação de Praças da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros do Ceará (ASPRAMECE) e de Nina Carvalho, da Associação das Esposas dos Policiais e Bombeiros Militares do Ceará (ASSEPEC), representou a categoria militar frente ao governo Cid Gomes.

Conforme o Boletim do Comando Geral n° 094, de 22 de maio de 2013, Sabino foi demitido sob a alegativa de “participação ativa na reunião/assembleia (no dia três de janeiro de 2013) e inequívoca demonstração de liderança no movimento, caracterizando tais atos, como contrários aos valores militares”. Com a mesma acusação, P. Queiroz também foi desligado da corporação. Entretanto, a denúncia se refere a uma reunião de caráter informativo para a exposição dos itens cumpridos e não-cumpridos do Termo de Acordo assinado para por fim à paralisação do ano anterior. No total, foram 10 policiais “expulsos” com suspeita de arquitetar uma nova greve da PM, sendo que a reunião tinha sido somente de caráter informativo.

19 anos, 11 meses e 17 dias foi o tempo prestado pelo ex-militar na 3° Cia do 6° BPM (Maracanaú), extinto BPTran e antigas 4°/5° (Salinas) e 5°/5° (Centro), com destaque na ACSMCE, desde 2005. Após 12 meses da exoneração de Flávio Sabino, o recurso de reintegração à Polícia Militar ainda se arrasta na justiça brasileira. Apesar disso, até o mês de abril de 2014, o ex-militar permaneceu na presidência da Associação dos Cabos e Soldados Militares do Ceará. Durante sua gestão, Sabino continuou representando a categoria diante da entidade, buscando melhores condições de trabalho para os policiais militares.

Sabino foi um dos 44 policiais militares e 21 bombeiros investigados pela Controladoria dos Órgãos de Disciplina da Segurança Pública e Sistema Penitenciário do Estado do Ceará. “Demitem porque querem. É a política da opressão para causar um sentimento de medo”, lamentou Sabino em pronunciamento aos associados da ACSMCE.

Movimento Paredista

A “greve da Polícia Militar” foi legitimada pela indignação da tropa, cansada da jornada de serviço análoga ao trabalho escravo e outros abusos. Para chamar a atenção dos governantes, aconteceu o Sábado Vermelho que reuniu milhares de militares em passeata pelas ruas do Centro de Fortaleza. O movimento rumou para uma assembleia geral da categoria, findando com a aprovação por unanimidade da paralisação, decretando a greve na Polícia Militar.

O esquema logístico da ação foi encabeçado por Flávio Sabino, representando a ACSMCE com apoio de outras entidades. Toda a estrutura da entidade se colocou em favor da categoria militar. O acampamento foi instalado na 6° Cia do 5° BP pelo Cap.Wagner e outros policiais militares, durando cinco dias e seis noites.

Enquanto isso, a cidade de Fortaleza cessou diversas atividades temendo a ação de ladrões, traficantes e saqueadores “profissionais” de ocasião.

As centrais sindicais e outras entidades do Brasil enviaram apoio à greve, aos policias e familiares. As igrejas e os empresários de Fortaleza uniram-se à causa para pressionar o Estado. Dom Edmilson da Cruz, embora com mais de 80 anos, também participou das negociações. Flávio Sabino relata que em um determinado momento da paralisação, Dom Edmilson perguntou “o que aflige teu coração, homem?” e Sabino respondeu “tenho medo da categoria não aceitar um acordo”. “Se a tropa não lhe ouvir, ela vai ter que me ouvir”, exclamou o líder religioso.

Foi Flávio Sabino que apresentou aos policiais militares cearenses o que o governo do Estado estava propondo. A tropa aceitou as condições e encerrou a greve no dia três de janeiro de 2012. Um dos maiores movimentos militares da história findou sem nenhum tiro disparado e sem nenhum ferido.

Uma das maiores vitórias do movimento, segundo a Associação dos Cabos e Soldados Militares do Ceará, foi a jornada de trabalho de 40 horas semanais. Infelizmente, apenas os militares da capital e Região Metropolitana de Fortaleza gozam desta conquista. Os profissionais da Segurança Pública dos destacamentos no interior do Ceará ainda cumprem, por vezes, mais de 90 horas por semana, conforme informações da ACSMCE.

Redação ACSMCE, Marcus Castro.
Edição Roberto Barros

Fonte: Associação de Cabos e Soldados do Ceará

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Subtenente Queiroz defende a realização da 2º Conseg em Fortaleza


Na terça-feira (18), o conselheiro P.Queiroz defendeu no Conasp, em Brasília, que Fortaleza seja a Capital sede para a Conferência Nacional de Segurança Pública - Conseg que por falta de deferimento do auditório da Assembleia Legislativa que há dias havia sido solicitado, alguns conselheiros queriam remanejar o evento para a Paraíba, depois de algumas horas, por meio de ofício foi solicitado e concedido pelo presidente da Câmara, Walter Cavalcante, o espaço no auditório da Câmara dos Vereadores de Fortaleza para a realização do evento nos dias 28 e 29 de abril de 2014.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Vem aí a 2º Conferência de Segurança Pública - Conseg Nordeste

A Conseg ocorrerá nos dias 09 e 10 de abril, em Fortaleza e terá como palestrantes a Secretária Nacional de Segurança Pública, Regina Miki e ainda a ser confirmada a presença de outros palestrantes e também do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. A conferência está sendo organizada pelo conselheiro do Conselho Nacional de Segurança Pública (Conasp-MJ), P. Queiroz (Presidente da Aspramece e Anaspra) e conta com o apoio das demais associações militares. Em breve mais informações. 
Fonte: Aspramece

sábado, 11 de janeiro de 2014

Ceará: Policiais sob judice escalam torre de TV para protestar em Fortaleza

Repercutiu na Imprensa- Policiais sub judice escalam torre de TV para protestar em Fortaleza

Afirmando estarem cansados de esperar por um encontro com o governador do Ceará, Cid Gomes, dois policiais militares que estão sub judice subiram às 3h na torre da TV Assembleia nesta sexta-feira (3), em Fortaleza. “Faz 17 dias [que estão acampados na Assembleia Legislativa], subiram porque estamos cansados de o governo só fazer promessa”, explica o policial Alex Patrick, de 28 anos.

Cerca de 20 policiais na mesma situação estão acampados no local até resolverem a situação de trabalho. De acordo com eles, 632 foram aprovados em um concurso público de 2008, por meio de 2ª chamada para 860 vagas. Eles passaram por treinamento, trabalharam nas ruas por quase três anos sem receber salários e, em julho deste ano, foram afastados das funções da corporação pelo Governo do Estado. Segundo o grupo, eles foram escalados para trabalhar durante a Copa das Confederações, em junho deste ano.

“Não entendo a atitude do governador porque todos trabalharam na Copa das Confederações, estão cadastrados no Ciops como policiais e consta no site que estão trabalhando nas ruas, mas não estamos. Isso é um absurdo”, disse o outro policial, Alex Duarte, de 22 anos. De acordo com o Governo do Estado, os candidatos afastados por decisão judicial, a pedido da Procuradoria Judicial da PGE, não cumprem alguns dos requisitos necessários para a aprovação no concurso, como nota mínima das provas objetivas, exames físicos e psicológicos e até investigação social.

Desemprego

Já a policial Irani Guedes Santiago afirma que passa por dificuldades financeiras porque não pode trabalhar em outro lugar devido a atual situação. "Já que estamos cadastrados no Ciops como policiais militares não podemos conseguir outro emprego. Ninguém quer contratar a gente. Já que o governador não quer resolver o nosso problema que pelo menos legalize nossa situação para que possamos ir trabalhar em outro lugar", desabafou.

Ainda segundo Irani Guedes todos os policiais possuem o Cartão Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) do Governo Federal e do Instituto de Saúde dos Servidores do Estado do Ceará (Issec). "Esses dois cartões são uma prova de que trabalhei como policial. E sem justificativa fui mandada para fora. Isso é um absurdo", conta.

A policial Emanuelle Gomes acrescenta que todos os policiais afastados passaram nos exames. "Realizamos testes como todo concursado. Foram três etapas. O teste físico, o teste psicotécnico e prova escrita. Se fomos aprovados e já fomos para rua, porque fomos demitidos?", indagou. 

Vivian Sales 

Fonte: G1 Ceará./Aspramece

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Conasp busca criação do Fundo Nacional de Segurança Pública

O Presidente da ANASPRA e ASPRAMECE que também é conselheiro do CONASP (Conselho Nacional de Segurança Pública) P.Queiroz, vai para Brasília nessa terça-feira (27/08), e como conselheiro vai em busca da discussão para a aprovação da PEC 24/2012.

Como já noticiado anteriormente, o CONASP em sua última reunião que aconteceu no dia 17 de julho em Cuiabá/MT, deliberou apoio a PEC 24/2012 do Senador João Capibaribe, essa PEC cria um fundo Constitucional da Segurança Pública, similar ao que acontece com a saúde e a educação, fazendo com que a segurança pública não mais dependa das sobras de outras pastas, esse apoio do CONASP a PEC 24/2012, foi muito por causa da insistência do conselheiro P.Queiroz que durante toda a reunião persistiu para que o conselho não se omitisse em relação a esse assunto.

Devido a insistência do conselheiro P.Queiroz, ocorrerá amanhã (27/08) uma reunião do CONASP com o Senador João Capibaribe, que é o autor da PEC 24/2012, para se discutir sobre o texto do projeto, lembrando que com esse fundo Nacional de Segurança Pública facilitaria a aprovação de projetos como a PEC 446/300.
 
Fonte: Homepage da Aspramece

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

1º dia de manifestações na luta pela PEC 300/446 é bastante movimentado

Todos os jornais vêm destacando que hoje (20/08), foi um dia bastante agitado em Brasília e isso não se deve somente as votações dos vetos da Presidente Dilma, mas sim a manifestação feita por Policiais Militares, Bombeiros Militares e Policiais Civis que lotaram o Salão Verde da Câmara no começo da tarde, os mesmo exigiam votação imediata em segundo turno da PEC 446/300 (Piso Salarial Nacional).

Após essa movimentação, o Presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves, decidiu receber alguns representantes da categoria, para conversar sobre o andamento do projeto, e nessa reunião os mesmos definiram a criação de um grupo de trabalho que vai ser formado por deputados e dois representantes dos Policiais e Bombeiros para chegar a um acordo em torno da PEC 446/300.

A categoria não ficou totalmente satisfeita com os resultados da reunião e fizeram serem ouvidas por todo o Brasil, quando invadiram as dependências do Congresso, em resposta ao ato às atividades foram paralisadas, o Presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves classificou o ato como desrespeitoso “A invasão não foi uma atitude democrática”, mas em contra partida disse entender as dificuldades da categoria, é bom que o deputado saiba o que os Policiais estão lutando por dignidade, já que todos os dias arriscam suas vidas em prol de outras, ganhando salários miseráveis e vale lembrar que há mais de três anos que a Câmara vem adiando a votação da PEC 446/300.

O Presidente da ANASPRA e ASPRAMECE que estava presente em todas as movimentações que ocorreram nessa tarde falou que “Foi uma manifestação pacífica diferente de que alguns veículos de comunicação divulgaram, não teve briga entre os Policiais e Bombeiros e os seguranças da Câmara, todos estavam revoltados com o descaso do Congresso em relação as nossas pautas, há mais de três anos discutimos o piso Nacional”.

Os Policiais deram um voto de confiança ao Presidente da Câmara e deixaram o plenário e o Salão Verde, já que na manhã dessa quarta-feira (21/08) acontecerá no gabinete da Presidência da Câmara a primeira reunião do Grupo de Trabalho (GT) formado para discutir sobre a PEC, O Presidente Henrique Eduardo Alves prometeu que até o dia 16 de Setembro terá uma posição sobre a PEC 446/300, todos que estão em Brasília continuarão se movimentando para aprovação desse projeto de suma importância para dignidade do Policial Militar, e também na luta de outros projetos que tramitam no Congresso Nacional como a PEC 24 (Fundo Nacional da Segurança Pública) e a PEC 102 (Desmilitarização) que também são de grande relevância para a segurança Pública do país.

Fonte: Aspramece

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Representantes da ANASPRA se reúnem com Ministro da Justiça

Audiência Pública realizada no Ministério da Justiça debateu a desmilitarização das PMs e Corpos de Bombeiros

A diretoria da Associação Nacional de Entidades Representativas de Praças Militares Estaduais  foi recebida na tarde da última terça-feira (31) pelo Ministro da Justiça Dr. José Eduardo Cardoso em Brasilia. A reunião atendia ao requerimento da ANASPRA, que pleiteava a discussão sobre a seguinte pauta:

- Fim da aplicação de Sanção Disciplinar cerceadora de liberdade – Fim das penas de detimento e prisão no âmbito das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares. Com a proposição de emenda ao Decreto Federal 667/69 – R 200; 

- O voto em trânsito válido para os Militares Estaduais. Proposta junto ao MJ para a viabilização da validação do voto do Policial Militar e do Bombeiro Militar que, nos dias de eleição, trabalham em locais diferentes de seus domicílios eleitorais.

Participaram da reunião, P. Queiroz (Presidente da ANASPRA) e Soldado Rogério  do CE, Sargento Eliabe e o Soldado Maribondo do RN, O Sargento Heder e o Subtenente Gonzaga de MG,  Cabo Michel do DF, Sargento Aragão – Deputado Estadual no TO, Sargento Soares – Deputado Estadual em SC.

Essa foi a primeira vez que um Ministro da Justiça recebeu formalmente Praças Policiais Militares e Bombeiros Militares. Segundo o próprio Ministro José Eduardo Cardoso é um espaço importante que está se estabelecendo e que deve ser mantido. 

Sobre as proposições apresentadas, o Ministro assumiu o compromisso de analisar as propostas e dar, posteriormente um posicionamento sobre o assunto. Sugeriu por fim, quando foi abordada a necessidade de se regulamentar a Jornada de Trabalho para os Policiais Militares e Bombeiros Militares, que a ANASPRA encaminhe ao MJ uma proposta que regule a Jornada de Trabalho.

Outros assuntos foram citados e comentados demonstrando a necessidade de novas reuniões para o encaminhamento de proposições que visam a melhor organização e atuação dos trabalhadores da segurança pública.

Fonte: Blog do Hudson Clédio

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

ASPRAMECE e ACSMCE promovem debate sobre desmilitarização em Pernambuco

A ASPRAMECE (Associação de Praças da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar do Ceará) junto com a ACSMCE (Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar do Ceará) promoveram no auditório da Escola Superior do Ministério Público, no dia 30 de julho às 8 horas, o seminário preparatório para a audiência pública no Ministério da Justiça discutindo a “desmilitarização” das policias militares e corpos de bombeiros que acontecerá em Brasília no dia 3 de agosto.

Para ministrar esse seminário preparatório as duas entidades trouxeram o Tenente-Coronel da Polícia Militar do Maranhão Carlos Augusto Furtado, que também é observador policial de direitos humanos da ONU na Guatemala, sócio da Associação dos Magistrados das Justiças Militares Estaduais e Associação dos Magistrados Internacionais e mestre em governo e gerência pública pela Universidade Americana.

Devido à questão do espaço tiveram prioridade para acompanhar esse seminário os integrantes da delegação que ira viajar para Brasília. Para maiores informações ligue para o numero 3254-5307. 

Palestra proferida aos integrantes da Associação das Praças Militares do Estado do Ceará em 30 de julho de 2012 no Seminário Preparatório para Audiência Pública do Ministério da Justiça para discutir a “Desmilitarização” das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares do Brasil, a convite da ASPRAMECE. 

ANTECEDENTES HISTÓRICOS

Os historiadores consideram o Regimento Regular de Cavalaria das Minas Gerais, criado no distrito de Cachoeira do Campo, na antiga Vila Rica (atual Ouro Preto), em 09/06/1775, a mais antiga força militar de patrulhamento do Brasil, em razão de que desde então sempre foi paga pelos cofres públicos e era responsável pela manutenção da ordem pública, vez que a Vila estava ameaçada pela descoberta de riquezas, especialmente o ouro.

No início do século XIX (1799 a 1815), Napoleão Bonaparte, herdeiro da revolução francesa e ditador militar conquista boa parte do continente europeu, submetendo as nações a seu império expansionista, o que faz com que a Família Real portuguesa, juntamente com sua corte, se mudassem para a colônia brasileira.

Aqui chegando e instalando-se na cidade do Rio de Janeiro, é iniciada a reorganização do Estado em 11/03/1808, com a nomeação de ministros. A segurança pública, em Portugal era executada pelos chamados “quadrilheiros”, que patrulhavam as cidades e vilas, tendo sido estendida ao Brasil colonial, entretanto, logo tornaram-se insuficientes para fazerem a proteção da Corte, que então contava com cerca de 60.000 pessoas, sendo mais da metade escravos.

Assim, em 13/05/1809, dia do aniversário do Príncipe Regente, Dom João VI foi criada a Divisão Militar da Guarda Real da Polícia da Corte (DMGRP), subordinada ao governador das Armas da Corte que era o comandante da força militar, e, por sua vez era subordinado ao Intendente-Geral de Polícia, desta forma, nasce oficialmente a primeira Polícia Militar no Brasil.

Historicamente seguem-se uma série de mudanças, criações, fundações e avanços, na Colônia brasileira, inclusive a elevação de Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves em 16/12/1815, até culminar com até a Independência do Brasil (07/09/1822).

Fatos históricos relevantes marcam a história do novo império e em 1830, Dom Pedro I após muitos protestos populares e oposição de vários setores da sociedade, abdica ao trono em favor de seu filho Dom Pedro II, que, ainda menor, não podia assumir o poder, marcando assim o Período Regencial (1831 a 1840), governado por Regências: Trina Provisória, Regência Trina Permanente, Regência Una de Feijó e Regência Una de Araújo Lima, as quais não foram muito bem aceitas pelo povo que as consideravam sem legitimidade para governar.

O período foi marcado por várias revoltas sociais em várias províncias. A maior parte delas em protesto contra as péssimas condições de vida, alta de impostos, autoritarismo e abandono social das camadas mais populares da população.

Os movimentos da Cabanada (1832 a 1835 em Pernambuco e de Alagoas), Cabanagem (1833 a 1839, no Grão-Pará “Amazonas e Pará atuais”), Revolução Farroupilha (1835 a 1845 no Rio Grande do Sul), Revolta dos Malês (1835 na Bahia), Sabinada (1837 a 1838 na Bahia), Balaiada (1838 a 1841 no Maranhão e parte do Piauí e do Ceará, passaram a ser considerados “perigosos” para a estabilidade do Império e para a manutenção da ordem pública, fazendo com que o então ministro da Justiça, padre Antonio Diogo Feijó, sugerisse que fosse criado no Rio de Janeiro (capital do Império) um Corpo de Guardas Municipais Permanentes, a qual aceita é criado no dia 10/10/1831 o Corpo de Guardas do Rio de Janeiro, através de um decreto regencial e que também permitia que as outras províncias brasileiras criassem suas guardas, ou seja, as suas próprias polícias.

Na Primeira República (1889 a 1930), o federalismo oligárquico transformou as guardas em exércitos estaduais, instrumentos políticos dos governadores. No dizer de Luís Antônio Francisco de Souza, professor assistente doutor da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, em seu trabalho: Ordem social, polícia civil e justiça criminal na cidade de São Paulo (1889-1930), conclui que “A relação entre práticas patrimoniais e ação policial" permite observar as estratégias da constituição da ordem pública (com ênfase na segurança das elites e de seus patrimônios) em detrimento de uma esfera pública (a segurança social mais ampla e as franquias públicas).

Mas já em 1908, Manuel Joaquim de Albuquerque Lins, presidente de São Paulo orgulhava-se de seu "pequeno exército", que dispunha de artilharia e de uma esquadrilha de aviação militar, contratou uma missão militar francesa de treinamento, antecipando-se quanto a isso ao próprio Exército nacional, que só veio a contratar tal missão em 1920.

Em 1932, a PM paulista tinha 13.000 homens, mais do que toda a polícia republicana. Os Estados de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, que disputavam a hegemonia nacional, não ficavam atrás, possuíam pequenos exércitos dos oligarcas estaduais, a serviço de sua ambição política, tanto que o presidente da república Artur Bernardes, tomou posse protegido pela Polícia Militar de Minas Gerais.

O Exército não aceitava a situação, que lhe tirava a condição de força militar hegemônica em 10/11/1937, era desfechado o golpe que instituiu por oito anos a ditadura do Estado Novo (até 1945), tendo Getúlio Vargas contado com o apoio do Alto-Comando das Forças Armadas, em que se destacaram os generais Eurico Gaspar Dutra e Pedro Aurélio de Góis Monteiro. Aproveitando-se da situação, o Exército colocou as PMs sob seu controle e proibiu-as de usar artilharia e aviação militar.

No período de 1945 a 1964, houve tentativa de retorno à situação pré-1930, abortada pelo golpe de 1964. Mas em 1967 é criada a Inspetoria Geral das Polícias Militares (IGPM), órgão do Exército Brasileiro com objetivo de coordenar e conduzir, de acordo com a legislação vigente, ações de controle sobre as Polícias Militares e os Corpos de Bombeiros Militares.

No período dos governos militares, as PMs ficaram sob controle total do Exército, absorvendo completamente a estrutura militar e a ideologia de segurança nacional que na época presidia a ação das Forças Armadas. De exércitos estaduais, transformou-se em espelho e forças auxiliares do Exército nacional, condição ainda mantida pela Constituição Federal de 1988.

Segundo o professor José Murilo de Carvalho do departamento de história da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em seu artigo - Por vias tortas, o caminho da discussão - as instituições policiais nunca tiveram a função de garantir direitos do cidadão, em verdade as PMs de hoje são, produtos resultantes entre os governos oligárquicos dos coronéis da Guarda Nacional e o governo ditatorial dos generais do Exército Brasileiro.

1ª. CONFERÊNCIA NACIONAL DE SEGURANÇA PÚBLICA E OS SEUS RESULTADOS

A 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública ocorrida em Brasília no período de 27 a 30 de agosto de 2009, foi um marco histórico no país, apresentado pelo governo como um valioso instrumento de gestão democrática para o fortalecimento do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), dentro de um novo paradigma iniciado pelo Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (PRONASCI), foi à primeira discussão ampla envolvendo sociedade civil, poder público e trabalhadores da área.

As discussões iniciaram-se um ano antes, a partir de um texto base, contextualizando o tema, à luz das políticas e conquistas recentes e foi elaborado pelo Ministério da Justiça, com contribuições das entidades representadas no Fórum Preparatório e na Comissão Organizadora Nacional da 1ª CONSEG e foram desenvolvidas em diversas etapas: preparatórias, municipais eletivas e estaduais, bem como em seminários temáticos, conferência virtual e conferências livres.

O Texto-base foi estruturado em oito partes. Iniciando com um breve panorama sobre o tema no Brasil e sete eixos temáticos que nortearam o debate: Eixo 1 - Gestão democrática: controle social e externo, integração e federalismo, Eixo 2 - Financiamento e gestão da política pública de segurança, Eixo 3 - Valorização profissional e otimização das condições de trabalho, Eixo 4 - Repressão qualificada da criminalidade, Eixo 5 - Prevenção social do crime e das violências e construção da cultura de paz, Eixo 6 - Diretrizes para o Sistema Penitenciário, Eixo 7 - Diretrizes para o Sistema de Prevenção, Atendimentos Emergenciais e Acidentes.

Importantes decisões foram tomadas, de forma compartilhada, onde os números relativamente impressionam, embora que, em um país com cerca mais de 5.000 municípios, somente cerca de 10% de alguma forma tiveram participação:

- Pessoas envolvidas no processo: 521.401
- Participação direta em todas as etapas: 222.335
- Participação via web (fevereiro a julho): 256.598
- Municípios integrantes: 514
- Atividades de mobilização:  42.468
- Conferências estaduais: 27 com 17.439
- Conferências municipais eletivas: 126 com 25.645
- Conferências municipais preparatórias:  140 com 19.006
- Conferências livres: 1.140 com 66.847
- Seminários temáticos: 13 com  3.270
- Projetos especiais:  24.108
- Cursos de capacitação presenciais e EAD: 1.883
- Consulta aos policiais: 64.137
- Decisões compartilhadas por cerca de 3 mil representantes: 40% da sociedade civil; 30% trabalhadores no setor; 30% gestores públicos, além de observadores e convidados
- 10 princípios votados para a política nacional de segurança pública
- 40 diretrizes tendo como base os eixos temáticos.

Mesmo que naquela oportunidade tenhamos sido afastados do processo enquanto representante da PMMA, em razão das mudanças ocorridas na instituição, tivemos uma participação efetiva, pois escrevemos o artigo VALORIZAÇÃO DO PROFISSIONAL POLICIAL BRASILEIRO (05Jul2009), o qual foi posteriormente alvo do discurso do Exmº Sr. Dep. Fed. EUDES XAVIER (PT-CE) em 03/08/2010 que o reproduziu na íntegra como Nota Técnica, apresentando na Câmara de Deputados em Brasília e que foi divulgado na Voz do Brasil e registrados nos anais daquela casa legislativa. De igual forma participamos no concurso de Monografias Monografia da CONSEG, concorrendo no I Prêmio Nacional de Monografias em Segurança com Cidadania Professora Valdemarina Bidone de Azevedo e Souza, com o tema AS POSSIBILIDADES DE UMA VERDADEIRA VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL POLICIAL NO BRASIL dentro do Eixo Temático 3 – Valorização profissional e otimização das condições de trabalho.

Assim a 1ª CONSEG foi uma grande oportunidade para criar a ambiência necessária, a fim de consolidar um novo paradigma, visando efetivar a segurança pública como direito fundamental, desta forma, segundo Cynthia Maria Pinto da Luz, advogada do Centro de Direitos Humanos de Joinville, “O protagonismo foi dos trabalhadores de base da segurança pública em torno de suas reivindicações para barrar a articulação dos escalões de comando das polícias, que buscaram manter a ineficiente estrutura de poder intacta e elitizada. O momento foi privilegiado aos trabalhadores na segurança, que pela primeira vez tiveram voz e voto”.

Segundo ainda Luz e o Tenente da PMBA Danillo Ferreira, presentes ao evento, uma das diretrizes mais polêmicas, que obteve o apoio irrestrito da sociedade civil, dos delegados de polícia, das associações de praças PM’s foi eleita em 12º lugar com 508 votos: Realizar a transição da segurança pública para atividade eminentemente civil; desmilitarizar as polícias; desvincular a polícia e corpos de bombeiros das forças armadas; rever regulamentos e procedimentos disciplinares; garantir livre associação sindical, direito de greve e filiação político-partidária; criar código de ética único, respeitando a hierarquia, a disciplina e os direitos humanos; submeter irregularidades dos profissionais militares à justiça comum. Contrário à aprovação da diretriz os oficiais das PM’s e parte dos representantes da sociedade.

Os resultados da CONSEG relevam-se de grande importância para a sociedade brasileira, porque embora não tenham sido conscienciosos acerca do que era desejado no sistema de segurança pública do país, os princípios e diretrizes que foram votados pelos que ali representavam o povo brasileiro, não podem ser modificados por mera vontade de governantes.

Embora que as transformações estruturais a ocorrerem depende em grande parte do poder legislativo, os seus integrantes possuem o dever de respeitar o que a sociedade elegeu como medidas prioritárias.

REFORMA POLICIAL BRASILEIRA

Ficou cristalino que as polícias brasileiras, sempre foram instrumentos políticos, voltadas para defesa dos interesses de elites, ora oligárquicas, ora militares.

A dicotomia com a existência de duas polícias civil e militar, divididas e historicamente corporativistas, disputa o mando nas discussões em caso de unificação, pondo como difícil solução, inclusive, as propostas de integração.

Ações conjuntas e complementares entre as forças policiais, embora fomentadas pelo governo federal, não possuem o comprometimento dos dirigentes, e não tem surtido os efeitos necessários, fragilizando a eficiência e eficácia destas instituições na prevenção e controle do crime.

Embora possuam problemas semelhantes, como a falta de equipamentos, armamentos, aprestos, efetivos aquém dos necessários e baixos salários, nem assim, buscam ganhos em conjunto, aliás, os últimos levam os integrantes dos cargos menores (praças e agentes) a prática de "bicos" no setor privado, que no dizer do iminente magistrado Marcelo Semer, produz uma contraditória terceirização da segurança levada a efeito pelos próprios agentes do Estado, enfatizando ainda que continua sendo um paradoxo, no caso dos PMs, serem tratados como essenciais apenas nos deveres e não na remuneração.

Evidentemente que existem várias outras mazelas nas corporações que não são cernes da questão relativa à reforma policial brasileira.

Todo esse quadro nos remete a uma necessária e urgente reforma policial brasileira, buscando a transformação estrutural e cultural ora existente, tornando-se imperiosa a discussão em torno de critérios essenciais para uma nova polícia.

Há vários defensores da integração das instituições policiais brasileiras, precedendo uma possível unificação, desmilitarização ou desconstitucionalização das polícias, bem como a ideia de municipalização da segurança pública, evidenciando que a reforma é um caminho inevitável.

Nessa conjuntura nenhuma proposta categoricamente nos leva a certeza na solução ou melhoria da grave situação da segurança pública no Brasil e no caso em particular o aparato policial.

A DESMILITARIZAÇÃO

O advento das recentes greves nas Polícias Militares em vários Estados, contrariando princípios insculpidos na Constituição Federal, reascendeu as discussões sobre a necessidade de mudanças, colocando em voga de imediato a desmilitarização.

Antes de qualquer conjectura é necessário saber o que significa militarismo.

Os dicionários da língua portuguesa dizem respeito à preponderância excessiva do elemento militar em uma nação; ou o sistema político que se apoia no exército e ainda sentimento, doutrina dos partidários desta preponderância do exército.

Para alguns estudiosos, o militarismo ou ideologia militarista é a ideia de que uma sociedade é mais bem servida (ou de maneira mais eficiente) quando governada ou guiada por conceitos incorporados na cultura, na doutrina ou no sistema militares.

Na cultura e doutrina militares, ocupa papel preponderante, o treinamento militar que busca internalizar no aluno militar, os pilares da hierarquia e da disciplina, a obediência irrestrita aos superiores, o fiel cumprimento dos regulamentos militares e das normas existentes nos quartéis.

Honoré de Balzac (20/05/1799 a 18/08/1850) foi um prolífico escritor francês, notável por suas agudas observações psicológicas, em uma das suas célebres frases assinalou: "a vida militar exige poucas ideias". Mas também eternizou: “Os governos passam, as sociedades morrem, a polícia é eterna”.

Ora o policial é diferente, segundo Stephen Charles Kanitz (31/01/1946), consultor de empresas e conferencista brasileiro, argumenta: “Ser Policial exige a rapidez de um executivo, a coragem de um herói, o discernimento de um Juiz, o tato de um psicólogo”.

Observando a legislação militar vamos encontrar as sanções administrativas e penais, as quais estão sujeitos os militares que debatem assuntos atinentes à disciplinar militar, para os críticos dos atos do governo, para quem observa ato do superior hierárquico, mesmo que esse ato tenha prejudicado a coletividade e seja manifestamente ilegal ou imoral.

Neste contexto é visível e cristalino o cerceamento às liberdades de pensamento, de expressão, de reunião, da livre atividade intelectual, de locomoção e outras expressas na carta magna do país, por outro lado, no dizer de Jean-Jacques Israel em sua fenomenal obra o Direito das Liberdades Fundamentais “além do seu valor jurídico, as liberdades têm importância social e ressonância humana”.

Ora, vivemos em uma nova ordem institucional, o estado de direito onde um governo civil eleito democraticamente pela população se encontra sedimentado, assim, ficou no passado o sistema ditatorial em que os militares comandaram a nação.

No artigo Escolhas de nossa modesta autoria, deixo implícito que os pilares da hierarquia e da disciplina militarizados considerados como sustentáculos das corporações policiais militares, os quais são defendidos e mantidos a qualquer custo como única opção de sobrevivência institucional, vai se fragilizando e mostrando que é perfeitamente possível um novo modelo policial, onde os direitos humanos e os direitos fundamentais dos integrantes da instituição militar possam ser respeitados e vivenciados.

Tais pilares não podem estar acima dos princípios constitucionais expressos e reconhecidos da Administração Pública: Legalidade, impessoalidade, publicidade, transparência, moralidade, motivação, eficiência, especialização, entre outros, eles devem estar presentes em qualquer instituição pública ou privada.

Evocando o juiz paulista Marcelo Semer que em seu artigo - Greve reintroduz tema da desmilitarização da polícia - mostra com perfeita clareza que: o policiamento é essencialmente uma atividade de natureza civil, não havendo nada há de militar no ato de policiar, seja ele ostensivo ou investigatório.

Complementa ainda o insigne magistrado que a dinâmica militar tem como princípio a defesa bélica do país, diante de seus inimigos, em estratégias de guerra e na defesa territorial, não a de proteger direitos de cidadãos violados ou ameaçados por conterrâneos.

Já Murilo de Macedo Pereira, afirmou que: “A atividade policial (os responsáveis pela Segurança Pública), em todos os tempos, desde a mais remota antiguidade até os dias atuais e em todos os países, tem sido um serviço de natureza humana essencialmente civil. Na heterogeneidade de suas múltiplas e variadas atividades, tem sido mantida sua unicidade (uma só policia, una, indivisível e integrada), em termos civis e realizada por servidores, às vezes com um ramo uniformizado, para que obtenha resultados desejados, isto é, um mínimo de esforço com o máximo de efeito, em benefício da sociedade, como aparece na história.”.

CONCLUSÃO

Portanto, a desmilitarização não resolveria todos os problemas, mas certamente permitiria aos atuais policiais militares sair da condição de subcidadãos passando a gozar da plena cidadania, passariam a gozar dos direitos básicos preconizados na carta maior deste país, comuns às demais classes: livre associação sindical, direito de greve, filiação político-partidária, jornadas dignas de trabalho, direito a horas extras, a adicional de insalubridade, a adicional noturno e outras conquistas garantidas a qualquer trabalhador brasileiro.

Ademais a desmilitarização cumpriria a diretriz da CONSEG votada majoritariamente em 12º lugar, abrindo caminho para uma possível unificação das policiais estaduais e assim a realização do ciclo completo de polícia (atribuição à mesma corporação policial das atividades repressivas de polícia judiciária ou investigação criminal e da prevenção aos delitos e manutenção da ordem pública realizadas pela presença ostensiva uniformizada dos policiais nas ruas).

É como já profetizou Dr. Marcelo Semer - certamente os policiais desmilitarizados, também saberão exercer suas funções plenamente sob uma nova ordem - a disciplina civil.

São Luís-MA, 29 DE JULHO DE 2012.

Ten Cel QOPM Carlos Augusto Furtado Moreira
Especialista em Gestão Estratégica em Defesa Social
Pós-graduado em Superior de Polícia e Aperfeiçoamento de Oficiais
Bacharel em Direito e Formação de Oficiais e Licenciado em História 

Balaiada. Disponível em: <http://www.google.com.br/search?q=balaiada+no+maranh%C3%A3o&hl=pt-BR&qscrl=1&nord=1&rlz=1T4NNVC_pt-BRBR491BR492&prmd=imvns&tbm=isch&tbo=u&source=univ&sa=X&ei=RvASULvpMqf50gHq4IGQCg&sqi=2&ved=0CFwQsAQ&biw=768&bih=1052.>. Acesso em: 26jul2012.

BALZAC, Honoré de. Disponível em: <http://www.e-biografias.net/balzac/.>. Acesso em: 27jul2012.

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado, 1988.

CARVALHO, José Murilo de. Por vias tortas, o caminho da discussão. Revista Veja 30Jul1997. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/300797/p_036.html.>. Acesso em: 24jul2012.

Desmilitarização das Polícias Militares, in: Blog Universo Policial. Disponível em: <http://www.universopolicial.com/2009/11/desmilitarizacao-das-policias-militares.html.>. Acesso em: 26jul2012.

FERREIRA, Danillo. 1ª. CONSEG – O Resultado. Disponível em: <http://abordagempolicial.com/2009/09/1%C2%AA-conseg-o-resultado/.>. Acesso em: 22jul2012.

Guerras Napoleónicas. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerras_Napole%C3%B4nicas.>. Acesso em: 26jul2012.

História do Brasil. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_do_Brasil.>. Acesso em: 26jul2012.

Inspetoria Geral das Polícias Militares. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Inspetoria_Geral_das_Pol%C3%ADcias_Militares.>. Acesso em: 27jul2012.

ISRAEL, Jean-Jacques. Direito das Liberdades Fundamentais, 2005.

LUZ, Cynthia Maria Pinto da. Resultados da Conseg. Disponível em: <http://www.clicrbs.com.br/anoticia/jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&source=a2639137.xml&template=4187.dwt&edition=13041&section=941.>. Acesso em: 23jul2012.

MOREIRA, Carlos Augusto Furtado. Escolhas. São Luís, 19/05/12. Disponível em: <http://celqopmfurtado.blogspot.com.>. Acesso em: 20jul2012.

Movimentos sociais no Brasil - Período Imperial. Disponível em: <http://vestibular.uol.com.br/ultnot/resumos/movimentos-sociais-brasil-imperio.jhtm.>. Acesso em: 26jul2012.

O Estado Novo. Disponível em: <http://www.curso-objetivo.br/vestibular/roteiro_estudos/estado_novo.aspx.>. Acesso em: 26jul2012.

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Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Pol%C3%ADcia_Militar_do_Estado_do_Rio_de_Janeiro.>. Acesso em: 27jul2012.

RECCO, Claudio. CABANADA e CABANAGEM. Disponível em: <http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=997.>. Acesso em: 26jul2012.

Revolução de 1930. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_de_1930.>. Acesso em: 27jul2012.

SEMER, Marcelo. Greve reintroduz tema da desmilitarização da polícia. 15/02/2012. Disponível em: <http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,oi5613206-ei16410,00-greve+reintroduz+tema+da+desmilitarizacao+da+policia.html.>. Acesso em: 20jul2012.

SOARES, Julio Henrique Santos. Critérios para uma polícia democrática. São Paulo 17/05/2009. Disponível em: <http://www2.forumseguranca.org.br/node/22615/.>. Acesso em: 23jul2012.

SOUSA, Rainer. Revolta dos Malês. Disponível em: <http://www.brasilescola.com/historiab/revolta-males.htm.>. Acesso em: 25jul2012.

SOUZA, Luís Antônio Francisco de. Ordem social, polícia civil e justiça criminal na cidade de São Paulo (1889-1930), Rev. hist.  n. 162  São Paulo, jun. 2010. Disponível em: <http://www.revistasusp.sibi.usp.br/scielo.php?pid=S0034-83092010000100008&script=sci_arttext.>. Acesso em: 27jul2012. 
 
Fonte: Blog do Tenente-Coronel Furtado e Página oficial da ASPRAMECE no Facebook

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

1º Congresso de Militares Estaduais do Ceará

Nos dias 08, 09 e 10 de dezembro, a partir das 8h30, a Associação dos Cabos e Soldados Militares do Ceará (ACSMCE), a Associação dos Praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militares do Ceará (Aspramece), a Associação das Esposas dos Praças Militares (Assepec) , a Caixa Beneficente dos Militares do Ceará (Cabemce), a Associação Evangélica dos Militares e Profissionais de Segurança Pública realizam o 1º Congresso Cearense dos Militares Estaduais, na Faculdade Integrada da Grande Fortaleza, Av. Porto Velho 401. Bairro Joquei Clube.

O referido evento tem como objetivo apresentar propostas para área da segurança no Estado do Ceará, propostas estas que serão discutidas e apresentadas por gestores e trabalhadores (oficiais e praças) da área. Tendo também a presença de autoridades civis, bem como da mídia local.

Abertura do Congresso

No dia 8 de dezembro ocorrerá a abertura do Congresso a partir das 19h30min, com o secretário de Segurança Pública e Defesa Social do Estado do Ceará, Dr. Roberto Monteiro.

Os temas


09/12 - Reforma das Polícias na América Latina, um modelo para o Ceará

• Horário: 8h30 às 10:00
• Palestrante: Jorge Laffit – informações (confirmado)
• Debatedores: Jornalista do Jornal O Povo, Dimitri (a combinar), Cel Maurício Cruz, presidente da Cabemce (confirmado)

09/12 - Combate à violência e a criminalidade

• Horário: 10h30 às 12:00
• Palestrante: Jorge da Silva – informações (confirmado)
• Debatedores: Dr. Eudoro Silva Santos, procurador geral da Justiça ou Fernando Ribeiro ou Edson Silva (a combinar), Major da Polícia Militar, Plauto Ferreira. (confirmado)

09/12 - Formação e qualificação continuada do Militar Estadual

• Horário: 14h30 às 16:00
• Palestrante: Dr Geraldo Bertolo, diretor geral da Academia Estadual de Segurança Pública (confirmado)
• Debatedores: Professora Maria Glaucíria Mota Brasil (confirmado), Pedro Queiroz , presidente da ASPRAMECE (confirmado)

09/12 - Valorização profissional, administrativo e financeiro do militar estadual do Ceará

• Horário: 16h30 às 18:00
• Palestrante: presidente da Assembleia Legislativa do Ceará, deputado Domingos Filho (a confirmar)
• Debatedores: Cel Bessa – informações – (confirmado), Radialista e apresentador do programa Barra Pesada, Nonato Albuquerque (confirmado)

Palestras - Turno manhã - ocorrerá duas palestras

8h30 às 10:00 horas - palestra
10:00 às 10h30 - cofee break
10h30 às 12:00 horas - palestra
12:00 às 14:00 horas - almoço

Turno Tarde - ocorrerá duas palestras

14h30 às 16:00 - palestra
16:00 às 16h30 - breakfast
16h30 às 18:00 - palestra


O Congresso

No dia 09 se realizarão todas as palestras, já no dia 10, no período da manhã serão - 04 Salas de estudos e debates dos eixos acima citados, onde os participantes apresentarão propostas de acordo com seu eixo temático.

No dia 10 período da tarde: Plenária onde os congressistas elegerão as melhores propostas dos grupos de estudos. As referidas propostas serão encaminhas ao Governo do Estado do Ceará.

Encerramento

Dia 10, às 16h30, com o deputado Arnaldo Faria de Sá, autor da PEC 300.

ACS/PMCE

Fonte: Blog do Lomeu

sábado, 27 de março de 2010

Policiais no Ceará param atividades

Movimento na tropa começa a se estender. PMs recolheram as viaturas e ocorrências não foram atendidas


Pelo segundo dia consecutivo, policiais militares paralisaram suas atividades na Capital cearense e na Região Metropolitana. Ontem, praticamente todas as viaturas do programa Ronda do Quarteirão e do Policiamento Ostensivo Geral (POG) foram recolhidas aos quartéis das 11 companhias que integram o 5º e 6º Batalhões Policiais Militares (BPM), deixando a Segurança Pública comprometida.

Desta vez, os PMs usaram de uma estratégia ´legal´ para não irem às ruas. Os militares argumentaram que não poderiam executar o patrulhamento em viaturas modelo Hilux, pois todas estão sem a documentação original. Além disso, alegam que, para guiar veículos desse porte o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) exige que os guiadores tenham passado pelo Curso de Direção de Veículos de Emergência. Nenhum dos PMs possui tal habilitação.

No meio da tarde, já estavam paradas dezenas de viaturas nas portas dos quartéis e no pátio externo do Comando do Policiamento da Capital (CPC). Na tentativa de arrefecer os ânimos da tropa insatisfeita, o Comando-Geral providenciou cópias da documentação dos veículos. No entanto, um novo impasse foi criado, pois os supostos documentos entregues aos militares não passavam de cópias extraídas na internet, sem nenhum selo de validade.

Paradas

O movimento iniciado pelos militares no último fim de semana vem ganhando corpo dentro da tropa e, através de trocas de mensagens pelo orkut, na internet, ou pelos celulares, os PMs estão espalhando os chamamentos aos colegas e familiares para se engajarem no movimento que reivindica melhoria salarial, plano de saúde e redução da carga horária de trabalho, de 48 para 40 horas semanais.

No fim de semana, os PMs realizaram a ´Operação Tolerância Zero´, levando para as delegacias da Capital pessoas envolvidas em pequenas discussões ou outros motivos banais, tais como andar de bicicleta sem o documento desta. O objetivo foi lotar as DPs e fazer com que as patrulhas ficassem paradas enquanto eram realizados os procedimentos legais.

Em outra estratégia, as mulheres dos PMs conseguiram fechar literalmente os portões do quartel do Batalhão de Polícia de Choque (BpChoque) e impediram a tropa de se deslocar ao estádio Castelão para fazer o policiamento no jogo entre Ceará e Fortaleza, na decisão do Campeonato Cearense 2010.

Ontem, somente por volta das 17 horas, algumas patrulhas saíram dos quartéis. Mas, àquela hora, já haviam sido registradas várias ocorrências sem atendimento pela Ciops, a maioria relativa a assaltos nas ruas e furto de veículos.

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) decidiu não se manifestar acerca do fato. Segundo a Assessoria de Imprensa do órgão, caberia ao Comando da PM se pronunciar, o que não aconteceu.

Irregularidades

A Associação dos Praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militares do Estado do Ceará (Aspramece) vai tentar obter o apoio da Procuradoria Geral de Justiça (PGJ), em uma audiência, hoje, com a procuradora-geral de Justiça, Socorro França. Na reunião, a Aspramece vai pedir a fiscalização pelo Ministério Público Estadual (MPE) sobre irregularidades observadas pela associação no dia a dia dos militares cearenses.

De acordo com Pedro Queiroz, presidente da Aspramece, "o Ministério Público, como fiscal da aplicação das leis, tem que se posicionar e verificar, na prática, uma série de irregularidades cometidas diariamente pelos militares, seguindo ordens dos seus comandantes". Para P. Queiroz, "é um contrassenso dos comandantes exigir que os policiais atuem nas ruas contra qualquer ilegalidade, se estão obrigando os mesmos a agirem em conflito com a lei".

Uma dessas irregularidades, segundo o presidente da Aspramece, é a circulação das viaturas sem a documentação do veículo. "Eles (oficiais no comando) estão ordenando que as viaturas saiam às ruas apenas com um declaração retirada da internet de que estão com o licenciamento em dia, mas que não tem nenhum valor legal. Se eu for circular no meu carro com um papel desses e for parado numa blitz, estarei cometendo uma infração e serei multado", observou. Para Queiroz, agindo dessa forma, a Polícia está trabalhando dentro da ilegalidade.

"Uma simples declaração não pode se opor a uma lei federal", argumentou P. Queiroz com um oficial (capitão Magno) do Ronda do Quarteirão, enquanto o mesmo entregava aos soldados cópias com a consulta da internet aos motoristas de, pelo menos, dez viaturas do Ronda e, em seguida, ordenava que os mesmos iniciassem o policiamento nas ruas.

Outra irregularidade apontada pela Aspramece é a condução de viaturas por policiais que não estão devidamente habilitados para essa função. "Eles são obrigados a ter um curso de direção específico e nenhum deles têm", afirmou P. Queiroz.

Mulheres

Enquanto a Aspramece, por meio do seu presidente, estava no Centro, a Associação das Esposas dos Praças Militares dava apoio aos PMs da 6ª Companhia do 5º BPM (Antônio Bezerra), que também não foram às ruas durante o dia de ontem.

Em determinado momento da manifestação, segundo os militares, o comandante da companhia, major PM Ramos, abriu à força o portão de entrada, empurrando as mulheres. Pelo menos 15 viaturas ficaram paradas durante todo o dia em frente àquela companhia.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

CE: Marcha por melhores salários

A caminhada de luta pelo piso nacional para os policiais militares e bombeiros mobilizou milhares de pessoas

Foto: Rodrigo Carvalho
Militares unidos: milhares de pessoas entre policiais e bombeiros militares, políticos e representantes da sociedade civil saíram às ruas de Fortaleza, ontem pela manhã, em defesa da PEC 300. O movimento já foi realizado em vários pontos do País

Uma verdadeira multidão formada por praças e oficiais da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar, juntos com outros setores da sociedade civil tomou conta das ruas do Centro de Fortaleza na manhã de ontem. A marcha pacífica que já ocorreu em outros dezesseis estados brasileiros, teve como objetivo mobilizar os militares e a população no sentido de conseguir a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC), que já está tramitando no Congresso Nacional.

A PEC visa unificar os salários dos policiais e bombeiros de todo o país, tendo como base a mais alta remuneração em vigor, que é a do Distrito Federal. Munidos de faixas, cartazes e camisetas, os militares, seus familiares, políticos e simpatizantes da causa ´marcharam´ ao som de músicas e gritos de "Eu acredito", em alusão a aprovação da PEC 300.

Para o subtenente P. Queiroz, presidente da Associação dos Praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará (Aspramece), o parlamento só funciona sob pressão e a presença numerosa de praças, oficiais, familiares e parlamentares, é importante nesse momento para pressionar os deputados. "Com esse projeto iremos corrigir uma distorção antiga".

A caminhada teve início no cruzamento das avenidas da Universidade com 13 de maio, seguiu o percurso de quase dois quilômetros até a Praça do Ferreira, no centro da Capital. Enquanto caminhavam os manifestantes conversavam, sorriam e gritavam "ôôôô, eu acredito". A cada informação no sistema de som, sobre a participação de alguma companhia, Batalhão ou até mesmo de entidades, vinham os aplausos.

Ao lado dos militares muitos políticos favoráveis a causa. Um deles era o deputado federal Eudes Xavier, que explicou como está o andamento do projeto no Congresso Nacional. "O projeto já teve parecer favorável na Comissão Especial e o objetivo agora é sensibilizar todos os partidos, para que seja aprovado, pois a PEC já tem uma mobilização positiva no país inteiro". Segundo o deputado, a bancada cearense está mobilizada.

As associações dos militares, desde soldados e cabos, até aos oficiais marcaram presença na caminhada. O presidente da Associação dos Cabos e Soldados Militares do Ceará (ACSMCE), Flávio Sabino, ressaltou a luta dos militares para aprovar o projeto. "Nossa luta é antiga e com esse projeto pretende-se corrigir uma disparidade muito grande entre os salários dos militares de vários estados, quando o serviço é o mesmo".

O cabo Patrício, deputado distrital e presidente da Associação Nacional de Praças (Anaspra), compareceu a marcha. Segundo o militar, o piso nacional da categoria "é uma necessidade urgente e precisa ser votado o mais rápido possível".

Oficiais

A participação de oficiais superiores da PM e dos Bombeiros, como majores, tenentes-coronéis e até coronéis, foi um dos pontos exaltados por todos os presentes. Para o presidente da Associação dos Oficiais da Polícia Militar e Bombeiros, tenente coronel Paulo Neto, "a luta é de todos". Segundo o oficial, se for aprovado, o projeto vai melhorar a autoestima dos policiais e diminuir a corrupção".

Fique por dentro
Melhores salários

A pec 300 é uma Proposta de Emenda Constitucional que pretende igualar os salários dos policiais e bombeiros militares estaduais de todo o Brasil (ativos e inativos) aos salários dos militares do Distrito Federal, trazendo isonomia aos profissionais que desempenham a mesma função. Se o Estado não tiver condições de arcar com o piso estabelecido, a diferença será paga pela União, como já ocorre no Distrito Federal. Na PEC 300 já existe a previsão da criação de um Fundo Federal para auxiliar os Estados que necessitem de complementos de verba para pagamento do piso salarial nacional.

Por Emerson Rodrigues

Fonte: Diário do Nordeste

terça-feira, 3 de novembro de 2009

CE: Em busca de salários dignos

PMs e Bombeiros Mobilizados

Dura realidade: o subtenente PM P. Queiroz, presidente da Associação dos Praças da PM e dos Bombeiros, fala das dificuldades que os combatentes sofrem com os salários baixos

Militares de todo o País estão engajados na luta por equiparação salarial com os colegas do DF. Uma marcha acontece no próximo dia 7
Pelo menos 20 mil pessoas mobilizadas. Esta é a expectativa dos organizadores de uma marcha que deverá ser realizada em Fortaleza, na manhã do próximo dia 7. O objetivo da manifestação é sensibilizar as autoridades para a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do Projeto de Emenda Constitucional de número 300 (a PEC 300) que visa equiparar os salários de todos os policiais e bombeiros militares do País com os atuais vencimentos recebidos pelos PMs do Distrito Federal (DF).
Em Fortaleza, a passeata vai mobilizar, além dos policiais e bombeiros militares e seus familiares, representantes dos Conselhos Comunitários de Defesa Social (CCDS), sindicatos e associações ligadas ao Mova-se (servidores públicos) e à CUT, igrejas evangélicas e até as participantes das aulas de ginástica para a terceira idade, promovidas pelo Corpo de Bombeiros.
O subtenente PM P. Queiroz, presidente da Associação dos Praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará (Aspramece), explica que o movimento está ganhando corpo em todo o País e que manifestações semelhantes à que acontecerá em Fortaleza já foram realizadas em Pernambuco, Rio de Janeiro e Amazonas, estando programados outros eventos iguais em várias capitais.
P. Queiroz explica que a manifestação terá início às 8 horas, com concentração na Avenida da Universidade, no Benfica, em frente à Reitoria da Universidade Federal do Ceará (UFC). De lá, os participantes caminharão até a Praça do Ferreira, onde acontecerá um ato público.
Votação
A matéria em discussão já teve a aprovação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, em Brasília, e, seguindo o regimento da Casa, deverá entrar em votação em plenário na primeira semana de dezembro. Se aprovada, segue para o Senado.
O Projeto de Emenda Constitucional equipara os vencimentos dos PMs e bombeiros militares de todo o Brasil com os dos profissionais de Segurança Pública do DF, onde um soldado de segunda classe (menor patente da corporação), tem salário de R$ 3.031,38, enquanto o soldado de segunda classe recebe R$ 4.129,38. No topo da carreira, um coronel tem vencimento de R$ 15.355,85.
P.Queiroz diz que no Ceará a realidade salarial dos policiais e bombeiros militares é uma das piores do Brasil, perdendo até para outros Estados nordestinos como Sergipe (onde o soldo de um soldado passará para R$ 3,2 mil no próximo ano). Hoje, o vencimento base do soldado e do bombeiro é de R$ 1.380,00. "O que ele ganha a mais é fruto de gratificação de escala que é descontada, proporcionalmente, sempre que, por qualquer motivo (doença, férias, licença, falta) ele não compareça ao trabalho diário. Essa gratificação é equiparada ao que ganham os policiais do Ronda do Quarteirão. Quem trabalha ànoite tem uma gratificação maior. Mas, se por qualquer motivo ele falta, a gratificação é cortada proporcionalmente.
LEGALIDADE
Complementação com verba federal
O presidente da Aspramece explica que a PEC 300 está fundamentada na legalidade e já foi comprovado juridicamente que seu objetivo não fere a Constituição brasileira. A elevação dos vencimentos de policiais militares e bombeiros militares nos Estados não afetaria os recursos estaduais destinados ao pagamento dos servidores, pois a complementação financeira será feita com verba da União. Caberá ao Governo federal repassar para cada um dos entes federativos (os Estados) os recursos financeiros necessários para o pagamento da folha dos militares.
Hoje, os policiais e bombeiros militares cearenses estão totalmente desestimulados e enfrentando uma carga de trabalho aviltante para conseguir sobreviver. Os policiais, principalmente, têm que se submeter a uma carga horária escravizante e estressante para poder receber a gratificação. Se faltar ao trabalho por qualquer motivo, esse dia será descontado, mesmo que ele esteja doente por força de algo ocorrido no seu turno de trabalho, como um acidente de trânsito ou um confronto com bandidos e saia ferido.
Exemplo disso, há um caso recente, de um soldado do Grupo Raio (Ronda de Ações Intensivas e Ostensivas), que morreu em serviço (troca de tiros com assaltantes). A família não terá direito à gratificação que ele recebia do Estado.
FERNANDO RIBEIRO
EDITOR
Fonte: Diário do Nordeste

domingo, 6 de setembro de 2009

Fortaleza será palco do 6º Encontro Nacional de Praças

Será realizado neste mês de setembro na cidade de Fortaleza, no Ceará, o 6º Encontro Nacional das Entidades Representativas de Praças (Enerp). O evento será promovido pela Associação Nacional de Praças (ANASPRA) e organizado em parceria pela ASPRAMECE (Associação de Praças do Ceará) e pala ACS/CE (Associação de Cabos e Soldados do Ceará).

A capital cearense receberá representantes dos militares de diversos estados brasileiros, que estarão reunidos de 24 a 26 deste mês para debater assuntos de interesse dos militares em âmbito nacional. A Anaspra pretende aproveitar a oportunidade para avaliar e discutir a participação das entidades na 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública, realizada em agosto último em Brasília, e os resultados da 1ª CONSEG.

Entre os temas discutidos estarão a PEC 300, a desmilitarização das polícias e corpos de bombeiros, além de outros assuntos. A organização do evento alterou a data de abertura do VI Enerp para que pudesse contar com a presença do Secretário Nacional de Segurança Pública, Ricardo Balestreri, que já confirmou sua participação.

Será a segunda vez que Balestreri prestigiará a direção da Anaspra participando da abertura do Enerp. A primeira foi em março de 2008, durante o IV Enerp, realizado em Belo Horizonte/MG. Além do secretário, outras autoridades também deverão participar do evento, entre eles o senador Tasso Jereissati (PSDB/CE), autor da PEC 21/2005, que entre outros pontos trata da questão da desmilitarização; o deputado federal Arnaldo Faria de Sá (PTB/SP), autor da PEC 300/2008, que propõe que os salários dos militares estaduais no Brasil não sejam inferiores aos do Distrito Federal; e ainda o ex-governador cearense Ciro Gomes.

O deputado federal Mendonça Prado (DEM/SE), também foi convidado a participar do evento, em reconhecimento ao empenho que o parlamentar tem demonstrado na defesa da PEC 300 em todo o país.

A ASPRASE já tem presença confirmada no VI Enerp, e será representada pelo seu presidente, sargento Anderson Araújo, que também é diretor de intercâmbio da Anaspra. Ele viajará em companhia do sargento Alexandre Prado, presidente da Associação de Subtenentes e Sargentos. Além da ASPRASE e da ASSPM, a Associação Beneficente (ABSMSE) também estará presente no evento, completando a representação de Sergipe no Enerp.

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