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quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Resposta da candidata Marina Silva aos questionamentos da Anaspra


Veja a seguir as respostas da candidata Marina Silva (Rede) aos questionamentos da Anaspra.

1- Resumidamente, qual seu plano para a segurança pública nacional, em que pese a articulação da União com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios? Nesse sentido, qual sua posição sobre o ciclo completo de polícia?

A investigação é uma atividade altamente complexa que exige grande especialização. Portanto, devemos incentivar as polícias judiciárias a se especializarem cada vez mais. Já com relação aos crimes de menor complexidade e de menor potencial ofensivo, acreditamos que as policiais militares têm todas as condições para lidar com estas situações. Assim, nos estados em que houver sobre o tema, incentivaremos e apoiaremos a realização do Termo Circunstanciado pelos policiais militares.

2- De que forma a União pode contribuir para a construção de uma política salarial para os servidores estaduais da segurança pública, bem como para a fixação de uma jornada de trabalho de 40 horas semanais?

A administração e gestão das polícias militares é responsabilidade dos governadores de estados. Entretanto, cabe ao Governos Federal, através do Sistema Único de Segurança Pública que será implantado no governo de Marina Silva, estabelecer os parâmetros estruturantes para as carreiras policiais, com vistas a valorização e proteção destes profissionais.

3- Vossa Senhoria acha viável e se comprometeria, se eleito, a instituir a vinculação constitucional de recursos para a segurança pública, tal como ocorre nas áreas de saúde e educação?

O Sistema Único de Segurança Pública deverá redefinir as atribuições e competências da União, estados e municípios na área de segurança pública.

4- Qual sua posição sobre o fim dos regulamentos disciplinares e a instituição de códigos de éticas nas instituições militares estaduais e a desvinculação dos Corpos de Bombeiros e da Polícia Militar?

O governo federal, através do Sistema Único de Segurança Pública, deverá induzir os estados e modernizarem seus regulamentos disciplinares e códigos de ética. Compete aos governadores decidir ou não pela desvinculação dos Corpos de Bombeiros.

5- O Projeto de Lei da Câmara n° 148, de 2015, que põe fim à pena de restrição da liberdade (prisão administrativa), está pronto para ser votado definitivamente pelo Senado Federal. Qual sua posição sobre o mérito da matéria. E, se eleito, colocaria a força do governo, da sua liderança no Congresso e de sua bancada de apoio para fazer aprovar o projeto de lei?

Como dito na resposta anterior, a modernização das relações de trabalho é um dos itens do Sistema Único de Segurança Pública, que inclui o fim da prisão administrativa.

6- O Projeto de Lei nº 6886/2017, cujo texto solicita a inclusão do Espírito Santo na Lei Federal 12.505/2011, que concede anistia a militares estaduais, está pronto para ser votado no Plenário da Câmara. Qual sua posição sobre o mérito da matéria. E, se eleito, colocaria a força do governo, da sua liderança no Congresso e de sua bancada de apoio para fazer aprovar o projeto de lei?

A candidata ainda não tem posição firmada sobre este assunto.

7- Qual o seu projeto voltado para a Força de Segurança Nacional e para a Rede Nacional de Educação a Distância para a Segurança Pública (Rede EaD)?

Embora necessária, a Força Nacional de Segurança Pública precisa ser regulamentada e reestruturada. Atualmente seu custo é muito elevado e seu emprego tem resultado pouco impacto na realidade dos estados. Quanto à Rede EaD, ela faz parte do sistema nacional de formação profissional previsto no Sistema Único de Segurança Pública.

8- Se eleito(a), vai reativar o Conselho Nacional de Segurança Pública - Ministério da Justiça (Conasp) pelo Ministério da Justiça ou o colegiado vai ficar paralisado como está no atual governo?

Sim, se eleita, Marina Silva irá reativar o Conselho Nacional de Segurança Pública, incorporando novas atribuições, como prevê os Sistema Único de Segurança Pública.

9- Qual sua posição sobre a inclusão dos militares federais e dos policiais e bombeiros militares estaduais na Reforma da Previdência?

A reforma da previdência deverá incluir todos os militares federais e estaduais. 

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Resposta do candidato Guilherme Boulos aos questionamentos da Anaspra



1- Resumidamente, qual o seu plano para a segurança pública nacional, em que pese a articulação da União com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios? Nesse sentido, qual a sua posição sobre o ciclo completo de polícia?

Segurança pública não pode ser reduzida à questão policial, embora essa dimensão seja muito importante. Essa visão reducionista que tem embasado o plano de segurança nacional, além de sobrecarregar nossas polícias com um fardo superior às suas possibilidades, não funciona.

Enquanto nossa sociedade for marcada por desigualdades e injustiças sociais, não haverá força policial ou planos de segurança, por melhores e bem elaborados que sejam, que consigam reduzir a violência sem violar direitos. Uma segurança pública fundada na garantia e promoção da dignidade humana só será possível em um plano mais amplo de combate às desigualdades sociais e aos privilégios. É essa visão intersetorial que trazemos em nosso programa.

Mas, para além disso, nosso plano prevê medidas mais específicas para essa área. Vamos desmilitarizar a política de segurança em dois sentidos: primeiro, acabar com a metáfora da guerra que tem dominado o debate e as ações policiais nos últimos anos; segundo, reformar o modelo policial brasileiro com a criação de um ciclo completo, único e civil. Assim, as forças policiais terão como função a vigilância e investigação criminal, seguindo as mais bem-sucedidas experiências internacionais.

Isso implica em uma mudança na formação de todas as forças policiais, pois mesmo as polícias civis, que cumprem um estatuto civil, têm operado na lógica do belicismo, que compreende o criminoso como um inimigo de guerra, violando diversos direitos. É por isso que hoje, nossa polícia é uma das que mais morre e mais mata.

O modelo civil implica em incluir na formação dos agentes temas de direitos humanos e respeito às minorias, mas também em focar o trabalho policial na prevenção, inteligência e no uso qualificado da força e não mais em ações policiais violentas, repressoras que tem como resultado a morte, sobretudo, de jovens negros, pobres e de periferias. Por isso, vamos investir em sistemas de informação, indicadores e metas para planejar, monitorar e orientar a atuação policial, verificando sua qualidade e efetividade. Nossa grande tragédia tem sido agir sem planejamento e sem arquitetura institucional adequada, desconsiderando a relevância dos dados e uma estrutura de governança apropriada.

É preciso dotar o governo federal de um órgão de reunião, análise e monitoramento de dados sobre segurança, além de criar um serviço de inteligência especificamente voltado para a criminalidade organizada, nacional e transnacional. Temos consciência da complexidade dessa proposta, que precisará ser construída junto com as polícias em um processo de discussão e escuta ao invés de imposição.

2- De que forma a União pode contribuir para a construção de uma política salarial para os servidores estaduais da segurança pública, bem como para a fixação de uma jornada de trabalho de 40 horas semanais?

Aqui temos uma questão complexa, em razão da autonomia dos entes federativos. No entanto, existem mecanismos previstos na legislação para uma atuação maior da União no sentido de induzir a adoção de de políticas salariais mais justas para os servidores estaduais da segurança, bem como para o estabelecimento de uma carga horária de trabalho semanal, a fim de superar o abismo salarial entre as carreiras.

Para nós, é central que a valorização de nossos trabalhadores de segurança pública passe também pela redefinição do papel desses servidores. O discurso do “bandido bom é bandido morto” encobre, na verdade, um profundo e total desprezo não só pelos direitos humanos, mas também pela condição do policial. É uma total desconsideração por sua integridade física, psíquica e moral que reflete no fato de termos hoje, uma das polícias que mais mata e mais morre no mundo. A redução da letalidade é peça chave nesse sentido.

Uma polícia respeitada, que atua seguindo uma política claramente estabelecida e definida, com profissionais bem remunerados, assistidos em suas necessidades é o caminho para uma polícia comprometida com a democracia e com os direitos humanos.

3- Vossa senhoria acha viável e se comprometeria, se eleito, a instituir a vinculação constitucional de recursos para a segurança pública, tal como ocorre nas áreas de saúde e educação?

A União precisa ter autoridade para formular e aplicar uma política nacional de segurança pública em conjunto com os governos locais. A unificação das polícias em um único ciclo completo de atuação irá favorecer essa colaboração, que é de fundamental importância para a investigação, inteligência e prevenção.

Mas entendemos que há setores que vêem a vinculação de receitas como fundamental, sobretudo no sentido de aumentar os gastos com inteligência,  investimentos em recursos materiais, na qualificação dos servidores, e na saúde física e psíquica de nossos policiais. Portanto, defendemos um debate mais amplo e plural sobre o tema.

4- Qual a sua posição sobre o fim dos regulamentos disciplinares e a instituição de códigos de ética nas instituições militares estaduais e a desvinculação dos Corpos de Bombeiro Militares?

Não podemos abrir mão de um regulamento disciplinar ou de um código de ética, considerando a natureza do trabalho policial, mas é preciso rever a existência de regulamentos draconianos e o amplo poder discricionário atribuído aos oficiais comandantes. Por meio das competências legislativas da União, vamos interferir nesse aspecto com o objetivo de humanizar a prática e garantir respeito aos policiais.

Outro aspecto fundamental é o papel do Ministério Público no controle da atividade policial. Entendemos que esse papel atribuído pela CR/88 tem sido desempenhado de modo tímido pela Instituição. Nos comprometemos em promover um esforço político, a fim de movimentar o Ministério Público para tornar essa atribuição uma conquista efetiva da sociedade.

O tema dos Corpos de Bombeiro Militares é idêntico ao das Polícias Militares. A natureza dessas funções é civil e cada instituição possui uma atribuição específica de modo que defendemos um novo modelo desmilitarizado de segurança pública e de defesa social.

5-  O projeto de Lei da Câmara n 148, que põe fim à pena de restrição da liberdade (prisão administrativa), está pronto para ser votado definitivamente pelo Senado Federal. Qual a sua posição sobre o mérito da matéria. E, se eleito, colocaria a força do governo, da sua liderança no Congresso e de sua bancada de apoio para fazer aprovar o projeto de Lei?

Somos amplamente favoráveis ao fim da prisão administrativa para policiais militares e bombeiros militares, porque segundo a nossa concepção a natureza dessas atividades é civil. Como dito anteriormente, nosso objetivo é exercer as competências privativas da União no sentido de legislar sobre essas corporações e nessa perspectiva acabar com as prisões disciplinares, criando dispositivos disciplinares mais adequados ao trabalho policial e de defesa social.

É possível criar um processo administrativo-disciplinar que permita apuração com celeridade e garantias constitucionais aos acusados, sem passar pela prisão administrativa. Eleitos, não apenas faremos isso, como também iremos nos colocar do lado de qualquer iniciativa parlamentar que venha contribuir para a promoção da dignidade e do respeito à condição de trabalhadores dos nossos agentes policiais.

6- O projeto de Lei n 6886/2017, cujo texto solicita a inclusão do Espírito Santo na Lei Federal n 12.505/2011, que concede anistia a militares estaduais, está pronto para ser votado no Plenário da Câmara. Qual a sua posição sobre o mérito da matéria. E, se eleito, colocaria a força do governo, da sua liderança no Congresso e de sua bancada de apoio par fazer aprovar o projeto de lei?

Nós acompanhamos o movimento dos policiais militares do Espírito Santo, em fevereiro de 2017. Entendemos que esse movimento foi fruto da omissão de vários governos com esses servidores, que, de um modo geral, tem sido a regra nos estados da federação. Entendemos que muito desse descaso está relacionado ao modelo militarizado de nossa polícia, pois restringe direitos e impõem obrigações. Defendemos um modelo civil para as nossas polícias, que permitiria mais direitos para nossa população, mas também para nossos policiais, a começar pelo direito à voz. Assim, estaremos empenhados em fazer com que aqueles militares tenham o direito à anistia na forma da legislação, empenhando nosso governo e nossa bancada nesse sentido.

7- Qual o seu projeto voltado para a Força Nacional e para a Rede Nacional de Educação à Distância para a Segurança Pública (Red EaD)?

Nós entendemos que é relevante ter uma força pública à disposição da União para socorrer os estados membros, quando os recursos disponíveis nos estados se revelem insuficientes, precedendo o emprego das Forças Armadas na Garantia de Lei e Ordem (GLO), que lamentavelmente no Brasil tem se tornado a regra nos últimos anos. O modelo atual, porém, é frágil e, a bem de ver, sem previsão na Constituição da República. O modelo atual, é bom lembrar, foi criado como um programa de treinamento e cooperação entre os estados e a união federal. Pouco ou quase nada adianta a um estado ceder membros para a Força Nacional sem qualquer compensação efetiva por parte da União.

O emprego da Força Nacional, por outro lado, precisa cumprir um plano mais articulado entre União e estado membro. O que ocorre hoje é que Força Nacional vem sendo utilizada, a um custo muito elevado e tal como a GLO, muito mais para “apagar incêndios” do que para cumprir objetivos e metas traçadas a partir de um plano concebido anteriormente.

Nós acreditamos que seja muito mais coerente apostar na consolidação de uma nova governança para a segurança pública, avançando no Sistema Único de Segurança Pública e reforçando as polícias federais e estaduais, do que insistir num programa precário e sem amparo na Constituição. Quanto ao ensino à distância, entendemos fundamental que a União assuma um papel de destaque na formação e na qualificação dos nossos policiais. Entendemos mesmo que esse é, como destacamos anteriormente, um dos papéis fundamentais da União.

Assim sendo, pensamos em criar uma Escola Nacional de Segurança Pública que se encarrega da produção de conhecimentos nessa área e na formação e na difusão de doutrina acerca do tema para todo o Brasil. O ensino à distância, considerando as dimensões continentais de nosso país, não poderá ser desconsiderado.

8- Se eleito vai reativar o Conselho Nacional de Segurança Pública, ou o colegiado vai ficar paralisado como está no atual governo?

O Conselho Nacional de Segurança Pública foi reativado em fevereiro de 2017, mas é preciso que se torne um espaço plural de participação popular com movimentos sociais e organizações não governamentais. Como já tivemos oportunidade de sustentar anteriormente, nossa compreensão de segurança passa pela articulação comunitária e pela participação da sociedade no acompanhamento e na formulação das políticas de segurança.

9- Qual a sua posição sobre a inclusão dos militares federais e dos policiais e bombeiros militares estaduais na reforma da previdência?

Somos contra a reforma da previdência nos moldes estabelecidos pelo governo Temer. Nenhum trabalhador pode aposentar no caixão; esse é um direito duramente conquistado e que deve ser mantido. Nosso governo tem como principal compromisso o combate às desigualdades e o enfrentamento de privilégios. Por isso, ao invés de reforma da previdência, faremos uma reforma tributária progressiva, para que rico comece a pagar imposto no Brasil.

Entendemos que os militares federais e os policiais integram categorias especiais por conta da singularidade das atribuições que cumprem, razão pela qual achamos justa a existência de regras diferenciadas. Precisamos, contudo, discutir o alcance dessas regras, para que elas não sejam onerosas para com os demais contribuintes do sistema, afinal o nosso modelo é o da solidariedade entre as gerações. Mas, por princípio, nos comprometemos a não retirar nenhum direito já conquistado pelos trabalhadores e nos comprometemos também a enfrentarmos juntos o desafio da reforma previdenciária, sem impor nada de cima para baixo, conforme tem sido a regra de muitos governos.

Entendemos, conforme já o dissemos, que a segurança pública no Brasil precisa de reformas urgentes, e para isso não podemos prescindir da parceria dos nossos policiais na construção de alternativas para o atual cenário. 

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Presidente da ABMRN faz apresentação sobre carreira única na segurança pública


A adoção da carreira única nas instituições de segurança pública será tema de apresentação do presidente da Associação dos Bombeiros do Rio Grande do Norte (ABM-RN), Dalchem Viana, no 11º Congresso de Gestão Pública do Estado.

Com o título do trabalho "Adoção da Carreira Única: viabilidade de adoção e impactos em mudanças estruturais na Segurança Pública do RN", Dalchem pretende mostrar que o tema não é uma pauta exclusivamente corporativista, mas representa uma política pública "do maior interesse público", conforme suas próprias palavras. O Congresso, que será realizado entre 30 de agosto e 1º de setembro, é uma iniciativa do Governo do Rio Grande do Norte e da Escola de Governo Cardeal Dom Eugênio Sales, e tem a finalidade de gerar conhecimento na área de gestão pública. A apresentação é resultado de um trabalho de conclusão de curso (monografia) de Especialização em Gestão de Políticas Públicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e a Escola de Governo.

Como bombeiro militar, Dalchem estuda profundamente a administração da segurança pública e aponta um marco para essa vontade de mudança de paradigma: a Conferência Nacional de Segurança Pública. "A Conseg foi uma tentativa de fazer um debate mais amplo entre os entes municipais, estaduais e federal. E a partir dali você começa a entender porque nada muda em um sistema que permite 60 mil mortes por ano, porque isso não é revisto", avalia.

Ele atribui esse conservadorismo às estruturas de poder, dentro e fora das polícias, para manter as coisas como estão. "Não se pode falar, por exemplo, em polícia de aproximação se o gestor está totalmente distante da demanda social. Como um gestor que toma decisões tão longes da realidade social vai criar políticas de segurança adequadas?", questiona.

A monografia foi aprovada com nota máxima, sob a orientação da professora-orientadora Sandra Cristina Gomes, pós-doutorada em Ciências Sociais e especialista na área do resgaste histórico da consolidação dos Direitos Sociais da Constituição Federal. "Meu trabalho também tem um viés social porque as instituições de segurança pública reproduzem os estamentos e as classes, pois garantem privilégios para uma minoria manter o status quo e monopoliza toda a gestão. E quem sofre com isso é a sociedade."

Em seu trabalho, Dalchem também aborda a falta de sintonia entre as várias instituições de segurança. "Todas as outras políticas sociais, como por exemplo o SUS e o SUAS, já tem uma política de integração, mas um sistema unificado de segurança não existe no Brasil. A segurança é o filho renegado, o município diz que é do Estado, e o Estado diz que agora não poder arcar com tudo e quer entregar ao ente federal".

Além da falta de entrosamento, não existe planejamento das instituições. "O sistema é totalmente militarizado, não só as instituições militares, mas toda a segurança pública", afirma. "São meias polícias, sem integração, sem planejamento, com agências concorrentes. Por que um sistema assim não muda?"

Experiência potiguar

No Rio Grande do Norte, a luta pela adoção da carreira única tem duas frentes. A primeira, no Fórum de Segurança Pública, discute o tema com outras categorias "e também defende o fim de concurso público para chefe", conforme explica Dalchem. Uma das principais bandeiras do fórum é a carreira única, em todas as instituições de segurança pública.

Nesses últimos meses, as associações têm se pautado para mudar o Estatuto dos Militares e construir uma nova lei de organização básica. Para isso, foi instituída uma comissão formada pelo Executivo e as entidades representativas. O trabalho avançou, informa o presidente da ABM-RN, mas ainda não chegou a alguma conclusão. "Talvez, somos um dos poucos estados que tem uma proposta concreta para efetivação da carreira única, com critérios de interstício, tipo de formação, como é o processo meritocrático", diz.

A proposta foi apresentada no âmbito da comissão e em audiência pública na Assembleia Legislativa, mas o colegiado ainda não concluiu seus trabalhos. "Temos o apoio de vários deputados e quando a gente faz essa discussão com a sociedade a aceitação é muito boa, e os parlamentares começam a nos perguntar por que isso ainda não foi implementado".

Dalchem garante, com base em um parecer jurídico, que é possível os Estados implantar a carreira única sem a necessidade de uma alteração em legislação federal ou até mesmo da Constituição Federal. No entanto, as coalizões conservadoras que construíram essas instituições, em todos esses anos, não permitem mudanças.

Em defesa do ingresso único nas corporações, Dalchem argumenta que essa medida possibilita a ascensão da base dos operadores da segurança pública e vai garantir que outras reformas estruturantes sejam efetivadas - como a desmilitarização e o ciclo completo de polícia. "A sociedade tem que perceber que a carreira única vai permitir uma instituição com processo meritocrático constante, que vai ter um profissional muito mais adequado à gestão. O sistema é mais justo, mais adequado e mais eficiente", defende.

Pauta da Anaspra

A carreira única nas instituições militares é uma das principais pautas da direção da Anaspra. Nesse sentido, conforme a posição do presidente da Anaspra, cabo Elisandro Lotin de Souza, o modelo de duas carreiras, uma para chefe e outra para executores, é fator de desmotivação e desagregação da tropa. "Para além das questões profissionais, o modelo também é caro para o Estado e, em última análise, para a sociedade. O Estado precisa arcar, por exemplo, com duas academias de polícia, uma para praça e outra para oficial, o que gera custos desnecessários", argumenta Lotin.

Lotin, que também é integrante do Conselho Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, considera que a Constituição de 1988 prevê carreira única. "O espírito do constituinte originário, na questão da segurança pública, já trazia a carreira única como modelo, o que acabou não se concretizando por pressão se delegados e oficiais", explica. "Outra questão é que não há que se falar em inconstitucionalidade como comprovamos com estudo elaborado pelo jurista Lênio Streck". Segundo o presidente, a adoção da carreira única democratiza as instituições, integrando-as interna e externamente. "Em suma, a carreira única trará integração, otimização de pessoal, economia de recursos, perspectiva para todos os profissionais", resume. 

Ciclo completo 

Outra pauta prioritária da Anaspra é o ciclo completo de todas as polícias, entre elas, a Polícia Militar. Esse modelo, adotado na Europa e na América do Norte, consiste na atuação plena das instituições policiais, ou seja, permite atuar na prevenção, na repressão e na investigação. 

Conforme o presidente da Anaspra, a medida "agiliza a resposta para sociedade e otimiza o trabalho policial militar ao mesmo tempo que liberaria a Polícia Civil para a investigação de crimes mais relevantes, como por exemplo corrupção em nível estadual".

Fonte: Anaspra

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Anaspra: “A polícia é formada para ser violenta”, diz PM de Santa Catarina

Presidente da Associação Nacional dos Praças e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Elisandro Lotin defende que o primeiro passo para combater a violência é garantir os direitos dos policiais.

Presidente da Anaspra, Cabo Lotin. Foto Arquivo Aspra

Abusos da polícia não são um desvio de função da corporação – muito pelo contrário. Desde a sua origem, o sistema de segurança pública no Brasil existe para servir ao Estado e não à sociedade. É o que defende Elisandro Lotin, cabo da Polícia Militar de Santa Catarina: “Nós temos um Estado altamente concentrador e idealizado a partir de uma lógica econômica. A polícia tem por função manter o controle social de 95% da população, que está fora de qualquer discussão político-econômica, quando necessário, com a utilização da violência. A grande questão é que o policial não se dá conta de que faz parte desse 95% de excluídos”.

Lotin é presidente da Anaspra (Associação Nacional dos Praças), membro da diretoria Aprasc (Associação dos Praças de Santa Catarina), do Conasp (Conselho Nacional de Segurança Pública) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Pelo Código Penal Militar, ele não poderia sequer dar a entrevista a seguir. “Já fui preso várias vezes. Os policiais são subcidadãos, não podemos nem falar. Mas cada vez mais, nosso pessoal questiona e se mobiliza contra isso”.

Para ele, defender os direitos dos policiais é o primeiro passo para combater a violência cometida pela instituição e repensar um novo modelo de segurança pública: “Se o policial é aviltado em seus direitos mais básicos enquanto trabalhador, ele vai respeitar os direitos dos outros?”

Revista Brasileiros – A polícia do Brasil é uma das que mais matam e que mais morrem no mundo. A quem serve o sistema de segurança pública no Brasil?

Elisandro Lotin - Em sua origem, o sistema de segurança pública do Brasil serve a um pequeno grupo de pessoas, detentoras do poder político e econômico. Desde as origens das instituições de segurança pública, quando a polícia caçava escravos, mantinha os pobres afastados e isso não mudou muito. Foi assim no passado e é assim hoje, o desafio é mudar esta lógica e fazer da polícia uma instituição para proteger o cidadão.

A violência da polícia no Brasil pode ser considerada um desvio ou é justamente essa a finalidade dela?

Nós temos um Estado altamente concentrador e idealizado a partir de uma lógica econômica. Ela é uma polícia montada e treinada nessa lógica econômica e política, naturalmente tem por função manter o controle social de 95% da população que está fora de qualquer discussão, e é obrigada a ficar nos seus espaços, não pode agir. A polícia tem que manter essas pessoas controladas a qualquer custo, quando necessário com a utilização da violência.

O senhor defende que o policial é vítima e não algoz da violência. Por quê?

O policial também faz parte desses 95% de pessoas que precisam ser controladas. O policial não faz parte da elite, da classe dominante. Acontece que no treinamento do dia a dia, e através de regras e legislações que tiram dele a cidadania, ele avalia que está fora – mas não está. Não é só dentro dos quartéis. O Estado brasileiro é um Estado militarizado. Não é só a polícia, que está na linha de frente, um órgão de coerção. O Judiciário é assim, o Ministério Público é assim. O Estado gira em torno de manter 95% da sociedade sob controle, todos os órgãos estão a serviço disso.

E qual o papel da formação do policial nesse contexto de violência?

Temos dois modelos de policiamento no mundo, que se destacam nos países ocidentais. O policiamento inglês, um modelo de policiamento comunitário, de proximidade, de bairro, onde a polícia está próxima do cidadão. Alguns estados dos EUA, Inglaterra, Japão desenvolvem esse modelo. O outro é o modelo francês, que é da polícia do Estado. No Brasil temos o modelo francês, que é de Estado, e dominado pelo poder econômico. A formação do policial vai nessa lógica, formá-lo para defender o Estado e o poder econômico – não a sociedade. Não só do policial, mas de todos os segmentos que deveriam estar protegendo a sociedade e não estão. Na formação do policial você passa por uma ideologização, tem que ver naquela outra pessoa, naqueles 95%, um inimigo do Estado – como tal, vai criar conflito. A grande questão é que o policial não se dá conta de que faz parte desse 95% por conta dessa ideologização ao longo de sua formação e do desempenho de suas atividades.

E como se dá essa ideologização?

Eu defendo que nas academias de polícia os cursos sejam dados por pessoas capacitadas em suas áreas. Alguns estados têm evoluído para um novo modelo de policial, mas outros estão muito atrasados. Por exemplo, no curso de direitos humanos. É preciso falar mais sobre isso, sobre cidadania, formação da sociedade, antropologia, sociologia, psicologia. Claro, se partirmos da lógica de que é preciso controlar a ferro e fogo os policiais, e o modelo impõe isso, matérias militares se fazem necessárias, afinal o objetivo delas é justamente controlar e adestrar. Sim, somos adestrados, os manuais militares dizem isso, que somos adestrados e não treinados. Ainda temos uma lógica em algumas instituições em que um policial, no adestramento, vai para o mato e fica uma semana apanhando, passando fome, sem dormir, sendo humilhado e até torturado física e psicologicamente. Me pergunto: que benefício este tipo de treinamento trará para a segurança pública? Que tipo de policial queremos? Em que momento esse tipo de treinamento vai ajudar a termos uma segurança pública cidadã, que defenda e prime pelos direitos humanos, por exemplo? A própria palavra, adestramento, já é uma afronta. É óbvio que neste contexto o policial vai priorizar coisas que não são a cidadania, o respeito aos direitos, e para ajudar nisso tudo, temos uma legislação penal, militar, regulamentos, que acaba por nos forçar a ser assim também. Por exemplo, eu tenho que cumprir uma reintegração de posse de uma fazenda que está lá improdutiva e que o Incra está em processo de desapropriação para entregar à reforma agrária. Eu, enquanto cidadão, pensador policial e defensor de uma outra lógica de polícia, tenho a compreensão de que aquele trabalho é injusto e errado. A Constituição garante a utilização social da terra. Só que se eu não for cumprir essa ordem judicial, eu vou preso. Todo mundo sabe que não pode bater e espancar. Mas se o policial é espancado no seu treinamento, se ele é aviltado em seus direitos mais básicos enquanto trabalhador, ele vai respeitar os direitos dos outros? Não. Ele não sabe o que é isso. Minha tese é de que somos produto de um modelo, não se pode culpar o policial. Ele foi treinado para ser assim. O policial é violento porque a sociedade é violenta, o Estado é violento. O Estado é obrigado a dar saúde e educação, por exemplo. Quando ele não dá, a população se revolta. Quem é que vai lá controlar essa população? A polícia. É um órgão do Estado pago para fazer o que o Estado deveria fazer e não faz. Nós estamos agindo na falha e omissão do Estado.

O senhor diz que as denúncias de tortura contra policiais têm aumentado. O senhor acha que as denúncias é que aumentam ou os casos de tortura em si?

Acho que isso se deve ao aumento de denúncias formais, bem como ao “novo” policial que começa a surgir e que tem consciência de seus direitos e deveres. Este “novo” policial surge consciente da evolução social, conhece seus direitos, ou seja, ele acompanha a evolução do mundo, da sociedade, do Brasil. Temos muitos policiais hoje com nível superior, ele não aceita mais determinadas situações e isso tem criado um aumento de denúncias, o policial hoje é mais questionador. Os policiais brasileiros querem mudar a realidade – as estatísticas dizem isso. O problema é que encontramos barreiras dos dois lados: do Estado que não deseja mudar nada, que vem com todo seu poder de força disciplinar e tenta calar o policial, e por outro lado encontramos uma resistência da sociedade em geral, que também é moldada em uma lógica excludente. A sociedade brasileira é violenta e exige, inclusive, que o policial seja assim, claro, desde que não seja com ele, com o filho, o amigo, o parente, enfim. Vivemos um antagonismo. Imagino um policial cheio de interrogação na cabeça. Ao mesmo tempo em que a sociedade prega a defesa dos direitos humanos, pesquisas mostram que 50% defende que bandido bom é bandido morto. Ao mesmo tempo que o policial deseja mudar, o Estado, que deveria ser o principal indutor desta mudança, age de forma oposta.

A militarização em si da polícia é um problema?

Eu sempre fui um defensor da desmilitarização, porém ao longo de anos de estudo e por experiência empírica, creio que hoje, para termos uma melhoria de fato na segurança pública, não basta só desmilitarizar. É preciso mudar o modelo, a cultura. A sociedade é “militarizada”, a política é “militarizada”, belicistas, e quando falo militarizada refiro-me à questão cultural. Veja a Polícia Civil, por exemplo, lá também tem órgãos tão “militarizados” quanto a PM, repito, refiro-me à cultura. Na Guarda Municipal ou civil, a mesma coisa. Enfim, a sociedade brasileira é militarizada. Isso porque o grupo dominante quer que seja assim. Desmilitarizar por desmilitarizar não vai adiantar. A desmilitarização é um processo bem mais complexo do que simplesmente deixar de estar vinculada ao exército. Existem no mundo instituições com um organograma militar, mas com cultura diferente, cidadã, humana. Quando os policiais falam em desmilitarização, eles querem dizer humanização, respeito, dignidade, respeito aos direitos dos mesmos, enfim. A questão é: nosso modelo militarizado aceitaria isso? Me parece que não, e neste caso é preciso desmilitarizar. A quem interessa o modelo militar de segurança pública, que prende policial ou bombeiro por questões disciplinares irrelevantes no contexto da segurança pública, ou mesmo da eficiência do trabalho? A resposta me parece clara, interessa a um grupo de pessoas que deseja nos manter alijados de um debate mais progressista. Para a sociedade civil, desmilitarização significa acabar com a violência, e isso não vai ocorrer, pois a sociedade é violenta e o Estado maximiza essa violência na medida em que é formatado e mantido para um pequeno grupo de pessoas.

Se o senhor relaciona a violência a qual o policial é submetido dentro dos quartéis com a que ele comete na rua, então não são visões tão diferentes.

A violência sofrida dentro dos quartéis tem o cunho de moldar, de controlar, é tudo impositivo, sem discussão, e se um PM no seu dia a dia sofre com isso, ele absorve e externa essa realidade para a sociedade. Me parece meio lógico, se você é maltratado, desrespeitado e aviltado em seus direitos mais básicos, você fará o mesmo com os outros. Quando o policial fala em desmilitarização, ele fala isso em função dele enquanto cidadão detentor de direitos que são sistematicamente violados pelo Estado. A sociedade, quando fala em desmilitarizar, tem a crença de que a violência policial acabará, o que não é verdade, visto que a própria sociedade fomenta a violência, ou seja, contribui para a violência policial. Em outras palavras, o policial é produto de um modelo que o torna violento. A violência policial e a violência da sociedade possuem uma ligação direta. Como eu disse, e insisto, no Brasil existe uma banalização da violência, fomentada pelo Estado, pela mídia e por parte da sociedade.

O senhor está na ativa. De acordo com o Código Penal Militar, o senhor poderia estar dando essa entrevista?

Não, nem pelo código penal militar e nem pelos regulamentos internos nossos. Estou sujeito à punição. Os nossos regulamentos, em sua maioria, são da década de 80, ou seja, de antes da Constituição.

O senhor já recebeu algum tipo de punição?

Já, eu e inúmeros outros companheiros. Mas a gente insiste porque estamos defendendo inclusive o próprio policial e um novo modelo de segurança pública, o qual tenha por princípio a dignidade humana, o respeito, a humanização, enfim. Nós não gostamos do que estamos vendo em termos de segurança pública, até porque este modelo faz vítima de todos os lados, sejam policiais ou da população. Defendemos um novo modelo de polícia, com cidadania, ética, e respeito. E isso é defender, inclusive, os polícias e a polícia. Faço parte de vários grupos de discussão sobre segurança pública, como por exemplo “Policiais antifascismo”; “Policial Pensador”, “Militares para a Democracia”. Hoje temos milhares de policiais (civis, militares, guardas municipais, policiais federais, rodoviários federais, agentes prisionais), de todos os níveis hierárquicos que debatem segurança pública.

E qual foi a punição que o senhor recebeu?

Já fiquei preso, peguei punição administrativa. De 1997 para frente, várias polícias no Brasil fizeram greve, seja para reivindicar salário, mudança de jornada de trabalho, e greve na polícia é algo proibido. Vários policiais que discutem isso já foram punidos. Estamos sujeitos a todo tipo de punição disciplinar. Aqui em Santa Catarina tivemos um policial expulso. Em outro estado, teve um que defendeu a desmilitarização na tese de mestrado e foi expulso. Não podemos falar sobre segurança pública. Imagina um médico, uma enfermeira ou auxiliar de enfermagem que não pode falar sobre saúde? É absurdo.

O senhor ficou preso quanto tempo?

Se somar tudo, eu nem sei. Fui preso várias vezes. Fiquei 48 horas uma vez, 24 horas, enfim. Foram várias punições ao longo desses 20 anos discutindo a situação da polícia. Claro que tem conjuntura política nessa jogada. Em SC, por exemplo, faz algum tempo que não tenho tido nenhum problema. Algumas polícias estão aplicando mudanças, como a de SC, já começa a chegar uma nova geração de oficiais, de gestores, que já pensam pós-Constituição de 1988. Mas em estados como Rio Grande do Norte, e outros do Nordeste, o militarismo e as regras militares, principalmente que tolhem qualquer cidadania do policial, ainda são muito aplicadas.

O senhor é presidente da Anaspra, ex-presidente da Aprasc e membro da diretoria. Como é ser sindicalista nesse ambiente militar?

Difícil, muito difícil. Para começar, essa palavra “sindicalista” para nós é proibida, vetada pela Constituição. Tanto que não temos um sindicato, mas uma associação. Fomos processados em 2009, pelo governo de SC, por estarmos agindo como sindicato. Primeiro você tem que vencer barreiras internas, nosso próprio pessoal tem dificuldade em aceitar que tem direitos e que tem que lutar por esses direitos. Falar em manifestação, o cara fica com um ponto de interrogação, não sabe se é trabalhador, se é policial ou militar. Se ele é cidadão, se não é. Ele é condicionado ao longo da sua vida para não pensar nisso. E tu sofre barreiras jurídicas, legais. Apesar disso, em SC hoje, a gente já está em outro patamar, superamos essas questões politicamente. Somos a maior entidade de praças do Brasil, proporcionalmente. Temos praticamente todo o efetivo da PM e BM, tanto da ativa quanto da reserva, filiados à entidade, são 15 mil. E temos uma inserção social muito grande, o que nos dá uma certa blindagem política. Tivemos um deputado eleito duas vezes aqui. Eu fui candidato a deputado estadual pelo PSOL. A gente criou um certo respeito e reconhecimento das autoridades.

Esse cenário é atípico para o resto do País?

Só ocorre em Santa Catarina e Minas Gerais, que foi o primeiro estado do Brasil a fazer uma greve, em 97, quando inclusive um cabo da PM foi assassinado. A maioria ainda tem uma lógica secular, que existia na época da ditadura. No RN teve um policial que fez um comentário numa plataforma de debates na internet e pegou 15 dias de prisão. Eu sou presidente da Anapra, temos feito essa discussão com outras organizações e o debate tem evoluído, as discussões sobre modelo de segurança pública estão mais acirradas, o que obriga o Estado a pensar mais nessa questão. Mas ainda existe uma repressão muito grande com relação aos policiais pensadores. Parta da premissa de que até 1988 soldado e cabo eram proibidos de votar. A política é muito nova no nosso meio. Aí em São Paulo a segurança pública é um absurdo e os policiais são vítimas disso, de um lado do Estado e do outro do crime organizado. Sofre uma influência do PSDB, que está há 20 anos no poder. Em termos de regulamento, ainda não se adequou à Constituição de 88, existem problemas sérios com relação à sociedade civil organizada que vê no policial o inimigo, quando na verdade ele é tão vítima quanto os outros.

Quando a gente pensa no combate à violência policial, de quem devemos cobrar? Quem é o responsável por repensar esse modelo de segurança pública?

Nós vivemos um modelo completamente arcaico. Temos duas polícias, uma civil e uma militar, que em tese se complementam, o que não existe em nenhum lugar do mundo, por isso somos defensores do ciclo completo de polícia. Cada órgão de polícia fazer todo o procedimento do início ao fim. O modelo de segurança público é suis generis, porque o Estado, a União tem pouca gerência sobre o modelo. O artigo 144 da Constituição é muito falho, foi muito limitado. Os estados é que gerenciam as suas polícias, existem normas gerais que a União legisla, mas quem gerencia são os Estados. A PM, por exemplo, é força auxiliar reserva do Exército. Se todos os efetivos da PM estivessem no Itaquerão, vai chegar o presidente da República e me dar uma ordem, o governador do Estado para dar outra ordem, o comandante geral da PM dá outra ordem e vai chegar o general comandante do Exército e dar outra. A gente entra em parafuso, não sabemos a quem responder. Devemos obediência a vários senhores.

Que tipo de tortura um policial sofre dentro dos quartéis?

Tem imagens na internet, qualquer um pode ver, de policial em treinamento e comendo a mesma comida que um cachorro, na mesma gamela. Tortura psicológica, isso é regra. As ameaças. O índice de assédios moral e sexual de mulheres nos órgãos de segurança pública chega a quase 40%, segundo pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Tivemos casos de policiais fazendo flexão no asfalto quente às 16h, num sol de 40 graus. O filme “Tropa de Elite” mostra aquela cena dos caras comendo comida no chão. Aquilo acontece.

Apesar dos avanços que o senhor aponta com relação aos direitos para policiais, o número de suicídios na polícia é alto e crescente. Por quê?

Aqui em SC, nos últimos cinco anos, foram 20 suicídios nos órgãos de segurança pública. Em 2015 até agora foram 9 suicídios na PM, com um efetivo de 9 mil pessoas. É um numero absurdo. Temos em média quase sete vezes mais chance de se suicidar do que a sociedade comum. Isso se deve a vários fatores: assédios, a gente trabalha com a área que a sociedade joga para debaixo do tapete. Ao mesmo tempo em que atendo uma ocorrência de algo lindo como um parto, dez minutos depois vou atender uma ocorrência de um pai que estuprou uma menina de um ano. Existe ainda uma lógica na sociedade que o policial é herói. Ele não é herói, é um ser humano como qualquer outro. Se ele está num ambiente muito propício de ter altos e baixos psicológicos, que sofre uma carga negativa muito grande com o pior tipo de violência que existe, que tem todo um regramento que priva ele de cidadania, de poder falar, inclusive, isso tudo aumenta os índices de suicídio.

Existe um atendimento psicológico para os policiais?

Esse é um outro problema. Aqui em SC nós conseguimos a partir de 2011 aprovar várias leis que davam acompanhamento psicológico. Porém essa legislação chegava na mão do governador e ele vetava porque é inconstitucional criar custos para o Estado na Assembleia.

Pois bem, a partir de um caso que ganhou repercussão nacional (um PM que teve um surto psicótico em Joinville e tirou a farda, enfim), com o apoio do governo federal, bem como por conta de nossas cobranças, o comando da PM da época, criou um programa de acompanhamento dos policiais e bombeiros, mas ainda existem algumas dificuldades do ponto de vista prático. Temos um efetivo muito pequeno e aí às vezes o policial teria que ser afastado e não é, a orientação do psicólogo não é atendida pela necessidade de ter policial na rua. Para além destas dificuldades, temos o fato de que os próprios policiais por vezes resistem a procurar ajuda, afinal, para todos e para ele ele é um super herói e assim imune a tudo e todos. Em suma, existem programas que funcionam de forma muito tímida ainda.

E com relação à atual conjuntura política e os projetos que tramitam no Congresso? O senhor se sente contemplado pela bancada da bala?

Absolutamente não. Sou radicalmente contra a redução da maioridade penal, a mudança do estatuto do desarmamento. Nós tivemos uma ruptura institucional ilegítima com o impeachment de Dilma e temos um Congresso extremamente conservador. Temos vários policiais discutindo melhoras na segurança pública enquanto temos um Estado que, com essa ruptura, vai no sentido contrário do que estamos discutindo. Estamos regredindo em termos de Estado ao mesmo tempo em que avançamos em termos de policiais pré-dispostos a discutir isso. Acho que o governo federal anterior pecou muito, poderia ter dado uma contribuição muito maior, não fez e ainda abriu portas para que esse governo de agora piore o que já era ruim. Lula e Dilma poderiam ter feito esse debate de forma muito mais propositiva. Não fizeram e aí vem esse governo agora conservador que vai na lógica de retirar direitos dos trabalhadores, inclusive dos militares que até então estavam blindados na previdência, pelo menos. Eles também serão vitimas disso, só que quem vai ser utilizado para manter sob controle esses trabalhadores que vão perder direitos? O Estado comete erros e utiliza os policiais para manter a massa sob controle. O grande diferencial agora é que esses policiais também vão ser vítimas diretas desse conservadorismo e vão ter seus direitos mais aviltados ainda. Como que eles vão reagir? Não sei. O que temos dito para nossos policiais é: nenhum direito a menos e só a luta muda a lei.

É comum ter policiais de esquerda com o senhor?

Somos milhares em vários grupos de debate. Tem bastante, mas boa parte não se manifesta por conta desses regulamentos.

O deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) é representativo da ideologia predominante na PM?

Sim, e isso me deixa muito frustrado. Conheço o Bolsonaro, debati com ele alguma vezes, é o que representa a maioria da categoria hoje. Ele tem um discurso fácil. A sociedade mundial hoje é fascista. As lógicas de direita e extrema direita, em função das crises econômicas, estão se fortalecendo. Aí você foca sua insatisfação no Bolsonaro, e quem é ele? Está há 20 anos no poder e nunca fez nada pelos policiais ou pela sociedade, exceto discursos fáceis e via de regra divisionistas e maniqueístas. 

Fonte: Revistas Brasileiros/Portal Terra

terça-feira, 28 de abril de 2015

GT do assédio moral e sexual às agentes de segurança formata cartilha


Os conceitos de assédio sexual, moral e de gênero, como identificar, amparo legal, a quem e como denunciar, e o consequente acolhimento da vítima e punições aos assediadores. Estas foram as principais definições decorrentes da primeira reunião do Grupo de Trabalho realizada nos dias 23 e 24. O GT foi formado através da Portaria Conjunta nº 2, da Secretaria Nacional de Segurança Pública e da Secretaria de Reforma do Judiciário, publicada no último dia 31 de março, e é composto por representantes de 21 entidades representativas de trabalhadores da segurança pública em nível estadual e nacional, além de representantes dos seguintes órgãos institucionais: Senasp, SRJ, Conselho Nacional de Segurança Pública, Conselho Nacional do Ministério Público, Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República e Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

O GT foi criado com a meta de elaborar uma cartilha orientativa sobre assédio moral e sexual, dedicado apenas às mulheres, como primeira ação de combate a esses crimes cuja gravidade foi mostrada pelos resultados da pesquisa "Mulheres nas instituições policiais". A elaboração da cartilha foi sugerida pelo presidente da Associação Nacional de Praças (Anaspra), cabo Elisandro Lotin. "Já estávamos desenvolvendo, em nível de Aprasc, uma cartilha sobre assédio moral, específica para o meio militar pelas peculiaridades impostas pelo Código do Exército ao qual os militares estaduais estão submetidfos. PMs e BMs, homens e mulheres, sofrem com assédio moral cotidianamente", explicou Lotin, que também preside a Associação de Praças do Estado de Santa Catarina (Aprasc)

Neste momento, no entanto, salientou a titular da Senasp, Regina Miki, na abertura dos trabalhos do GT, o material será específico para as mulheres policiais. "Quem teve oinsight que levou à formação deste GT foi o presidente da Anaspra. Foi dele a ideia da cartilha que, neste momento, diante dos resultados da pesquisa, será elaborada com o recorte de gênero, ou seja, específico para as mulheres", explicou a secretária. O GT volta a se reunir nos próximos dias 4 e 5 de maio. O trabalho tem prazo de encerramento estabelecido para junho. 

Quadro assustador

A pesquisa "Mulheres nas instituições policiais" foi realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Núcleo de Estudos em Organizações e Pessoas (NEOP) da FGV, Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça e o CRISP/UFMG, entre 12 e 16 de fevereiro de 2015. Dos 13.055 profissionais (mulheres e homens) que responderam o questionário, 40% afirmaram já ter sido ou ainda são vítimas de assédio sexual e/ou moral, praticado, em mais de 74% dos casos, por superiores hierárquicos.

Texto: Mirela Maria Vieira (jornalista Aprasc)

Fonte: Anaspra

sábado, 25 de abril de 2015

Anaspra: Presidente da Anaspra participará de reuniões do CONASP no período de 23 a 24 de abril de 2015



O presidente da Anaspra e representante dos praças no Conasp (Conselho Nacional de Segurança Pública), Elisandro Lotin de Souza, está em Brasília no período de 22 a 24 de abril, para discutir, entre outros assuntos:

- Participação em grupo de trabalho sobre Assédio Moral e Sexual das Profissionais de Segurança Pública, instituído pela SENASP/MJ e a SRJ/MJ;
- Apresentação da Pesquisa sobre Segurança Pública nos Municípios de Fronteira - ENAFRON, realizada pelo professor Daniel Veloso Hirata da Universidade Federal Fluminense (UFF);
- Aprovação da Resolução que disciplina o Regimento Interno da 2ª Conseg (Conferência Nacional de Segurança Pública);
- Agenda Prioritária de Segurança Pública;
- Criação de uma Academia Nacional de Gestão de Segurança Pública.

Fonte: Anaspra

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Conasp debate pacto nacional pela redução de homicídios



Representante da Anaspra no Conselho Nacional de Segurança Pública (Conasp), o cabo Elisandro Lotin de Souza participou da última reunião do órgão, que discutiu o pacto nacional pela redução de homicídios, em encontro realizado na terça-feira, 7 de abril. O pacto é uma política de Estado a ser apresentada pelo governo federal. A expectativa do governo é diminuir, nos próximos anos, em 20% os homicídios. O pacto pela redução de homicídios também vai contemplar ações contra assassinatos de profissionais de segurança pública em serviço ou em razão da profissão.

Uma das propostas levantada na reunião pelo presidente da Anaspra, cabo Lotin, e representante da entidade no conselho, é aumentar o efetivo policial, a fim de estender as ações de prevenção e a efetividade das polícias. O Conasp é um órgão de formulação de política nacional de segurança pública e adota um modelo de participação tripartite, com a participação de gestores, operadores da área e representantes da sociedade civil.

Integração

A Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça (Senasp/MJ) lança nesta quarta-feira (8), em Brasília, sua mais nova ferramenta de enfrentamento ao crime e à violência para todos os entes da federação. O sistema InfoGGI permitirá aos prefeitos e governadores estaduais otimizar políticas locais de segurança pública e integrar planejamentos e ações das esferas municipal, estadual e federal. O InfoGGI integra o Sistema Nacional de Informações em Segurança Pública, Prisional e sobre Drogas (Sinesp) e é mais uma ferramenta disponível no Portal Sinesp.

Baseado na participação de gestores de diversas áreas do poder público em Gabinetes de Gestão Integrada (GGI), com a participação de órgãos que atuam no município e no estado, o InfoGGI é um sistema de gestão criada para facilitar a organização e funcionamento desses fóruns. Ele fornece gratuitamente aos governantes um instrumento que permitirá à Senasp/MJ acompanhar as demandas dos GGI´s que orientarão planejamentos com focos nos interesses locais, favorecendo parcerias de municípios com o governo federal na área de segurança pública.

Alexandre Silva Brandão (jornalista Aprasc/Anaspra)
Assessoria de imprensa do Ministério da Justiça

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Fim de prisão de militares por atos disciplinares é assunto nacional

Subtenente Gonzaga, deputado federal MG, e presidente da Anaspra Cabo Lotin

O fim da prisão para militares estaduais por atos disciplinares é tema de debate no Congresso Nacional e com ela concordam representantes dos policiais e bombeiros militares e dos Comandos Gerais das instituições, conforme manifestação em audiência pública na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados, em dezembro último.

A reunião debateu o Projeto de Lei 7.645/2014, do deputado Subtenente Gonzaga (PDT-MG), que altera o Decreto-lei 667/1969 e extingue a pena de prisão disciplinar para as polícias militares e os corpos de bombeiros militares do país. O deputado Jorginho Mello (PR-SC) é coautor do projeto. O projeto encontra-se em tramitação na Comissão de Segurança Pública e está sob a relatoria do deputado Lincoln Portela (PR-MG).

Segundo o autor do projeto, o texto em debate representa a síntese de opinião de todas as entidades representativas dos militares estaduais do Brasil e tem o objetivo de dar cidadania e dignidade aos policiais e bombeiros. O deputado também lembrou que o projeto foi aprovado como recomendação do Conselho Nacional de Segurança Pública (Conasp).

Pela proposta, os estados terão prazo de 12 meses para aprovarem, por meio de lei específica, um Código de Ética e Disciplina para as polícias e os corpos de bombeiros militares, proibindo a pena de restrição de liberdade nos casos de faltas disciplinares.

Além disso, a Portaria Interministerial nº 2/2010, que estabelece as Diretrizes Nacionais de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos dos Profissionais de Segurança Pública, sugere: “Erradicar todas as formas de punição envolvendo maus tratos, tratamento cruel, desumano ou degradante contra os profissionais de segurança pública, tanto no cotidiano funcional como em atividades de formação e treinamento.”

Representante do Conselho Nacional de Comandos Gerais (CNCG), o coronel Civaldo Florêncio da Silva afirmou que os comandantes do país também já chegaram à conclusão de que é preciso revisar esse mecanismo de restrição de liberdade. Ele exaltou: “É uma boa hora para essa proposição ser acolhida e estendia a todos os profissionais de segurança pública”. O presidente da Feneme, coronel Marlon Teza, parabenizou a iniciativa do deputado Gonzaga. “Apoiamos integralmente essa postura do Legislativo, e gostaríamos que fosse votada em regime de urgência e sancionada o mais breve possível”, solicitou. O presidente da Anaspra também avalia que o projeto vai tramitar “com tranquilidade”. “Pedimos que seja aprovado o mais rápido possível”. O deputado Gonzaga já está em contato com o Ministério da Defesa para agendar uma reunião com o ministro Celso Amorim e os representantes das entidades e parlamentares.

Fonte: Gazeta do Norte/Página do Subtenente Gonzaga

quarta-feira, 11 de março de 2015

Denúncia - Diretor da Aspra da Bahia está detido em presídio


Desde domingo, 8 de março, o diretor da Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares (Aspra/BA), soldado Ronaldo Brasileiro, está cumprindo prisão de oito dias no Presídio Regional de Feira de Santana. Brasileiro respondeu processo administrativo disciplinar e foi considerado culpado das acusações.

Segundo o presidente da Aspra, soldado Josafá Ramos dos Santos, Brasileiro está preso na guarda da Polícia Militar do presídio. "O fato de estar em presídio ressalta o simbolismo de privação de liberdade", analisa o presidente. "É um escândalo".

De acordo com nota da Aspra, a acusação contra o diretor da entidade é porque ele questionou o ex-comandante-geral da Polícia Militar da Bahia, coronel Alfredo Castro, durante reunião, mesmo ele tendo aberto a palavra aos participantes. "Exercendo seu papel de representante da categoria, o soldado Brasileiro fez uma pergunta ao comandante geral e hoje está pagando um preço muito alto por isso", informa a nota.

Em uma reunião, há cerca de seis meses, Brasileiro perguntou ao comandante qual o critério para a troca de três comandantes de uma região formada por quatro companhias e por que não houve troca na quarta unidade. Cerca de três meses depois foi iniciado o PAD contra o diretor da Aspra. A assessoria jurídica da associação recorreu, mas não obteve sucesso. Depois do recurso, a prisão foi determinada pelo comandante setorial. "O regulamento militar e a restrição de liberdade muitas vezes é usado de maneira estúpida. Esse não é o primeiro fato", critica Josafá. O atual comandante-geral, coronel Anselmo Brandão, não se posicionou sobre o assunto.

Denúncia

O presidente da Aspra, soldado Josafá Ramos dos Santos, irá apresentar um relatório sobre o assunto ao presidente da Associação Nacional de Praças (Anaspra), cabo Elisandro Lotin de Souza. Em seguida, a denúncia vai ser encaminhada ao Conselho Nacional de Segurança Pública (Conasp), do qual Lotin é membro, à ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Idel Salvatti, e à secretária Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça (Senasp/MJ), Regina Miki.

Alexandre Silva Brandão (jornalista Anaspra)

Fonte: Anaspra

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Representantes da Anaspra participam de reunião do Conasp


Representantes dos praças do Brasil, participaram da primeira parte da reunião do Conselho Nacional de Segurança Pública (Conasp) no Ministério da Justiça, nessa segunda-feira, 09/02. O Conselho ouviu a palestra do presidente da Comissão Nacional da Verdade, André Saboia Martins, que apresentou o relatório final dos trabalhos. O Conasp segue em reunião até quarta-feira, 11/02.

Além do presidente da Associação Nacional de Praças (Anaspra), cabo Elisandro Lotin de Souza, participaram da primeira etapa da reunião da Anaspra, o deputado federal Subtenente Gonzaga (PDT-MG) e o sargento Marco Antônio Bahia, presidente da Associação de Praças de Minas Gerais (Aspra/MG).

Os representantes da Anaspra apresentaram sua "revolta" em relação ao relatório da CNV. Para eles, a comissão exagerou na criminalização dos agentes militares, pois "reputam a todos policiais militares uma culpa que não nos cabe", disse Lotin. "É como se todos nós, policiais e bombeiros militares, fossem responsáveis pelas atrocidades que fizeram no passado. Outros órgãos fizeram muito mais e muito pior", esclareceu. Os representantes da Anaspra defendem a individualização da punição.

Outra crítica é em relação à proposta de desmilitarização da Polícia Militar, sugerida pela Comissão Nacional da Verdade. Para os representantes dos praças, esse tema não cabe à CNV, mas a outros órgãos e movimentos que estão discutindo a segurança pública no país. "Isso foi colocado como uma panacéia, como se fosse resolver o problema da segurança pública, e não é só esse o problema", afirmou Lotin.

Conasp

Na tarde de segunda-feira 09/02, os membros do Conselho Nacional de Segurança Pública se reúnem em grupos de trabalho e comissões para debater assuntos específicos: arma de brinquedos e simulacros; projeto de lei do auto de resistência; violência contra juventude; diretrizes para uma possível PEC da segurança pública; e análise da política nacional de segurança pública. Na terça-feira 10/02, a reunião vai tratar da organização da Conferência Nacional de Segurança Pública (Conseg). No último dia de trabalho, na quarta-feira 11/02, a pauta vai ser a apreciação da recomendação do Conasp sobre o sistema prisional e a apresentação e discussão sobre os grupos de trabalho.

Fonte: Anaspra

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Fórum Interconselhos: Anaspra apresenta a pauta dos praças


Representando o Conselho Nacional de Segurança Pública (Conasp) e a Associação Nacional de Praças (Anaspra), o soldado Elisandro Lotin de Souza participou do 5º Fórum Interconselhos, no auditório do Anexo I do Palácio do Planalto, em Brasília, e defendeu que a sociedade compreenda e admita a pauta dos praças do Brasil. 

Para o soldado Lotin, que também é presidente da Anaspra, o fórum apresentou muitas críticas pertinentes em relação à segurança pública, mas não se preocupou em entender a realidade dos policiais e bombeiros militares do país. “Nós temos um modelo de segurança pública que é arcaico e obsoleto, que precisa ser mudado. Os praças da Policia e do Corpo de Bombeiros Militar tentam fazer isso há mais de 15 anos, sem apoio de ninguém, independente de partidos políticos”, explicou. "É preciso entender e interpretar o que está acontecendo dentro dos quartéis", alertou Lotin.

O representante do Conasp apresentou exemplos em que a categoria de praças é "aviltada em seus direitos mais básicos", como práticas de tortura, agressão e assédio moral, e denunciou o número elevado de policiais militares assassinados em confronto. A Anaspra representa entidades de praças de todos país e agrega cerca de 600 mil trabalhadores. Se dirigindo aos membros de conselhos de todo o país, Lotin defendeu que a segurança pública precisa ser organizada para entender o ponto de vista do policial que está na linha de frente.

Um dos organizadores do evento e assessor da Secretaria Nacional de Articulação Social da Secretaria-geral da Presidência da República, Daniel Pitangueira de Avelino, solicitou ao presidente da Anaspra para que, na condição de conselheiro e representante classista, apresentasse formalmente metas e ações para o próximo Plano Plurianual. "É importante saber qual é a proposta e o modelo de segurança pública que a Anaspra e o Conasp defendem. Isso é preciso sair do âmbito do Conasp e alcançar outros conselhos", disse.

O fórum reúne representantes do governo, membros da sociedade civil nos conselhos nacionais, entidades e movimentos para debater políticas públicas, como parte do processo de monitoramento do Plano Plurianual (2012-2015) do Executivo. Além de representantes de diversos conselhos, de todas as áreas e de diversas regiões do país, também estiveram presentes no encontro os ministros Miriam Belchior, do Planejamento, Gilberto Carvalho, da Secretaria-geral da Presidência da República, Luiza Barros, da Secretaria de Políticas de Promoção a Igualdades Racial, e Eleonora Menicucci, da Secretaria de Políticas para as Mulheres. O evento aconteceu durante toda a segunda-feira (8/12).

Fonte: Anaspra

sexta-feira, 7 de março de 2014

Realização do evento diálogos regionais - CONSEG 2015

Símbolo Oficial da 1º Conseg
Prezado cidadão brasileiro e prezada cidadã brasileira,

Você, que participou da 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública, teve um papel muito importante na construção e consolidação dos instrumentos de participação social para a formulação de políticas púbicas na área de segurança no Brasil. Desde então, o processo de participação social vem tendo continuidade por meio do Conselho Nacional de Segurança Pública (CONASP), e agora é chegada a hora de impulsionar este processo que foi lançado na 1ª CONSEG.

Nesse sentido, o CONASP realizará, entre os meses de março e abril de 2014, o evento “Diálogos Regionais – CONSEG 2015”, com o intuito de debater os resultados da 1º Conferência Nacional de Segurança Pública, bem como a situação geral da segurança no país, além de iniciar os preparativos para a 2ª CONSEG, que deverá ocorrer em 2015, conforme o texto de chamamento e o regimento interno em anexo.

Os diálogos Regionais – CONSEG 2015 contarão com a participação de representantes dos 3 segmentos que compõem o CONASP, quais sejam, o poder público, os trabalhadores da área de segurança pública e a sociedade civil. Estes representantes participarão de 5 reuniões descentralizadas durante o mês de abril, sendo uma em cada macro-região do país, que elegerá representantes para a plenária nacional a ser realizada em maio. As plenárias regionais acontecerão conforme o calendário abaixo:

  1. Para a região Centro-Oeste, na cidade de Goiânia, nos dias 1 e 2 de abril de 2014;
  2. Para a região Sudeste, na cidade do Rio de Janeiro, nos dias 9 e 10 de abril de 2014;
  3. Para a região Norte, na cidade de Belém, nos dias 14 e 15 de abril de 2014;
  4. Para a região Sul, na cidade de Porto Alegre, nos dias 24 e 25 de abril de 2014;
  5. Para a região Nordeste, na cidade de Fortaleza, nos dias 28 e 29 de abril de 2014.

Nas plenárias regionais haverá 9 vagas por estado, sendo 3 representantes de cada segmento, e mais 1 representante dos Conselhos Estaduais de Segurança, nos estados onde este conselho estiver instalado.

Estamos enviando em anexo o Texto de Chamamento dos Diálogos Regionais – CONSEG 2015, o Regimento Interno, e o Edital de Habilitação com a respectiva ficha de inscrição (este último apenas para entidades, fóruns, redes e movimentos sociais da sociedade civil).

Convidamos assim todos e todas aqueles que atuam na área de segurança pública, nos 3 segmentos, a participarem dos Diálogos Regionais – CONSEG 2015, e construírem conosco este processo permanente de consolidação de democracia participativa no Brasil.

Contamos com sua participação.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Subtenente Queiroz defende a realização da 2º Conseg em Fortaleza


Na terça-feira (18), o conselheiro P.Queiroz defendeu no Conasp, em Brasília, que Fortaleza seja a Capital sede para a Conferência Nacional de Segurança Pública - Conseg que por falta de deferimento do auditório da Assembleia Legislativa que há dias havia sido solicitado, alguns conselheiros queriam remanejar o evento para a Paraíba, depois de algumas horas, por meio de ofício foi solicitado e concedido pelo presidente da Câmara, Walter Cavalcante, o espaço no auditório da Câmara dos Vereadores de Fortaleza para a realização do evento nos dias 28 e 29 de abril de 2014.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Vem aí a 2º Conferência de Segurança Pública - Conseg Nordeste

A Conseg ocorrerá nos dias 09 e 10 de abril, em Fortaleza e terá como palestrantes a Secretária Nacional de Segurança Pública, Regina Miki e ainda a ser confirmada a presença de outros palestrantes e também do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. A conferência está sendo organizada pelo conselheiro do Conselho Nacional de Segurança Pública (Conasp-MJ), P. Queiroz (Presidente da Aspramece e Anaspra) e conta com o apoio das demais associações militares. Em breve mais informações. 
Fonte: Aspramece

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Conasp busca criação do Fundo Nacional de Segurança Pública

O Presidente da ANASPRA e ASPRAMECE que também é conselheiro do CONASP (Conselho Nacional de Segurança Pública) P.Queiroz, vai para Brasília nessa terça-feira (27/08), e como conselheiro vai em busca da discussão para a aprovação da PEC 24/2012.

Como já noticiado anteriormente, o CONASP em sua última reunião que aconteceu no dia 17 de julho em Cuiabá/MT, deliberou apoio a PEC 24/2012 do Senador João Capibaribe, essa PEC cria um fundo Constitucional da Segurança Pública, similar ao que acontece com a saúde e a educação, fazendo com que a segurança pública não mais dependa das sobras de outras pastas, esse apoio do CONASP a PEC 24/2012, foi muito por causa da insistência do conselheiro P.Queiroz que durante toda a reunião persistiu para que o conselho não se omitisse em relação a esse assunto.

Devido a insistência do conselheiro P.Queiroz, ocorrerá amanhã (27/08) uma reunião do CONASP com o Senador João Capibaribe, que é o autor da PEC 24/2012, para se discutir sobre o texto do projeto, lembrando que com esse fundo Nacional de Segurança Pública facilitaria a aprovação de projetos como a PEC 446/300.
 
Fonte: Homepage da Aspramece

sábado, 1 de dezembro de 2012

Anaspra ganha eleição no Conselho Nacional de Segurança Pública. Força praças!

Uma vitória sem precedentes. Com esta frase iniciamos esta matéria para comunicar a todos os praças do Brasil que a nossa entidade de representação nacional consegui votação histórica, sendo a entidade mais votada em toda eleição do Conselho Nacional de Segurança Pública – CONASP.

A eleição no CONASP se dá de forma moderna e eficiente para garantir de forma mais abrangente a representatividade e democracia. O processo de eleição inicia com a inscrição de entidades nacionais de representação de trabalhadores e de representação da sociedade civil organizada, podendo se escrever para representar a sociedade civil organizada entidades, fóruns, redes e movimentos sociais na área de segurança pública de acordo com o edital de eleição e legislações afins.

Após uma criteriosa e rigorosa certificação as entidades aptas a votar escolhem seus votos de forma cruzada, ou seja, as entidades da sociedade civil votam numa entidade de representação da sociedade civil e numa entidade de representação de trabalhadores e as entidades de representação de trabalhadores votam numa entidade de representação dos trabalhadores assim como numa entidade da sociedade civil organizada.

Nesta sexta feira (30) foi realizada a eleição para o biênio 2013-2014 e para nossa satisfação e alegria a ANASPRA obteve 32 votos dos 37 votos que podia receber. Para Sargento Heder Martins (PM/MG), representante dos praças no CONASP, essa vitória se deve a articulação e trabalho realizado junto a sociedade civil e aos trabalhadores da segurança pública durante a gestão no Conselho.

O Presidente da ANASPRA, Sd Pedro Queiroz (PM/CE), agradece a todos as entidades pela confiança e afirma que o trabalho continua no Conselho em defesa da nossa categoria. Além disso, parabeniza ao Sargento Heder Martins, atual representante no CONASP, e SubTenente Gonzaga (PM/MG), primeiro representante da ANASPRA no CONASP pelo excelente trabalho e dedicação empenhada nessa missão de valorização dos profissionais de segurança pública junto ao CONASP.

Os Policiais e Bombeiros de todo país, mais especificamente os praças, estão comemorando mais uma vitoria rumo a desmilitarização e a garantia de direitos. A posse da nova gestão ocorrerá no dia 07 de dezembro no Ministério da Justiça em Brasília.

Cabo Jeoás Santos (PM/RN) – Vice-presidente da ANASPRA
Com informações da ASPRAMECE
 

Fonte: Anaspra

Conselho Nacional de Segurança Pública tem reunião marcada para hoje, 30/11/2012



Acontece hoje em Brasília, durante todo dia, as eleições para a nova composição do Conselho Nacional de Segurança Pública. A eleição que ocorre para o biênio 2013-2014 conta com a participação de 46 entidades inscritas para votar e serem votadas num processo de votação cruzado onde cada entidade vota em 12 entidades para representação da sociedade civil organizada e 09 entidades para representação dos trabalhadores de segurança pública.

A criação e composição do Conselho Nacional de Segurança Pública, órgão colegiado permanente de natureza consultiva e deliberativa, foi instituído por meio do Decreto nº 7413, de 30 de dezembro de 2010 e tem por finalidade formular e propor diretrizes para as políticas públicas voltadas à promoção da segurança pública, prevenção e repressão à violência e à criminalidade, além de atuar na articulação e controle democrático da segurança pública.

A reformulação ocorrida no ano de 2010 em virtude da 1ª Conferencia Nacional de Segurança Pública e atendendo aos princípios e diretrizes aprovadas nessa Conferência, articulou a participação conjunta de trabalhadores, gestores e sociedade civil organizada. Com uma composição colegiada e tripartite composta por 12 representações da sociedade civil organizada eleitos, 09 representações de trabalhadores eleitos e 09 representações de gestores indicados pelo Poder Público.

A Associação Nacional dos Praças Policiais e Bombeiros (ANASPRA) que já compõe o Conselho desde 2010 agora concorre a reeleição. A entidade nacional dos policias já apresentou diversos requerimentos e proposições ao Conselho em defesa da dignidade, respeito e valorização da categoria. O fim da prisão da administrativa foi a proposição mais recente, aprovada por unanimidade e tramita no conselho com apoio das demais entidades que o compõe. A ANASPRA também defende no Conselho a criação de matrizes nacionais para os Estatutos e Códigos de Ética das polícias estaduais uniformizando as princípios dessas legislações e modernizando-as de acordo com os princípios constitucionais de nossa sociedade democrática.

O trabalho da Entidade de representação nacional dos policiais e bombeiros tem repercutido nos estados contribuído inclusive nos diversos movimentos reivindicatórios estaduais sempre buscando a mediação e a resolução de conflitos. A ANASPRA participou ainda da elaboração das Diretrizes Nacionais dos Direitos Humanos dos Profissionais de Segurança Pública e defende abertamente a temática polêmica da desmilitarização das polícias estaduais.

Além da participação em câmaras técnicas do Ministério da Justiça, tem atuado ainda nos debates sobre a realização dos jogos internacionais que acontecerão no país nos próximos anos e ainda nos debates sobre planos plurianuais e orçamentários da união. Segundo o Sargento Héder Martins, representante da ANASPRA no CONASP, a entidade tem desenvolvido seu papel institucional e nessa nova gestão intensificará as suas ações para garantir a valorização profissional e uma segurança pública de qualidade.

As eleições se destinam a escolha dos representantes dos trabalhadores e da sociedade civil organizada que votam entre si para escolha dos novos representantes. Segundo o Edital o resultado será divulgado ainda hoje, sendo a posse da nova composição do Conselho prevista para 07 de dezembro de 2012.

Cabo Jeoás Santos – Vice-Presidente da ANASPRA 

Fonte: Anaspra

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