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sábado, 12 de maio de 2018

Georgeo Passos: “Enquanto pessoas morrem, Governo de SE não investe para diminuir a violência”



O deputado estadual Georgeo Passos, Rede, usou o pequeno expediente da sessão plenária desta quinta-feira, 10, para criticar novamente a falta de políticas de combate à violência no Estado. O parlamentar destacou que a ausência de ações do Governo continua aumentando os índices de crimes em Sergipe.

“Vimos durante essa gestão a escalada da violência. Cobramos várias vezes aqui e a falta de uma atitude fez com que o problema crescesse consideravelmente nos últimos anos. Os números estão comprovando isso. No entanto, enquanto pessoas morrem, infelizmente, ações concretas para a diminuição desse problema ainda não tem”, discursou o deputado.

A fala foi motivada após participação de Georgeo no Seminário “Juventude, Criminalidade Urbana e Políticas Públicas” que está sendo realizado pela Rede Nacional de Altos Estudos em Segurança Pública em Sergipe (Renaesp-SE) na Universidade Federal de Sergipe. O parlamentar foi convidado pelas professoras Joelina Menezes e Denise Leal.

O evento mostrou, por exemplo, que a maior parte dos homicídios no Estado tem vitimado os jovens. Para Georgeo, esse dado é mais uma comprovação de que o Estado não está cumprindo o seu papel de oferecer políticas para reverter o avança da violência. “Essas pessoas estão entrando no mundo do crime por vários motivos e estão morrendo por isso”, comentou.

“Políticas para o combate à violência não se restringem a investimento nas polícias. O Estado precisa investir também na educação desses jovens, na criação de emprego e também no lazer. Se o Governo se atentasse a isso e melhorasse à condição de vida desses jovens – principalmente os mais carentes – certamente muitas vidas seriam poupadas e viveríamos em um Sergipe mais seguro”, completou Georgeo.

Texto e foto: Por Assessoria Parlamentar/Alese

sábado, 9 de setembro de 2017

Câmara dos Deputados: Trabalho aprova realocação administrativa de militar inválido

A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público aprovou proposta que permite o reaproveitamento em atividades administrativas do policial militar ou bombeiro militar declarado inválido para realizar atividades operacionais da corporação. A medida está prevista no Projeto de Lei 507/15, do deputado Major Olimpio (SD-SP), e recebeu parecer pela aprovação da relatora, deputada Erika Kokay (PT-DF).

Pelo texto, o policial militar reformado desenvolverá as atividades em trajes civis e receberá remuneração não inferior ao vencimento do posto ou graduação. Além disso, o projeto determina que as repartições militares deverão adaptar suas instalações para facilitar o deslocamento do militar. A proposta inclui a realocação do policial no Decreto-Lei 667/69, que reorganiza as polícias e os corpos de bombeiros militares dos estados e do Distrito Federal.

“Ao militar reformado por invalidez não lhe é possibilitado o desempenho de atividades compatíveis com sua condição no âmbito da corporação. Tal impossibilidade colide frontalmente com as diversas políticas inclusivas voltadas às pessoas com limitações físicas adotadas nos últimos anos”, observou Erika Kokay. Ela acredita que o aproveitamento dos militares trará para as corporações benefícios decorrentes da experiência profissional acumulada por eles ao longo da carreira.

Tramitação

O texto, que tramita em caráter conclusivo e também já foi aprovado pela Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, ainda será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:


Reportagem – Noéli Nobre
Edição – Natalia Doederlein

Fonte: Agência Câmara de Notícias

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Governo, servidores e perspectivas sombrias para 2018



O blog torce para que apareça um milagre, mas de acordo com a atual realidade, a perspectiva é sombria para 2018 quando o assunto é salário para os servidores do Estado.

A verdade dura é que quanto mais aumentos o governo estadual concede aos servidores neste momento de crise, mais inviável se torna o Estado. Cada vez mais o atraso no pagamento vai se alongando. A continuar assim, em breve Sergipe vai estar igual ao Rio de Janeiro, parcelando o pagamento de servidores públicos ativos e inativos para três ou quatro vezes. A diferença é que o RJ, apesar do momento crítico atual, tem indústrias e um turismo forte que com o saneamento do Estado, em médio prazo, podem alavancar a sua economia. E Sergipe, cuja principal fonte de receita é o FPE, como vai conseguir sobreviver? Será que os servidores ativos e inativos estão atentos a isso? 2018 será um ano de muitas dificuldades. Mais que 2017. É bom os servidores colocarem as barbas de molho. O exemplo do RJ está aí.

Não vai adiantar greve, quebra-quebra e outras ações congêneres, pois sem dinheiro em caixa, o jeito será chorar no travesseiro e orar para que a economia volte a crescer e a crise política se dilua. O blog não é vidente e nem torce pelo pior, pelo contrário, mas anotem essa previsão e depois cobrem se o blog errar.

Para reforçar, STF desobriga governos pagarem dentro do mês - Decisão da semana passada, do STF, através da presidente Cármen Lúcia, concedeu liminar suspendendo decisão do TJRN que determinam o pagamento dos vencimentos dos servidores até o último dia de cada mês.

Jurisprudência para outros Estados - O entendimento adotado pela ministra é que “a gravidade exponencial da situação financeira e fiscal do estado justifica a adoção de medidas transitórias e excepcionais, como o fracionamento do pagamento dos servidores públicos.” (Agência STF).

"Farinha pouca, meu pirão primeiro" - O mais lamentável nisso tudo é que sempre quem recebe os maiores aumentos são as carreiras melhores remuneradas. Não se discute aqui a importância de nenhuma categoria, pois no frigir dos ovos cada uma está interessada tão somente na sua parte do bolo. É o famoso

Barnabés sem mobilização - Enquanto isso, os barnabés, que formam a base da pirâmide vencimental, e que são a grande maioria de servidores, ficam a ver navios. É que, mesmo em ampla maioria numérica, não tem poder de mobilização de massas.

“Pinimba” combinada - Já algumas categorias, embora em número menor, e talvez até por isso, formam a elite do serviço público estadual. Para essas, o céu é o limite. E haverá sempre uma pinimba entre uma e outra, algo que parece combinado, meio do tipo: se deu aumento para você tem que dar para mim.

Um país de contradições - O Brasil, apesar de ser um país subdesenvolvido, paga um dos melhores salários do mundo para algumas áreas do serviço público, mas que também presta um dos piores serviços públicos essenciais. 

Abismo entre a base e o topo - o Blog não condena o esforço sindical de nenhuma categoria por melhoria vencimental, apenas aponta que falta equidade na utilização dos recursos públicos. O abismo entre a base e o topo da pirâmide aumenta irremediavelmente a cada dia. O Governador, seja ele quem for, é quem deve corrigir isso.

Cerca de 15 PMS escoltando um comandante - Nem o governador Jackson Barreto tem tanto segurança. O comandante da PMSE tem uma escolta com cerca de 15 PMS. São três caminhonetes (com a dele). Sinceramente? Um exagero e uma falta de sensibilidade do comandante num Estado que necessita de policiais militares no policiamento ostensivo.

Fonte: Blog do Cláudio Nunes - Portal Infonet

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Governo que endurecer regras para aposentadoria especial

Mudança valeria para professor, quem trabalha em área de risco e policial militar

O governo federal pretende mudar as regras de aposentadorias especiais na reforma da Previdência para ajudar a resolver a crise fiscal nos estados e ganhar apoio de governadores nas negociações com o Congresso Nacional. O objetivo também é igualar as regras o máximo possível em todo o sistema previdenciário. Estão enquadrados nessas normas funcionários que lidam com atividades de risco ou agentes nocivos, químicos e biológicos e, por isso, aposentam-se mais cedo. Esse grupo passa à inatividade com 15, 20 ou 25 anos na função (conforme o risco), sem limite de idade. Outra categoria beneficiada são os professores (do ensino infantil, fundamental e médio), que podem requerer aposentadoria na frente dos demais trabalhadores, com cinco anos a menos (mulheres com 25 anos de contribuição e 50 anos de idade; homens com 30 anos de contribuição e 55 anos de idade).

O governo federal também quer ação dos estados. Entre as iniciativas, disse um interlocutor do Palácio do Planalto, está a necessidade de rever as leis estaduais de aposentadoria de militares (PMs e bombeiros), que hoje só cumprem tempo de contribuição, sem limite de idade.

Ao mexer nessas regras, o governo federal espera reduzir significativamente as despesas com benefícios nas áreas de saúde e educação, que pesam nas contas de estados e municípios. Uma das ideias é fixar uma idade mínima (acima de 55 anos para homens e 50 para mulheres) combinada com tempo de contribuição (acima de 30 anos). Também é uma possibilidade a criação de regras mais rígidas que obriguem os trabalhadores a comprovar que a atividade é de risco e justifica aposentaria antecipada. Hoje, várias categorias, incluindo auditores fiscais, conseguem na Justiça autorização para obter os benefícios com menor tempo de contribuição. Essas ações devem ser enviadas ao Congresso no bojo da reforma da Previdência, mas por meio de projeto de lei complementar.

Déficit de R$ 61 bilhões nos Estados

Para os professores, a proposta é igualar as regras àquelas dos demais trabalhadores, extinguindo assim a vantagem dos cinco anos de que goza a categoria. O caminho será alterar o artigo 40º da Constituição, que dá aos professores direito à aposentadoria especial. Além disso, o governo federal pretende elevar a idade mínima para os funcionários públicos (atualmente em 55 anos para mulheres e 60 para homens) e mexer no valor da pensão por morte (que deverá cair para 60% do valor do benefício, mais 10% por dependente, tendo 100% como limite). Caso a proposta seja aprovada, estados e municípios terão de se enquadrar automaticamente, o que também dará alívio de caixa. A intenção é que a mudança valha também para quem já ingressou no serviço público, mas haverá regras de transição.

— O governo sabe o que precisa ser feito, tem as linhas gerais, mas a proposta depende de um consenso mínimo com as centrais (sindicais) para ser enviada ao Congresso. No entanto, está certo que vamos mexer com as aposentadorias especiais, até porque esse assunto precisa ser regulamentado — disse uma fonte do Planalto.

As regras das aposentadorias especiais estão definidas apenas na lei da Previdência Social (INSS). Como o assunto não foi regulamentado no serviço público, a Justiça tem dado ganho de causa a funcionários públicos com base nas normas do INSS. Estão se aposentando mais cedo várias categorias (de agentes de saúde a auditores fiscais), o que eleva as despesas com decisões judiciais. Do total de aposentadorias especiais concedidas pelo INSS, 80% são ordenadas pela Justiça. O governo federal está fechando levantamento com os gastos consolidados e admite que há uma “farra” de decisões em todas as esferas. Em 2015, o déficit dos regimes próprios dos estados atingiu R$ 60,9 bilhões, incluindo todos os benefícios.

O governo federal também quer a participação dos estados, com a revisão de leis estaduais que garantem aposentadorias especiais a bombeiros e policiais militares. Além disso, é preciso mudar a legislação para fazer valer o teto de 92,25% do salários dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para as carreiras do Judiciário, como desembargadores, por exemplo. Esse teto é atualmente piso, com a incorporação aos salários de vários penduricalhos.

— Os estados precisam fazer o dever de casa — disse a fonte, acrescentando que a União está fazendo a sua parte, como abrir o fundo de previdência complementar da União (o Funpresp) para esses entes: — Essa é a rota de saída do caos, porque melhora a situação a longo prazo ao fixar para todos os funcionários o teto do INSS (atuais R$ 5.189).

O pesquisador do IBRE/FGV e professor do Instituto de Direito Público (IDP), José Roberto Afonso, destaca que os regimes próprios são uma das razões estruturais para a crise dos governos estaduais. Segundo ele, são concedidas aos servidores aposentadorias e pensões em condições mais vantajosas do que no INSS. Não seria problema se tivesse sido previsto um financiamento para esse diferencial, afirma, mas isso não ocorreu.

— A sociedade precisa decidir o que ela quer: se não aceita pagar mais impostos, é preciso escolher entre os que trabalham e oferecem serviços públicos à sociedade e aqueles que se aposentaram, mas sem terem contribuído para receber nível tão elevado de provento — diz Afonso.

O desequilíbrio previdenciário é hoje a raiz do problema fiscal dos estados brasileiros. Uma combinação de falta de planejamento, má gestão de recursos públicos e regras generosas para aposentadorias ao longo dos anos fez com que vários governadores não tenham mais como fechar as contas. O exemplo mais dramático é do Rio, onde 67% dos servidores ativos estão vinculados às áreas de educação e segurança (policiais militares, civis e bombeiros), que têm regras especiais e podem se aposentar cinco anos mais cedo. Isso significa que dois terços dos atuais servidores contribuem cinco anos a menos e recebem cinco anos a mais.

Só 17% contribuem 35 anos no Rio

Embora o Rio já tenha adotado medidas para tentar melhorar a gestão previdenciária — como criar a Fundação de Previdência Complementar (RJPREV) em 2013 —, isso só terá efeito sobre as contas públicas a longo prazo. Hoje, o total arrecadado anualmente com contribuições patronais e de servidores é de R$ 5 bilhões, enquanto o valor pago em aposentadorias é de R$ 17 bilhões, o que resulta em um déficit de R$ 12 bilhões.

Em entrevista ao GLOBO, o presidente do Rioprevidência, Gustavo Barbosa, defendeu mudanças nas aposentadorias especiais e também a elevação da idade mínima de aposentadoria. Ele lembrou que, no Rio, somente 17% dos servidores contribuem 35 anos para a previdência pública.

— Esse grupo é formado pelos servidores civis masculinos, ou seja, uma minoria. Aposentadoria precoce versus longevidade é uma combinação explosiva. É preciso aumentar a idade mínima — afirmou Barbosa, acrescentando: — É claro que todas as ações propostas teriam que ter um processo de transição. O mais importante é a população saber o quanto custa uma aposentadoria generosa como a que temos hoje.

Barbosa ressalta ainda que outro problema que precisa ser enfrentado são as vinculações entre servidores ativos e inativos, como ocorre com professores no Rio. Nesse grupo, há mais aposentados e pensionistas do que pessoas na ativa:

— Quando se dá aumento para professor, o impacto é igual ou maior na Previdência. Uma política de valorização do professor vai ter mais impacto para a previdência do que para os professores na atividade.

No RS, 54% dos gastos com inativos

Em maior ou menor grau, esse quadro se repete pelo país. No Rio Grande do Sul, por exemplo, também já houve aumento da contribuição previdenciária patronal e para servidores e existe uma Fundação de Previdência Complementar (RS-PREV), mas o déficit com aposentadorias para este ano deve chegar a R$ 9 bilhões. Em 2015, ele foi de R$ 8,4 bilhões, segundo dados da Secretaria de Fazenda do estado.

— Com a previdência complementar, vai haver solução de médio e longo prazo. Mas hoje, 54% dos gastos com pessoal são com inativos ou pensionistas. Aí está o desajuste do modelo. Os governos nunca se preocuparam em criar um fundo para resolver o problema, que foi agravado pelas aposentadorias especiais — disse um integrante da secretaria de Fazenda gaúcha.

Integrantes da equipe econômica afirmam que ajustes na previdência foram deixados de fora do acordo que renegociou as dívidas estaduais com a União porque o alongamento dos débitos é algo que precisa ser aprovado com urgência no Legislativo. No entanto, é unânime entre os governadores a avaliação de que é preciso mudar os regimes especiais. Diante da sensibilidade do tema, o governo federal quer que, quando a Reforma da Previdência for apresentada, os governadores falem publicamente em defesa dessas alterações.

Fonte: O Globo/Força Sindical

terça-feira, 14 de junho de 2016

Sargento Rodrigues: Deputado quer proteger Polícia Militar de Minas Gerais de assédio moral

Projeto do deputado Sargento Rodrigues (PDT) está pronto para ir a plenário e prevê até demissão. Veja abaixo os 11 casos que tipificam o assédio moral

Deputado Estadual (Minas Gerais) Sargento Rodrigues. Foto Arquivo Aspra

Um projeto em tramitação na Assembleia Legislativa de Minas Gerais prevê punição por assédio moral contra militar. A infração prevista no texto lista como prováveis infratores qualquer servidor público estadual, das administrações direta e indireta dos três poderes - Executivo, Legislativo e Judiciário.

De autoria do deputado Sargento Rodrigues (PDT), a proposta descreve 11 comportamentos que, conforme o parlamentar, tipificam a infração (veja a lista abaixo). A punição prevista vai de sanções administrativas, repreensão, suspensão e até a demissão. A sentença será graduada conforme a extensão do dano e das reincidências do infrator.

O projeto também define o conceito de agente público, envolvendo titulares de mandato eletivo e demais ocupantes de cargos públicos, quer seja em forma de empregos ou funções públicas, submetidos ao regime estatutário ou ao regime celetista.

Demissão

O projeto, que já passou pelas comissões da Assembleia e está pronto para ir a plenário, vai exigir dois turnos para aprovação. Também está no texto da proposta que ocupantes de cargos comissionados e demitidos por assédio moral ficam proibidos de exercer cargo dessa natureza pelo período de cinco anos.

A proposição atribui competência aos comandantes-gerais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar para a criação de comissões de conciliação, com representantes da administração e das entidades associativas representativas da categoria. A justificativa para as comissões é buscar soluções não ligitiosas para os casos de assédio moral.

Pré-requisitos para haver assédio moral, segundo o projeto de lei:

  • Desqualificar, reiteradamente, por meio de palavras, gestos ou atitudes, a autoestima, a segurança ou a imagem de militar, valendo-se de posição hierárquica ou funcional superior, equivalente ou inferior;
  • Desrespeitar limitação individual de militar, decorrente de doença física ou psíquica, atribuindo-lhe atividade incompatível com suas necessidades especiais;
  • Preterir militar, em quaisquer escolhas, em função de raça, sexo, nacionalidade, cor, idade, religião, posição social, preferência ou orientação política, sexual ou filosófica;
  • Atribuir, de modo frequente, a militar função incompatível com sua formação acadêmica ou técnica especializada ou que dependa de treinamento;
  • Isolar ou incentivar o isolamento de militar, privando-o de informações, de treinamentos necessários ao desenvolvimento de suas funções ou do convívio com seus colegas;
  • Manifestar-se jocosamente em detrimento da imagem de militar, submetendo-o a situação vexatória, ou fomentar boatos inidôneos e comentários maliciosos;
  • Subestimar, em público, as aptidões e competências de militar;
  • Manifestar publicamente desdém ou desprezo por militar ou pelo produto de seu trabalho;
  • Relegar intencionalmente militar ao ostracismo;
  • Apresentar com suas ideias, propostas, projetos ou quaisquer trabalhos de outro militar;
  • Valer-se de cargo ou função comissionada para induzir ou persuadir militar a praticar ato ilegal ou deixar de praticar ato determinado em lei.
Fonte: Jornal On-line Estado de Minas

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Capitão Samuel: As Promoções na PMSE


Capitão Samuel. Foto Arquivo Aspra

A entrada no serviço público é considerada por muitos como um “chamado”, e esse ingresso é marcado pela busca da estabilidade no emprego diante do ambiente econômico. A carreira dos policiais militares está estruturada em duas: de Oficiais e Praças, com base no artigo 10 e 11 da Lei 2066, de 23 de dezembro de 1976 (Estatuto da PMSE). O praça ingressa na corporação após a aprovação em concurso público e a carreira é regida pela Lei nº 4378/2001 (de Cabo a 3º Sgt) e pelo decreto nº 3974/1978 (de 2º Sgt a Subtenente).
O acesso na hierarquia policial-militar é seletivo, gradual, e sucessivo e será feito mediante promoções de conformidade com o disposto na legislação e regulamentação de promoções de oficiais e o de praças. A promoção é um ato administrativo e tem como finalidade básica à seleção dos policiais-militares para o exercício de funções pertinentes ao grau hierárquico superior. As promoções de praças ocorrem, no máximo, apenas duas vezes ao ano, por ato do Comandante-Geral da Corporação e somente por critério de antiguidade.
Vejamos:
  • Cb e 3º Sgt: Agosto
Base legal: Lei nº 4378/2001 C/C a Lei nº 6013/2006 (reduziu os interstícios)
  • 2º Sgt: Fevereiro e Agosto
Base legal: Decreto nº 3974/1978
  • 1º Sgt: Abril e Outubro
Base legal: Decreto nº 3974/1978
  • Subtenente: Junho e Dezembro
Base legal: Decreto nº 3974/1978
O oficial ingressa na corporação, exclusivamente por intermédio de concurso público, realizado por meio de convênio firmado entre a Universidade Federal de Sergipe e a corporação. A carreira de oficial é regida pela Lei de Promoções de Oficiais (Lei nº 2101/1977 C/C o Decreto nº 3874/1977). As promoções de oficiais ocorrem por ato do Governador e ocorrem três vezes ao ano, por critérios de merecimento e antiguidade.
Vejamos:
  • Abril, Agosto e Dezembro
Base legal: Lei nº 2101/1977 c/c o Decreto nº 3874/1977
Fica evidente na demonstração acima, que os praças da PMSE possuem uma dificuldade maior de ascensão na carreira, não havendo equidade entre praças e oficiais. Observou-se que atualmente, no âmbito das promoções de oficiais, houveram disputas internas para promoção por merecimento, o que de pronto choca a hierarquia e a disciplina, visto que muitas vezes o mais antigo passa a ser subordinado, gerando um desconforto e inimizades dentro da classe.

Precisamos lutar para corrigir as distorções aqui apresentadas, a fim de restabelecer a motivação e a equidade da família militar! Reafirmamos o compromisso com a Promoção por tempo de Serviço (PTS) que irá acabar com essa guerra na hora de promoções e irá dar igualdade de direitos entre os praças e oficiais, com isso, fortalecerá a instituição e reduzirá a necessidade de conchavos políticos na hora das promoções por merecimento.
No mais, temos a honra de parabenizar desde já os policiais militares por mais esta conquista.. Parabéns pela tão merecida promoção, que representa também o crescimento e a valorização dos serviços prestados à sociedade sergipana. Parabéns policial militar, continue trabalhando com sabedoria e dedicação, que possa desfrutar cada vez mais do reconhecimento do seu esforço. Você faz a diferença. Nossa luta: Subsidio + PTS. NÃO ABRIMOS MÃO! Deus no Comando, sempre!

Aracaju/SE, 30 de maio de 2016.
Assessoria de Comunicação do gabinete do Dep Cap Samuel

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Muito por fazer nos estados

Os estados têm papel destacado em serviços fundamentais para a população, como segurança, saúde e educação. Por isso, são indispensáveis para acelerar, aprimorar e consolidar o processo de desenvolvimento do Brasil. Felizmente, nos últimos anos, as maiores inovações e avanços na gestão pública aconteceram na esfera estadual.

Administração por resultados, meritocracia e parcerias com a iniciativa privada são apenas alguns exemplos. Um amplo estudo da consultoria de gestão Macroplan, obtido com exclusividade por EXAME, mostra que essas boas práticas estão dando resultado. Mas ainda há um longo caminho para que a média dos estados brasileiros preste serviços públicos dignos.

A Macroplan avaliou as 27 unidades da federação em um conjunto de 69 indicadores — o que gerou 59 rankings. Assim, mapeou os desafios dos 11 governadores reeleitos e dos 16 novos nomes que assumirão a partir de 1º de janeiro de 2015. Não há tempo a perder. Um passo crucial dos novos governadores, antes mesmo de tomar posse, será fazer uma avaliação profunda da situação financeira do estado e verificar a necessidade de ajustes orçamentários.

“Medidas de contenção e arrumação precisam ser pensadas desde já para ser executadas no primeiro ano de governo, quando há capital político para isso”, diz Claudio Porto, presidente da consultoria Macroplan. Isso será ainda mais importante com o cenário macroeconômico desfavorável que se desenha para 2015 e que pode abater a arrecadação de tributos.

Os estados do Sul e do Sudeste aparecem, como era de esperar, mais vezes no topo dos rankings das dimensões analisadas no estudo: educação, situação dos jovens, saúde, segurança, infraestrutura, desenvolvimento econômico, desenvolvimento social, moradia, saneamento e quadro institucional. Santa Catarina se destaca com o conjunto mais próximo do que poderia ser considerado um estado-modelo.

Reúne o menor índice de mortalidade infantil, a menor taxa de homicídios, o menor nível de desemprego, a menor proporção de pessoas pobres e também a mais alta expectativa de vida. Até aí, é um perfil parecido com o de um país desenvolvido. Mas não é. Embora a taxa de homicídios seja a mais baixa do país, ela está acima de 10 por 100 000 habitantes, o máximo que a Organização Mundial da Saúde considera tolerável — e a taxa tem crescido a cada ano. Outra mancha no retrato catarinense: só 70% das residências têm saneamento básico.

Mesmo São Paulo, o estado mais rico e que aparece mais vezes entre os cinco primeiros colocados em cada ranking, está longe de ter indicadores comparáveis aos de países desenvolvidos. Por exemplo: embora seja o estado que tem a maior densidade de rodovias para cada 100 quilômetros quadrados, a taxa de vias pavimentadas representa um terço da que têm os Estados Unidos.

Imagine agora a situação dos estados que aparecem mais entre os lanternas. Alagoas­ e Pará são os dois que mais frequentam os cinco últimos postos nos 59 rankings­ — 31 vezes cada um. Como os exemplos acima mostram, todos os governadores terão desafios duros pela frente. Mas alguns precisarão reverter um quadro de piora, enquanto outros terão a tarefa de dar sequência a processos de transformação iniciados por eles mesmos ou por antecessores.

Este último grupo é liderado por Pernambuco, o estado que mais conseguiu melhorar na última década, logo à frente de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás. O que as unidades que mais avançaram têm para ensinar às demais? Uma das grandes lições é que destinar mais recursos para áreas de maior atraso pode ser um bom começo, mas nem sempre é o único jeito. É possível fazer mais com o mesmo, sobretudo melhorando a qualidade dos gastos.

Na área de educação há um caso exemplar. Poucos estados têm um gasto educacional médio tão elevado quanto Sergipe: 7 308 reais por aluno ao ano. E poucas redes públicas têm um resultado tão baixo no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, conhecido como Ideb, quanto Sergipe: 2,8 pontos (de zero a 10) na avaliação do ensino médio em 2013, a quinta pior nota do país. Os gastos não são suficientes para melhorar o boletim sergipano, que permanece igual desde 2005. O estado não precisaria ir longe para buscar inspiração. Uma das áreas em que o vizinho Pernambuco obteve avanços expressivos foi justamente a da educação no ensino médio.

O mais impressionante é a redução da evasão escolar nesse ciclo: de 22% dos alunos matriculados, em 2007, para 4,7%, em 2013. Essa queda fez Pernambuco ir do penúltimo para o primeiro lugar no ranking de evasão em apenas seis anos. O gasto, no entanto, é um quarto do sergipano. O maior responsável pelo feito foi um projeto de ensino médio em tempo integral que já cobre 50% da rede estadual.

Essas escolas têm um projeto pedagógico que ajuda os alunos a descobrir o que vão querer fazer depois de formados. As atividades dadas em classe são pensadas para ajudar os alunos a alcançar seus objetivos — aulas de reforço em disciplinas específicas ou de robótica para ensinar conceitos de física e matemática de forma mais divertida, por exemplo. O aluno acaba ficando mais estimulado a continuar os estudos. Numa mostra do tamanho do nosso atraso, porém, a nota 3,6 obtida por Pernambuco no Ideb do ensino médio em 2013 está entre as mais altas do país.

Entre os desafios do governador eleito, Paulo Câmara (PSB), estará continuar a conversão de escolas para o período integral e dar mais atenção ao ensino fundamental — uma bola dividida entre estados e municípios, mas que é a base para resultados melhores. “Mesmo em estados com o melhor ensino fundamental, como Minas Gerais, a proporção de alunos que avançam para o médio sabendo o necessário em matemática não passa de 22%”, diz Denis Mizne, diretor da Fundação Lemann, entidade que atua na melhoria da educação. 

Bem longe dali, outros estados, como Rio de Janeiro e Goiás, também melhoraram seus indicadores com modelos de gestão mais eficientes e mudanças no projeto pedagógico. No Rio de Janeiro, a nota passou de 2,8, em 2005, para 3,6, em 2013, e chegou ao quarto lugar no ranking nacional. Em 2009, quando o estado era o 26º no Ideb, o governo fez um diagnóstico dos problemas na educação e criou um currículo esta­dual, um plano estratégico com metas que se desdobravam até o nível das turmas em cada escola e processos meritocráticos de seleção dos 250 gestores que cobrariam o cumprimento das metas. Também há aulas de reforço para 250 000 alunos e avaliações padronizadas periódicas para medir o desempenho dos estudantes. “É possível, sim, replicar o modelo em outros estados”, diz o secretário fluminense de Educação, Wilson Risolia Rodrigues.

O caso goiano é a prova de que não é preciso reinventar a roda. Goiás foi o terceiro estado com maior evolução nos ran­kings de indicadores elaborados pela Macroplan. O maior responsável por isso foi o programa Pacto pela Educação, implementado a partir de 2011, que gerou os primeiros resultados em 2013. O governo de Marconi Perillo (PSDB) reuniu no Pacto pela Educação as melhores práticas que identificou nessa área no país: o currículo unificado, aplicado no Rio de Janeiro e em São Paulo, e o sistema de bônus com base em assiduidade dos professores, utilizado em Pernambuco e no Ceará.

“Acompanhamos de perto o que estava acontecendo em outros estados. Eram políticas isoladas, que reunimos em um programa”, afirma a secretária de Educação de Goiás, Vanda Dasdores. A nota no Ideb da rede goiana evoluiu da 12º posição, em 2005 (quando era 2,9), para o primeiro lugar, em 2013 (nota 3,8), à frente dos próprios estados em que buscou exemplos de boas práticas. O governo teve de enfrentar a resistência de sindicatos de professores contra o modelo de meritocracia, que acusavam o estado de privilegiar o “rankeamento” da educação. “O sindicato dos professores não apoiou o pacto. Na meritocracia, professor que falta à aula não ganha bônus. Mas eles querem que todos ganhem”, diz a secretária Vanda.

Além de ser um caso de avanço no ranking, o primeiro lugar alcançado por Pernambuco também ajuda a salientar que um legado ruim por si só não serve de argumento para a manutenção de indicadores vergonhosos. É possível, num período de um a dois mandatos, conquistar avanços significativos na qualidade dos serviços.

Em 2002, Pernambuco era o penúltimo estado com o maior número de homicídios por 100 000 habitantes. Em dez anos, baixou 32% o índice, enquanto todos os vizinhos tiveram aumento da criminalidade. A articulação entre as polícias, o Ministério Público e o Judiciário e a definição de metas compartilhadas para reduzir a violência foram as principais medidas tomadas na gestão de Eduardo Campos.

“O programa Pacto pela Vida mostrou que é possível reduzir a violência se há gestão integrada na área de segurança pública”, diz o sociólogo José Luiz Ratton, especialista na área e professor da Universidade Federal de Pernambuco. A Bahia, outro grande estado nordestino, tem praticamente o mesmo número de habitantes por efetivo policial que Pernambuco.

Poderia, portanto, alcançar resultados semelhantes. Mas lá, durante a década passada, a taxa de homicídios cresceu 222%. O estado lançou seu Pacto pela Vida, inspirado no de Pernambuco — até com o mesmo nome —, mas só na segunda metade do segundo mandato do governador ­Jaques Wagner. A expectativa é que seu sucessor e aliado, Rui Costa (PT), se empenhe em diminuir a violência que afeta o dia a dia dos baianos.

Leite materno

Eficiência na gestão é também a principal variável em jogo na área da saúde. Afinal, esse serviço é o que mais preocupa os brasileiros. Uma pesquisa realizada em fevereiro deste ano mostrou que quase metade (49%) da população considera a saúde o tema prioritário, seguido do combate à violência (31%) e da educação (28%). Não é à toa.

Concentrados majoritariamente no Nordeste, 18 estados apresentam taxas de mortalidade infantil acima da média nacional. Mas o exemplo mais bem-sucedido de avanços nessa área vem exatamente de lá. O Ceará conseguiu reduzir 53% sua taxa de mortalidade infantil de 2001 a 2011. Em uma década, o número de óbitos foi cortado de 32 para 15 por 1 000 nascidos. A melhora foi resultado da expansão do atendimento básico de saúde, iniciado no governo tucano Tasso Jereissati e expandido no governo de Cid Gomes (Pros).

São iniciativas teoricamente simples: incentivar o aleitamento materno exclusivo até os 6 primeiros meses, difundir o uso do soro oral caseiro no tratamento de diarreias, estimular as mães a levar o recém-nascido ao pediatra. O que fez muita diferença foi a cobertura do programa, que alcançou 79% da população. A destinação dos recursos da área é decidida em um comitê integrado pela Secretaria da Saúde do estado e por gestores municipais de saúde. O avanço foi expressivo, ainda que a taxa permaneça alta para padrões internacionais.

A Organização Mundial da Saúde considera aceitável uma taxa de dez mortes para cada 1 000 nascidos vivos. Nenhuma unidade da federação atinge esse patamar, nem mesmo as melhores: Santa Catarina (10,8) e Rio Grande do Sul (11,1). 

Santa Catarina tem se empenhado em melhorar a administração de novos hospitais e do Samu, o serviço de atendimento em ambulâncias. O modelo escolhido pelo governador Raimundo Colombo (PSD), reeleito no primeiro turno, é o da contratação de organizações sociais para administrar esses serviços.

São entidades geralmente sem fins lucrativos, mas que não têm as amarras do serviço público na hora da contratação de funcionários ou na troca de equipamentos. Desde que o Samu catarinense ganhou um administrador privado, em 2012, o número de atendimentos aumentou 78% e o tempo gasto para o atendimento caiu pela metade. “Antes, quando uma ambulância quebrava em qualquer lugar do estado, era preciso levá-la para o conserto em Florianópolis”, diz Fernanda Lance, diretora de projetos da SPDM, empresa que administra o Samu.

O governador catarinense utilizou como mote de sua campanha à reeleição a aplicação de uma reforma administrativa para melhorar a eficiência da máquina pública ­— embora já tenha tido quatro anos para fazer isso. “Nós fizemos um estudo completo de onde há espaço para melhorar, e isso levou quase três anos”, diz Raimundo Colombo, que recebeu EXAME em seu gabinete, em Florianópolis.

Um novo mandato é também uma oportunidade para a autocrítica. Um governador que precisa fazer isso urgentemente é o do Pará. O estado foi o que mais caiu nos rankings de indicadores da última década elaborados pela Macroplan. O Pará é um desastre na área da saúde: tem a menor expectativa de vida do país, de 68 anos.

Essa expectativa de vida cresceu apenas 1,5 ano de 2002 a 2012, o menor avanço do país. Um catarinense vive, em média, dez anos mais do que um paraense. O Pará é também a unidade que menos gasta com saúde: 483 reais por habitante ao ano. Reeleito por margem pequena no segundo turno para mais quatro anos de mandato, o governador Simão Jatene (PSDB) culpa a falta de recursos.

“Um estado que exporta como o Pará não pode ter a arrecadação que temos”, afirma Jatene. “Somos grandes exportadores, mas o dinheiro que entra no cofre público é pouco porque as exportações são desoneradas. Precisamos atacar isso.” De fato, o Pará tem a quarta menor receita tributária e de transferências do país, de 1 480 reais per capita ao ano.

É maior, contudo, do que a do Ceará, estado que, com receita ­anual de 1 403 reais por habitante, conseguiu avanços relevantes em educação e saúde. “Dá para fazer mais com o mesmo, claro”, diz o governador Jatene, que não explicou como. E a autocrítica? “É importante fazer autocrítica. Eu teria implementado os centros regionais de governo antes, com poder de decisão e orçamento próprios”, afirma.

Ano perdido

De todas as missões, uma das mais árduas vai recair sobre os ombros do futuro governador mais jovem do país: Renan Filho (PMDB), de 35 anos, filho do presidente do Senado, Renan Calheiros. Renanzinho, como costuma ser chamado, foi eleito em Alagoas no primeiro turno com 52% dos votos válidos.

Tem pela frente a missão de melhorar os indicadores sociais do estado com o pior resultado geral no ranking de indicadores da Macroplan, ao lado do estado­ do Pará. É o pior em educação, o mais violento e o mais cruel com os jovens. Na faixa de 15 a 29 anos, a taxa de homicídios é de 138 por grupo de 100 000.

Esse índice dobrou em uma década. Para tentar brecar a crise, o estado foi o primeiro a receber o programa piloto Brasil Mais Seguro, do Ministério da Justiça, em junho de 2012. O plano fracassou. O estado não cumpriu sua parte no acordo com o governo federal. Uma das providências era a elaboração em 90 dias de uma estratégia de redução de crimes com foco nas áreas mais violentas, o que jamais foi feito. “Com tanta violência e educação ruim, temos uma geração perdida no estado”, diz Maria Consuelo Correia, presidente do sindicato dos professores de Alagoas.

Nos últimos oito anos, a pasta da Educação teve sete secretários. Só neste ano foram três nomes, seguindo acordos políticos feitos e desfeitos. Além da má gestão, o gasto na área, de 1 769 reais por aluno ao ano, é o menor do país. Há um déficit de 2 500 professores. A rede esta­dual tem as piores notas do país no ensino fundamental (2,7) e também no médio (2,6).

Com formação deficiente e elevada evasão escolar, os jovens batem com a cara na porta do mercado de trabalho. A taxa de desemprego na faixa de 15 a 29 anos é de 20%, a terceira maior do Brasil. Os jovens que não estudam e não têm emprego são chamados de “nem-nem-nem” (nem trabalham, nem estudam, nem procuram emprego). Um quarto dos alagoanos de 15 a 20 anos faz parte desse grupo. 

Poucos lugares ilustram tão bem o que aconteceu com a educação de Alagoas como a escola estadual Alfredo Gaspar de Mendonça, localizada em um dos bairros mais violentos da periferia de Maceió. Em 28 de outubro deste ano, os 800 alunos da escola concluí­ram o ano letivo mais extenso da vida deles: o de 2013.

O período letivo durou dois anos — só que apenas um foi na sala de aula. Os jovens perderam um ano da vida escolar por causa da desordem no ensino público. Os atrasos começaram quando o governo estadual decidiu de uma só vez reformar 163 escolas da rede, que tem 340 unidades.

Seria algo notável — muitas escolas estavam caindo aos pedaços — não fossem um planejamento e uma execução sofríveis. Na escola Alfredo Gaspar de Mendonça, os então 1 100 alunos foram enviados para casa pelos três meses em que durariam as reformas — não havia outra escola para realocá-los. Só que as obras demoraram oito meses. Na volta às aulas, o número de matrículas caiu para 800.

Para piorar, em novembro do ano passado, cinco alunos atearam fogo em uma sala de aula, em resposta às novas regras mais rígidas de conduta impostas pela direção — como usar uniformes. Eles acabaram expulsos para “seguir seu destino”, diz uma professora local. O incêndio comprometeu a rede elétrica da escola, que, sem luz, ficou mais dois meses sem aulas.

Dezenas de outras escolas passaram por atrasos letivos semelhantes. No ano passado, 17 000 estudantes não retornaram às aulas. Alagoas exibe a segunda maior taxa de evasão de alunos do ensino médio: dos jovens que se matricularam em escolas no ano passado, 15% abandonaram o curso depois.

Para o governador de Alagoas, Teotonio Vilela Filho (PSDB), as reformas nas escolas eram necessárias porque as unidades tinham “risco de desabamento”. Ele culpa a Secretaria de Educação do próprio governo pelo atraso nas obras e no ano letivo dos alunos. “Eles deveriam ter mantido os alunos estudando, mesmo que no meio da rua”, afirma o governador. “É fácil falar mal de Alagoas, o difícil é entender o contexto. Pagamos ao governo federal 50 milhões de reais por mês de dívida, com correção mais 7,5% de juros ao ano. São juros de agiota.”

Mas não adianta chorar pelos contextos ruins. O estudo da Macroplan dá provas de que heranças adversas podem ser superadas por uma gestão eficiente. E essa notícia precisa ser espalhada pelo país. Ou pelo menos contada e recontada nos gabinetes dos governadores eleitos.

Fonte: Revista Exame

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Julgada inconstitucional norma do RN sobre reenquadramento de servidores

Por votação unânime, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) declarou, nesta quarta-feira (14), a inconstitucionalidade dos artigos 15 e 17 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) da Constituição do Estado do Rio Grande do Norte (RN). O primeiro dispositivo conferiu aos servidores estaduais em exercício que, na data da promulgação da Constituição, estivessem à disposição de órgão diferente da sua lotação de origem, o direito de optar pelo enquadramento definitivo no órgão em que estivessem servindo, em cargo ou emprego equivalente. O segundo autorizou o acesso a cargo ou emprego de nível superior identificado ou equivalente à formação do curso de nível superior que o servidor concluísse.

A decisão, tomada no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 351, ajuizada pelo procurador-geral da República, confirma liminar anteriormente deferida pelo Plenário que suspendeu a eficácia de tais dispositivos. No voto proferido nesta tarde – acompanhado pelos demais ministros presentes à sessão –, o relator, ministro Marco Aurélio, observou que os dispositivos impugnados afrontam o disposto no artigo 37, inciso II, da Constituição Federal, que só admite a investidura em cargo ou emprego público após prévia aprovação em concurso.

Jurisprudência

O ministro lembrou que, em reiteradas ocasiões, o STF tem assentado a indispensabilidade da prévia aprovação em concursos público para investidura em cargo público efetivo. Nesse sentido, conforme assinalou, o Supremo editou a Súmula 685, que considera inconstitucional “toda modalidade de provimento que propicie ao servidor investir-se, sem prévia aprovação em concurso público destinado ao seu provimento, em cargo que não integra a carreira na qual anteriormente investido”.

O relator observou que o artigo 15 do ADCT da constituição potiguar autoriza a transposição de servidores, considerados cargos integrados a carreiras diversas, mediante simples requerimento e sem aprovação em concurso público. Por seu turno, conforme observou, o artigo 17 autoriza o enquadramento em cargo de nível superior, igualmente sem prévio concurso para tal. E ambas as modalidades são vedadas pelo artigo 37, inciso II, da Constituição Federal.

“A finalidade de corrigir eventuais distorções no serviço público estadual não torna legítima a norma impugnada, que se ampara em meio eivado de absoluta inconstitucionalidade”, ressaltou o relator.

Fonte: Supremo Tribunal Federal

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Pesquisa Senado: Maioria de internautas é contra contingente mínimo de 80% dos servidores da segurança pública em atividade durante greves


O DataSenado em parceria com a Agência Senado realizou, do dia 15 de abril a 5 de maio, enquete sobre parte do projeto de lei (PLS 710/2011) do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), que disciplina o direito de greve no serviço público. A enquete sondou a opinião de internautas a respeito da exigência de que, em caso de greve, os serviços de segurança pública mantenham em atividade, no mínimo, 80% de seus servidores. Na ocasião, pouco mais da metade de internautas, 55%, votou contra a proposta.

O direito de greve do servidor público está previsto na Constituição de 1988, artigo 37, inciso VII. Com alteração promovida pela Emenda Constitucional nº 19, de 5 de junho de 1998, ficou estabelecido que tal direito fosse exercido nos termos e nos limites definidos por lei específica. Menos de um ano após a promulgação da Constituição, o direito de greve dos trabalhadores da iniciativa privada foi regulamentado pela Lei nº 7.783, de 28 de junho de 1989. Na esfera pública, contudo, o debate é mais complexo, sendo que até hoje não existem normas específicas para o setor. Em 2007, o Supremo Tribunal Federal determinou que, enquanto não for editada a lei ordinária própria, a legislação da iniciativa privada deve ser aplicada, no que couber, ao serviço público.

Além do trecho do PLS 710/2011 tratado na enquete, o projeto disciplina ainda outras questões essenciais relacionadas ao exercício do direito de greve por parte dos servidores públicos. Nesse sentido, identifica os servidores alcançados pela norma, conceitua greve, apresenta requisitos para deflagração de greve, assegura direitos aos grevistas, define os serviços públicos essenciais, apresenta as formas de encerramento da greve, entre outros pontos.

Na enquete, o internauta foi convidado a se posicionar sobre a seguinte pergunta: Você é a favor ou contra que, em caso de greve, os serviços de segurança pública sejam obrigados a manter em atividade, no mínimo, 80% do total de seus servidores (PLS 710/2011)?

No total, 1.421 internautas votaram na enquete, sendo que 55% foram contrários à proposta, enquanto 45% manifestaram apoio à obrigação de, no mínimo, 80% do total de servidores da segurança pública ficarem em atividade, no caso de greve. Os resultados da enquete representam a opinião das pessoas que votaram, não sendo possível extrapolá-los para toda a população brasileira.

Você é a favor ou contra que, em caso de greve, os serviços de segurança pública sejam obrigados a manter em atividade, no mínimo, 80% do total de seus servidores? (PLS 710/2011)

Período: 16/4/2014 a 5/5/2014
Número de votos: 1.421

Contra 55%
A Favor 45%

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Aposentadoria dos Servidores Públicos por Insalubridade

Aposentadoria dos Servidores Públicos por Insalubridade
 
A Constituição Federal de 1988 prevê, na redação conferida pela Emenda Constitucional nº 47/2005, o direito dos servidores públicos, cujas atividades sejam exercidas sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física (insalubridade), à aposentadoria especial, nos termos definidos em leis complementares:
Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo.
(...)
§ 4º É vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciados para a concessão de aposentadoria aos abrangidos pelo regime de que trata este artigo, ressalvados, nos termos definidos em leis complementares, os casos de servidores:
(...)
III - cujas atividades sejam exercidas sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física.(grifou-se)
De acordo com essa norma constitucional de eficácia limitada, o exercício do direito à aposentadoria especial pelos servidores públicos depende da edição de lei complementar, estabelecendo os requisitos e critérios para a concessão do benefício. A lei complementar em questão deve ser uma lei nacional, conforme reiteradas decisões do Supremo Tribunal Federal.

Todavia, até o presente momento, não se tem notícia da aprovação da lei nacional que regulamente a matéria. E é a ausência da lei regulamentadora que está a inviabilizar o exercício do direito constitucional de diversos servidores públicos em todo o país à aposentadoria especial por insalubridade.

E esse tem sido o fundamento (a ausência de lei regulamentadora) adotado por diversas esferas administrativas de todo o país para indeferir requerimentos de aposentadoria por insalubridade de seus servidores.

Por esse motivo, diversos servidores públicos impetraram mandado de injunção, tendo em vista a evidente circunstância de estarem em situação de inviabilidade de exercício de direito assegurado na Constituição pela ausência de norma regulamentadora.

Em diversas ocasiões, ao julgar esses mandados de injunção, o STF não só reconheceu a omissão do legislador, como também supriu a omissão, de maneira integrativa, determinando a aplicação, ao caso concreto, no que couber, do Art. 57 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, que dispõe sobre o Regime Geral da Previdência Social.

Na última quarta-feira (09/04/2014), o Supremo Tribunal Federal, após constatar a existência de reiteradas decisões sobre essa mesma matéria constitucional, aprovou por unanimidade a edição da Súmula Vinculante n° 33 (que vincula os demais órgãos do Poder Judiciário e a Administração Pública Direta e Indireta de todos os entes federativos), com o seguinte enunciado: 
SÚMULA VINCULANTE N° 33 - Aplicam-se ao servidor público, no que couber, as regras do Regime Geral de Previdência Social sobre aposentadoria especial de que trata o artigo 40, parágrafo 4º, inciso III, da Constituição Federal, até edição de lei complementar específica.
 
Doravante, a Administração Pública não mais poderá adotar o fundamento da ausência de lei regulamentadora para apreciar os pedidos administrativos de aposentadoria por insalubridade formulados por seus servidores, tendo o dever de apreciar tais pedidos com base na Lei n° 8.213/1991 (que regular o Regime Geral de Previdência Social), em especial no seu Art. 57:
 
Art. 57. A aposentadoria especial será devida, uma vez cumprida a carência exigida nesta Lei, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos, conforme dispuser a lei.
§ 1º A aposentadoria especial, observado o disposto no art. 33 desta Lei, consistirá numa renda mensal equivalente a 100% (cem por cento) do salário-de-benefício.
Acaso a Administração Pública insista no procedimento de recusar a concessão do benefício sob o fundamento de ausência de lei regulamentadora, o servidor público poderá interpor diretamente reclamação ao STF (ante o descumprimento da Súmula Vinculante n° 33), que anulará o ato administrativo do indeferimento e determinará que outra decisão seja adotada, com a devida observância ao que expresso no enunciado da Súmula Vinculante.
 
Com a edição da Súmula Vinculante n° 33, o percurso processual para a garantia dos servidores públicos à aposentadoria especial por insalubridade será diminuído sensivelmente. A resolução permanente e definitiva do problema, contudo, somente ocorrerá quando for elaborada a lei nacional específica regulamentadora do direito dos servidores públicos à aposentadoria especial por insalubridade. 
 
Maurício Gentil
 
Fonte: Portal Infonet

quinta-feira, 29 de março de 2012

Servidores dos Ceac's estão denunciando desvio de função

Eles garantem estar trabalhando como papiloscopistas na SSP

Servidores dos Centros de Atendimento ao Cidadão (Ceac’s) procuraram o Portal Infonet para denunciar o desvio de função, ou seja, oficiais administrativos estariam realizando trabalho de papiloscopista e ganhando apenas 20% de insalubridade. A Secretaria de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag) garantiu na tarde desta quarta-feira, 28, que “todos os servidores são estatutários e tem atribuições regidas por lei”.

De acordo com os servidores que pediram para não ser identificados temendo represálias, “quem está lotado na Secretaria de Segurança Pública, ao realizarem a coleta de impressões digitais, estão realizando atividades de papiloscopistas, sem qualquer treinamento, tornando um risco para a segurança, já que há uma constante falha e imperícia na coleta das digitais. Sem contar que os papiloscopistas recebem 40% de insalubridade e esses servidores em desvio de função estão ganhando apenas 20%.

Os trabalhadores denunciam que além de estarem “recebendo quatro vezes menos, haverá cortes por parte da Seplag, na insalubridade dos servidores e alguns serão obrigados a realizar as atividades de papiloscopistas sem receber pelas mesmas”.

Eles garantem estar havendo “assédio moral e coerção por parte das chefias dos Centros de Atendimento ao Cidadão”.

Contraponto

A assessoria de Comunicação Social da Seplag garantiu que não existe desvio de função nos Ceac’s. “Todos os servidores são estatutários, tem atribuições regidas por Lei e prestam serviços de acordo com tais atribuições na condição de oficiais administrativos”.

Segundo a Seplag, a acusação de que o Estado paga ‘menos’ por que supostamente usa oficiais administrativos em função de papiloscopistas “também não resiste à análise dos fatos. Os cargos são diferentes, exigem distintas formações, e a mera coleta de digitais que é feita nos CEAC não requer formação técnica de papiloscopista”.

A Secretaria informou ainda que, quanto à insalubridade, a orientação da Seplag é a de proteger a saúde do servidor e não remunerar o risco à saúde ou segurança. “A avaliação do risco no trabalho e o conseqüente índice da periculosidade depende de análise de equipe técnica, formada com a participação de servidores qualificados para essa função. É o parecer técnico que define o índice utilizado, que varia caso a caso de acordo com a atividade laboral e as condições de trabalho. Não há pois nenhum "corte" do adicional, mas um esforço permanente de proteção da saúde do servidor”.

E sobre a existência de assédio moral e coerção, a “Secretaria promoverá imediata apuração de quaisquer supostas irregularidades denunciadas. Até o presente momento, contudo, existe apenas uma carta anônima, enviada a um veículo de comunicação, que não relata nenhum fato de assédio, nem as supostas vítimas, nem o suposto autor, nem sequer quando ou como teriam sido cometidas”.

Aldaci de Souza

Fonte: Portal Infonet

sábado, 24 de março de 2012

Desconto em vencimentos por dias parados em razão de greve tem repercussão geral

O Supremo Tribunal Federal (STF), por meio do Plenário Virtual, reconheceu a existência de repercussão geral em matéria discutida no Agravo de Instrumento (AI) 853275, no qual se discute a possibilidade do desconto nos vencimentos dos servidores públicos dos dias não trabalhados em virtude de greve. Relatado pelo ministro Dias Toffoli, o recurso foi interposto pela Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec) contra decisão da 16ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), que declarou a ilegalidade do desconto.

Para o TJ-RJ, o desconto do salário do trabalhador grevista representa a negação do próprio direito de greve, na medida em que retira dos servidores seus meios de subsistência. Além disso, segundo o acórdão (decisão colegiada), não há norma legal autorizando o desconto na folha de pagamento do funcionalismo, tendo em vista que até hoje não foi editada uma lei de greve específica para o setor público.

De acordo com o ministro Dias Toffoli, a discussão acerca da efetiva implementação do direito de greve no serviço público, com suas consequências para a continuidade da prestação do serviço e o desconto dos dias parados, é tema de índole eminentemente constitucional, pois diz respeito à correta interpretação da norma do artigo 37, inciso VII, da Constituição Federal.

O ministro reconheceu que a discussão pode se repetir em inúmeros processos, envolvendo interesses de milhares de servidores públicos civis e da própria Administração Pública, circunstância que recomenda uma tomada de posição definitiva do Supremo sobre o tema. “A questão posta apresenta densidade constitucional e extrapola os interesses subjetivos das partes, sendo relevante para todas as categorias de servidores públicos civis existentes no país, notadamente em razão dos inúmeros movimentos grevistas que anualmente ocorrem no âmbito dessas categorias e que fatalmente dão ensejo ao ajuizamento de ações judiciais”, afirmou o ministro Dias Toffoli.

No caso em questão, servidores da Faetec que aderiram à greve, realizada entre os dias 14 de março e 9 de maio de 2006, impetraram mandado de segurança com o objetivo de obter uma ordem judicial que impedisse o desconto dos dias não trabalhados. Em primeiro grau, o pedido foi rejeitado. Porém, a 16ª Câmara Cível do TJ-RJ reformou a sentença, invocando os princípios do devido processo legal e da dignidade da pessoa humana.

O entendimento do TJ-RJ foi o de que, não havendo lei específica acerca de greve no setor público, não se pode falar em corte ou suspensão de pagamento de salários dos servidores por falta de amparo no ordenamento jurídico. “Na ponderação entre a ausência de norma regulamentadora e os princípios do devido processo legal e da dignidade da pessoa humana, devem prevalecer estes últimos”, diz o acórdão.

Fonte: Supremo Tribunal Federal

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Entrevista: Ortopedista do HPM alerta policiais para problemas nas articulações e ligamentos

Dr. André Luiz Rocha

Problemas como lombalgia [dor nas costas], lesão no joelho e inflamação no solado dos pés [esporão] estão na lista dos problemas mais procurados por policiais militares no Hospital da Polícia Militar, quando se trata de Ortopedia. Tal especialidade médica trata de doenças e deformidades dos ossos, músculos, ligamentos, articulações e diversos problemas relacionadas ao aparelho locomotor.

Alguns problemas podem ser evitados com simples dicas de prevenção. Em entrevista, o Drº André Luiz Rocha de Souza, especialista em Ortopedia e Traumatologia com atuação em cirurgia do pé e tornozelo, alerta a tropa para os principais problemas, soluções e atitudes preventivas que podem evitar problemas futuros. O Drº André Luiz é tenente da Polícia Militar do Estado de Sergipe e realiza atendimento no HPM desde 2006.


Ascom/PM: Quais os principais problemas dos policiais militares que procuram atendimento ortopédico no HPM?
Drº André Luiz: Problemas como lombalgia, lesão no joelho, fascite plantar, inflamação no solado nos pés [esporão] e problemas no ombro são os mais comuns. Mas o maior número de casos é a lombalgia, que pode ser gerada por conta de uma artrose, hérnia, dor muscular. Por conta da própria profissão, o policial militar acaba ficando muito tempo em pé. Além disso, há outros policiais que estão acima do peso e não praticam atividade física. Isso pode acarretar problemas, como as dores nas costas que aparentam não ter explicação. Cada caso é um caso.
Ascom/PM: Qualquer policial militar pode procurar atendimento no HPM, independente de ter Ipes ou plano de saúde particular?
AL: Sim, e isso é uma dúvida recorrente entre os policiais militares. A situação é a seguinte: em relação a atendimento, qualquer policial ou bombeiro militar – independentemente de plano de saúde ou mesmo o Ipes – pode agendar consultas para o HPM. Mas reforço que é preciso agendar, salvo em caso de uma emergência, a exemplo de um acidente.
Ascom/PM: Parentes de policiais militares que necessitam de atendimento ortopédico podem procurar o HPM?
AL: Apenas parentes como pai, filho, mãe e cônjuge. Mesmo assim, reforço a necessidade de agendar atendimento por telefone ou pessoalmente. Além disso, situações como traumas e fraturas expostas geralmente são encaminhadas para outro hospital, a exemplo do Hospital Primavera. O militar não precisa de plano de saúde para agendar atendimento, mas caso necessite de exames ou internamento, não há como proceder sem plano de saúde para acompanhar. Isso teria de ser de forma particular.
Ascom/PM: Acontece do policial militar sentir a dor e ficar guardando o problema?
AL: Sim, isso é muito frequente. Infelizmente muitos colegas sentem uma forte e constante dor no joelho, por exemplo, mas “guardam” a situação até o último momento. Um problema que poderia ser resolvido de maneira simples pode resultar na obrigatoriedade do militar passar por uma cirurgia. E isso deve ser a exceção. Tratamento com fisioterapia pode auxiliar bastante nesse processo. Como resultado do adiamento de um problema, muitas vezes o policial passa à condição de restrição médica ou mesmo para invalidez permanente junto à Polícia Militar. É preciso buscar auxílio ao sentir dores. O militar não deve encarar a dor freqüente como algo normal.
Ascom/PM: O uso diário do colete, coturno e escudo balístico pode gerar problemas ortopédicos?
AL: Sim, pode ocorrer. Cabe ao policial militar dosar cada atitude dele, praticar atividades físicas e ainda observar o próprio corpo. Cada caso é um caso, não há como generalizar em relação ao uso dos equipamentos. É preciso que o militar adquira o hábito de alongar todos os dias e controlar o peso. Estamos com muitos policias militares obesos e isso tem gerado sérios problemas, sobretudo lombalgia. Além disso, muitos sentem dores ao longo de um ano e somente depois buscam auxílio médico.
Ascom/PM: Em quais dias da semana e horários é possível agendar atendimento junto aos ortopedistas do HPM?
AL: O policial militar deve buscar o Ambulatório Médico, onde acontece a marcação de consultas para diversos especialistas que atendem no HPM. No caso específico de problemas relacionados à ortopedia, o HPM conta com apenas ortopedistas para atender a demanda. No meu caso, o atendimento acontece dias de segunda-feira pela manhã e dias de quarta-feira pela tarde. Porém, lembro que a consulta precisa ser agendada.
Ascom/PM: O HPM está preparado para realizar cirurgias de grande complexidade em relação a problemas ortopédicos?
AL: O HPM é um hospital de média complexidade. Assim, realizamos cirurgias mais simples e casos mais complexos são encaminhados a outros hospitais. O HPM é um hospital público e conta com um orçamento previsto para a realização de suas atividades. Então pode ocorrer de estarmos sem placa, parafuso ou materiais necessários para a realização de alguma necessidade mais complexa por parte do paciente. Nestes casos, ocorre o encaminhamento a outro hospital, a exemplo também da urgência do Ipes.
Ascom/PM: Quais as principais necessidades atuais do setor de ortopedia do HPM?
AL: Precisamos de uma sala específica de gesso e curativo, aumento do efetivo dos médicos ortopedistas e fornecimento do material de osteossíntese. Essas são as mais importantes neste momento. Mas mesmo assim, estamos com uma média semanal de 70 atendimentos, entre meus pacientes e os do outro colega, o Drº Kleberton [ortopedista e tenente da PM].
Ascom/PM: Se o policial militar tem problema de inflamação no solado dos pés [esporão], que tipo de atividade física deve praticar? Esporão tem cura?
AL: Esporão tem cura sim. Cada caso é um caso, e o militar que estiver passando por esse problema deve imediatamente procurar auxílio médico. Com relação à atividade física, sugiro que o policial agende antes um cardiologista [especialidade também encontrada no PM] para não correr o risco de enfartar se realizar algo que o organismo não tem condições de suportar. No caso específico de pacientes com esporão, sugiro uma atividade sem impacto, a exemplo de ciclismo. Se for lombalgia, alongamento e academia são recomendados. Mas repito: é importante buscar auxílio médico antes de tomar qualquer decisão sobre o assunto, pois cada caso é um caso.
Quer agendar uma consulta no HPM?

Atualmente, o HPM conta com profissionais – militares e civis – nas especialidades de angiologia, cardiologia, endocrinologia, clínica médica, ginecologia, pediatria, cirurgia geral, dermatologia, ortopedia, oftalmologia, urologia, psicologia, gastroenterologia, otorrinolaringologia e odontologia.

Para agendar uma consulta, o policial ou bombeiro militar, deve passar por um pequeno e rápido processo. A explicação é de Ana Lúcia Santos, técnica de enfermagem que há 23 anos trabalha no HPM. “A Direção Clínica do HPM nos passa uma escala de atendimento de todos os especialistas e realizamos o agendamento dentro de cada mês. Então, por exemplo, para os policiais que desejarem marcar consulta para o mês de setembro com qualquer médico do HPM, o agendamento começa dia 29 de agosto”, explicou Ana Lúcia.

Para marcar consultas, o policial militar deve comparecer presencialmente ao HPM ou ligar o telefone (79) 3234-1846, de segunda à sexta-feira, de 7 às 11 horas. Cada especialista realiza 20 atendimentos por semana, além dos retornos. No caso específico do ortopedista, ainda existe o número (79) 3234-1854. Além de Ana Lúcia, mais duas pessoas trabalham no Ambulatório Médico, com o intuito de atender ao público que deseja agendar uma consulta médica.

“Os policiais militares que moram/trabalham no interior sergipano têm preferência na marcação, pois ainda são poucos que agendam e sabemos das dificuldades encontradas por eles para efetuar o deslocamento até o hospital. Mas todos os policiais e bombeiros militares são muito bem vindos no Hospital da Polícia Militar, tanto da capital quanto do interior”, finaliza bastante receptiva a técnica de enfermagem Ana Lúcia Santos.

Fonte: PMSE

domingo, 12 de setembro de 2010

Justificativas sociais para a reestruturação do cargo de agente de polícia judiciária para o nível superior

“A quem interessa um policial ganhando R$ 800 por mês?
A quem quer corrompê-lo bem barato”.
(Marina Maggessi – Deputada Federal: ISTOÉ-20/12/2006)

Não obstante a vertiginosa escalada do crime organizado e sua constante especialização e diversificação, é latente o sucateamento das instituições policiais em todo o país, sobretudo no que diz respeito à Polícia Civil, constitucionalmente responsável pela persecução penal. Nesse contexto, pergunta-se: — Estarão as polícias civis preparadas para acompanhar a evolução do crime, que, sem ilusões, cada dia torna-se mais complexo e sofisticado? Estarão as polícias civis aptas para atuar em consonância com o princípio da multidisciplinaridade que deve permear a investigação técnico-científica capaz de produzir provas que garantam a condenação do indivíduo-infrator sem a necessidade de recorrer à abjeta prática da confissão sob tortura?

Diversos autores, a exemplo do Percival de Souza, autor do documentário PCC o sindicato do crime, demonstram o interesse de ramificação e expansão por parte de setores do crime organizado, inclusive custeando cursos para futuros funcionários do crime com intuito de infiltra-los em setores estratégicos do serviço público, com destaque para as instituições policiais. Só este motivo já deveria ser razoável para se discutir formas de tornar o mais restrito possível o acesso às carreiras policiais. Contudo, apesar de relevante, este não é nem de longe a principal justificativa a ser considerada.

Tradicionalmente as polícias estaduais tem sido tratadas como setores de assistência social com foco na geração de emprego para jovens sem qualificação, refletindo uma visão equivocada de que investigar é função pouco complexa baseada na busca de testemunhas e extração de confissões e por isso mesmo podendo ser acessível a literalmente qualquer um, sem atentar para a óbvia constatação formalizada no Plano Nacional de Segurança Pública elaborado pelo Governo Federal, onde no capítulo “Mudanças nas polícias Militares e nas polícias civis para implementação do Sistema Único de Segurança Pública” constata que “quanto mais técnica e ciência na investigação, menos violência”.

Há de se ter em mente que investigar, focando os subsídios que possam ensejar na condenação gera a necessidade de estruturas específicas, planejamento, elaboração de vários documentos, compreensão de matérias como: contabilidade, direito, administração, finanças, informática, engenharia, química, mecânica, telefonia, radiocomunicação etc., sendo óbvio que se trata de conhecimentos mínimos, mas necessários. Hoje, no mundo, a bem da verdade, as policiais judiciárias mais eficientes, como a americana (FBI), a inglesa (Scotland Yard), a francesa, a canadense, a alemã etc., são altamente qualificadas, leia-se Agentes (investigadores) com nível superior, e por isso mesmo mundialmente respeitadas.

Igualmente há de se constatar que operações efetivas de combate ao crime, sobretudo ao organizado, como o Tolerância Zero em Nova York e a Operação Mãos Limpas na Itália, somente obtiveram êxito porque pautadas no tripé valorização do Agente, Corregedoria forte e planejamento pautado em critérios técnicos. Mas não é preciso sair do país para perceber os reflexos que podem advir da reestruturação do cargo de Agente de Polícia Judiciária para o nível superior. Vide a nossa Polícia Federal (a Polícia Civil da União).

Se hoje ela tem autonomia de ação que lhe permita investigar e prender àqueles que adotem condutas delitivas, independente do estrato social que ocupem, isto nada mais é do que o reflexo da oxigenação e qualificação decorrente da reestruturação do cargo de Agente Federal para o nível superior através da Lei nº 9.266/1996. Se somente em 2007 viu-se à prisão de Zuleido Veras e outros que em 2001 já eram denunciados pela revista Época como lesivos ao erário, isso é graças à qualificação e independência da Polícia Federal cujos cargos somente são acessíveis a parcelas cada vez mais restritas da sociedade.

Não é à toa, portanto, que o plano de Modernização da Polícia Civil Brasileira, de autoria da Secretaria Nacional de Segurança Pública em 2005, propõe:

"Agente Policial, igualmente autônomo em sua posição especializada na equipe interdisciplinar de investigação, graduado em nível superior, universitário, é o profissional capaz de manejar adequadamente as múltiplas tecnologias exigidas pelo ato investigatório, tanto quanto executar procedimentos de segurança da equipe profissional, interagir com a política de inteligência, efetuar ações de esforço físico contra eventuais resistências à autoridade do Estado e, também, as complexas atividades de natureza cartorial, desta feita concebidas num sistema moderno, ligado à atividade de inteligência e pressupondo uma execução fundada na gestão de conhecimentos".

Afinal, como definido na Constituição Federal, à Polícia Civil atribui-se a missão de executar a política de apuração das infrações penais e de polícia judiciária, desempenhando a primeira fase da repressão estatal, de caráter preliminar à persecução processual penal, oferecendo suporte às ações de força ordenadas pela autoridade judiciária. A partir do quê, a percepção de que tal empreendimento exige posturas altamente profissionalizadas por técnicas de gestão e ação operativa, tudo conforme a legislação nacional e os tratados internacionais, particularmente no que se refere ao respeito pelos direitos fundamentais do homem, segundo fartamente gravado no ordenamento jurídico pátrio.

Por fim, seguindo a ordem natural das coisas, qual seja, a de evoluir, concluímos que todo policial civil tem que ser valorizado e qualificado para melhorar a segurança pública, ou seja, o cargo de Agente de Polícia Judiciária deve ser um cargo de nível superior; fazer o caminho inverso, diminuindo a qualificação de seus integrantes ou estagnar sua estrutura, não seria a melhor forma de atender as necessidades da sociedade, quer as prementes, quer as futuras, pois como com muita propriedade informa Luiz Eduardo Soares, uma das maiores autoridades em segurança do país: carros, motos e reformas de nada adianta pois: “Nenhum esforço,entretanto, será capaz de atingir os objetivos visados por um projeto radical de reforma, se não vier acompanhado da valorização dos policiais”.

Ricardo dos Reis Tavares - Aracaju(SE) - 14/08/2010
Presidente do SINPOL - Sindicato da Polícia Civil

Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública

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