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quinta-feira, 5 de julho de 2018

ES: Associação lança projeto de iniciativa popular para anistia


O projeto de lei de iniciativa popular de anistia administrativa aos militares capixabas foi apresentado pela Associação de Cabos e Soldados (ACSPMBMES) e pelo Fundo de Amparo aos Miliares Capixabas (FAMCAP) nesta quinta-feira, 28 de junho, e contou com a participação de mais de 200 pessoas entre militares, autoridades políticas, entidades militares e civis. O evento aconteceu na sede recreativa da ACS em Jardim Camburi, Vitória (ES). A paz é o caminho! Este foi o tom que norteou toda a noite de apresentação do projeto e que ficou claro no discurso da presidente do FAMCAP, a ex-sargento Michelle Ferri ao abrir a noite e emocionar a todos os participantes.

“O fundo nasceu da necessidade de acolher os injustiçados e fortalecer a nossa união. Se o Governo quer a guerra, nós queremos a paz. Nós queremos que a sociedade nos ajude a abrir o coração das autoridades da Segurança Pública para que o passado fique no passado e a vida prossiga daqui para frente. Chega de tanto ódio, chega de tanta perseguição. A ANISTIA é uma reivindicação justa para aqueles que diariamente põem em risco a própria vida. Ela dará início a um novo tempo de harmonia e paz dentro e fora dos batalhões. Eu acredito do fundo do meu coração que a paz é o caminho”, destacou. Michelle Ferri disse também que a expulsão da Polícia Militar a deixou sem direção, mas quem a ajudou no momento mais crítico de sua vida foi a sua família e os amigos militares.

“A expulsão da PM tirou completamente o meu chão e só não desmoronou a minha família porque o nosso alicerce é feito de amor e fé. Eu agradeço a todos que me estenderam a mão no momento mais difícil da minha vida e jamais vou esquecer esse gesto de solidariedade. Tenho fé que Deus vai tocar o coração das nossas autoridades para que concedam a anistia a todos os policiais que hoje estão no paredão, os mesmos que sempre deram o melhor de si na perigosa função de proteger a sociedade”, afirmou Michelle.

A Constituição do Espírito Santo diz que todos têm direito de participar pelos meios legais das decisões do Estado e do aperfeiçoamento democrático de suas instituições. “Eu acredito que todos os que participaram da apresentação do projeto têm a percepção que as instituições do nosso Estado seguem na direção única e vejo que o povo tem condição de aperfeiçoar a democracia. Se as instituições não estão cumprindo o seu papel, o povo tem o direito a partir desse instrumento de aperfeiçoar, mostrar para as instituições que algo está errado”, explica o presidente da ACS, sargento Renato Martins.

O sargento também relembrou o período sombrio que foi fevereiro do ano passado e considerou uma vitória a presença de mais de 200 pessoas na apresentação do projeto de lei de Iniciativa Popular. “Nós podemos ter segurança de colher essas assinaturas e encaminhar esse projeto. Vamos resgatar os direitos perdidos pelos militares. Teve momento, depois de fevereiro de 2017 que a percepção que eu tinha era de que nunca mais iríamos conseguir fazer uma reunião como a que houve nesta quinta-feira, juntar pessoas em prol de um mesmo objetivo e eu vi pessoas que até tem divergência política, mas que estiveram juntos nesta causa”, disse Renato.

O presidente da ACS acredita que as 40 mil assinaturas necessárias para o projeto serão coletadas com o engajamento demonstrado pelos policiais militares. Se o projeto de lei de iniciativa popular de anistia não for votado até o final do mandato dos atuais deputados, ele não poderá ser arquivado

“Conseguiremos com muita tranquilidade porque estamos engajados nessa luta que não é minha ou da Michelle, é uma luta de todos nós. É a oportunidade que temos de mostrar que estamos unidos em prol dessa luta. Colher as assinaturas e ultrapassar as 40 mil não será uma tarefa difícil se nós e nossos familiares estivermos engajados, conseguiremos facilmente essas assinaturas”.

Políticos fazem “bolão” para ver quem coleta mais assinaturas

Os vereadores que também são policiais militares, capitão Chico Siqueira, de Vila Velha, cabo Porto, do município da Serra, cabo Joel da Costa, de Cariacica e cabo Max Daibert, do município de Viana, participaram da apresentação do projeto e ocuparam a mesa de honra. Durante a solenidade, fizeram um “bolão” entre eles para ver quem coletará mais assinaturas.

Cabo Joel da Costa se comprometeu a conseguir 5 mil assinaturas em seu município. Já Cabo porto elevou o número para 10 mil assinaturas que serão coletadas na Serra. Em um tom amigável e descontraído, os dois parlamentares se voltaram para o cabo Max Daibert, de Viana e disseram que a cota dele será todo o município em que atua. Cabo Joel da Costa destacou a importância dos militares se voltarem para a política, discutirem o assunto e atuarem nela, algo que era praticamente impossível no passado e desafiou todos os pré-candidatos que são militares a abraçarem a causa.

“Essas ‘cacetadas’ que a PM e BM estão tomando são uma consequência lá do passado quando não dávamos importância a política. Eu não tenho dúvidas que iremos reverter esse quadro e nada melhor que a sociedade capixaba pra dizer quem é que está errado, se é o governo ou se é a PMBM. No meu gabinete, conseguirei cinco mil assinaturas tranquilamente, mas já que fui desafiado pelo Cabo Porto, conseguirei 15 mil e desafio a todos os pré-candidatos militares a colherem mais assinaturas que eu”.

O vereador Max Daibert brincou ao dizer para deixar a questão de número de assinaturas de lado e destacou a importância de se alcançar a Anistia. A fala de Daibert foi direcionada aos pré-candidatos a deputado estadual, federal e ao governo do estado.

“A anistia deve estar na pauta de qualquer pré-candidato a governo do Estado e aos pré-candidatos ao parlamento digo que tenham personalidade. Não adianta chegar lá e virar marionete de governo assim como não adianta vereador ser marionete de prefeito. Cargos parlamentares são diferentes de cargos majoritários. Majoritário pensa num todo e parlamentar pensa em defesa de grupo de pessoas. Aqueles que estão respondendo procedimento e sofrendo nesse momento peço que tenham coragem e mantenham-se firmes e podem contar com o cabo Max”.

Deputados apoiam o projeto

O projeto de anistia administrativa foi criado pela Associação de Cabos e Soldados e apresentado à Presidência da Comissão de Segurança na ALES em maio deste ano. O projeto teve amplo apoio dos deputados e 26 deles assinaram o documento dizendo que eram favoráveis.

A assinatura aconteceu após o deputado Gilson Lopes, que é presidente da Comissão de Segurança da Assembleia Legislativa se comprometer com os militares durante a audiência pública que debateu o tema no dia 16 de abril.

Informações de Mary Dias, da assessoria de imprensa da ACSPMBMES

terça-feira, 12 de junho de 2018

Soldado: Idoso volta à PM do Rio quase 40 anos após ter sido expulso


Foram 37 anos sem vestir a farda da Polícia Militar. Nessa sexta-feira, o idoso Nilson Gomes se emocionou ao voltar a colocar o uniforme que havia usado por mais de uma década. O militar de 72 anos, que tinha sido expulso da PM do Rio em 1981, conseguiu ser reintegrado à corporação no fim do ano passado por decisão judicial. Ele foi homenageado na manhã desta sexta no 9º BPM (Rocha Miranda), unidade na qual era lotado ao ser expulso. Ao ser reintegrado, Nilson foi transferido de imediato para a reserva remunerada e classificado como soldado, sua patente antes de ser excluído. Ele foi aposentado por invalidez.

O militar entrou na PM em 1968. Treze anos depois, foi expulso após apresentar problemas psiquiátricos. Em duas ocasiões, quando ainda estava na corporação e após ter saído dela, o militar chegou a ser internado no Hospital Pinel e passou por tratamento psiquiátrico em outra clínica. A sua exclusão foi considerada ilegal pela Justiça, uma vez que ao ter considerado o PM incapaz, a corporação deveria tê-lo aposentado.

“Ao revés disso, o Poder Público, mesmo tendo ciência inequívoca da situação deletéria do segundo apelante, consoante farta documentação anexa, resolveu excluí-lo da carreira militar, aplicando medida inadequada ao que o caso exigia”, afirmou o desembargador Custódio de Barros Tostes em sua decisão.

Após ser expulso da PM, Nilson chegou a viver nas ruas. Em junho de 1984, ele foi interditado e considerado incapaz por decisão judicial. A medida durou até setembro de 2005. Dois anos depois, ao conhecer um advogado, o militar conseguiu entrar com um processo na Justiça. A primeira sentença foi dada sete anos depois, mas por diversos recursos, a decisão final saiu apenas em dezembro do ano passado.

Por decisão da Justiça, Nilson passará a receber o salário de reservista. Ele ganhará ainda o equivalente a cinco anos de salário. Após ter sido expulso da PM, o idoso passou a trabalhar como pedreiro. Nesta sexta-feira, participaram da homenagem ao militar seus familiares, seu advogado, policiais do 9º BPM e o desembargador Custódio de Barros Tostes, que deu decisões favoráveis ao idoso. O magistrado fez um discurso no evento.

Fonte: Extra-Rio

domingo, 5 de novembro de 2017

Espírito Santo: Reflexos de uma tropa doente: em apenas três dias, dois militares atentaram contra a própria vida

Em apenas três dias dois militares atentaram contra a própria vida, o último caso foi nesta quarta-feira (01), quando o Soldado Bonomo que estava na 13ª Cia Ind, ligou transtornado para o Ciodes e acabou atirando contra sua cabeça. Dois dias antes, um soldado do 4º BPM visivelmente transtornado invadiu um hospital no Ibes, em Vila Velha e, com arma em punho tentou se matar. Felizmente foi contido e permanece internado.

O que vem acontecendo com os militares e estes dois são exemplo, é reflexo de uma grave crise interna na PMES que se agravou após as expulsões de militares depois o movimento reivindicatório de fevereiro. Além das pressões por parte da sociedade, governo e do comando, baixo auto-estima, baixos salários e dificuldade de conseguir sair da corporação quando encontra algo melhor que possa sustentar suas famílias.

O caso do Soldado Bonomo, que antes de ir para a 13ª Cia Ind, era da 5ª Cia do 4º BPM, é um alerta. De acordo com parentes e amigos próximos do militar, nesta quarta-feira (01) ele havia ligado para os amigos de farda que ficaram preocupados com suas palavras e por que, dias antes, ele havia sido internado por problemas psicológicos.

Antes de usar a arma da corporação contra sua própria vida, Bonomo fez contato com o Ciodes aparentemente transtornado. Uma VTR foi enviada ao local em São Torquarto e, quando os militares chegaram ainda o encontraram com vida. De acordo com relatos de um dos militares que atendeu a ocorrência, Bonomo teria planejado sua morte, pois quando chegaram no local o militar não quis conversar com os colegas de farda. Ainda segundo relato, viu a viatura, deu uns três passos e atirou, se ferindo gravemente. Bonomo foi socorrido para o Hospital São Lucas onde passou por cirurgia e morreu.

A sua morte se reflete em toda a tropa e, os dois policiais que o socorreram foram dispensados e tiveram suas armas recolhidas porque já haviam trabalhado com Bonomo no 4º BPM. Será que o comando da PMES e o governo precisam de mais mortes para reconhecerem que a tropa está doente? Para o psiquiatra Bernardo Santos Carmo sim a tropa está doente.

“Sem sombra de dúvidas a tropa capixaba está psicologicamente doente. Eu afirmo isso categoricamente. Não posso ser ofensivo, mas tenho que dizer uma realidade, a PMES pode oferecer uma assistência efetiva no Hospital da Polícia Militar. De acordo com relatos de 100% dos meus pacientes, eles não se sentem de forma alguma assistidos pelo HPM e eu tento suprir isso como Associação de Cabos e Soldados à medida que eu fiz um juramento de ajudar as pessoas. Ouvi relatos de pacientes em sua totalidade que eles não se sentem confortáveis, tratados, escutados ou acolhidos no HPM”.

O Soldado Bonomo era um dos quase 500 militares que são acompanhados pelo psiquiatra Bernardo Santos Carmo, que atende na sede da Associação de Cabos e Soldados e também fora da entidade. O especialista, inclusive, havia acompanhado o militar Bonomo em sua internação. Dr. Bernardo fala sobre como está a tropa, para ele, se faz necessário um tratamento urgente.

“Há uma desesperança quase que unânime e sentimento de menos valia, de desvalorização do próprio trabalho é algo que se intensificou muito nos últimos tempos. A irritabilidade também é constante a ponto de, se não houver um tratamento para muitos policiais pode haver uma tragédia iminente. Inclusive muitos devem ficar afastados por isso. É algo temerário esses militares continuarem em serviço com o risco de homicídios e principalmente suicídios. Já presenciei esse último risco em dezenas de militares”.

O psiquiatra Bernardo Santos Carmo diz ainda que a insônia, a falta de perspectiva, muita vontade de se desligar da Polícia Militar são presenças constantes na tropa. Bernardo diz que o que chama sua atenção é que detectou na tropa a carência de identidade

“Os policiais se questionam para que servem. Ouvi de muitos militares atendidos que a sociedade não reconhece o seu trabalho. Essa é uma queixa constante que se reflete em quadros depressivos reacionais e muito tensos com ideações suicidas, ideações de sair do país, muitos com vontade de sair do Estado, de deixar de ser policial. Talvez em 60% dos casos ou mais de deixar a polícia é para seguirem uma nova profissão”.

Depressão

A doença que é considerada um dos males do século, contaminou a tropa capixaba segundo o psiquiatra Bernardo Santos Carmo. O psiquiatra alerta que a irritabilidade é um sinal da depressão e o militar e seus familiares devem ficar atentos a este e outros sinais.

“No caso específico de um policial a irritabilidade é uma queixa constante dos seus familiares que em muitos casos chegam a um grau físico. Também há a fadiga, ansiedade e insônia. Apesar de um policial trabalhar em uma escala noturna, por exemplo, às vezes ele não consegue sequer dormir quando chega em casa. Com estes sinais deve-se procurar ajuda”, afirma o psiquiatra.

Bernardo também fala que é inerente à função do policial, viver no linear entre a vida e a morte, dada a banalização dos dois. “Esse policial sai e não sabe se vai voltar para casa. Com isso vem a depressão, o sentimento de pessimismo que acontece inicia o pânico e o sentimento de que ele não consegue desempenhar a sua função com a intercorrência de falta de ânimo no dia a dia”.

Doenças agravadas após fevereiro de 2017

As doenças psicológicas que acometem a topa da PMES pioraram após o movimento reivindicatório de fevereiro segundo a opinião do psiquiatra. As doenças psicológicas não atingem somente o Policial Militar, o psiquiatra Bernardo Santos Carmo também afirma que muitas famílias de militares estão sendo desfeitas em decorrência delas.

“Há algo na psiquiatria que chamamos de psicoses reacionais: depressão reacional, ansiedade reacional. São doenças circunstanciais que têm uma causa e um evento bem definidos. Depois de fevereiro são inúmeros os casos de surtos psicóticos, internações com números incalculáveis em instituições psiquiátricas, tentativas de suicídios em que várias delas chegaram a se efetivar”.

O especialista alerta para o alcoolismo que tem se tornado presente na vida do militar capixaba. “O alcoolismo e o uso de outras substâncias é um assunto delicado, mas é uma realidade. Algumas pessoas não tomam remédio, mas tomam álcool para relaxar e tomam todos os dias. Isso acontece talvez por uma falta de conscientização, algo que eu tento fazer com os policiais para enxergarem a importância da medicação. Faço o que posso para que meus pacientes deixem esse comportamento alcoólatra de beber todos os dias”, desabafa.

A ACS tem buscado suprir a omissão estatal através de convênios com profissionais de saúde e reconhece com muito carinho o esforço de todos que se colocam dispostos a ajudar. Obrigado Dr Bernardo por cuidar da saúde de tantos militares!

Reportagem: Mary Dias

Fonte: Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar do Espírito Santo

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Expulsão: PR deverá expulsar deputado Cabo Sabino por votar contra Temer


Conforme matéria veiculada pelo site G1, nesta quinta-feira (04), o Partido da República (PR) abrirá processo disciplinar contra os deputados que votaram a favor do prosseguimento da denúncia contra o presidente Michel Temer. O PR fechou questão em apoio do presidente, mas nove dos 40 votos foram favoráveis à investigação. A legenda compõe a base aliada do governo. Atualmente, o partido comanda dois ministérios: Transportes (Maurício Quintella) e Agricultura (Blairo Maggi).

Resolução

Após a votação, por meio de um vídeo ao vivo, em seu Facebook, Cabo Sabino leu a resolução 004\2017, que recebeu da Comissão Executiva Nacional um dia antes da votação, onde decreta o fechamento de questão da matéria.“Além da expulsão da legenda, devem punir retirando os parlamentares de todas as comissões. Eu participo de 22 comissões, mas prefiro ficar sem nenhuma, do que ficar sem a minha dignidade”, afirmou o parlamentar no vídeo.

Sanções

As sanções variam de uma advertência à expulsão, passando por suspensão temporária das atividades partidárias. Segundo Rocha, há casos de parlamentares que não tiveram emendas liberadas, como ele próprio, e outros que votaram contra Temer por questões estaduais, como a base eleitoral que rejeita o peemedebista.

Deputados que votaram "Não
  1. Adelson Barreto (PR-SE): Não
  2. Cabo Sabino (PR-CE): Não
  3. Capitão Augusto (PR-SP): Não
  4. Christiane de Souza Yared (PR-PR): Não
  5. Jorginho Mello (PR-SC): Não
  6. Marcelo Álvaro Antônio (PR-MG): Não
  7. Tiririca (PR-SP): Não
  8. Wellington Roberto (PR-PB): Não
  9. Zenaide Maia (PR-RN): Não
Fonte: Página Oficial Cabo Sabino

segunda-feira, 13 de março de 2017

Brasil: Polícia Militar Silenciada

Leis usadas para suprimir demandas por reforma policial


As autoridades brasileiras devem reformar leis que têm sido usadas para impor punições desproporcionais a policiais militares que se manifestam publicamente para defender mudanças no modelo policial ou fazer reclamações, disse hoje a Human Rights Watch.

“Um país com quase 60.000 homicídios por ano precisa urgentemente considerar novas abordagens à segurança pública”, afirmou Maria Laura Canineu, diretora do escritório Brasil da Human Rights Watch. “Aqueles que enfrentam diariamente o crime nas ruas podem oferecer perspectivas valiosas sobre as políticas de segurança e reforma policial, e devem ter o direito de expressar suas opiniões sem o receio de serem punidos arbitrariamente”.

Os 436.000 policiais militares do Brasil exercem o policiamento ostensivo nas ruas, uma atividade de caráter essencialmente civil, mas estão sujeitos à jurisdição militar por serem tecnicamente considerados forças auxiliares do exército. O código penal militar brasileiro e diversos códigos disciplinares estaduais impõem amplas limitações à liberdade de expressão dos policiais.

Policiais que excedem esses limites podem acabar sendo presos conforme determina o código penal militar. De acordo com os códigos disciplinares, os comandantes da polícia militar também têm amplo poder discricionário para impor punições severas. Segundo o artigo 166 do código penal militar, criticar um superior ou uma decisão do governo configura crime com pena de até um ano de detenção. Incitar à “indisciplina” é passível de punição de dois a quatro anos de reclusão de acordo com o artigo 155. Códigos disciplinares estaduais que regulam a conduta de policiais militares em serviço, fora de serviço e da reserva contêm infrações similares, passíveis de punição de até 30 dias em detenção e expulsão da força policial. Essas condutas infracionais são definidas de forma tão ampla que permitem punições severas completamente desproporcionais à gravidade dos atos – e, em alguns casos, é exatamente isso o que ocorre.

As leis internacionais de direitos humanos conferem aos países considerável – embora limitado – poder discricionário para impor restrições à liberdade de expressão de membros das forças de segurança. Elas não autorizam, no entanto, que autoridades imponham sanções desproporcionais à gravidade das infrações.

Darlan Abrantes, um policial militar do estado do Ceará, foi condenado a dois anos de prisão em julho de 2016 após publicar de forma independente um livro afirmando que a política militar deveria ser desmilitarizada. Um juiz substituiu a pena privativa de liberdade por liberdade condicional, mas ele já havia sido expulso da polícia militar do estado em 2014 por causa do livro, o que destruiu sua carreira. Outros policiais também disseram à Human Rights Watch que sofreram punições arbitrárias como retaliação por terem manifestado suas opiniões de forma que desagradou seus superiores, e que não tiveram acesso a um sistema recursal efetivo e imparcial dentro da polícia militar.

Autoridades brasileiras devem reformar as leis para garantir que qualquer punição imposta a policiais militares que excedam os limites legais à liberdade de expressão seja proporcional à gravidade da infração cometida, disse a Human Rights Watch. As leis devem garantir que todos os policiais tenham acesso a um sistema recursal efetivo e imparcial.

As autoridades devem considerar também se é necessário e apropriado que os policiais militares brasileiros estejam sujeitos aos limites à liberdade de expressão impostos pelo código penal militar, que data de 1969, e pelos códigos disciplinares dos estados, ou se um sistema jurídico menos restritivo deveria ser adotado, conforme as normas internacionais e regionais de direitos humanos.

Atualmente há diversas propostas de reforma nesse sentido, que resultariam em um policiamento mais efetivo e responsável perante a sociedade. Elas incluem iniciativas legislativas que tramitam no Congresso propondo desvincular a polícia militar do exército e abolir a detenção administrativa, ou ainda propostas nas esferas estaduais para reformar os códigos disciplinares. As punições excessivamente severas aplicadas contra alguns policiais têm um grave efeito inibidor em outros membros da força, que frequentemente se abstêm de expressar sugestões ou opiniões sobre reformas da polícia por medo de represálias, disse a Human Rights Watch.

“Policiais podem ser presos e ter suas carreiras destruídas por expressarem opiniões que desagradem seus comandantes”, disse Maria Laura Canineu, diretora do escritório Brasil da Human Rights Watch. “Essas punições são completamente desproporcionais a qualquer que seja a motivação das autoridades em limitar a liberdade de expressão dos policiais”.

Análise Detalhada

Darlan Abrantes, um policial militar do estado do Ceará, publicou o livro “Militarismo – um sistema arcaico de segurança pública”, em 2008, com uma tiragem de 300 cópias, que ele mesmo pagou. No livro, Abrantes afirma que o Brasil tem um sistema policial “medieval”, no qual “ao policial de baixa patente não é permitido pensar”. Eles devem simplesmente seguir ordens e, se criticarem o militarismo, são detidos – escreveu ele. Darlan argumenta que transformar a polícia militar em uma força policial civil a tornaria mais eficiente na redução da criminalidade e a aproximaria mais da população.

O comando geral da polícia militar do estado do Ceará expulsou Darlan da força em 2014 conforme o artigo 24 do código disciplinar do estado, concluindo que o livro continha “graves ofensas” e que, ao publicá-lo, Darlan havia demonstrado “total indisciplina e insubordinação”. Darlan contou à HRW que na época, seu histórico na polícia indicava comportamento “excelente”.

Um tribunal militar – composto por quatro oficiais e um juiz – condenou Darlan, em julho de 2016, a dois anos de reclusão, conforme previsto no artigo 155 do Código Penal Militar, por “incitar à desobediência, à indisciplina ou à prática de um crime militar”. A denúncia alegava que Darlan distribuiu seu livro na academia de polícia, acusação que Abrantes nega. O código penal militar não especifica quais ações constituem incitação à desobediência, indisciplina ou à prática de um crime militar. Isso confere aos promotores militares ampla margem de interpretação para criminalizar a manifestação de opiniões críticas ao comando da polícia.

No caso de Darlan, o juiz impôs uma suspensão condicional da pena, determinando que ele não será preso desde que respeite cinco condições: não voltar a delinquir, não ingerir bebidas alcoólicas, não frequentar casas de jogos ou tavolagem, não portar armas de fogo ou armas brancas e comparecer ao tribunal uma vez por mês.

“Eu pra eles sou um criminoso só porque eu tive a ousadia de pensar diferente, a ousadia de dizer que o sistema (militar) não funciona mais no nosso país”, Darlan disse à Human Rights Watch. “Sou a prova viva de que a polícia militar não respeita a democracia nem a liberdade de expressão”.

A demanda de Darlan Abrantes por “desmilitarização” está longe de ser a exceção. Em uma pesquisa nacional de 2014, mais de 76 por cento dos policiais militares entrevistados discordavam com a subordinação das forças policiais militares estaduais ao exército, como forças auxiliares, e a sua organização de modo semelhante ao exército. Por estarem vinculadas ao exército como forças auxiliares, as forças policiais estão sujeitas ao código penal militar que foi adotado durante a ditadura militar no Brasil (1964-1985).

Essa questão é de grande relevância para o debate público e pode ter importantes implicações no plano dos direitos humanos, dada a prevalência de abusos cometidos por policiais no Brasil. Policiais de alta e baixa patente entrevistados pela Human Rights Watch criticaram a estrutura e o treinamento militares. De acordo com eles, a natureza militar das forças policiais perpetua uma visão de policiais como heróis que combatem o inimigo – que neste caso são os supostos criminosos – o que pode levar ao uso excessivo da força, especialmente em comunidades pobres, e a altos níveis de estresse entre os policiais. Em vez disso, policiais deveriam focar na prevenção de crimes e no uso de força letal apenas quando estritamente inevitável para proteger vidas.

Códigos disciplinares estaduais, alguns dos quais dos tempos da ditadura, contêm também amplas restrições à liberdade de expressão e permitem punições desproporcionais tanto para policiais ativos quanto para policiais da reserva.

O código disciplinar do estado de São Paulo, por exemplo, proíbe a publicação ou disseminação de informação que possa “concorrer para o desprestígio da polícia militar ou ferir a hierarquia ou disciplina, sem especificar ou definir que tipos de informação podem trazer essas consequências.

Os regulamentos disciplinares de São Paulo e de 14 outros estados também contêm a mesma proibição – não permitindo a policiais “discutir ou provocar discussão, por qualquer veículo de comunicação, sobre assuntos políticos, militares ou policiais, excetuando-se os de natureza exclusivamente técnica, quando devidamente autorizado”. Isso pode ser interpretado como sujeição dos policiais militares a punições por qualquer comentário público sobre policiamento ou segurança pública.

Muitos códigos disciplinares estaduais também conferem aos comandantes autoridade para determinar a gravidade da infração administrativa, o que lhes dá amplo poder discricionário para impor punições severas ou desproporcionais. Sanções incluem detenções de até 30 dias em quartéis ou expulsão da força policial.

Outro caso de punição desproporcional envolve o policial militar do estado do Pará Luiz Fernando Passinho. Todos os anos, no dia da Independência do Brasil, manifestações ao redor do país celebram o “Grito dos Excluídos”, no qual pessoas protestam contra a exclusão social. Luiz Fernando tomou o microfone em uma dessas manifestações no dia 7 de setembro de 2014 e, em um discurso de dois minutos, reclamou que, durante seus treinamentos, bombeiros e policiais militares escutam que não têm direitos. “Essa frase deturpa o caráter da nossa missão, deturpa nosso senso de cidadania e isso se reflete diretamente na nossa relação com a população”, afirmou Luiz Fernando, vestido à paisana, em seu discurso. “Nós não podemos aceitar que a nossa livre expressão seja criminalizada”.

O Comandante Geral da Polícia Militar do estado do Pará julgou que o discurso de Passinho “atentou contra a disciplina e a hierarquia militar ao se manifestar de modo a colocar no seio dos quartéis a discórdia e a desmoralização contra seus superiores”. O comandante acusou Luiz Fernando de ferir uma longa lista de valores que todo policial militar é obrigado a respeitar, conforme os artigos 17 e 18 do Código de Ética e Disciplina da Polícia Militar do Pará, incluindo “profissionalismo”, “lealdade” e “disciplina”. O comandante afirmou que Luiz Fernando Passinho havia violado nove proibições conforme o artigo 37, incluindo “portar-se sem compostura em lugar público” e a publicação de informações ”que possam concorrer para o desprestígio da corporação ou firam a disciplina”. O comandante ordenou a detenção de Luiz Fernando por 30 dias em outubro de 2016. Luiz Fernando apelou da decisão ao mesmo comandante que a ordenou, conforme procedimento previsto pelo código disciplinar estadual.

Luiz Fernando contou à Human Rights Watch que, nesse meio tempo, o comando o tem perseguido por ter se manifestado. Em setembro, por exemplo, o comando ordenou sua detenção por 15 dias por não ter usado chapéu enquanto estava com o uniforme, afirmou ele, uma infração normalmente punida com uma advertência. “O comando militar usa as regras de forma arbitrária”, disse Luiz Fernando. “Policiais que cometem verdadeiros crimes escapam de punições”.

Dezenas de policiais de baixa patente do Rio de Janeiro entrevistados pela Human Rights Watch em 2015 e 2016 disseram que tinham medo de serem punidos por manifestarem suas opiniões. Quase todos pediram para que seus nomes não fossem divulgados por medo de represálias, ainda que o comando militar do estado tivesse dado à Human Rights Watch a autorização por escrito para a realização da pesquisa.

Restrições à liberdade de expressão também silenciam o debate interno. Um estudo nacional publicado em 2016 pelo governo federal concluiu que policiais de baixa patente acreditam que raramente podem expressar uma opinião diferente de um policial superior no trabalho. Eles relataram ter frequentemente medo de fazê-lo. Mais de 14.000 praças participaram do estudo.

Muitos policiais têm medo não apenas de enfrentarem procedimentos disciplinares formais, como também de sofrerem outras retaliações caso se expressem ou denunciem problemas. Leandro Bispo, um policial militar do estado do Pará, enfrentou sanções disciplinares em 2012, 2013 e 2014 associadas a três postagens de Facebook que ele escreveu ou compartilhou. Uma afirmava que a polícia apresentava condições de trabalho inadequadas. Outra alegava corrupção e abusos dentro da polícia. E a terceira trazia uma crítica que ironizava as instituições públicas brasileiras, sem mencionar a polícia especificamente.

Os procedimentos disciplinares contra Leandro resultaram em seu rebaixamento de cabo para soldado em 2016 e exigiram que ele devolvesse o valor do aumento de salário de seis meses que ele já havia recebido, contou Leandro à Human Rights Watch. Ele afirmou também que sofreu retaliações informais contra as quais não teve como recorrer. Seu comandante o transferiu para a cidade de Porto de Moz, a quatro horas de carro e lancha da sua casa, o que ele acredita ser uma resposta aos comentários que escreveu ou compartilhou no Facebook. Quando Leandro contestou a transferência, teve de enfrentar mais um procedimento disciplinar, no qual o comandante argumentava que Bispo o havia acusado erroneamente de ter violado os regulamentos internos.

Em dezembro, Leandro foi expulso da força policial por conta de diversas supostas infrações a obrigações do código disciplinar estadual, incluindo a de “cultuar” símbolos e tradições da polícia militar, de respeitar a disciplina e evitar comentários inconvenientes sobre a polícia, desacreditando um oficial superior e fazendo comentários anônimos. Leandro planeja recorrer na justiça comum.

Leandro, que tem uma filha e uma esposa grávida, emprestou dinheiro de sua sogra para pagar o valor da entrada das despesas com o advogado e precisa pagar o restante em parcelas mensais. Ele afirmou que perder o emprego em tempos de crise econômica no Brasil aumenta o estresse da situação.

O governo federal publicou diretrizes nacionais em 2010 convocando os estados a reformarem leis e regulamentos disciplinares de forma a respeitarem os direitos contemplados pela Constituição. As diretrizes recomendam que os estados não apenas garantam os direitos dos policiais à livre expressão – especialmente na internet –, como também estimulem os policiais a participarem “nos processos democráticos de debate, divulgação, estudo, reflexão e formulação das políticas públicas” sobre segurança, em conferências, conselhos, seminários ou pesquisas.

A implementação das recomendações, no entanto, tem sido frustrante.

Normas de Direitos Humanos

Segundo as normas internacionais de direitos humanos, o direito à liberdade de expressão pode ser restringido legalmente apenas quando necessário para o respeito aos direitos ou à reputação das demais pessoas, ou para a proteção da segurança nacional, da ordem, saúde ou moral públicas. Essas normas são aplicáveis de acordo com o Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos e a Convenção Americana sobre Direitos Humanos. O Brasil é signatário de ambos.

Em casos de 2005 e 2009, a Corte Interamericana de Direitos Humanos decidiu que medidas de governos para restringirem a expressão de ex-militares caracterizavam limitações ilegais aos seus direitos. No entanto, de forma geral, é aceito que governos tenham maior flexibilidade para limitar a liberdade de expressão de membros de forças de segurança se assim for considerado necessário para a proteção da segurança nacional ou da ordem pública. Isso resulta, entre outras coisas, no reconhecimento da legitimidade do interesse do Estado em manter a disciplina e a hierarquia dentro da polícia e na garantia de que a polícia e as forças militares não sejam politizadas enquanto instituições.

No entanto, isso não exime o governo da responsabilidade de garantir que limitações à liberdade de expressão de membros de forças de segurança sejam de fato “necessárias” para proteger a segurança nacional e a ordem pública, e não mais restritivas do que o necessário para alcançar esses objetivos. Como observado pelo relator especial para liberdade de expressão da Comissão Interamericana para Direitos Humanos em 2009, membros das forças armadas “têm o direito à liberdade de expressão e são legitimamente capazes de exercer esse direito, e os limites impostos a eles devem respeitar os critérios estabelecidos pela Convenção Americana”. Limitações a esse direito “não podem ser excessivas ou desnecessárias e devem atender em todos os casos aos critérios estabelecidos no artigo 13.2 da Convenção”.

Em dezembro de 2016, uma desembargadora do estado do Rio Grande do Norte decidiu pôr um fim aos procedimentos disciplinares contra um policial militar da ativa, João Figueiredo, que recebeu uma punição de 15 dias de detenção determinada pelo comando da polícia militar do estado por ter “ofendido” a força em um comentário postado na internet. A desembargadora baseou sua decisão nas “violações aos direitos humanos do paciente, violações à Carta Magna quanto a liberdade de expressão do pensamento e opinião e, também, pelos vícios formais e do claríssimo cerceamento de defesa imposto pela autoridade coatora e a desproporcionalidade da penalidade imposta”. O comando da polícia militar não recorreu da decisão.

Mesmo em contextos nos quais limitações legais à liberdade de expressão sejam aceitáveis, as punições devem ser sempre proporcionais à gravidade das infrações.

Fonte: Anaspra

ONG cobra mudanças em leis que punem PMs de maneira desproporcional


O policial militar do estado do Ceará Darlan Abrantes teve a carreira destruída após lançar um livro, de forma independente, afirmando que a Polícia Militar (PM) deveria ser desmilitarizada. Na publicação, ele afirmava que o Brasil tem uma Polícia Militar medieval e que “ao policial de baixa patente não é permitido pensar”. Em função do livro, ele foi condenado a dois anos de prisão e acabou expulso da corporação em 2014. O comando-geral no estado alegou que a publicação continha “graves ofensas” e que, ao lançá-la, Darlan demonstrava “total indisciplina e insubordinação”.

O caso de Darlan – que tinha um comportamento considerado excelente – não é exceção e integra relatório divulgado esta semana pela organização não governamental Human Rights Watch (HRW) cobrando das autoridades brasileiras a reforma de leis. Para a ONG, a legislação atual impõe punições desproporcionais a PMs que se manifestem politicamente ou façam reclamações públicas.

“Aqueles que enfrentam diariamente o crime nas ruas podem oferecer perspectivas valiosas sobre as políticas de segurança e reforma policial e devem ter o direito de expressar suas opiniões sem o receio de serem punidos arbitrariamente”, disse a diretora do escritório Brasil da Human Rights Watch, Maria Laura Canineu, em nota. Ela defende que o país considere novas abordagens à segurança.

Por serem consideradas forças auxiliares do Exército, os policiais militares estão submetidos ao Código Penal Militar. O documento é de 1969 e teve origem no Ato Institucional número 5 – um dos mais duros instrumentos do regime militar. Controverso, por anteceder a Constituição, o código é alvo de projetos de lei que cobram a sua atualização, junto com os regimentos disciplinares – leis estaduais que também datam da ditadura. O autor de uma das propostas, deputado federal Subtenente Gonzaga (PDT-MG), diz que a medida pode frear punições exageradas como a prisão administrativa e assegurar o direito de defesa em casos de “insubordinação”.

De acordo com a Human Rights, leis internacionais permitem aos países impor restrições à liberdade de expressão de integrantes das forças de segurança, em nome da segurança nacional. Porém, não autorizam sanções desproporcionais à gravidade das infrações. A organização também defende que os policiais brasileiros tenham acesso a uma defesa justa com análises imparciais dos recursos.

Ex-chefe do Estado-Maior da PM fluminense o coronel Robson Rodrigues da Silva, atualmente na reserva, vem alertando para a questão. Estudioso de políticas de segurança, ele avalia que os códigos disciplinares estão atrasados e permitem decisões subjetivas.

“Muitas vezes, o policial fica ao sabor de desejos, às vezes, até sádicos, dos superiores”, critica. “Punir por punir, por orgulho de superior em relação ao subordinado, só para autoafirmação, para confirmação da hierarquia, é anacrônico e equivocado”, afirmou o coronel, que, após 31 anos na PM, se dedica ao doutorado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Desobediência

No Rio, a Defensoria Pública do Estado, responsável por defender policiais e bombeiros processados com base no Código Penal, denuncia ainda que a maioria dos crimes na Justiça Militar é por desacato à autoridade e indisciplina. Farda mal passada e a participação em movimentos políticos são atitudes consideradas crimes.

Em dezembro de 2016, o subtenente do Corpo de Bombeiros Mesac Eflain ficou detido no quartel após denunciar à imprensa condições precárias nos refeitórios da corporação. A instituição argumentou que o militar causou uma “percepção de insegurança em toda a população”.

Eflain foi solto dez dias depois, por meio de um mandado de segurança apresentado à Vara de Fazenda Pública, órgão civil, que referendou o direito à liberdade de expressão do bombeiro. Na Justiça Militar, todos os recursos foram negados. “A prisão de Mesac foi um claro caso de perseguição e de retaliação ao direito de expressão, prova que as leis militares precisam ser recepcionadas pela Constituição”, disse, à época, o defensor público Thiago Belotti.

De acordo com a Human Rights Watch, o código penal militar e os códigos estaduais não especificam quais ações constituem incitação à desobediência e indisciplina, por exemplo. “Isso confere aos promotores ampla margem de interpretação para criminalizar manifestações de opiniões críticas”, disse a entidade no relatório.

Com a interdição do debate nas corporações, a ONG alerta para a dificuldade de enfrentar abusos cometidos pela PM. Em entrevistas à entidade, policiais criticaram a estrutura e o treinamento militares que “perpetuam a visão de policiais como heróis” e podem levar ao uso excessivo da força em comunidades pobres, além de alto nível de estresse entre os policiais.

O governo federal, em 2010, recomendou que os estados reformassem regulamentos militares e garantissem aos policiais o direito de se manifestar, além de participar da elaboração das políticas públicas de segurança. O Ministério da Justiça, no entanto, não informou à Agência Brasil como tem monitorado a convocação e apoiado o trâmite de leis nesse sentido.

Fonte: Agência Brasil/Faxaju

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Justiça Federal condena Universidade Federal do Ceará por expulsar de sala de aula aluna PM que estava fardada

A Justiça Federal condenou a Universidade Federal do Ceará (UFC) a pagar uma indenização de aproximadamente R$ 16 mil a uma policial militar aluna do Curso de Letras. A condenação é pelo crime de danos morais. A estudante alegou em processo ter sofrido constrangimentos por parte da direção do Centro de Humanidades I, no Campus do Benfica, chegando ao ponto de ser expulsa de sala de aula, pelo simples fato de está fardada.

O caso ocorreu há cerca de dois anos. A soldado Emanuele Alves postou, ontem (11), nas redes sociais informações sobre o desfecho do processo. Ela descreveu o incidente da seguinte forma: “Em setembro de 2014, fui impedida pela diretora do Centro de Humanidades da UFC de assistir aula porque sou soldado da Polícia Militar e estava vestida com a farda desta gloriosa instituição”.

O desfecho do caso ocorreu agora, quando o juiz da 5ª Vara da Justiça Federal determinou que a UFC pague a indenização à aluna como reparação por dano moral diante do ato ilícito. “Justiça feita, agora quero agradecer, primeiro a Deus, pela força. Ao meu marido, Roberto Alves, e à minha família, por estarem ao meu lado”, disse emocionada.

O caso foi acompanhado pela Associação dos Profissionais de Segurança (APS). Em nota, a entidade explicou que, “Emanuele Alves foi submetida a uma série de constrangimentos dentro de sala de aula, apenas pelo fato de estar fardada. Ela havia saído do trabalho direto para a universidade, por esse motivo não teve tempo para trocar de roupa em sua casa. Emanuele foi impedida de permanecer em sala de aula por estar fardada e armada, o que configura constrangimento ilegal, tendo em vista que não existe nenhuma legislação que proíba tal conduta”.

Humilhação

E continua a nota da APS: “Uma policial em sala de aula jamais deveria gerar repulsa dos alunos. Pelo contrário, deveria gerar uma melhor sensação de segurança, tendo em vista que poucos dias antes daquele fato uma faculdade havia sido invadida por bandidos armados, que roubaram os alunos em plena sala de aula”.

E mais: “O caso ganhou repercussão nas redes sociais e a atitude tomada pela Universidade foi amplamente criticada pela comunidade em geral. Nos quartéis, os policiais militares estavam indignados com a situação de humilhação sofrida pela companheira de profissão e cobravam medidas para que os autores da ação fossem punidos”.

O advogado da APS, Cícero Roberto, tomou a frente do caso e, na semana passada, o Judiciário condenou a UFC a pagar uma indenização de cinco vezes o valor do salário da soldado (aproximadamente R$ 16.000,00), em Primeira Instância. O caso ainda cabe recurso.

Fernando Ribeiro

Fonte: Ceará News

sábado, 14 de junho de 2014

“Governo tenta transferir responsabilidades”, reclama Samuel

O deputado estadual Capitão Samuel (PSL) se defendeu das críticas que recebeu de um radialista no rádio, acusando o governo do Estado de tentar transferir suas responsabilidades para sindicalistas e para a oposição. Samuel disse que os trabalhadores estão reivindicando melhores condições de trabalho e que só o Executivo pode proporcionar isso. O parlamentar não deixou de criticar o deslocamento de policiais militares para presídios e para acompanhar a seleção da Grécia.

“Agora querem culpar a oposição por isso? O líder do governo do rádio que me acusar de algo? A greve dos professores é culpa minha? A greve do Samu é culpa minha? E a greve dos agentes penitenciários também é? O governo não negocia com o funcionalismo e a culpa é minha? Os trabalhadores estão em conflito pelo reajuste e por melhores condições de trabalho. Querem colocar agentes prisionais e PMs dentro dos presídios. Fui chamado para mediar um entendimento entre duas categorias armadas para evitar um conflito!”, comentou o deputado.

Samuel citou que passou uma semana mediando conflitos em presídios. “Estava em Tobias Barreto e vi que os agentes queriam ficar no presídio. Houve uma determinação do comando para que a PM entrasse de qualquer forma. Eu já vinha avisando que ia acontecer coisa pior. Agora a culpa é dos agentes? Em São Cristóvão eram dois apenas, no plantão, para cuidar de 2,4 mil presos, com 10 ou 12 militares fora do presídio”.

“O governo agora tenta transferir a responsabilidade, tenta culpar os sindicalistas. A única fórmula que temos é o diálogo. Quem tem que receber os trabalhadores, os agentes, não é o secretário, mas o governador. O secretário tem um ano que conversa e não resolve! Colocar agente privado para tomar conta de presídio é ilegal. Se tomar a decisão para demitir, vai ter que demitir todos. Colocaram mais de 120 homens da PM para tomar conta da nobre seleção da Grécia. Quem gere os recursos é o Executivo. Não adianta querer ficar encontrando culpados. Tem que reunir e encontrar uma solução”, completou Samuel.

Fonte: Ascom Capitão Samuel

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Moção condenando o Estado Brasileiro contra a criminalização dos trabalhadores da Segurança Pública


A plenária dos Diálogos Regionais realizada pelo Ministério da Justiça, na cidade de Fortaleza – CE, nos dias 28 e 29 de abril de 2014, na Câmara Municipal de Fortaleza vem condenar veementemente a política adotada pelos entes federativos (estados) na criminalização dos trabalhadores de segurança pública, notadamente os praças militares estaduais, os quais lutam desde 1988 para serem inseridos no contexto de todos os trabalhadores do Brasil, com direitos, com cidadania e com dignidade, sendo que, neste momento, a despeito de termos uma Constituição dita como cidadã, ocorre justamente o oposto da lógica do estado democrático de direito, pois sob os auspícios de um modelo de segurança pública ainda orientada por um concepção da época da ditadura militar, vários profissionais, que reivindicam direitos, estão respondendo processos disciplinares e criminais e muitos sendo expulsos e presos, inclusive “jogados” em presídios federais junto com marginais de alta periculosidade, ferindo totalmente o processo democrático de direito. 

Muitas associações estão sofrendo intervenções, bloqueios em suas contas e bens, como também dos seus representantes legais. Os profissionais são extremamente exigidos no dia a dia da prestação do seu trabalho constitucionalmente previsto e no seu desempenho profissional, no entanto, quando parte-se para a defesa e implementação dos direitos destes trabalhadores, sejam estes trabalhistas, ou mesmo da pessoa humana, não se vê, por parte do estado a mesma agilidade ou o mesmo interesse, ao contrário, utiliza-se de regulamentos e legislações arcaicas e excludentes, no sentido de calar estes profissionais, criminalizando-os com punições que não se coadunam com os princípios da Constituição de 88, bem como com a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Finalmente ressaltamos que a luta dos operadores da segurança pública é por uma segurança pública verdadeiramente cidadã para os profissionais, mas especialmente para a população brasileira e neste contexto é preciso que tenhamos nossos direitos minimamente respeitados.

Obs.: Todo o conteúdo desenvolvido no evento (Moção, propostas, lista de presenças, etc.) podem ser baixados no seguinte link: https://drive.google.com/file/d/0B0-lM_WmcKCGVWRHUzdaYVN0eHc/edit?usp=sharing

Fonte: Associação Nacional de Praças

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Demissão injusta de Cabo Sabino da Polícia Militar do Ceará completa hoje (22/05) 1 ano

Cabo Sabino. Fonte ACSCE

Há exatamente um ano, o principal noticiário da televisão cearense trazia a seguinte manchete: “PMs que participaram de movimento grevista no CE de 2011-2012 são demitidos”. Naquele dia, a história do Cb. Sabino na Polícia Militar do Ceará (PM/CE) foi interrompida. A exoneração, publicada no Boletim do Comando Geral da PM/CE e no Diário Oficial do Estado, foi recebida pela categoria militar como uma retaliação aos líderes do movimento paredista de 2011, quando a PM/CE parou suas atividades buscando melhores condições de trabalho.

Na ocasião da paralisação, Sabino ocupava o cargo de presidente da Associação dos Cabos e Soldados Militares do Ceará (ACSMCE) e ao lado de Cap. Wagner na época Deputado Estadual , e presidente da Associação dos profissionais de segurança pública do estado do Ceará (APROSPEC), P. Queiroz, da Associação de Praças da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros do Ceará (ASPRAMECE) e de Nina Carvalho, da Associação das Esposas dos Policiais e Bombeiros Militares do Ceará (ASSEPEC), representou a categoria militar frente ao governo Cid Gomes.

Conforme o Boletim do Comando Geral n° 094, de 22 de maio de 2013, Sabino foi demitido sob a alegativa de “participação ativa na reunião/assembleia (no dia três de janeiro de 2013) e inequívoca demonstração de liderança no movimento, caracterizando tais atos, como contrários aos valores militares”. Com a mesma acusação, P. Queiroz também foi desligado da corporação. Entretanto, a denúncia se refere a uma reunião de caráter informativo para a exposição dos itens cumpridos e não-cumpridos do Termo de Acordo assinado para por fim à paralisação do ano anterior. No total, foram 10 policiais “expulsos” com suspeita de arquitetar uma nova greve da PM, sendo que a reunião tinha sido somente de caráter informativo.

19 anos, 11 meses e 17 dias foi o tempo prestado pelo ex-militar na 3° Cia do 6° BPM (Maracanaú), extinto BPTran e antigas 4°/5° (Salinas) e 5°/5° (Centro), com destaque na ACSMCE, desde 2005. Após 12 meses da exoneração de Flávio Sabino, o recurso de reintegração à Polícia Militar ainda se arrasta na justiça brasileira. Apesar disso, até o mês de abril de 2014, o ex-militar permaneceu na presidência da Associação dos Cabos e Soldados Militares do Ceará. Durante sua gestão, Sabino continuou representando a categoria diante da entidade, buscando melhores condições de trabalho para os policiais militares.

Sabino foi um dos 44 policiais militares e 21 bombeiros investigados pela Controladoria dos Órgãos de Disciplina da Segurança Pública e Sistema Penitenciário do Estado do Ceará. “Demitem porque querem. É a política da opressão para causar um sentimento de medo”, lamentou Sabino em pronunciamento aos associados da ACSMCE.

Movimento Paredista

A “greve da Polícia Militar” foi legitimada pela indignação da tropa, cansada da jornada de serviço análoga ao trabalho escravo e outros abusos. Para chamar a atenção dos governantes, aconteceu o Sábado Vermelho que reuniu milhares de militares em passeata pelas ruas do Centro de Fortaleza. O movimento rumou para uma assembleia geral da categoria, findando com a aprovação por unanimidade da paralisação, decretando a greve na Polícia Militar.

O esquema logístico da ação foi encabeçado por Flávio Sabino, representando a ACSMCE com apoio de outras entidades. Toda a estrutura da entidade se colocou em favor da categoria militar. O acampamento foi instalado na 6° Cia do 5° BP pelo Cap.Wagner e outros policiais militares, durando cinco dias e seis noites.

Enquanto isso, a cidade de Fortaleza cessou diversas atividades temendo a ação de ladrões, traficantes e saqueadores “profissionais” de ocasião.

As centrais sindicais e outras entidades do Brasil enviaram apoio à greve, aos policias e familiares. As igrejas e os empresários de Fortaleza uniram-se à causa para pressionar o Estado. Dom Edmilson da Cruz, embora com mais de 80 anos, também participou das negociações. Flávio Sabino relata que em um determinado momento da paralisação, Dom Edmilson perguntou “o que aflige teu coração, homem?” e Sabino respondeu “tenho medo da categoria não aceitar um acordo”. “Se a tropa não lhe ouvir, ela vai ter que me ouvir”, exclamou o líder religioso.

Foi Flávio Sabino que apresentou aos policiais militares cearenses o que o governo do Estado estava propondo. A tropa aceitou as condições e encerrou a greve no dia três de janeiro de 2012. Um dos maiores movimentos militares da história findou sem nenhum tiro disparado e sem nenhum ferido.

Uma das maiores vitórias do movimento, segundo a Associação dos Cabos e Soldados Militares do Ceará, foi a jornada de trabalho de 40 horas semanais. Infelizmente, apenas os militares da capital e Região Metropolitana de Fortaleza gozam desta conquista. Os profissionais da Segurança Pública dos destacamentos no interior do Ceará ainda cumprem, por vezes, mais de 90 horas por semana, conforme informações da ACSMCE.

Redação ACSMCE, Marcus Castro.
Edição Roberto Barros

Fonte: Associação de Cabos e Soldados do Ceará

segunda-feira, 31 de março de 2014

A resistência militar contra o golpe de 1964: "Ficamos esperando a ordem para reagir, mas ela nunca veio"

Contrários à ditadura, cerca de 7,5 mil membros das Forças Armadas e bombeiros foram perseguidos, presos e torturados pelo regime

Paz: "Ficamos a ordem para reagir, mas ela nunca veio"

Depois da queda de João Goulart, Francisco Jesus da Paz e outros cabos do Exército ficaram de prontidão por 15 dias, um período muito superior aos dois dias que costumavam ficar. Enquanto cumpriam ordens, aguardavam orientações de Brasília sobre como deveria ser a reação aos golpistas. “Havia um esquema militar no governo Jango, e nós fazíamos parte desse grupo de resistência. Ficamos esperando a orientação para reagir ao golpe. Mas ela nunca veio”, lembra Paz, 74 anos, que foi para a reforma como tenente.

Paz fazia parte de uma corrente de militares que apoiava Jango e via nas reformas de base um importante caminho para o Brasil. Diferentemente do grupo que se opunha ao que classificava como “viés comunista” dos discursos de Jango, os militares de resistência – como era Paz – mantinham uma posição nacionalista e lutavam por maiores direitos para os militares, como o de patentes mais baixas poderem votar. Esperando o golpe contra Jango, eles se preparavam para dar um contragolpe, mas acabaram ficando sem ação de comando. “Chegamos ao ponto de, em um dado momento, o movimento de resistência ter armamento, tropas, tanques, mas não comandantes”, conta.

Assim como São Paulo (base do II Exército, pelo qual Paz servia no 1º de abril de 1964), também seriam focos de resistência a sede do III Exército (Rio Grande do Sul) e a sede do I Exército (Rio de Janeiro), que mantinha boa parte do contingente e arsenal do Exército e da Marinha. Nunca houve contragolpe, mas os adeptos a ele sofreram muito.

Categoria estigmatizada pela ditadura, os militares foram o grupo social que mais sofreu retaliações por parte do regime, segundo Paulo Ribeiro da Cunha, professor de Teoria Política da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) e consultor do grupo de trabalho da Comissão Nacional da Verdade sobre militares perseguidos. Contrários aos generais que ditaram os rumos do Brasil e reprimiram a oposição ao longo de 21 anos, 7,5 mil membros das Forças Armadas e bombeiros foram perseguidos, presos, torturados ou expulsos das corporações por se oporem à ditadura. “Sempre se fala da repressão de vários grupos, como intelectuais ou sindicalistas, mas se esquece que militares tiveram um papel importante na resistência democrática e, proporcionalmente, foram penalizados em maior número do que em outras categorias sociais”, afirma Cunha.

O número, que remete ao período da ditadura cívico militar, não leva em conta repressão, tortura e mortes antes do golpe, apesar de perseguições a militares datarem do ano de 1946. “Eles eram presos, por exemplo, por participar de manifestações em relação a grandes causas nacionais, como ‘O Petróleo é Nosso’ e contra a ida de tropas brasileiras para a Guerra da Coreia”, lembra Cunha.

Antes da ditadura, a agenda dos militares entre 1946 e 1964 se deu fundamentalmente no sentido da ampliação dos direitos civis e políticos da categoria – os praças, por exemplo, eram impedidos de casar ou votar.

Dentre aqueles que eram contrários ao golpe, muitos apoiavam as reformas de base (bancária, fiscal, urbana, administrativa, agrária e universitária) de Jango. O presidente deposto em 1964 defendia ainda a necessidade de estender o direito de voto aos analfabetos e às patentes subalternas das Forças Armadas, além de uma maior intervenção do Estado na vida econômica e do controle dos investimentos estrangeiros no País, acompanhado da regulamentação das remessas de lucros para fora. Com o golpe, a dicotomia direita versus esquerda ganhou corpo e deixou os militares da resistência próximos a Jango encampando um caráter nacionalista sob o qual pediam a restauração do Estado democrático.

Ao rememorar os dias posteriores ao golpe de 1964, Paz lembra que a perseguição passou a ser “automaticamente terrível”. “Já nos primeiros dias de abril ocorreram prisões em grande quantidade. Oficiais e generais eram atingidos, mas o maior número dizia respeito a cabos e soldados. Alguns foram detidos e levados para o navio prisão Raul Soares, ancorado na Baía de Santos”, conta.

Apesar das prisões desde o início da ditadura, lembra o tenente, a tortura contra militares opositores começou anos mais tarde, por volta de 1968. No auge do endurecimento do regime, os serviços secretos buscavam informações sobre focos da resistência militar, assim como a influência do Partido Comunista Brasileiro nos sindicatos, no Exército, na Força Pública e na Guarda Civil.

Estudante de economia na Universidade de São Paulo, Paz ajudava a organizar encontros na União Nacional dos Estudantes (UNE) no campus da USP enquanto formava uma chapa para concorrer à presidência da Associação dos Sargentos, montava informalmente um curso de ciências humanas para militares, participava de um grupo de teatro de rua e editava o jornal O Mensageiro. “Tudo isso foi despertando a ira do comando. Em março de 1970, fui preso pela P2 (seção de inteligência da PM)”, lembra. A punição lhe rendeu um castigo de mais de seis meses como sentinela de porta de banheiro no corredor do quartel e o julgamento pelo Tribunal Militar.

Cinco anos mais tarde, quando trabalhava na área de processamento de dados no turno da noite em uma agência do banco Itaú, Paz foi detido, encapuzado e levado para o DOI-Codi na Rua Tutóia, zona sul de São Paulo. Ali foi torturado por 45 dias.

Além da tortura e humilhação a que estavam sujeitos, alguns militares acabavam sendo expulsos das corporações. “Passavam a ser considerados ‘mortos vivos’, ou seja, as esposas recebiam como viúvas quando tinham direito a benefícios”, explica Cunha. Diante disso, muitos não viam outra alternativa senão reconstruir suas vidas em outras profissões, como advogados, professores de cursinho, motoristas ou mesmo vendedores.

Foi o caso de Pedro Lobo de Oliveira, 82 anos. Expulso com aval do Ato institucional nº 1 de 1964, foi exonerado da Polícia Militar em 6 de maio daquele ano. Pouco tempo depois conseguiu emprego na Petrominas – Petróleo Minas Gerais. “Me puniram por ser ‘subversivo’, mas o que eu fazia eram reivindicações democráticas”, lembra.

Reivindicações que acabaram o levando para a luta armada. Parte do VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), Lobo ajudou a tomar quartéis no Ibirapuera e no Cambuci, ambos na zona sul de São Paulo. Acabou preso novamente em 23 de janeiro de 1969. “No dia da minha prisão encontraram na minha casa 400 kg de explosivos, 10 mil tiros de FAL, 5 mil tiros de submetralhadora INA, morteiros e o dinheiro da organização suficiente para comprar uns 15 carros”, lembra. Foi conduzido à sede da Polícia do Exército, no Ibirapuera, onde foi torturado por quatro dias e teve duas costelas e o osso do cóccix quebrados. Passou pelo Dops, na zona norte da cidade, antes de seguir para o pavilhão 7 do Carandiru e para o antigo presídio Tiradentes.

Em 15 de junho de 1970 foi enviado para o exílio na Argélia em troca do embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher. Do país africano seguiu para Cuba, onde ficou por dois anos e meio. Viveu um ano no Chile, de onde saiu para uma reunião em Buenos Aires no fim de agosto de 1973. Como a verba da organização estava curta, fez a viagem de volta por terra em vez de avião. Na parada em Mendoza descobriu que o governo do esquerdista Salvador Allende havia sido derrubado pelo golpe de Estado de Augusto Pinochet. Decidiu deixar a América Latina rumo à Alemanha Oriental, onde viveu por sete anos trabalhando em uma cooperativa agrícola até ser anistiado e poder retornar ao Brasil.

“A anistia foi extraordinária em parte. Permitiu, por um lado, que os militares voltassem do exílio. Mas anistiou torturadores, que deveriam ser julgados, condenados e pegar prisão perpétua”, avalia Paz. “Foi mais do que injusta. Foi um extraordinário equívoco.”

Marsílea Gombata

Fonte: Carta Capital

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Para saber mais:

Direitos Humanos também para os policiais militares: http://www.asprasergipe.com/2010/05/direitos-humanos-tambem-para-policias.html
 

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Policial cearense é expulso por distribuir livro em que questiona militarização

Darlan Menezes, de 39 anos, atuou 13 anos na Polícia Militar, com comportamento exemplar. Mesmo assim, acabou expulso por questionar a militarização da PM


Darlan Menezes Abrantes, de 39 anos, foi expulso da Polícia Militar por ter distribuído um livro de sua autoria, “Militarismo: Um sistema arcaico de segurança pública”, onde relata os pontos negativos da militarização da polícia, com depoimentos de outros policiais. Além da expulsão, a Polícia pressionou o autor a identificar os policiais que deram depoimento ao livro.

Em 13 anos de serviço à Polícia Militar Darlan sempre teve um comportamento exemplar. O ex-policial é formado em Filosofia pela Universidade Estadual do Ceará (Uece), estudou Teologia pelo Seminário Batista e é pastor de uma Igreja Batista.

Conforme publicação na página 106 do Diário Oficial do Estado do Ceará de 17 de janeiro de 2014, a Polícia Militar instalou inquérito que culminou na instauração da ação penal pela prática de crime tipificado do art. 166 do Código Penal Militar (CPM).

(Publicar o militar ou assemelhado, sem licença, ato ou documento oficial, ou criticar publicamente ato de seu superior ou assunto atinente à disciplina militar, ou a qualquer resolução do Governo: Pena – detenção, de dois meses a um ano, se o fato não constitui crime mais grave).

A expulsão foi baseada no artigo 24 da lei 13.407/03. Além disso, a PM afirma que Darlan invadiu a Academia e desrespeitou os oficiais. O policial distribuiu os livros nas portas da Universidade Federal do Ceará (UFC), Uece e da Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará (Aesp-CE). Porém, segundo Darlan, a distribuição dos livros foi feita do lado de fora da Aesp, e não dentro, conforme defendido pela Polícia.

“O que aconteceu foi que os policiais que recebiam os livros entraram na Academia com os exemplares e mostravam aos colegas”, explica o autor. Durante a investigação, o presidente do Conselho de Disciplina da PM, Ricardo Catarina, deu parecer favorável apenas à punição de Darlan. Mas quando a investigação chegou à Controladoria, resultou na expulsão.

Darlan entrou para a PM em 1995, mas pouco tempo depois desistiu da atuação. Na época, já ouvia policiais comentando sobre a necessidade de desmilitarizar a Polícia. Após cursar Filosofia, o ex-policial fez um concurso para voltar à corporação. Apesar de já conhecer como funciona o sistema, Darlan retornou à Polícia por questões financeiras.

Livro

O objetivo do livro, segundo o autor, é abrir a mente dos soldados acerca do sistema que existe dentro da Polícia Militar. Segundo ele, trata-se de um sistema covarde que trata a sociedade como inimigo. Na primeira edição do livro, Darlan não teve nenhum problema. Mas na segunda, gerou repercussão a ponto de sua expulsão da corporação.

“Como pode uma polícia anti-democrática fazer a segurança de um país democrático? Quando eu trabalhava na polícia, sentia como se estivesse viajando no tempo. Era como se eu voltasse para Idade Média, onde os oficiais eram os Senhores Feudais e os soldados eram os escravos”, comenta.

Darlan utiliza, em seu livro, uma frase do escritor Rui Barbosa que resume bem o conteúdo da obra: “Militarismo é para o exército assim como o fanatismo é para a religião.” No último capítulo, o autor utilizou vários versículos bíblicos e conta uma parábola sobre as três polícias, que na verdade são uma analogia ao policiamento do Brasil, Inglaterra e Estados Unidos.

Segundo a advogada da Associação de Profissionais da Segurança (ASP) e defensora de Darlan Menezes, Quércia Andrade, o caso que está no Conselho de Disciplina em fase final pode ter uma reversão da decisão, fazendo com que Darlan volte a atuar na Polícia Militar.

“Nós acreditamos verdadeiramente que haverá a reversão da decisão. O recurso já foi apresentado e aguarda avaliação do Conselho. Ele (Darlan) tem um comportamento exemplar dentro da Polícia e isso pode favorecê-lo”, explica a advogada. Além do processo administrativo, Darlan responderá a um processo judicial, e será ouvido em maio.

De acordo com o relações públicas da Polícia Militar do Ceará, Coronel Albano, a polícia acatou uma decisão expedida pela Controladoria ao expulsar Darlan Menezes. Com relação a uma possível desmilitarização da Polícia, o coronel informou que esse é um projeto em nível de Congresso Nacional e que não há um posicionamento da instituição.

Fonte: Tribuna do Ceará

sábado, 11 de janeiro de 2014

Justiça expulsa PM da corporação

A Justiça Militar decidiu pela expulsão do policial Edson Oliveira de Almeida, após julgamento por crime de abuso de autoridade e agressão contra um adolescente praticados no ano de 2006 durante a festa de carnaval da cidade.

Segundo a acusação feita pelo Ministério Público Militar (MPM), o militar agrediu o então menor com socos e pontapés, além de tê-lo colocado no porta-malas da viatura policial, expondo o menor a riscos incompatíveis com a suposta prática de delito realizada.

O militar Almeida foi condenado em um primeiro julgamento a uma pena de quatro anos de reclusão em regime aberto, o que não foi aceito pelo MPM e houve o recurso pedindo um novo julgamento. A nova decisão da justiça acatou o pedido do MPM, que pediu pela sua exclusão dos quadros da Polícia Militar. A reportagem F5 News leu o BGO em que foi publicada a decisão de expulsar o militar.

O cumprimento da decisão será feito pelo comando da corporação, que também pode avocar o direito de não expulsar o militar da polícia. Entretanto, a decisão judicial foi tomada em última instância, o que indica que o comando cumprirá a decisão e expulsará o militar Edson Almeida.

Márcio Rocha

Fonte: Portal F5 News

domingo, 9 de junho de 2013

Secretário de Defesa Civil é processado por abuso de autoridade

A Justiça aceitou a queixa-crime feita por oito bombeiros presos e enviados à Penitenciária Laércio da Costa Pellegrino – mais conhecida como Bangu 1 – no Complexo de Gericino, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, em fevereiro do ano passado. Eles haviam sido presos por reivindicarem aumento de salário e melhores condições de trabalho. Com isso, o secretário de Estado de Defesa Civil e comandante geral do Corpo de Bombeiros Militar, coronel Sérgio Simões, o comandante do Grupo Especial Prisional (GEP), coronel Camilo Ribamar Santos, e o diretor de Bangu 1, Rogério Blank das Neves, serão processados por abuso de autoridade.

O coronel Simões está sendo processado porque deu a ordem e o diretor de Bangu porque aceitou receber bombeiros e policiais militares na unidade prisional. A manutenção de militares em uma cadeia para civis desobedece a legislação e estatutos, portanto, foi ilegal. Além disso, os PMs e bombeiros permaneceram durante três dias incomunicáveis, sem poder manter contato com familiares e nem mesmo com os advogados, ferindo a Constituição.

Os cinco militares – o cabo Adhemar de Queiroz Balthar Júnior, o segundo sargento Daniel Alves dos Santos e os terceiros sargento Harrua Leal Ayres, Wallace Rodrigues Chaves e Alexandre Gomes Matias – foram expulsos da corporação, em março do ano passado.
 
De acordo com a análise dos relatórios referentes aos Conselhos de Disciplina aos quais os bombeiros foram submetidos, eles foram considerados “culpados por articulação em manifestações de caráter político-partidário, nas quais incitaram ostensivamente a tropa à prática de ilícitos de natureza disciplinar e penal militar, além da adoção de conduta incompatível com a missão de bombeiro-militar’.
 
A expulsão também atingiu outros oito bombeiros: os cabos Alexandre Salvador de Azevedo, Paulo Roberto Noronha dos Santos Júnior, Andrei Carlos Azevedo dos Santos e Benevenuto Daciolo Fonseca dos Santos, os terceiro sargentos Heraldo Correia Vieira e André Manoel Pontes Matos, o segundo sargento Paulo Edson de Campos do Nascimento e o subtenente Valdelei Duarte. 
 
Roberta Trindade
 
Fonte: Blog SOS Policiais Militares/Rio de Janeiro

terça-feira, 14 de maio de 2013

Cabo da PMRJ, excluído por usar redes sociais, é reintegrado via justiça

Cabo da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, tem ato de exclusão anulado pela Justiça. A exclusão foi motivada por publicações, em redes sociais, de apoio aos movimentos salariais no Estado.

Glória a Deus meus amigos, o Cabo Cristiano Mattos recebeu pela justiça parecer favorável para voltar ao serviço ativo da PMERJ, Deus é maravilhoso. Senhores por favor não deixem de ajudar o SD Samuel que ainda não teve o parecer judicial além do próprio CB Cristiano que não irá receber de imediato o salário, precisando ainda da nossa ajuda, NÃO VAI FICAR NINGUÉM PARA TRÁS, que Deus abençoe os senhores.

Leia decisão completa da Justiça: http://www4.tjrj.jus.br/consultaProcessoWebV2/consultaProc.do?v=2&numProcesso=2012.001.216974-9&FLAGNOME=S&tipoConsulta=0&back=1&PORTAL=1&v=2

Fonte: Blog SOS Policiais Militares/Rio de Janeiro

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Quantos oficiais e delegados foram expulsos?


O secretário de segurança pública do Rio participou nesta terça-feira de uma audiência pública na Câmara dos Deputados, em Brasília. A audiência pública foi requerida pelo deputado Alessandro Molon (PT-RJ), para discutir o combate à corrupção policial no Rio.

Beltrame afirmou que 1.580 policiais civis e militares foram expulsos por desvio de conduta entre 2007 a março de 2013. O deputado Alessandro Molon (PT-RJ) perguntou quantos desses eram oficiais ou delegados. Beltrame não respondeu.

Fonte: Blog SOS PMERJ

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Policial acusado de deserção anuncia avanços no caso e fala sobre dificuldades

Expulso da Polícia Militar de Pernambuco sob acusação de deserção em maio deste ano, Carlos Alexandre Santos da Silva procura mais uma vez a imprensa regional para relatar seu caso. Segundo entrevista ao programa Nossa Voz nesta quinta-feira (08), nos últimos quatro meses houve avanços jurídicos em seu caso – porém as dificuldades se acumulam devido aos problemas de saúde e à condição de foragido.

A situação de desertor teria se instaurado logo após o ex-PM ter se ausentado à Junta Médica para a qual foi convocado em Recife, segundo entrevista concedida em 12/06 deste ano pelo comandante do 5º BPM, Coronel José Teles. Porém Alexandre diz ter comparecido a uma nova Junta em 20 de Junho deste ano, o qual o considerou inapto para o Serviço Militar.

Ele mostrou à reportagem um ofício expedido pela Diretoria de Saúde do Hospital da Polícia Militar, no qual é estabelecido que Carlos esteve sob acompanhamento da Clínica Psiquiátrica no período de 18/11/2009 a 20/16/12, data em que foi submetido à Junta Psiquiátrica, a qual o encaminhou para Reforma por Incapacidade Total e Definitiva para o serviço ativo da Polícia Militar de Pernambuco. O texto solicita pronunciamento do Estado Maior Geral (EMG) da Polícia do estado, afinal o acusado foi excluído provisoriamente do serviço ativo da Corporação ainda no período de licença para tratamento de saúde, por período de 60 dias.

“Impetrei requerimento junto ao Comando de Policiamento do Sertão-II com o cel. Carlos e ele analisou a situação, mas disse não ter competência para resolver. Devido a isso, impetrei um habeas corpus na Justiça, em 2ª instância, estou buscando resguardar meu direito de ir e vir, mas até o momento não foi julgado”, contou.

Ele crê na possibilidade de sucesso, afinal há jurisprudência sobre o caso no Rio Grande do Sul, em que um habeas corpus foi concedido a um militar e definido que a deserção “pressupõe vontade livre e consciente de, sem motivo aceitável, ausentar-se do local onde deveria permanecer na prestação do serviço”, sendo a acusação descabida e um “constrangimento ilegal” quando se trata de ausência por problemas de saúde.

O Código Processual Militar, segundo Carlos, é injusto nestes casos. “Não cometi crime. Imagine ter que ser preso por até 60 dias enquanto o processo é resolvido? Nunca acaba em 60 dias! Cumprir sentença para depois ir à Justiça? Fere a presunção de inocência do indivíduo!”, destacou.

Carlos Alexandre alega que caso consiga responder o processo contra ele em liberdade e ter a pena relaxada, poderá acionar judicialmente o Cel. José Teles por abuso de poder e danos morais. “Tudo não passa de consequência de atos impensados do Comandante do 5º BPM. Ele não pensou antes de agir.

Sempre busquei melhorias para a categoria e pessoas assim, não são bem vistas na corporação. Hoje, estou como foragido. Não consigo trabalhar, porque além dos problemas psicológicos, tenho medo de ser levado. Estou numa situação difícil, privado de andar pelas ruas, gozar dos meus direitos civis por uma falsa acusação”, destacou.

Fonte: Blog Direitos dos Policiais Militares

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Reintegração de praças por decisão judicial

Bol PM nº. 192 - 15 Out 2012 - Fl. 23

REINTEGRAÇÃO DE PRAÇAS POR DECISÃO JUDICIAL

Torna público que, em cumprimento à decisão liminar exarada pelo Exmo. Sr. Dr. juiz de Direito da 1ª Vara Cível da Comarca de Volta Redonda, nos autos do processo nº. 0017557-74.2012.8.19.0066, REINTEGRA ao efetivo da Corporação o EX-CB PM RG 79.829 CARLOS ALBERTO CAMPOS DE OLIVEIRA, o EX-SD PM RG 83.024 LEANDRO AZEVEDO MAGALHÃES, e o EX-SD PM RG 84.139 MARCOS VINÍCIUS DA CRUZ SILVA.

POLICIAIS MILITARES DO 28º BPM (VOLTA REDONDA) REINCLUÍDOS APÓS A EXCLUSÃO EM VIRTUDE DA PARTICIPAÇÃO NO ATO DE MOBILIZAÇÃO PELA DIGNIDADE SALARIAL DA PMERJ EM FEVEREIRO DE 2012

Fonte: Blog SOS Segurança Pública/PMRJ 

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