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quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Capitão Samuel continua na luta pelo aumento do valor do tíquete alimentação de PM/BM


O deputado Capitão Samuel Barreto, usou às redes sociais na manhã desta quarta-feira (07), para questionar sobre uma luta antiga em prol de policiais e Bombeiros Militares, que é o aumento do tíquete alimentação, que hoje está no valor de R$8,00.

Segundo Samuel, não vai permitir que os direitos da família Militar sejam retirados. É um absurdo que tenhamos um tíquete alimentação no valor de R$,8,00, até porque uma refeição tem um valor muito superior a este”, afirma.

“Estão querendo tirar o direto à reserva de ex Comandantes Gerais sem perceber que na hierarquia a corporação mantém suas bases e pilares. Se querem tirar direitos e mexer na nossa previdência que desmilitarizem então, só aí teremos direitos que são permitidos aos servidores civis”, reforça.

Ele ainda afirma que ter o valor de R$8,00 no tíquete alimentação é inaceitável. “Coloquei, mais uma vez, de forma clara na Assembleia  Legislativa que a SSP precisa apresentar propostas para os homens e mulheres da PM/BM, que trabalham e pagam suas alimentações nos dias de serviço, onde esta obrigação é do estado”, ressalta. Samuel finaliza dizendo que vai continuar cobrando e defendendo os diretos e prerrogativas da família Militar.

Fonte: Espaço Livre Notícias

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Divulgar cena do crime por rede social pode virar agravante

Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 9688/18, do deputado Francisco Floriano (DEM-RJ), que inclui a divulgação de cena do crime por rede social como agravante. O Código Penal (Decreto-Lei 2.848/40) estabelece alguns agravantes para crimes como a reincidência ou o motivo fútil ou torpe do ato. Segundo Floriano, o código está ultrapassado diante dos novos desafios de uma sociedade cada vez mais digital.

Concurso de agentes

O texto também inclui como agravante o uso de redes sociais para promover e organizar ações do crime. Essa regra vale no caso de crimes onde há o chamado "concurso de agentes", jargão do Direito para explicar quando os atos são cometidos por várias pessoas. Atualmente, há agravante para quem promove ou organiza a cooperação no crime ou executa o crime por recompensa, por exemplo.

A proposta, de acordo com o deputado, quer acabar com a banalização das cenas do crime. “Os criminosos cometem crimes, divulgam cenas e ironizam a atuação da polícia diante dessa nova realidade digital”.

Tramitação

A proposta será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, inclusive quanto ao mérito. Em seguida, o texto segue para o Plenário.

Íntegra da Proposta:


Fonte: Agência Câmara de Notícias

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

O que representa o pedido de socorro do Sargento Borges:


Aconteceu mais uma vez. No início da noite desse sábado (1º) mais um policial militar foi morto em Sergipe. O sargento Marcos Antônio Borges de Campos estava de folga e durante um momento de lazer com familiares e amigos, três marginais invadiram a chácara do militar, que reagiu, inclusive alvejando um deles, mas, infelizmente, foi atingido por um disparo de arma de fogo e veio a óbito.

Contudo, em meio à agonia, o PM ainda encontrou força, para acionar as redes sociais e enviar um pedido de socorro aos colegas de farda. Mas o que representa o pedido de socorro do sargento Borges? Certamente, representa o clamor de quem desde 1994 jurou defender a sociedade sergipana colocando em risco a própria vida. Essa mesma sociedade que constantemente se cala diante das mortes dos nossos policiais, ou simplesmente, verbaliza para afirmar que é o trabalho deles; que eles são policiais e por isso podem morrer.

Diante disso, o “tombo” do sargento Borges é, também, o tombo de toda uma Corporação que mesmo tendo papel fundamental e referencial junto à sociedade, tem seus direitos negados por ela. É difícil pensar que os policiais tendo os seus direitos negados, possam garanti-los de maneira adequada à população.

Ademais, mortes de policiais causam menos comoção social, e em muitos casos, nenhuma comoção. Considerados como agentes do Estado, da repressão, são odiados por grande parte da sociedade que vivem a defender por vocação. Nesse sentido, quando a violência é praticada por policiais, é comum assistir-se à execração pública dos próprios policiais, unanimemente tachados de truculentos e despreparados.

Por isso, o sargento Borges não caiu diante da violência de três marginais que agiram na certeza da impunidade. O PM desabou diante da violência da sociedade. Uma violência que não usa armas de fogo, e sim, ferramentas ainda mais letais: o desprezo, o ódio e a rejeição social.

Texto: André Oliveira é policial militar e jornalista.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Cabo Isaías: “A Política precisa urgentemente ser extirpada do coração da SSP”



O cabo da Polícia Militar de Sergipe, Isaías Pereira, fez um desabafo nas redes sociais, afirmando que a promoção “por merecimento” é na verdade “promoção política”, ironiza o militar. Para o militar, “a segurança pública necessita urgente de uma atualização de sua legislação”. Cabo Isaías vai mais além e diz que “a política precisa urgentemente ser extirpada do coração da SSP”. Ao final, militar diz em tom de desabafo que “a promoção por merecimento está com os dias contados, basta de humilhação para os nossos oficiais. Que o topo da pirâmide seja disputado na caneta”.

Veja o que diz o texto do militar:

Promoção por merecimento: vide promoção política. Sim! Os altos cargos funcionais da instituição militar em Sergipe estão intimamente atrelados às vontades pessoais do sistema político vigente. Pasmem o absurdo de um servidor público de carreira policial de alta patente, subjugando-se a políticos corruptos (com suas raras exceções) para almejarem o progresso de suas carreiras profissionais. A pífia legislação sergipana determina que homens da lei se digladiem entre si numa humilhante competição, aquele que mais se agachar aos políticos ganham o prêmio de uma promoção, e essa condição ofusca o brilho da nova estrela que se desenha sobre seus ombros, colocando em xeque a finalidade do título, merecimento nada mais é que a maquiagem para a vontade política.

Há quem me explique que uma alta patente Militar a serviço do gabinete do governador, no auge dos seus 16 graus Celsius, mereça mais que a mesma alta patente servindo à sociedade no Pelotão de Caatinga? Há quem desvirtue o título do meu post com uma resposta convincente? Ou há de se admitir que a alta patente diretamente ligada com políticos esteja um passo a frente da outra que está servindo à sociedade enfrentando a criminalidade? A Segurança Pública necessita urgente de uma atualização de sua legislação. A política precisa urgentemente ser extirpada do coração da SSP. A promoção por merecimento está com os dias contados, basta de humilhação para os nossos oficiais. Que o topo da pirâmide seja disputado na caneta! Fim da Promoção por Merecimento da PMSE. (Por Cabo Isaías Silva)

Munir Darrage

 Fonte: Faxaju

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Capitão Samuel: A polícia e a política


Tenho a impressão de que há uma campanha velada para desgastar a polícia sergipana. Justamente no momento em que vivemos uma melhoria significativa da segurança pública. Tentam atingir o governo e atingem em cheio o coração de cada policial que vem trabalhando intensamente para que a população se sinta mais segura. Não se trata de bala perdida, pelo contrário, os tiros disparados contra a polícia na semana passada tem como mentores, políticos, cabos eleitorais e membros da segurança pública que dormem e acordam sonhando em entrar para a política. Podemos perceber que estão começando muito mal. 

Vi muitos comentários depreciativos nas redes sociais, inclusive, comparando Aracaju com Rio de Janeiro. Somente um insano acha que a nossa capital é mais violenta que o Rio. Estão torcendo contra a segurança, apenas com intuito de emplacar seus projetos pessoais. Com isso estão assustando a população. Não estou aqui para dizer que não temos problemas. Sim, claro que temos. Mais do que nunca precisamos fechar o cerco contra a bandidagem e continuar fazendo o dever de casa. Ao defender a segurança não estou defendendo o governo, estou defendendo a sociedade sergipana.

Na capital carioca se desfila de fuzil, fecha-se ruas e bairros inteiros, que são atingidos com uma média 15 tiroteios diários. O crime é organizado e comandado por facções criminosas. A violência em Sergipe tem outro perfil. Esta criminalidade tambem precisa ser combatida e está sendo. Sobre a intervenção na capital carioca, ainda não tenho uma opinião formada. Prefiro aguardar mais um pouco para avaliar como realmente será, sem opiniões precipitadas e descuidadas, afinal, estou deputado, mas o que realmente sou um profissional de segurança.

No caso de Sergipe, um conjunto de ações está sendo realizado pelo atual governo para melhorar a segurança da população. Em 2014, foi realizado um concurso para Polícia Militar depois de 10 anos, onde 1200 novos PMs já estão nas ruas. Também houve concurso para Perito e para Policia Civil, onde mais de 200 novos policiais já estão na ativa. Novas viaturas e armamento foram adquiridos, o GETAM foi para o interior e até meu amigo Valmir de Francisquinho, prefeito de Itabaiana, já concedeu entrevista dizendo, taxativamente, que a segurança melhorou. As estatísticas comprovam o que a população já percebeu: Em 2017, comparado com 2016, houve uma diminuição de mais 50% nos roubos a ônibus. Lembram que todos os dias tinha assalto a ônibus e quase não se houve mais falar? Lembram que a polícia da Caatinga praticamente acabou com o roubo de gado no sertão? Isso não é obra do acaso.

Estes resultados são fruto de muito trabalho de todos os profissionais que se dedicam diariamente para defender a sociedade. Agora em 2018, Sergipe realizou um grande carnaval. Quase todas as cidades fizeram festa, inclusive a capital. Nossos policiais garantiram a segurança e nenhuma ocorrência grave foi registrada relacionada ao carnaval. O próprio vice-governador reconheceu a eficiência do trabalho, postou Belivaldo Chagas em seu Facebook.

Um dado triste é que mais de 50/% dos crimes cometidos  em Sergipe, tem relação direta com a famigerada droga. É preciso que a sociedade se una num grande pacto com a participação da Igreja, do Ministério Público, do Tribunal de Justiça, das Secretarias Municipais, Secretaria Estadual de Saúde, Conselho de Psicologia, das Universidades, enfim, um chamamento de combate às drogas. Com alguns amigos, montei o Batalhão da Restauração e tenho resgatado e ajudado a tratar jovens de todo o estado. Este é um trabalho caro e complexo e preciso de ajuda.

Além disso, a sociedade cobra e eu assino embaixo que é preciso aumentar, cada vez mais, o número de policiais nas ruas. Mesmo com os concursos já realizados ainda precisamos de mais gente. O governador Jackson Barreto já anunciou, e eu tenho participado de reuniões preparatórias para novos concursos da PM e da Polícia Civil e agente prisionais.

Como as críticas a segurança tendem a aumentar com a proximidade das eleições, estou aqui defendendo a minha polícia, a nossa respeitada e abnegada policia sergipana. Me solidarizo com cada policial que se sentiu atingido pelas injustas críticas e insanas comparações.
A luta continua!

Samuel Alves Barreto 
Capitão da Polícia Militar 
Bacharel em Direito 
Bacharel em Seguranca Pública 
Pós-graduado em Segurança e Cidadania
Especialista em serviço de inteligência
Radialista 
Deputado Estadual

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Prisões arbitrárias: quando a vítima é a própria PM

Policiais Antifascismo e outros grupos impulsionam luta contra as prisões disciplinares – instrumento inconstitucional, que viola os direitos humanos, favorece abusos de oficiais contra praças na PM e aprofunda a violência policial

Fonte da Imagem - Blog da Renata

Cabo da PM do Pará há nove anos, Luiz Fernando Passinho chegou a ficar 30 dias em prisão disciplinar por ter dito que “sua farda não foi presente, seu emprego não é favor e seu salário não é caridade”, em discurso gravado durante o Grito dos Excluídos de 2014. E não foi a primeira vez que o policial foi preso administrativamente. “Minha primeira punição, depois de sete anos de ficha limpa, sem sequer uma advertência, foram 15 dias de prisão porque eu fui visto sem o gorro, o chapéu do uniforme, que eu tinha tirado por causa do calor”, conta o policial, que é coordenador geral da Associação em Defesa dos Militares do Pará (ADIMPA).

As duas prisões aconteceram 2014, depois que ele e outros policiais fecharam, naquele ano, a BR-316, em frente ao 6º Batalhão da PMPA, e ocuparam o quartel por seis dias, contra uma lei que aumentava os salários dos oficiais e mantinha o dos praças, e em reação a um comandante que, em uma gravação, “praticamente chamava a tropa de burra e isso revoltou todo mundo”, de acordo com o cabo. “Depois disso, a gente sofreu um processo militar de prisão e foi anistiado por uma lei de 2014, proposta pelo Edmilson Rodrigues, do PSOL. Desde então, como não conseguiram nos prender nem nos expulsar dessa forma, começaram outras formas de perseguição”, afirma.

Tais “formas de perseguição” manifestaram-se, por exemplo, nas duas prisões disciplinares, de 15 e de 30 dias, por ter tirado o gorro e por ter utilizado, como cidadão, seu direito à liberdade de expressão, respectivamente. Porém, esse direito não se aplica a policiais militares, que ficam sujeitos a punições como estas por expressarem posições e críticas publicamente.

“Minha promoção foi atrasada porque eles disseram que eu fazia parte de ‘movimentos incondizentes com a disciplina militar’. A gente continuou denunciando, porque eu percebi que se eu fosse jogado para debaixo do tapete seria mais fácil pra eles. A única coisa que os impedia de me expulsar ou me prender era o fato de eu poder causar um escândalo. E a gente estava vendo o que estava acontecendo com outras pessoas. Teve colega que foi expulso [da corporação] por causa de comentário no Facebook, que foi preso, em presídio comum, e perdeu a farda, por conta do comentário ‘greve’ no Facebook. Outro porque compartilhou uma postagem criticando um modelo de policiamento absolutamente abusivo”, conta Passinho.

Soldada da PM há mais de sete anos, Maria* responde a uma sindicância para apurar uma “possível transgressão disciplinar” sua. O motivo? Ela se dirigiu a uma tenente pelo pronome de tratamento “você” durante uma conversa. “Se o comandante acreditar que houve desrespeito a um superior hierárquico, posso até pegar cadeia”, conta. “E eu nem estava de serviço. Não é ridículo?”, questiona.

Caso o comandante decida que houve a transgressão disciplinar classificada como “desrespeito a superior”, a punição de Maria pode ser, desde uma advertência por escrito em sua ficha, até três dias de prisão disciplinar. “Eu me senti ultrajada”, diz a policial, que considera esse tipo de procedimento injusto e “obsoleto”. Para ela, a existência das prisões disciplinares favorece a prática de assédio moral de oficiais contra praças. “Tem oficial que ameaça dar cadeia até porque os policiais não lavaram a viatura”, revolta-se.

O soldado João*, há nove anos na PM do Rio Grande do Norte, quase foi preso administrativamente por 15 dias em 2016, por ter feito uma crítica à instituição em rede social, ao comentar uma postagem da Plataforma Mudamos, que debateu questões relacionadas à segurança pública com a sociedade civil e policiais de todo o país. “Tentaram me punir por ter feito uma crítica ao modelo de polícia que nós temos. Eu disse que o atual contrato social brasileiro não serve nem à sociedade, nem aos policiais, pois temos polícias que se assemelham a jagunços, fruto de uma sociedade hipócrita e desonesta. Essa fala, naquele ambiente fascista, resultou na abertura de um procedimento, e o comando queria me dar 15 dias de prisão”, conta.

A punição só não se concretizou porque instituições ligadas à defesa e promoção dos direitos humanos, como a Anistia Internacional e a Human Rights Wach, e colegas, como os que hoje compõem o Movimento Policiais Antifascismo, se mobilizaram em defesa de João.

“Os setores progressistas e organizados da sociedade precisam se dar conta da polícia que queremos, do trabalho que a polícia deve desempenhar no Estado Democrático de Direito e aos princípios de cidadania. Não tem como o policial defender a cidadania se ele não consegue, em seu ambiente de trabalho, exercer a cidadania”, diz o policial.

Ele defende que somente a reformulação dos códigos disciplinares não solucionará a questão, mas que é um passo fundamental. “Deve haver a reforma dos códigos disciplinares, mas também deve haver o afastamento do Código Penal Militar das polícias militares. É um Código Penal feito para tempos de exceção, para o Exército Brasileiro, e utilizado nas polícias em tempos de paz”, defende João.

Luta pelo fim das prisões disciplinares na PM é antiga

Setores progressistas ligados à segurança pública, entre policiais e especialistas na área, discutem a necessidade de extinção das prisões disciplinares há muitos anos. Mas a sociedade, de uma forma geral, ignora que é diretamente afetada pelas arbitrariedades sofridas por policiais militares e de que maneira isso ocorre. Por isso não presta a devida atenção ao tema ou até distorce a questão, acreditando que extinguir as prisões disciplinares na PM é sinônimo de deixar impunes policiais que tenham praticado crimes.

O debate, no Rio de Janeiro, veio à tona recentemente. No dia 1º de novembro, a Assembleia Legislativa do Estado (Alerj) discutiu o Projeto de Decreto Legislativo Nº 15/2016, que propõe a revogação do Regulamento Disciplinar da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. O fato de a proposta partir de um parlamentar de extrema-direita conhecido por seu vínculo com instituições militares pode facilitar, logo de cara, a impressão de se estar diante de algo que precisa ser combatido.

Entretanto, o projeto reflete, na realidade, uma luta antiga que, segundo o delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro Orlando Zaccone, a esquerda progressista já deveria ter abraçado. “O fato de o Flávio Bolsonaro ter saído na frente para pedir o fim das prisões administrativas é uma falha nossa, da esquerda, que não contemplou as pautas reivindicatórias dos policiais na construção desses policiais como trabalhadores”, afirma.

A proposta da extinção das prisões disciplinares baseia-se, sobretudo, na defesa de que o policial militar não seja submetido a um estatuto diferenciado do civil e seja tratado, portanto, como qualquer cidadão, que pode ser preso em flagrante delito ou por determinação judicial, conforme determina a Constituição Federal de 1988, mas não administrativamente, por infrações disciplinares.

Durante a discussão, no plenário da Alerj, Flávio Bolsonaro argumentou que pesquisa com mais de mil policiais militares mostrou que, “além dos baixos salários, o maior fator de desmotivação da tropa era o mau uso do regulamento disciplinar, que os policiais são maltratados dentro do quartel por pessoas que não têm bom senso” e que eles “não podem ficar facultados à subjetividade da interpretação da norma para que as punições sejam aplicadas”.

No âmbito nacional, proposta semelhante, já aprovada na Câmara dos Deputados, tramita no Congresso: De autoria dos deputados federais Subtenente Gonzaga (PDT/MG), Jorginho Mello (PR/SC) e outros, o PL 148/2015 também propõe a extinção da pena de prisão disciplinar para as polícias militares e os corpos de bombeiros militares dos Estados, dos Territórios e do Distrito Federal.

Prisões administrativas são inconstitucionais e violam direitos humanos, diz especialista em segurança pública

“Prisão administrativa é uma coisa absolutamente ilegal do ponto de vista da Constituição. Alguém só pode ficar preso sob a ordem de um juiz. A prisão administrativa acontece com a ordem de um coronel de um batalhão. Se queremos pensar realmente em desmilitarizar as polícias, precisamos repensar essa questão”, afirma a socióloga Julita Lemgruber, coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Candido Mendes (CESeC).

Ela enfatiza que pôr fim às prisões administrativas não tem qualquer relação com defender a impunidade de policiais. “Não queremos impunidade. O que queremos é que, no caso de uma ilegalidade cometida por um policial, ele seja imediatamente apresentado a um juiz, e que o juiz decida sobre sua prisão, não o comandante de um batalhão”, reitera Lemgruber, primeira mulher a dirigir o sistema penitenciário do Rio, na década de 1990.

O antropólogo e especialista em segurança pública Luiz Eduardo Soares também é taxativo: as prisões disciplinares “são inconstitucionais e violam os direitos humanos dos trabalhadores policiais”. “O nome já diz tudo: se são disciplinares, ocorrem por motivos disciplinares, não pelo cometimento de crime. Por que submeter um cidadão ao confinamento, à privação da liberdade, por uma falha disciplinar? Trata-se de arbitrariedade autoritária. Como cobrar dos policiais respeito aos direitos humanos se os seus próprios são desrespeitados?”.

O que dizem Lemgruber e Soares vai ao encontro do que, há anos, defende o tenente Anderson Duarte, da Polícia Militar do Ceará. Para ele, o policial militar jamais cumprirá seu papel de garantidor de direitos dos cidadãos enquanto não tiver, ele mesmo, respeitados seus direitos como cidadão. “Nós só teremos uma política de segurança adequada a uma democracia quando o policial for um cidadão pleno de direitos, para que ele possa reconhecer direitos”, afirma o policial, que cursa doutorado em Educação Brasileira pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

Ele sofreu censura em 2012, após uma série de postagens críticas em seu perfil no Facebook. Como punição, Anderson foi transferido de Fortaleza para a cidade de Crateús (a 370 quilômetros da capital), por 20 dias, sem ter sido consultado previamente e sem direito à licença de 10 dias para deslocamento. Ainda que de forma velada, situações como esta impedem que o policial tenha direito à liberdade de expressão – garantido pela Constituição Federal de 1988 a todo cidadão brasileiro. Situações como esta, e outras que ele contou quando produzi a reportagem Eles querem uma nova polícia, decorrentes de ele ser um policial comprometido com a defesa dos direitos humanos em uma instituição na qual o pensamento hegemônico legitima práticas criminosas, levaram-no a criar o blog Policial Pensador, no qual o tenente escreve sobre questões de segurança pública — um espaço para defender suas posições.

A legislação militar é adequada a uma situação de guerra, não devendo ser aplicada, portanto, ao cotidiano de um policial, segundo o PM. “Numa situação de guerra, não há juiz para expedir mandado de prisão. Um policial militar não está em guerra, apesar de haver quem afirme isso, e a política de segurança pública tem que levar isso em questão. Só que, toda vez que se constrói o policial como um guerreiro, justifica-se que ele seja submetido a uma situação de guerra”.

Anderson também integra o Movimento Policiais Antifascismo, ao lado de agentes de instituições de diversas regiões do país, comprometidos com a defesa dos direitos humanos e de um modelo de segurança pública no qual policiais se identifiquem com outras categorias de trabalhadores. Em seu manifesto, o movimento posiciona-se contra as prisões administrativas:

“Policiais devem ser construídos como trabalhadores! O reconhecimento do direito de greve, de livre associação, de livre filiação partidária, bem como o fim das prisões administrativas, são marcos nesta luta contra a condição de subcidadania à qual muitos policiais estão submetidos. Acreditamos que este é o único caminho pelo qual policiais possam vir a se reconhecer na luta dos demais trabalhadores, sendo então reconhecidos por toda classe trabalhadora como irmãos na luta antifascista”, diz o 2º item do documento.

As prisões disciplinares jamais combateram desvios de conduta de policiais militares, explica Anderson. “Sabemos que não funciona, sempre houve prisão disciplinar e nunca houve resultado adequado. Temos corporações que fazem policiamento e nunca foram submetidas a códigos militares, como as polícias civil, federal, rodoviária federal. Os militares são submetidos a uma situação de exceção”.

Ele defende que outras formas de se combater desvios de conduta sejam adotadas, como cursos de atualização para adequar os problemas do policial, identificação de problemas nas concepções desse policial. “Servidores civis não cometem desvios de conduta? Como é feito o controle de sua disciplina? Não é por meio das prisões disciplinares, como sabemos”.

“Manter uma legislação que permite as prisões disciplinares em tempos de paz, e para operadores de segurança pública, é manter um Estado de exceção. De alguma forma, ensina os policiais, passa uma mensagem aos policiais, de que eles são operadores de um Estado de exceção, tanto que eles estão submetidos a uma legislação de exceção. É necessário separar as forças policiais das forças armadas”, encerra o PM.

Passo em direção à desmilitarização

Desvincular as polícias militares do Exército é uma das principais pautas dos Policiais Antifascismo na luta pela desmilitarização da política de segurança pública. Eles defendem a criação de uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) para essa desvinculação e a devolução de todas as forças policiais para os governos estaduais.

“Os governadores hoje não têm o completo domínio sobre essas forças, porque elas são auxiliares do Exército e essa foi a grande jogada que os militares conseguiram no processo de redemocratização, quando estabeleceram isso na Constituição federal, ou seja, as Forças Armadas passaram a ter um controle da segurança pública nos estados, e a gente considera isso, inclusive, uma violação do pacto federativo”, critica Zaccone.

Embora ainda encontre resistência entre oficiais da PM, o projeto de desmilitarização é fortemente apoiado entre praças (soldados, cabos, sargentos e subtenentes). Pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas em São Paulo e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em parceria com a Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP), para saber a Opinião dos Policiais Brasileiros sobre Reformas e Modernização da Segurança Pública, divulgada em 2014, revelou que 73,7% defendem a desvinculação entre polícia e Exército.

Antiga, a luta pela extinção das prisões administrativas caminha na direção da desmilitarização, embora não seja, por si só, suficiente, de acordo com Zaccone. “Não é esse passo que irá desmilitarizar, mas é um passo importante. Não temos como pensar numa polícia desmilitarizada enquanto policiais forem submetidos a um estatuto militar, e essas prisões administrativas dizem respeito a esse estatuto”, afirma.

O papel da esquerda progressista, agora, deve ser “avançar cada vez mais na construção do policial como trabalhador e partir para o debate acerca do fim da vinculação das polícias militares ao Exército”, segundo o delegado. “Este, sim, é um grande passo para a desmilitarização”, enfatiza.

Para criminalista, “o problema não é o instrumento, mas o abuso de autoridade”

O criminalista Nilo Batista defende a existência da prisão administrativa, contanto que ela não seja excessiva. “A prisão de 30 dias é excessiva, mas uma prisão de cinco dias talvez não fizesse mal para uma corporação que tem gravíssimos problemas de disciplina”, diz. O problema é “quando o desvio de conduta coincide com a prática de um crime”, já que, nesse caso, o policial não estar preso pode dificultar a apuração, segundo Nilo, secretário estadual de Polícia Civil de 1991 a 1994. “Minha opinião é muito dependente da experiência que tive de governo. Pude acompanhar de perto alguns crimes praticados por policiais militares e a prisão administrativa é um instrumento que pode auxiliar se fosse aplicada regulamentarmente. A prisão de 30 dias é um horror, mas uma de cinco dias, não sei se diria a mesma coisa”.

Indagado sobre o fato de a existência da prisão disciplinar favorecer abusos de autoridade de oficiais sobre praças na PM, o advogado defende que sejam criminalizados os abusos de autoridade. “O comandante que prende para favorecer um sentimento pessoal dele, que não gosta do soldado, está cometendo crime de prevaricação. O problema não é o instrumento, mas o abuso de autoridade, o abuso de poder”, afirma. “São os males da militarização”, diz ele, sobre casos de censura, abusos e represálias a policiais que criticam a corporação.

“O policial tem, muitas vezes, seus direitos violados, e especialmente quando ele é acusado, querem negar a ele todas as garantias a que os outros acusados têm direito. É um absurdo. O policial tem o direito de ter todas as garantias que os outros cidadãos têm”, afirma Nilo Batista.

“Isso tem que ser resolvido, não sei se por uma coisa tão unilateral e tosca como essa proposta do filho do Bolsonaro, mas com uma reflexão um pouco mais densa, que alcance mais aspectos do problema. Manter essa prisão de 30 dias é uma coisa antidemocrática. Podemos acabar perfeitamente com a prisão administrativa, mas temos que ter um substituto para garantir a possibilidade de uma apuração e da presença do policial quando ele for acusado”.

Proposta voltará a ser debatida na Alerj, mas iniciativa precisa ser do Executivo

O projeto de Flávio Bolsonaro voltará a ser debatido na Alerj quando ele apresentar uma proposta que substitua as atuais normas disciplinares da PM. “É preciso pensar o tipo de retribuição administrativa positiva (prêmio) ou negativa (sanção) para o policial que cometer infrações administrativas”, explica o cientista político João Batista Damasceno, juiz do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ).

Do ponto de vista legal, entretanto, não é possível que o Regulamento Disciplinar da Polícia Militar do Estado seja revogado pelo Legislativo. Segundo Damasceno, “a prisão administrativa de policial militar é autorizada por lei estadual e o Estado tem competência para organizar seus serviços, podendo, portanto, revogar tal dispositivo legal”.

“Em se tratando de norma organizadora de serviço público a iniciativa da lei deve ser do Executivo. É o que dispõe a Constituição. Não pode ser do Legislativo. É lamentável que deputado não conheça os limites de sua atuação parlamentar e proponha projeto de lei inconstitucional ao invés de fazer gestão junto ao governador para que envie o projeto”, critica Damasceno, que integra a Associação Juízes para a Democracia (AJD).

Ele defende enfaticamente a necessidade de que as prisões disciplinares na PM sejam extintas. “O fim da prisão administrativa de policiais militares será a dignificação dos praças e o primeiro passo para a desmilitarização da segurança pública. Sem o reconhecimento da qualidade de cidadãos aos policiais militares não é possível que deem tratamento de cidadãos às demais pessoas”.

* Nomes fictícios para preservar os policiais de possíveis retaliações na instituição.

 Luiza Sansão

Jornalista com foco em segurança pública e direitos humanos, formou-se pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Recebeu Menção Honrosa no Prêmio Vladimir Herzog, em 2013, com reportagem publicada na Revista Adusp. Foi repórter da Ponte Jornalismo entre 2015 e 2017. Está escrevendo livro sobre o caso Rafael Braga.

Fonte: Blog Outras Palavras

terça-feira, 11 de abril de 2017

Falta viaturas e combustível para a Polícia, diz Samuel


O presidente da Comissão de Segurança da Assembleia Legislativa, deputado Samuel Barreto, usou as redes sociais nesta segunda-feira (10), para afirmar sobre a precariedade que há para a policia militar trabalhar. Samuel Barreto afirma que está “faltando viaturas e combustível, e isso prejudica em muito o trabalho de nossos policiais militares. São 07 litros de combustível por dia. Irei conversar com o governador à respeito desta situação, porque quem está sendo prejudicado é a população”, garantiu o deputado. O parlamentar disse ainda que há a possibilidade de o governo aumentar o efetivo policial nas ruas, a partir do momento que aumentar a disponibilidade e horas extras.

Fonte: Faxaju

domingo, 25 de dezembro de 2016

Em mensagem de natal, Jackson diz que 2017 será um ano “muito difícil”

O governador de Sergipe, Jackson Barreto (PMDB), divulgou na noite desta sexta-feira (23), uma mensagem de natal nas suas redes sociais. No pronunciamento, ele afirma que apesar das dificuldades enfrentadas este ano por conta da crise econômica, o governo conseguiu manter o funcionamento da máquina administrativa graças ao controle de gastos.

No vídeo com um minuto de duração, o peemedebista projeta o ano de 2017 ainda “muito difícil” para o Estado, mas diz estar confiante de que será possível “avançar”. Jackson conclui o segundo ano do seu mandato preparando uma reforma administrativa para o primeiro escalão do Estado a ser anunciada até a segunda quinzena do mês de janeiro. Em entrevista a TV Sergipe, também nesta sexta, o governador disse que a dança das cadeiras deve atingir “meia dúzia de secretarias” com o objetivo de “agilizar mais a administração”.

Fonte: F5 News

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Superior Tribunal de Justiça vai julgar se há crime em compartilhamentos e curtidas no Facebook


Dezessete militares estão sendo acusados pela prática do crime de publicar ou criticar publicamente o seu superior ou assunto disciplinar militar. O crime é previsto no 166 do código penal militar e pode chegar a um ano de detenção, se o fato não constituir crime mais grave.

Curtir ou compartilhar posts no Facebook é crime e pode levar a uma ação penal? É essa pergunta que o Superior Tribunal de Justiça deve responder ao julgar um caso da Justiça Militar da Paraíba. Dezessete militares estão sendo acusados pela prática do crime de publicar ou criticar publicamente o seu superior ou assunto disciplinar militar. O crime é previsto no 166 do código penal militar e pode chegar a um ano de detenção, se o fato não constituir crime mais grave.

Até agora apenas dois ministros se manifestaram sobre o tema. O relator do caso (RHC 75125), ministro Nefi Cordeiro apresentou seu voto e foi no sentido de que há fundamentos suficientes para o prosseguimento da ação penal. "A concessão de liminar em habeas corpus é medida excepcional, somente cabível quando, em juízo perfunctório, observa-se, de plano, evidente constrangimento ilegal. Esta não é a situação presente, onde a pretensão de trancamento da ação penal por atipicidade da conduta, é claramente satisfativa, de igual modo descabendo a liminar suspensão do processo de origem, melhor cabendo seu exame no julgamento de mérito pelo colegiado, juiz natural da causa, assim inclusive garantindo-se a necessária segurança jurídica”, afirmou o ministro.

Na sessão, a ministra Maria Thereza de Assis Moura abriu divergência e votou para trancar a ação penal. Ela ponderou se nos dias de hoje em que as pessoas estão rede, alguém curtir ou compartilhar a informação é crime. “Responder ação penal por um clique?” questionou. Após o seu voto, o ministro Rogério Schietti pediu vista e os demais ministros vão aguardar o seu voto.

Segundo a acusação, os militares usaram o Facebook para censurar a conduta do comando do corpo de bombeiros militar da paraíba após uma outro militar ter sido preso em flagrante por embriaguez no serviço. O post em questão seria de um coronel que publicou em sua rede social que determinado cabo dos bombeiros militares deveria fazer um tratamento psicológico contra o problema de alcoolismo que sofre e não ser “posto em um xadrez”.

“Esse CB BM precisa de tratamento não de xadrez. Este bombeiro militar foi preso por suposta embriaguez, um flagrante sem provas contundentes, o mesmo precisa de tratamento médico e psicológico, mais (sic) vejam onde ele está. Um xadrez pequeno e desumano. Essa foto foi publicada com autorização do militar”, diz trecho do post.

De um lado, a promotoria de Justiça Militar pede pela abertura de ação penal militar. O motivo alegado é que os militares criticaram, publicamente, ato de superior e ou assunto atinente à disciplina ou resolução do governo, em concurso com militares da PM da Paraíba. O inquérito traz o que cada militar fez como curtir ou compartilhar ou os dois.

Do outro lado, a defesa dos militares, feita pelo Centro de Apoio Jurídico aos Policiais Militares Associados do Nordeste, quer o trancamento da ação penal por falta de justa causa. Segundo a defesa, o militar, junto com outros 16, está sofrendo uma ação penal militar perante a auditoria militar do Estado da Paraíba, por, “simplesmente”, compartilhar um post na rede social Facebook.

Segundo a defesa, está claro que falta justa causa à ação penal, pois ele não cometeu crime ao agir como agiu. “O prosseguimento da persecução criminal contra ele constitui-se em uma grande ameaça ilegal ao seu direito de ir e vir, demonstrando ser num verdadeiro constrangimento indevido”, afirmou.

Ao analisar o caso, o Tribunal de Justiça da Paraíba decidiu manter a ação penal instaurada pelo crime de publicação ou crítica indevida por entender que há indícios mínimos de materialidade e autoria delitiva.

O caso chegou então ao STJ e ainda não há data para que volte a julgamento.

Em manifestação, o Ministério Público Federal (PGR) opinou pelo trancamento da ação penal, mesmo ponderando que o trancamento da ação penal, prematuramente, deve se dar em hipóteses excepcionalíssimas, em casos de flagrante ilegalidade. “Não é este o caso dos autos. Não se vislumbra nenhuma ilegalidade que justifique a prematura extinção da ação penal, devendo a atipicidade das condutas ser perquirida em regular instrução processual”.

Fonte: Blog do Sargento Ricardo/Jornal Jurid

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Soldado Isaías: Sobre o vídeo do Governo do Estado de Sergipe que fala da Classe Militar

Soldado Isaías - Arquivo Aspra

Sobre o vídeo do Governo do Estado de Sergipe que fala da Classe Militar

Visando esclarecer a sociedade sergipana, emitimos uma análise sobre o vídeo que está sendo divulgado nas redes sociais em todo o país que aborda os anseios dos servidores militares sergipanos:

  • O governo sergipano está somente corrigindo uma gafe que cometera com a classe militar, tendo em vista que em 2014 todos os demais servidores sergipanos tiveram seus planos de carreira e a implantação dos seus respectivos subsídios estabelecidos;
  • Não existe nenhum legado com as propostas iniciais dos projetos, o que existe é um projeto de deterioração da carreira e dos salários a curto prazo;
Sobre as palavras da Oficial Evangelina:
  • Os projetos não são intangíveis na instituição "hierarquizada", prova cabal é que Sergipe é um dos poucos estados brasileiros que não os colocou em prática, está apenas acompanhando a tendência nacional de humanização e valorização das instituições policiais;
  • O governador sentou e dialogou com os futuros policiais militares (excedentes), porém nunca sequer recebeu em seu gabinete representantes da classe dos praças, base de sustentação da segurança pública, então não se pode chamar de arrojado um chefe que não dialoga com servidor público de base, e magnitude do projeto só se for pra outra classe, menos a dos praças;
Sobre as palavras do Praça Wagner Silva:
  • Completamente correto, perspectiva de promoção HOJE, porém com os limitadores inseridos no magnânimo Plano de Carreira, haverá um afunilamento a médio prazo, estagnando as promoções.
  • Vale lembrar que estagnando as promoções estaremos com salários congelados, pois com o subsídio haverá estagnação salarial. Atualmente com o sistema de gratificação trienal, ao menos nos primeiros 21 anos o policial tinha perspectiva de 7 progressões, mesmo que pouca, no salário. Os policiais mais antigos não tem nada pra comemorar....
  • O tempo de permanência nos postos e graduações de 2 anos tem limitadores percentuais estabelecidos na própria legislação, ou seja, pode ser mais tempo que o propagado;
  • O valor da Retribuição por Jornada Extraordinária de Trabalho da base é 200 reais, mas não mostraram que dos níveis acima chega a 600 reais, tentam passar a população que um soldado ou cabo pode tirar até 10 jornadas por mês, num claro plano de tornar o profissional em escravo de suas limitações financeiras, vendendo suas horas de lazer e convívio familiar para complementar suas rendas, mesmo que eles consigam aprovar a medíocre tabela de subsídio proposta pelo governo, os cabos e soldados são muitos para dividir a esmola do governo. Enquanto o topo da pirâmide são poucos para dividir jornadas valendo 400, 500 e 600 reais.
  • Os instrutores e monitores de curso, após a aprovação, serão somente oficiais, hoje existem praças em tais funções única e exclusivamente pelo baixo valor, não que os praças não tenham capacidade para tal, mas por força do defasado militarismo;
  • Sobre a convocação dos novos policiais: entrem e somem na luta, queremos defender a sociedade, fazemos isso há mais de 150 anos, mas agora estamos num árduo processo de auto valorização, de defender nossas famílias e por conseguinte o Estado Sergipano.

A sociedade sergipana precisa saber que o governo de Sergipe deve 26% de reajuste inflacionário aos policiais e bombeiros sergipanos, para se ter uma ideia dessa situação imagine o preço do frango, da gasolina e do feijão em 2013 e compare com os atuais.

Nós não brigamos por *aumento salarial*, estamos lutando por direitos tirados e por tratamento igualitário com as demais categorias.

Isaías Silva - Soldado da PMSE

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Habeas corpus impede prisão de PM do RN que criticou modelo de polícia

Disciplinarmente, soldado Figueiredo foi punido com 15 dias de prisão.
'Temos uma Polícia que se assemelha a jagunços', disse ele no Fecebook.



O soldado da Polícia Militar do Rio Grande do Norte João Maria Figueiredo da Silva, que no dia 21 de setembro foi punido com 15 dias de prisão por ter usado uma rede social para criticar o modelo de polícia utilizado no país, está livre da cadeia. Pelo menos até que a Justiça avalie o mérito da questão. Nesta terça-feira (4), o juiz substituto Ricardo Tinoco de Góes concedeu um habeas corpus que impede o cumprimento da punição. Figueiredo é lotado em Touros, município do litoral Norte potiguar. Com a ordem de detenção suspensa, ele segue trabalhando normalmente.

Advogado do policial, Bruno Saldanha comemorou a decisão do magistrado. “Não cabe à PM regular a liberdade de expressão de quem quer que seja. A autoridade que acusou foi a mesma que julgou, isso fere a nossa constituição”, ressaltou.

A prisão de Figueiredo foi determinada pelo comandante-geral da corporação, coronel Dancleiton Pereira, que entendeu que o policial cometeu uma transgressão disciplinar. Consta no Boletim Geral da PM, datado de 21 de setembro, que "o soldado publicou palavras não condizentes com a ordem castrense, que desrespeita e ofende a instituição e seus integrantes, além de promover o descrédito do bom andamento do serviço ostensivo da Polícia Militar, conduta que é considerada contrária as normas regulamentares e éticas esculpidas no Regulamento Disciplinar da Polícia Militar” (SIC).

'Jagunços'

As palavras nas quais a sindicância contra o soldado faz referência foram postadas no dia 26 de abril no Facebook. Encontram-se numa página chamada Mudamos – que propõe discussões sobre o sistema brasileiro de segurança pública. “Esse estado policialesco não serve nem ao povo e muito menos aos policiais que também compõe uma parcela significativa de vítimas do atual contrato social brasileiro. Temos uma Polícia que se assemelha a jagunços, reflexo de uma sociedade hipócrita, imbecil e desonesta!!” (SIC), comentou Figueiredo.

Assessor de comunicação da PM, o tenente-coronel Arthur Emílio Monteiro de Araújo comentou o caso: “Ele foi punido de acordo com as normas. Quando ingressou na Polícia Militar, ele sabia quais eram as regras. As redes sociais facilitam a comunicação, mas as pessoas esquecem dos cuidados. Essa é uma orientação que nós damos: tenham cuidado com o que é postado, porque o que é dito pode ser usado contra a própria pessoa. Muitas vezes, os policiais se expõem e acabam também expondo seus familiares sem necessidade alguma”.

Bombeiro também é punido

A punição aplicada ao soldado Figueiredo não é um caso isolado no estado. Presidente da Associação dos Bombeiros Militares do RN, o soldado Dalchem Viana do Nascimento Ferreira também foi punido por fazer uso de redes sociais. O castigo foi de três dias de prisão por ter enviado um áudio em um grupo de WhatsApp no qual convoca membros associados para uma assembleia.

Na gravação, feita no dia 22 de junho, Dalchem fala: “Senhores boa tarde. É, só pra informar para que todos os soldados e cabos da ABM estão convidados não, estão convocados a comparecer a esta reunião, no dia e local marcado, porque o quartel é também de cabos e soldados, então estão todos convocados a comparecerem a reunião. Eu estarei lá, entendeu, a Comissão de Direito da OAB também estará lá e também vou levar a situação agora ao Secretário de Segurança, e a chefe de Gabinete Civil” (SIC).

“No caso do Dalchem, ainda não houve nenhuma medida jurídica implementada, mas já entramos com um pedido administrativo de reconsideração de ato. Isso também impede que ele seja preso. Além disso, o bombeiro está de licença médica”, disse o Bruno Saldanha, que também advoga para o militar.

Anistia Internacional

"Refutamos como gravíssimas as penalidades impostas pelos Comandos da PM e do Corpo de Bombeiros. Prisão é algo muito sério. Não estamos a falar de crime, mas da manifestação do pensamento de cidadãos que merecem proteção do Estado. Não cabe nesta quadra da vida democrática brasileira violações a direitos fundamentais, como, a liberdade de pensamento, associação e opinião. A repercussão do caso já é internacional, a OAB e os órgãos de proteção aos direitos humanos, como a Anistia Internacional e a Human Rights já tomaram ciência do caso e já acionaram os organismos internacionais competentes. O Brasil pode sofrer sanções severas no campo diplomático, além de sofrer com pesadas multas", comentou o advogado Bruno Saldanha.

O G1 teve acesso a um ofício que a Anistia Internacional enviou ao comandante-geral da PM do Rio Grande do Norte assim que soube da punição imposta ao soldado Figueiredo. O documento, de 28 de junho, pede explicações sobre a abertura da sindicância contra o policial. A assessoria de comunicação da Polícia Militar foi procurada para falar sobre a resposta que foi dada, mas o celular do tenente-coronel Arthur Emílio Monteiro de Araújo estava desligado.

Fonte: G1/Globo Rio Grande do Norte

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Assembleia do SINPOL SERGIPE mantem operação “Meu Salário, Minha Vida”

O SINPOL SERGIPE realizou nesta terça-feira, 06, mais uma assembleia geral extraordinária e desta vez em frente ao Complexo de Delegacias Especializadas – CPE, conforme ficou deliberada anterior, realizada no dia 23 de agosto. O local foi considerado impróprio pelos participantes e nas próximas assembleias não será mais utilizado para tal finalidade.

Iniciando com as discussões sobre a adesão do SINPOL SERGIPE à mobilização nacional das polícias civis estaduais do Brasil, cuja luta se dá contra o PLP 257/2016 e a PEC 241/2016, vulgarmente conhecidos como “Pacote de Maldades” dos governos federal e estaduais, após explanação sobre o conteúdo desses “pacotes” através do presidente do sindicato, Alexandre Fernandes, a categoria decidiu unanimemente que o SINPOL SERGIPE deve aderir à mobilização.

Alexandre Fernandes rechaçou algumas condutas oportunistas de quem não trabalha pelo bem da categoria, mas defende apenas seus interesses pessoais. Ele denominou de “Manifestantes de WhatSapp” aos que durante as assembleias não apresentam boas propostas, não participam de ações e tentam levar a Polícia Civil à ruína através do uso irresponsável das redes sociais.

Outro ponto importante da assembleia foi a avaliação das estratégias de ações sindicais e da categoria contra a política pública de segurança implantada pelo Governo de Sergipe, onde constam o parcelamento de salários e desproporcionalidade entre os valores dos subsídios pagos aos cargos policiais civis. A assembleia aprovou a continuação da operação “Meu Salário, Minha Vida”, onde os agentes e escrivães farão apenas os trabalhos internos nas unidades policiais.

Por fim, ficou ajustado também que semanalmente será realizada uma manifestação em frente ao prédio da Secretaria da Segurança Pública – SSP, como forma de dar visibilidade ao movimento e cobrar do Governo do Estado responsabilidade no sentido de cumprir com os pagamentos dos salários dos policiais civis sem atraso e sem parcelamento.

Da Assessoria de Comunicação / Sinpol Sergipe

Fonte: Sinpol/Sergipe

sábado, 27 de agosto de 2016

Nota de Repúdio - "PMs estão cavando as próprias sepulturas da sociedade" - Emmanuel Cacho


"Repúdio a ignorância...” Capitão Samuel

O gabinete do deputado estadual Capitão Samuel, vem, por meio desta, publicamente manifestar repúdio às declarações produzidas pelo advogado Emanuel Cacho, feitas na data de hoje, sexta-feira, 26, nas redes sociais, de que “policiais militares sabotam a Segurança e que estão prestando um desserviço ao povo”.

Fundamentalmente, as declarações do causídico são aventureiras e se apresentam com propósitos escusos, tentando se promover às custas de seus impropérios e engodos dirigidos aos policiais militares, que se empenham diuturnamente para promover a Segurança Pública no Estado. A culpa do caos na Segurança Pública não é dos policiais militares e sim do governo, que não prioriza.

Os policiais militares vêm cumprindo seu mister, e tem o direito de ser tratados com urbanidade e decoro, pois têm, somente na lei, seu principal instrumento e baliza. Nessa esteira, vem a público manifestar incondicional apoio aos nobres policiais militares do nosso Estado varonil, com a certeza de que juntos somos fortes!

Deus no Comando, sempre!

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Deputado Federal Capitão Augusto: Nota de esclarecimento – a verdade por trás da PLP 257

Foram excluídos do PLP 257 os artigos que proibiam as promoções, concessão de quinquênios e sexta-parte, aumento da contribuição previdenciária, venda da licença-prêmio, etc…

Capitão Augusto. Arquivo Aspra

Está circulando nas redes sociais uma lista dos votos dos deputados em relação ao PLP 257. O título da postagem ardilosamente leva a acreditar que os deputados que votaram “sim” foram a favor do congelamento dos salários dos servidores públicos. Isso não é verdade! A política exige maturidade e capacidade para o diálogo. Nada na política moderna se consegue no grito. Desde o início dos debates sobre o PLP 257 tenho me dedicado em defender os direitos e interesses dos policiais militares.

Foram muitas negociações e articulações políticas. Juntamente com deputados representantes dos policiais militares de outros Estados, fui até o gabinete do Ministro da Economia para esclarecê-lo sobre a realidade do policial militar e obtive o seu compromisso de respeitar os direitos dos policiais, falamos com o Presidente Michel Temer e com os líderes dos partidos. Longe dos holofotes e das câmeras de TV, também foram intensas as articulações de bastidores junto aos demais deputados para conquistarmos o apoio às nossas demandas em relação ao PLP 257.

Compromissos foram assumidos, concessões foram feitas e, ao final, após muito diálogo, conseguimos a exclusão do texto do projeto de todos os itens que nos prejudicavam. Tanto é que fiz um vídeo horas antes da votação e fiz vários texto a cada conquista que foram divulgados nas redes sociais tranquilizando todos e já antecipando que o projeto não nos atingiria. Só para relembrar, foram excluídos do PLP 257 os artigos que proibiam as promoções, concessão de quinquênios e sexta-parte, aumento da contribuição previdenciária, venda da licença-prêmio, etc… Após o acordo, o único item que permaneceu foi o de conceder aumento de salário em índice superior ao da inflação do ano anterior.

Observe-se que, ao contrário do que induz a indigitada postagem, não votei a favor do congelamento dos salários dos policiais militares, muito menos com o texto original. Aliás, não haverá congelamento de salário, ficou a limitação do aumento salarial ao índice da inflação do ano anterior. Entretanto, recorde-se que há 3 anos o Governo do Estado não concede qualquer aumento salarial aos policiais militares, nem mesmo a reposição inflacionária. Portanto, se o Governo paulista conceder pelo menos a reposição inflacionária nestes próximos 2 anos já será uma grande vitória.

Insisto, a politica é a arte do diálogo, da negociação, das conquistas e concessões recíprocas. De nada adianta ser eleito e não conquistar benefícios para os policiais. É triste ver que depois de tanta luta contra os itens ruins da 257 e sairmos vitoriosos, ver pessoas desvirtuando os fatos e tentar induzir os policiais a acreditarem fomos contra a classe.

Policial Militar, você pode ter a certeza de que continuarei trabalhando pelos senhores e senhoras, que jamais irei me desviar da luta pela defesa e conquista de direitos aos policiais militares. Fui eleito para alcançar resultados efetivos para os policiais militares e este é e será o meu compromisso até o último dia do meu mandato. E isto somente se consegue através do debate, da articulação e da negociação política madura.

Foi assim que, já no meu primeiro mandato, conquistei a condição de vice-líder da 5ª maior bancada da Câmara dos Deputados e de vice-líder do governo, posições que abrem portas e facilitam as negociações políticas. Foi assim que, com menos de 1 ano de mandato, consegui aprovar na Câmara dos Deputados uma Emenda Constitucional que confere direitos políticos plenos aos policiais militares, inclusive com votos favoráveis de opositores históricos da Policia Militar. Foi assim que apresentei e conquistei a aprovação de importantes projetos de lei que conferem direitos àqueles que entregam suas vidas para defender o próximo.

Já somos poucos aqui para defender a PM, é uma hora de comemorarmos a grande vitória em cima da PLP 257 e não de estimular a desunião. Muitos que estão nessa lista são amigos da Polícia Militar, votam sempre com a gente, nos defendem nas Comissões, participaram das negociações com o governo, por isso mesmo assumiram a compromisso de votar caso todos itens ruins fosse retirados, o que de fato houve, pois sabíamos que na hora da votação que a 257 não nos atingiria, já estava acordado com os líderes e governo.

Note que dentro dos que votaram “não” estão os deputados do PT, PCdoB e PSOL, ironicamente os mesmos que apresentaram o projeto PLP 257 original que arrebentava os servidores públicos, para ver que nem sempre quem votar “não” é amigo e quem votar “sim” inimigo.

Ingressei como Soldado na Policia Militar em 1988, como praça e oficial conheço bem a realidade policial, saí com salário proporcional devido a eleição, abri mão de chegar ao posto de coronel e aposentar com salarial integral, ostento a farda com orgulho desde o primeiro dia e assim será até o último, jamais faria algo para prejudicar os policiais. Adoto essa política de resultados, e quando chegarmos no final de 2018, analise quem realmente lutou por você e alcançou os resultados políticos concretos que os policiais militares sempre desejaram, e dessa forma, votem nos melhores candidatos.

Fonte: Policial BR/Facebook Capitão Augusto

sábado, 30 de julho de 2016

Sem acordo com o governo, PMs e BMs vão se reunir

“Enquanto o governo finge que vai atender nossas reivindicações, nós vamos fingir que estamos trabalhando”, ameaçam

Sem acordo com o governo do estado, policiais e bombeiros militares, descontentes, vão se reunir na próxima segunda-feira (01), para discutir “a inércia do Governo do Estado em atender às reivindicações da classe militar”. As informações são de que os PMs e BMs, não aguentam esperar que o governo atenda as reivindicações da tropa. Os militares lutam há mais de cinco anos para a implantação da promoção automática, além da isonomia salarial.

Nas redes sociais, a reclamação dos militares é grande. Um capitão da ativa e que aguarda promoção há alguns anos ironiza: “Tá arriscado eu ainda concorrer com Samuel a Major, do jeito que as coisas estão indo”. O problema maior é dos praças que alguns esperam há mais de 10 anos por uma promoção.

Proibidos pela legislação que rege o militarismo, através do RDE, de fazer manifestação, aquartelamento ou greve, alguns militares que pediram para não serem identificados, dizem que “enquanto o governo finge que vai atender nossas reivindicações, nós vamos fingir que estamos trabalhando”.

Assembléia extraordinária – a AMESE – Associação dos Militares do Estado de Sergipe, convoca seus associados para assembléia geral extraordinária a ser realizada na próxima segunda-feira, dia 1 º, às 18 horas, na sede da entidade, situada na Rua Boquim, nº 159, centro.

Pautas:

1 – A inércia do Governo do Estado em atender às reivindicações da classe militar.
2 – O que ocorrer.

Munir Darrage

Fonte: Faxaju

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Cabo Jeoás: Sargento da PM recebe voz de prisão por se recusar a empurrar viatura quebrada

Um Sargento da Policia Militar recebeu voz de prisão no inicio da tarde desta quarta-feira (15) por um Tenente da PM, por ter se recusado a empurrar uma viatura na Avenida Maria Lacerda, em Nova Parnamirim.

O Sargento teria ido ao local onde estava a viatura e lá, recebeu a ordem de um oficial que estava presente. O Sargento se recusou a empurrar, argumentando que era uma orientação padrão aos policiais para evitar que imagens desse tipo circulassem em redes sociais. Por isso, argumentou o Sargento, que deveria ser chamado o guincho. O tenente então ordenou que o carro fosse retirado e diante da negativa da praça, deu voz de prisão, recolhendo a arma do sargento.

O Praça foi conduzido ao Quartel do Comando Geral da PM para ser autuado em flagrante por desobediência. A situação causou uma forte reação na categoria. O Sargento recebeu imediato apoio das entidades representativas, do Cabo Jeoás e respectivas assessorias jurídicas na tentativa de reversão da decisão.

De acordo com o Cabo Jeoás essa situação é arbitrária e inaceitável. “O Sargento tem uma ficha exemplar e um bom relacionamento com os superiores e seus subordinados, e seria punido por descumprir uma ordem absurda, passando por um enorme constrangimento, porque é obvio que se o veiculo está quebrado deve ser removido para concerto, guinchado pela instituição em caso de veiculo próprio ou pela locadora em caso de frota locada. Situações arbitrarias e absurdas como essa não podem ser aceitas,” disse o ex-parlamentar.

“Já não bastam as adversidades enfrentadas diariamente, falta de condições de trabalho e equipamentos, efetivo insuficiente, ainda acontecem situações como essa. Precisamos do nosso Estatuto e Código de Ética com urgência, modernizar nossas legislações para enfim aposentar esse arcaico RDPM” destacou o Cabo Jeoás.

Atualização

O Sargento foi ouvido em termo de declaração e foi liberado no fim da tarde, vai ser aberto um procedimento administrativo para apurar o caso. A perspectiva de prisão que havia no inicio da tarde não foi concretizada, devido ao apoio jurídico recebido e do discernimento dos oficiais que estiveram a frente do caso.

Fonte: Homepage do Cabo Jeoás

domingo, 9 de agosto de 2015

Mais um policial é morto em Sergipe. Cabo da PM foi assassinado em casa enquanto dormia.

Cabo J. Santos é o terceiro PM assassinado somante este ano em Sergipe.

Mais um fato lamentável é registrado em Sergipe. No início da noite de hoje (08), bandidos encapuzados invadiram a residência do Cabo da Polícia Militar Jeová Santos. Se aproveitando de que o policial estava dormindo, os marginais pegaram sua arma e executaram o PM, fugindo em seguida pelos fundos do imóvel localizado no Conjunto Parque dos Faróis, no município de Nossa Senhora do Socorro, levando consigo a pistola calibre .40 do policial.

As primeiras informações dão conta de que o policial era lotado no 7º BPM, em Lagarto. Diversas viaturas estariam no local fazendo buscas no intuito de capturar os criminosos. Nas redes sociais já circula a informação de que já haveria um dos envolvidos presos. O blog vai aguardar a chegada de mais informações e confirmações para poder publicá-las.

A Diretoria da Aspra/SE lamenta profundamente a terceira morte de um policial vítima de homicídio este ano no estado. Numa semana onde já havíamos perdido dois companheiros, um por suicídio e outro por problemas de saúde, a notícia do assassinato do Cb J. Santos cai como uma bomba sobre a família militar e gera um sentimento de revolta diante de toda a fragilidade da nossa segurança pública, a ponto de os próprios profissionais do setor também estarem se tornando vítimas de tamanha violência.

Pedimos a Deus que conforte os familiares do Cb J. Santos e que Deus o acolha em sua nova morada. Fica com Deus J. Santos!

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Pablo Escobar em série do Netflix, Wagner Moura opina sobre drogas e desmilitarização da polícia

Símbolo do BOPE. Fonte: Aspra Sergipe

"A minha opinião é de que as drogas deviam ser legalizadas. Digo isso há muito tempo", disse o ator em coletiva em São Paulo

Não há nenhuma data que justifique o "momento Pablo Escobar" vivido internacionalmente. Mas El Patrón, codinome de um dos mais temíveis traficantes de droga da história das Américas, inspira diversas produções. Benicio del Toro é estrela de Escobar: paraíso perdido, que estreia nos Estados Unidos nesta semana. Os ganhadores do Oscar Penélope Cruz e Javier Bardén estão produzindo Escobar, cinebiografia que deve ganhar as telas em 2015. Em 28 de agosto, o Netflix lança Narcos, primeira série original do canal por internet assinada por um brasileiro. É do diretor José Padilha (Tropa de elite e Robocop), a crônica, em dez capítulos, sobre o Cartel de Medelín, rede internacional de tráfico de drogas cujo auge foi na Colômbia dos anos 1980. 

"Trata-se da origem e da caçada a Pablo", define o ator baiano Wagner Moura, que viverá o protagonista. Trocou o Rio de Janeiro, onde mora, por Medelín, na Colômbia, antes de assinar o contrato. Queria falar bem espanhol, a língua oficial do seriado. Moura engordou para o papel. "Você viu os primeiros episódios, quando chegar no décimo… ôpa!", brinca. Na entrevista a seguir, concedida a jornalistas latinos em São Paulo, o ator revela o processo de gravação, defende a desmilitarização da polícia e defende que, em relação a Pablo, não cabe maniqueísmo. (A jornalista viajou a convite do Netflix)

Wagner Moura Como foi atuar em espanhol?

Foi realmente a parte mais difícil. Por que eu não falo espanhol, mas tive muito tempo para me preparar; que é como eu gosto de fazer as coisas. Então, comecei pelo básico. Fui para Medelín, me matriculei em uma universidade, fiquei aprendendo espanhol, conversando com as pessoas. E aí, com tempo, fui pesquisando sobre Pablo (Escobar) e me aproximando mais dele, estando lá. Cheguei em abril de 2014 em Medelín. Fui por minha conta, antes do Netflix assinar o contrato. Fiquei por 15 dias, voltei ao Brasil para lançar Praia do Futuro. Regressei em setembro, quando começamos a filmar. Fiquei cinco meses, mas estava com o personagem na cabeça desde o final de 2013, quando o Padilha me convidou.

A série chega em um "momento Pablo Escobar": são pelo menos dois filmes, sempre há livros e novelas. Por que estão trazendo essa história de novo hoje?

Não sei, mas, no caso da gente, pelo que conheço do Zé (essa série é uma ideia dele) tem essa coisa de ele querer e entender uma realidade e explicar alguma coisa. Balanceando o lado épico com um dramático mais forte, com ação, com algo que seja atrativo, que tenha entretenimento, mas ao mesmo tempo revele uma realidade política e social. Narcos quer entender a origem do narcotráfico no mundo, que até hoje é uma questão.

O que pensa sobre a política de guerra às drogas?

A minha opinião é a de que as drogas deveriam ser legalizadas. Digo isso já há muito tempo. Não sou especialista, mas a política de confronto às drogas me parece ineficaz. Toda a América Latina segue um pouco o modelo de confronto norte-americano. Até contra o próprio consumidor. A tendência é que isso vá se dilatando. Hoje o consumidor não é tão penalizado quanto há cinco anos. Vejo as drogas como um problema de saúde pública e não de segurança. Se medir os óbitos por overdose e pela guerra ao tráfico, não tem comparação. Acho que se gasta muito mais. E talvez aí esteja a chave: a quem interessa o gasto com as armas de fogo na guerra contra as drogas?

Você tem alguma opinião sobre a desmitarilização da polícia?

Sou a favor da unificação e da desmilitarilização da polícia. A Polícia Militar parece um resquício da ditadura. É um negócio assim… estranho. A polícia no Brasil é uma questão muito séria. O que acontece no Brasil, que acho muito interessante, é que a polícia, de um modo geral, existe para proteger o estado e não o cidadão. Quando se fala em proteger o estado, o que acontece - na prática - é proteger o estado contra gente pobre. 

Qual é a imagem de Pablo Escobar na Colômbia hoje?

Eu fui em um bairro em Medelín, o Pablo Escobar, em que Pablo construiu duas mil casas para pobres que viviam em um lixão. Quando você vai lá, tem um muro com uma foto do Pablo Escobar e, ao lado, a do menino Jesus. Todas as casas têm uma fotografia de Pablo. Agora, Pablo Escobar inventou uma coisa chamada narcoterrorismo. Ele chantageava os estado mantendo bombas na cidade. As vítimas de Pablo são muitas. E por isso que é um personagem tão interessante, amado por muitos e odiado por tantos.

Tem muito material sobre Pablo já filmado. Qual o recorte que José Padilha dará a Narcos para fazê-lo diferente?

Vi recentemente Escobar: paraíso perdido, com o Benicio del Toro (o filme não é muito bom, mas ele está incrível). Quando se faz um filme assim, com duas horas, tem um recorte. Quando se tem 100 capítulos, é outro. O diferencial de Narcos é o fato de serem dez episódios, dez horas de filmagem… e a série não é focada só em Pablo. É uma série sobre a origem do narcotráfico no mundo, mas não se pode falar disso sem falar do Cartel de Medelín. 

José Padilha é produtor executivo e assina os dois primeiros episódios de Narcos, mas depois não dirige mais, não é?

É, mas tem outro brasileiro, o Fernando Coimbra (de O lobo atrás da porta, de 2013), que também dirige dois episódios, ele é ótimo. Tem outros dois cineastas: o mexicano Guilhermo Navarro (de O labirinto do fauno, Círculo de fogo), o colombiano Andi Baiz (O quarto secreto). 

Escobar é colombiano. Não teve medo de ser uma apropriação, por um brasileiro, de um personagem tão icônico?

Quando fui a primeira vez pra Medelín, não contei pra ninguém o que estava indo fazer lá. Um brasileiro magro (estava com 76 quilos), que não falava espanhol. Mas o Zé Padilha me chamou para fazer… se o Zé acredita, eu acredito. Não ia decepcionar ele. Eu acho que tinha que fazer o que pudesse. Eu tenho muito orgulho desse trabalho, gosto muito do resultado.

O roteiro é baseado em alguma biografia?

Não, não. Tem muitos livros sobre Pablo, especialmente em espanhol, que os roteiristas norte-americanos nem conseguiram ler. Há pouco sobre Pablo em inglês, tem um livro chamado Killing Pablo (de Mark Bowden) que é bem legal, mas tem muito material na internet. Acho que pesquisaram de outras formas… não é baseado em nenhum livro em específico.

O polo de cinema de Paulínia foi fechado. Quer falar sobre isso?

Que posso dizer, cara? Paulínia apareceu como uma força do cinema brasileiro. Teve uma época que quase todos os filmes que via tinham o nome de Paulínia. Fiz O homem do futuro, fiz A busca, VIPs. Fiz três filmes em Paulínia. Acho uma pena. Imagina! 

Fonte: Diário de Pernambuco

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Polícia Militar do Paraná censura uso de WhatsApp e redes sociais de policiais


Quando a sociedade exige cada vez mais a democratização dos meios de comunicação e se utiliza, também cada vez mais, de redes sociais e aplicativos de comunicação, o Comando da Polícia Militar do Paraná caminha em direção contrária à modernidade. Retrocede pelo menos 51 anos e instaura a censura prévia nos quartéis.

Em memorando publicado no boletim interno da Polícia Militar, o corregedor-geral da PM, coronel Arildo Luiz Dias, quer restringir, o uso de aplicativos de comunicação multiplataforma, como o Whatsapp, e de redes sociais consagradas, como Facebook e Twitter, além de blogs e sites. O corregedor-geral determina que “toda mensagem ou conteúdo degradante, difamatório ou calunioso ou que exponha a corporação” deverá de ser avaliada pelos comandantes, diretores ou chefes das unidades. A restrição é uma espécie de censura prévia da manifestação individual de cada policial militar, o que acaba se transformando, na prática, em uma proibição de uso das ferramentas.

O memorando determina ainda que os órgãos de inteligência, regionais e locais, da Polícia Militar do Paraná "monitorem e fiscalizem" para "coibir ações que ferem os dispositivos legais". E qualquer desobediência do policial militar à essa ordem, ou seja, postar ou difundir mensagem, vai ficar sujeito à ação disciplinar.

De acordo com o presidente da Associação de Praças do Paraná (Apra-PR), Orélio Fontana Neto, a ordem foi tomada de forma "violenta", quando o Comando da Polícia poderia buscar as entidades representativas dos militares para encontrar uma forma de solucionar eventuais abusos. "A gente acha que exageros podem acontecer, mas uma norma disciplinadora deveria chamar as associações para fazer uma cartilha de orientação. A partir do momento que uma ordem como essa vem de cima para baixo, não pode dar certo", afirma.

Um dos problemas da ordem, aponta o presidente da Anaspra, Elisandro Lotin de Souza, é a subjetividade de comandantes em definir o que é "degradante, difamatório ou calunioso", podendo transformar a censura em uma perseguição. A diretoria da Aspra-PR vai protocolar um habeas corpus preventivo para garantir a livre manifestação e a liberdade de expressão de cada policial militar do Paraná - garantias fundamentais do Estado Democrático de Direito.

Desvinculação do Exército

O memorando assinado pelo corregedor-geral da PM paranaense ainda enumera oito itens, entre 113, da "relação de transgressões" do Regulamento Disciplinar do Exército, ao qual os policiais militares estão subordinados, para justificar a decisão. Entre eles, a proibição do militar da ativa de se manifestar publicamente, "sem que esteja autorizado", sobre assuntos de "natureza político-partidária".

Para evitar abusos como esse, a diretoria da Anaspra defende a desvinculação das polícias militares estaduais do Exército, por entender que o exercício da segurança pública é uma atividade essencialmente civil.

Aliado

O aplicativo de mensagens multiplataforma Whatsapp é usado por agentes da segurança pública em todo o país para troca rápida de informações - quando muitas vezes as ferramentas mais antigas, como os rádios comunicadores HT, não oferecem a mesma rapidez e praticidade.

Mesmo se a decisão fosse razoável, a efetivação da norma seria inviável. O número de mensagens diárias a ser aprovada por um comandante tomaria todo o seu tempo de trabalho. Além do mais, a qualidade mais importante da ferramenta Whatsapp, a rapidez, perderia sentido. Seria o triunfo da burocracia sobre a modernidade.

Em centenas de exemplos, o Whatsapp se comprovou um aplicativo aliado dos policiais militares e civis para coibir o crime e prender bandidos. Em algumas cidades, a população também pode usar a ferramenta para se comunicar com os órgãos de segurança e denunciar crimes ou atitudes suspeitas.

As redes sociais e as novas tecnologias de informação vieram para ficar, é um caminho sem volta, e as burocracias que não se adaptarem à modernidade vão ser arrastadas para o limbo da antiguidade

Alexandre Silva Brandão - jornalista Aprasc/Anaspra

Fonte: Anaspra

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